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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A luz inextinguível - Vinha de Luz - Capítulo 162

"A caridade jamais se acaba."
(Paulo I Corintios, 13: 8)"



Permaneces no campo da experiência humana, em plena atividade transformadora.

Todas as situações de que te envaideces, comumente, são apenas ângulos necessários mas instáveis de tua luta.

A fortuna material, se não a fundamentas no trabalho edificante e continuo, é patrimônio inseguro.

A família humana, sem laços de verdadeira afinidade espiritual, é ajuntamento de almas, em experimentação de fraternidade, da qual te afastarás, um dia, com extremas desilusões.

A eminência diretiva, quando não solidificada em alicerces robustos de justiça e sabedoria, de trabalho e consagração ao bem, é antecâmara do desencanto.

A posição social é sempre um jogo transitório.

As emoções da esfera física, em sua maior parte, apagam-se como a chama duma vela.

A mocidade do corpo denso é floração passageira.

A fama e a popularidade costumam ser processos de tortura incessante.

A tranqüilidade mentirosa é introdução a tormentos morais.

A festa desequilibrante é véspera de laborioso reparo.

O abuso de qualquer natureza compele ao reajustamento apressado.

Tudo, ao redor de teus passos, na vida exterior, é obscuro e problemático.

O amor, porém, é a luz inextinguível.

A caridade jamais se acaba.

O bem que praticares, em algum lugar, é teu advogado em toda parte.

Através do amor que nos eleva, o mundo se aprimora.

Ama, pois, em Cristo, e alcançarás a glória eterna.

(Vinha de Luz, de Chico Xavier/Emmanuel. 1a edição. 2014. Federação Espírita Brasileira)

quinta-feira, 28 de julho de 2016

A Lição dos Chuchus

( Do livro "Lindos Casos de Chico Xavier", de Ramiro Gama. 22a edição. 2014. Livraria Allan Kardec Editora)


Dona Maria Pena, que era viúva do Raimundo, irmão do Chico, julgava que este era um mão aberta...

Não era muito crente do dar sem receber. E, certa manhã, em que, sobremodo, sentia a missão do médium, que muito estimava, disse-lhe.

- Chico, não acredito muito nas suas teorias de servir, de ajudar, de dar e dar sempre, sem uma recompensa. Não vejo nada que você receba em troca do que faz, do que dá, do que realiza...

- Mas tudo quanto fazemos com sinceridade e amor no coração, Deus abençoa. E sempre que distribuímos, que damos com a direita sem a esquerda ver, fazemos uma boa ação e, mais cedo ou mais tarde, receberemos a resposta do Pai. Pode crer que quem faz o bem, além de viver no bem, colhe o bem.

- Então, vamos experimentar. Tenho aqui dois chuchus. Se alguém aqui aparecer, vou lhe dar e quero ver se, depois, recebo outros dois...

Ainda não acabara de falar, quando a vizinha do lado esquerdo, pelo muro, chama:

- Dona Maria, pode me dar ou emprestar uns dois chuchus?

Daí a instante, sem que pudesse refazer-se da surpresa que tivera, a vizinha do lado direito, também pelo muro, ofereceu quatro chuchus a Dona Maria.

Meia hora depois, a vizinha dos fundos pede a Dona Maria uns chuchus e esta a presenteia com os quatro que ganhara.

A vizinha da frente, quase em seguida, sem que soubesse o que acontecia, oferece à cunhada do nosso querido médium, oito chuchus.

Por fim, já sentindo a lição e agindo seriamente, Dona Maria é visitada por uma amiga de poucos recursos econômicos.

Demora-se um pouco, o tempo bastante para desabafar sua pobreza.

À saída, recebe, com outros mantimentos, os oito chuchus...

E dona Maria diz para o Chico:

- Agora quero ver se ganho dezesseis chuchus, era só o que faltava para completar essa brincadeira...

Já era tarde.

Estava na hora de regressar ao serviço e Chico partiu, tendo antes enviado à prezada irmã um sorriso amigo e confiante, como a dizer-lhe: - "Espere e verá".

Aí pelas dezoito horas, regressou o Chico à casa.

Nada havia sucedido com relação aos chuchus...

Dona Maria olhava para o Chico com ar de quem queria dizer: "Ganhei ou não?"

Às vinte horas, todos na sala, juntamente com o Chico, conversavam e nem se lembravam mais do caso dos chuchus, quando alguém bateu à porta.

Dona Maria foi atender. Era um senhor idoso, residente na roça.

Trazia no seu burrinho pequenos presentes para Dona Maria, em retribuição às refeições que sempre lhe dava, quando vinha à cidade.

Colocou à porta um pequeno saco.

Dona Maria abriu-o nervosa e curiosamente.

Estava repleto de chuchus...

Contou-os: sessenta e quatro. Oito vezes mais do que havia, ultimamente, dado...

A graça, em forma de lição, excedia à expectativa, era mais do que esperava.

E daí por diante, Dona Maria compreendeu que aquele que dá sempre recebe mais.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Encontro com Deus.

(Citação de Emmanuel no livro  "Amor e Sabedoria de Emmanuel", de Clovis Tavares. Instituto de Difusão Espírita. Araras. SP. 1a edição. 1970.)


Enriquece de cultura os dotes que te enfeitam a personalidade e realiza na Terra os nobres ideais afetivos que te povoam os pensamentos, no entanto, se queres que a felicidade venha morar efetivamente contigo, auxilia igualmente a construir a felicidade dos outros. Nosso encontro com aqueles que sofrem dificuldades e provações maiores que as nossas será sempre, em qualquer lugar, o nosso mais belo e duradouro encontro com Deus."

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Caridade, por Ramatís/Hercílio Maes


Caridade, em sua essência absoluta, é a emoção estética amorosa da alma angelizada.

(Ramatís/Hercílio Maes - Mediunismo - Editora "Livraria Freitas Bastos SA" - 3a edição. pg 235)



quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Prepara-te


Na obra de salvação - Fonte Viva - Capítulo 139

Porque Deus não nos tem designado para a ira, mas para a aquisição da salvação por nosso Senhor Jesus Cristo. 
(Primeira epístola de Paulo aos Tessalonicenses, 5:9.)


Por que não somos compreendidos?

Por que motivo a solidão nos invade a existência?

Por que razões a dificuldade nos cerca?

Por que tanta sombra e tanta aspereza em torno de nossos passos?

E a cada pergunta, feita de nós para nós mesmos, seguem-se, comumente, o desespero e a inconformação, reclamando, sob os raios mortíferos da cólera, as vantagens de que nos sentimos credores.

Declaramo-nos decepcionados com a nossa família, desamparados por nossos amigos, incompreendidos pelos companheiros e até mesmo perseguidos por nossos irmãos.

A intemperança mental carreia para nosso íntimo os espinhos do desencanto e os desequilíbrios orgânicos inabordáveis, transformando-nos a existência num rosário de queixas preguiçosas e enfermiças.

Isso, porém, acontece porque não fomos designados pelo Senhor para o despenhadeiro escuro da ira, e sim para a obra da salvação.

Ninguém restaura um serviço sob as trevas da desordem.

Ninguém auxilia ferindo sistematicamente, pelo simples prazer de dilacerar.

Ninguém abençoará as tarefas de cada dia, amaldiçoando-as, ao mesmo tempo.

Ninguém pode ser simultaneamente amigo e verdugo.

Se tens notícia do Evangelho no mundo de tua alma, prepara-te para ajudar infinitamente...

A Terra é a nossa escola e a nossa oficina.

A Humanidade é a nossa família.

Cada dia é o ensejo bendito de aprender a auxiliar.

Por mais aflitiva seja a tua situação, ampara sempre, e estarás agindo no abençoado serviço de salvação a que o Senhor nos chamou.

(Fonte Viva, de Chico Xavier/Emmanuel. 1a edição. 2013. Federação Espírita Brasileira)


terça-feira, 28 de julho de 2015

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos...

(Primeira epístola de Paulo aos Coríntios: capítulo 13 - Extraído da Bíblia "Almeida Revisada e Corrigida", na página de internet Bíblia Online)


Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor (1), seria como o metal que soa ou como o sino que tine.

E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.

Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;

Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;

Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;

Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;

Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo
que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.

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Minhas notas:

(1) Em outra versão da Bíblia em português, a "Bíblia de Jerusalém", a palavra "amor" é substituída pela palavra "caridade".


terça-feira, 19 de maio de 2015

Jesus no Lar - Capítulo 04 - A lição da semente

(Jesus no Lar. Chico Xavier/Espírito Neio Lúcio. Editado pela FEB - Federação Espírita Brasileira.- 37a edição. 2012.)


Diante da perplexidade dos ouvintes, falou Jesus, convincente:

- Em verdade, é muito difícil vencer os aflitivos cuidados da vida humana. Para onde se voltem nossos olhos, encontramos a guerra, a incompreensão, a injustiça e o sofrimento. No templo, que é o lar do Senhor, comparecem o orgulho e a vaidade nos ricos, o ódio e a revolta nos pobres. Nem sempre é possível trazer o coração puro e limpo, como seria de desejar, porque há espinheiros, lamaçais e serpentes que nos rodeiam. Entretanto,a ideia do do Reino divino é assim como a semente minúscula do trigo. Quase imperceptível é lançada a terra, suportando-lhe o peso e os detritos, mas, se germina, a pressão e as impurezas do solo não lhe paralisam a marcha. Atravessa o chão escuro e, embora dele retire em grande parte o próprio alimento, o seu impulso de procurar a luz de cima é dominante. Desde então, haja sol ou chuva, faça dia ou noite, trabalha sem cessar no próprio crescimento e, nessa ânsia de subir, frutifica para o bem de todos. O aprendiz que sentiu a felicidade do avivamento interior, qual ocorre à semente de trigo, observa que longas raízes o prendem à inibições terrestres... Sabe que a maldade e a suspeita lhe rondam os passos, que a dor é ameaça constante; todavia, experimenta, acima de tudo, o impulso de ascensão e não mais consegue se deter. Age constantemente na espera de que se fez peregrino, em favor do bem geral. Não encontra seduções irresistíveis nas flores da jornada. O reencontro com a Divindade, de que se reconhece venturoso herdeiro, constitui-lhe objetivo imutável e não mais descansa, na marcha, como se uma luz consumidora e ardente lhe torturasse o coração. Sem perceber, produz frutos de esperança, bondade, amor e salvação, porque jamais recua para contar os benefícios de que se fez instrumento fiel. A visão do Pai é a preocupação obcecante que lhe vibra na alma de filho saudoso.

O Mestre silenciou por momentos e concluiu:

- Em razão disso, ainda que o discípulo guarde os pés encarcerados no lodo da Terra, o trabalho infatigável no bem, no lugar em que se encontra, é o traço indiscutível de sua elevação. Conheceremos as árvores pelos frutos e identificaremos o operário do Céu pelos serviços em que se exprime.

A essa altura, Pedro interferiu, perguntando:

- Senhor, que dizer, então, daqueles que conhecem os sagrados princípios da caridade e não os praticam?

Esboçou Jesus manifesta satisfação no olhar e elucidou:

- Estes, Simão, representam sementes que dorme, apesar de projetadas no seio dadivoso da terra. Guardarão consigo preciosos valores do Céu, mas jazem inúteis por muito tempo. Estejamos, porém, convictos de que os aguaceiros e furacões passarão por elas, renovando-lhes a posição no solo, e elas germinarão vitoriosas, um dia. Nos campos de nosso Pai, há milhões de almas assim, aguardando as tempestades renovadoras da experiência, para que se dirijam à glória do futuro. Auxiliemo-las com amor e prossigamos, por nossa vez, mirando a frente!

Em seguida, ante o silêncio de todos, Jesus abençoou a pequena assembleia familiar e partiu.



sexta-feira, 15 de maio de 2015

A maior obra!

(Jesus aos 20 anos de idade, a Faqui, um jovem egípcio, ante a grandiosidade do templo de Jerusalém. Fonte: "Harpas Eternas", de Hilarión do Monte Nebo/Josefa Rosalía Luque Alvarez, Editora Pensamento. São Paulo. 11a edição. 2011)



(...) a alma de um homem justo é um templo muito mais digno de Deus que toda esta riqueza que aqui vemos. Maior obra que a de Salomão fazemos nós quando consolamos uma alma humana que sofre, quando elevamos seu nível moral, quando afastamos os obstáculos que impedem seu caminho para a luz, quando despertamos nela o desejo da verdade, de conhecimento e de sabedoria.

domingo, 26 de abril de 2015

Silenciar e ajudar...

(Frase de "Chico Xavier", em "Reencarnação no Mundo Espiritual", de Inácio Ferreira, Psicografado por Carlos Baccelli. Livraria Espírita Edições Pedro e Paulo. 1a edição. 2008).


"Existem situações na vida em que a gente só pode silenciar e ajudar; se não puder silenciar e ajudar, é melhor que saia de perto..."

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Os Mensageiros - O Pai visita os filhos



(Aniceto, a André Luiz e Vicente, instruindo-os, no plano espiritual)

Como já disse, o Pai visita os filhos necessitados através dos filhos que procuram compreendê-Lo. Não poderíamos abusar do Senhor como abusamos no círculo terrestre dos nossos pais humanos. Não vive Ele ao sabor de nossos caprichos pessoais. Nunca poderia vir, em pessoa, enxugar o pranto do necessitado que chora, em consequência, aliás, do olvido das Divinas Leis. Compete ao necessitado caminhar ao reencontro d'Ele. O Senhor, todavia, atende sempre a todos os homens de boa vontade, por intermédio dos homens bons, que se edificam na casa divina. Todos os nossos desejos e impulsos razoáveis são atendidos pelas bênçãos paternais do Eterno. Ainda que nos demoremos nas lágrimas e nas aflições, jamais permanecemos ao desamparo. Apenas devemos salientar que as respostas de Deus vão sendo maiores e mais diretas, à medida que se intensifique o nosso merecimento, competindo-nos reconhecer que, para semelhantes respostas, são utilizados todos quantos trazem consigo a luz da bondade, ou já possuem mérito e confiança para auxiliar em nome de Deus.


domingo, 26 de outubro de 2014

Sinal Verde - Capítulo 12 - Perante os Amigos - 02

(Pelo Espírito André Luiz, Psicografado por Chico Xavier)

Quem diz que ama e não procura compreender e nem auxiliar, nem amparar e nem servir, não saiu de si mesmo ao encontro do amor em alguém.


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Epístola de Tiago, 1, 27

27 A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Jesus no Lar - Capítulo 20 - A Caridade desconhecida

(pelo Espírito Neio Lúcio* - Psicografado por Francisco Cândido Xavier)

A conversação em casa de Pedro versava, nessa noite, sobre a prática do bem, com a viva colaboração verbal de todos.

Como expressar a compaixão, sem dinheiro? Por que meios incentivar a beneficência, sem recursos monetários?

Com essas interrogativas, grandes nomes da fortuna material eram invocados e a maioria inclinava-se a admitir que somente os poderosos da Terra se encontravam à altura de estimular a piedade ativa, quando o Mestre interferiu, opinando, bondoso:

- Um sincero devoto da Lei foi exortado por determinações do Céu ao exercício da beneficência; entretanto, vivia em pobreza extrema e não podia, de modo algum, retirar a mínima parcela de seu salário para o socorro aos semelhantes. Em verdade, dava de si mesmo quanto possível, em boas palavras e gestos pessoais de conforto e estímulo a quantos se achavam em sofrimento e dificuldade; porém, magoava-lhe o coração a impossibilidade de distribuir agasalho e pão com os andrajosos e famintos à margem de sua estrada.

"Rodeado de filhinhos pequeninos, era escravo do lar que lhe absorvia o suor.

Reconheceu, todavia, que, se lhe era vedado o esforço na caridade pública, podia perfeitamente guerrear o mal, em todas as circunstâncias de sua marcha pela Terra.

Assim é que passou a extinguir, com incessante atenção, todos os pensamentos inferiores que lhe eram sugeridos; quando em contato com pessoas interessadas na maledicência, retraía-se, cortês e, em respondendo a alguma interpelação direta, recordava essa ou aquela pequena virtude da vítima ausente; se alguém, diante dele, dava pasto à cólera fácil, considerava a ira como enfermidade digna de tratamento e recolhia-se à quietude; insultos alheios batiam-lhe no espírito à maneira de calhaus em barril de mel, porquanto, além de não reagir, prosseguia tratando o ofensor com a fraternidade habitual; a calúnia não encontrava acesso em sua alma, uma vez que toda denúncia torpe se perdia, inútil, em seu grande silêncio; reparando ameaças sobre a tranquilidade de alguém, tentava desfazer as nuvens da incompreensão, sem alarde, antes que assumissem feição tempestuosa; se alguma sentença condenatória bailava em torno do próximo, mobilizava, espontâneo, todas as possibilidades ao seu alcance na defesa delicada e imperceptível; seu zelo contra a incursão e a extensão do mal era tão fortemente minucioso que chegava a retirar detritos e pedras da via pública, para que não oferecessem perigo aos transeuntes.

Adotando essas diretrizes, chegou ao termo da jornada humana, incapaz de atender às sugestões da beneficência que o mundo conhece. Jamais pudera estender uma tigela de sopa ou ofertar uma pele de carneiro aos irmãos necessitados.

Nessa posição, a morte buscou-o ao tribunal divino, onde o servidor humilde compareceu receoso e desalentado. Temia o julgamento das autoridades celestes, quando, de improviso, foi aureolado por brilhante diadema e, porque indagasse, em lágrimas, a razão de inesperado prêmio, foi informado de que a sublime recompensa se referia à sua triunfante posição na guerra contra o mal, em que se fizera valoroso empreiteiro".

Fixou o Mestre nos aprendizes o olhar percuciente e calmo e concluiu, em tom amigo:

- Distribuamos o pão e a cobertura, acendamos a luz para a ignorância e intensifiquemos a fraternidade aniquilando a discórdia, mas não nos esqueçamos do combate metódico e sereno contra o mal, em esforço diário, convictos de que, nessa batalha santificante, conquistaremos a divina coroa da caridade desconhecida.

* Nota: Aqueles que leram o livro "50 anos depois", escrito em continuidade ao "Há 2000 anos", psicografado pelo espírito Emmanuel, hão de se lembrar do avozinho caridoso da bondosa Célia. Pois é esse mesmo Cneio Lucius que, quase dois mil anos depois, vem nos alegrar a alma com ensinamentos de Jesus feitos na intimidade do lar a seus discípulos e que não se encontram redigidos noutra parte.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo XV - 8 a 10 - Fora da Caridade não há Salvação

Fora da Igreja não há salvação; Fora da verdade não há salvação

8. Enquanto a máxima - Fora da caridade não há salvação - se apóia num princípio universal e abre a todos os filhos de Deus acesso à suprema felicidade, o dogma - Fora da Igreja não há salvação - se baseia não na fé fundamental em Deus e na imortalidade da alma, fé comum a todas as religiões, mas numa fé especial, em dogmas particulares; é exclusivo e absoluto. Em vez de unir os filhos de Deus, separa-os; em vez de incitá-los ao amor de seus irmãos. alimenta e sanciona a irritação entre sectáricos dos diferentes cultos que se consideram reciprocamente malditos na eternidade, embora sejam parentes e amigos esses sectáricos. Desprezando a grande lei de igualdade perante o túmulo, ele os separa uns dos outros até no campo de repouso. A máxima - Fora da caridade não há salvação - é a consagração do princípio da igualdade perante Deus e da liberdade de consciência. Tendo esta máxima por regra, todos os homens são irmãos e, qualquer que seja a maneira por que adorem o Criador, eles se estendem as mãos e oram uns pelos outros. Com a dogma - Fora de Igreja não há salvação - anatematizam-se e se perseguem mutuamente, vivendo como inimigos; o pai não pede pelo filho, nem o filho pelo pai, nem o amigo pelo amigo, já que mutuamente se consideram condenados sem remissão. É, pois, um dogma essencialmente contrário aos ensinamentos do Cristo e à lei evangélica.

9. Fora da verdade não há salvação equivaleria ao fora da Igreja não há salvação e seria igualmente exclusivo, porque não existe uma única seita que não pretenda ter o privilégio da verdade. Que homem se pode vangloriar de a possuir integralmente, quando o círculo dos conhecimentos se alarga sem cessar e as idéias se retificam a cada dia? A verdade absoluta é prerrogativa exclusiva de Espíritos da categoria mais elevada e a Humanidade terrena não poderia pretender possuí-la, porque não lhe é dado saber tudo. Ela somente pode aspirar a uma verdade relativa e proporcional ao seu adiantamento. Se Deus houvesse feito da posse da verdade absoluta a condição expressa da felicidade futura, teria proferido uma sentença de proscrição geral, ao passo que a caridade, mesmo na sua mais ampla acepção, pode ser praticada por todos. O Espiritismo, de acordo com o Evangelho, admitindo a salvação para todos, independente de qualquer crença, desde que a lei de Deus seja observada, não diz: Fora do Espiritismo não há salvação, e, como não pretende ensinar ainda toda a verdade, também não diz: Fora da verdade não há salvação, máxima que dividiria em lugar de unir perpetuaria os antagonismos.

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

Fora da caridade não há salvação

10. Meus filhos, na máxima: Fora da caridade não há salvação, estão contidos os destinos dos homens, na Terra e no céu: na Terra porque à sombra dessa bandeira eles viverão em paz; no céu, porque os que a tiverem praticado acharão graça diante do Senhor. Essa divisa é o facho celeste, a coluna luminosa que guia o homem no deserto da vida para o conduzir à Terra Prometida. Ela brilha no céu, como auréola santa, na fronte dos eleitos, e, na Terra, se acha gravada no coração daqueles a quem Jesus dirá: Passai à direita, benditos de meu Pai. Reconhecê-los-eis pelo perfume de caridade que espalham em torno de si. Nada exprime melhor o pensamento de Jesus, nada resume tão bem os deveres do homem, do que essa máxima de ordem divina. O Espiritismo não poderia provar melhor a sua origem, do que apresentando-a como regra, pois ela é o reflexo do mais puro Cristianismo. Com semelhante guia, o homem nunca se transviará. Dedicai-vos, assim, meus amigos, a compreender-lhe o sentido profundo e as consequências, a buscar, por vós mesmos, todas as suas aplicações. Submetei todas as vossas ações ao controle da caridade e a consciência vos responderá. Não só ela evitará que pratiqueis o mal, como também vos levará a praticar o bem, já que não basta uma virtude negativa: é necessária uma virtude ativa. Para fazer-se o bem, é preciso sempre a ação da vontade; para não se praticar o mal, basta muitas vezes a inércia e a indiferença.

Meus amigos, agradecei a Deus por haver permitido que pudésseis gozar da luz do Espiritismo. Não é que somente os que a possuem hajam de ser salvos, e sim porque, ajudando-vos a compreender melhor os ensinos do Cristo, ela vos faz melhores cristãos. Fazei, pois, com que os vossos irmãos, ao vos observarem, possam dizer que o verdadeiro espírita e o verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, visto que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, seja qual for oculto a que pertençam. - Paulo, o apóstolo. (Paris, 1860.)

(23/01/2013, após oração.)

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo XI - 13 - Amar o Próximo como a si Mesmo

A fé e a caridade

13. Disse-vos há pouco, meus queridos filhos, que a caridade, sem a fé, não basta para manter entre os hoemens uma ordem social capaz de os tornar felizes. Deveria ter dito que a caridade é impossível sem a fé. É, certo que podeis encontrar impulsos generosos em pessoas sem religião. Mas, essa caridade austera, que só se pratica com a abnegação, por um constante sacrifício de todo interesse egoístico, somente a fé pode inspirá-la

Sim, meus filhos, é em vão que o homem ávido de prazeres procure iludir-se sobre o seu destino na Terra, pretendendo que deva ocupar-se unicamente com a sua felicidade. Certamente, Deus nos criou para sermos felizes na eternidade; entretanto, a vida terrena deve servir apenas ao nosso aperfeiçoamento moral, que se adquire mais facilmente com o auxílio dos órgãos físicos e do mundo material. Sem levar em conta as vicissitudes ordinárias da vida, a diversidade dos gostos, dos pendores e das necessidade, é esse também um meio de vos aperfeiçoardes, exercitando-vos na caridade. Com efeito, só a poder de concessões e sacrifícios mútuos podeis manter a harmonia entre elementos tão diversos.

No entanto, tereis razão se afirmardes que a felicidade se acha destinada ao homem nesse mundo, desde que a busqueis no bem e não nos prazeres materiais. A história da cristandade fala de mártires que se encaminhavam alegres para o suplício. Hoje, na vossa sociedade, para serdes cristãos, não há necessidade do holocausto do martírio, nem do sacrifício da vida, mas única e exclusivamente o sacrifício do vosso egoísmo, do vosso orgulho e da vossa vaidade. Triunfareis, se a caridade vos inspirar e a fé vos orientar. - Espírito protetor. (Cracóvia, 1861.)


terça-feira, 21 de agosto de 2012

Capítulo XIV - 9 - Honrai a vosso Pai e vossa Mãe

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

A ingratidão dos filhos e os laços de família

9.  A ingratidão é um dos frutos mais imediatos do egoísmo. Revolta sempre os corações honestos. Mas, a dos filhos para com os pais apresenta caráter ainda mais odioso. É especialmente desse ponto de vista que vamos considerar, para analisar suas causas e seus efeitos. Nesse ponto, como em todos os outros, o Espiritismo projeta luz sobre um dos grandes problemas do coração humano.

Quando deixa a Terra, o Espírito leva consigo as paixões ou as virtudes inerentes à sua natureza e se aperfeiçoa no espaço, ou permanece estacionário, até que deseje ver a luz. Muitos, portanto, se vão cheios de ódios violentos e de desejos de vingança não saciados: mas, é permitido que alguns dentre eles, mais adiantados do que os outros, entrevejam uma partícula da verdade; reconhecem então as funestas conseqüências de suas paixões e são induzidos a tomar boas resoluções. Compreendem que, para chegarem a Deus, só há uma senha: caridade. Ora, não há caridade sem esquecimento dos ultrajes e das injúrias; não há caridade sem perdão, nem com o coração tomado de ódio.

Então, mediante esforço extraordinário, tais Espíritos conseguem observar aqueles a quem odiaram na Terra. Ao vê-los, porém, a animosidade desperta no íntimo de cada um: revoltam-se à idéia de perdoar e, ainda mais, à de abdicarem de si mesmos, principalmente à de amarem os que talvez lhes tenham destruído a fortuna, a honra, a família. Entretanto, o coração desses infelizes está abalado. Eles hesitam, vacilam, agitados por sentimentos contrários. Se predomina a boa resolução, oram a Deus, imploram aos Espíritos bons que lhes dêem forças no momento mais decisivo da prova.

Finalmente, após anos de meditações e preces, o Espírito se aproveita de um corpo em preparo na família daquele a quem detestou, e pede aos Espíritos incumbidos de transmitir as ordens supremas permissão para preencher na Terra os destinos daquele corpo que acaba de formar-se. Qual será o seu procedimento na família escolhida? Dependerá da sua maior ou menor persistência nas boas resoluções que tomou. O contato incessante com os seres a quem odiou constitui prova terrível, sob a qual sucumbe algumas vezes, se não tiver ainda a vontade bastante forte. Assim, conforme prevaleça ou não a resolução boa, ele será o amigo ou o inimigo daqueles entre os quais foi chamado a viver. É assim que se explicam esses ódios, essas repulsões instintivas que se notam em certas crianças e que nenhum ato anterior parece justificar. Nada, com efeito, naquela existência pôde provocar semelhante antipatia: para compreender-lhe a causa é preciso que se lance o olhar sobre o passado.

Ó espíritas! Compreendei agora o grande papel da Humanidade: compreendei que, quando produzis um corpo, a alma que nele encarna vem do espaço para progredir; inteirai-vos dos vossos deveres e ponde todo o vosso amor em aproximar de Deus essa alma: esta é a missão que vos está confiada e cuja recompensa recebereis, se a cumprirdes fielmente. Os vossos cuidados e a educação que lhe dareis auxiliarão o seu aperfeiçoamento e o seu bem estar futuro. Lembrai-vos de que Deus perguntará a cada pai e a cada mãe: Que fizestes do filho confiado a vossa guarda? Se ele se conservou atrasado por culpa vossa, tereis como castigo vê-lo entre os Espíritos sofredores, quando dependia de vós que fosse feliz. Então, vós mesmos, torturados de remorsos, pedireis para reparar a vossa falta: solicitareis, para vós e para ele, uma nova encarnação, na qual o cercareis de melhores cuidados e em que ele, cheio de reconhecimento, vos envolverá com o seu amor.

Não desprezeis, pois, a criancinha que repele sua mãe, nem a que vos paga com a ingratidão: não foi o acaso que a fez assim e que vo-la deu. Uma intuição imperfeita do passado se revela, pelo que podeis deduzir que um ou outro sá odiou muito, ou foi muito ofendido: que um ou outro veio para perdoar ou para expiar. Mães, abraçai o filho que vos dá desgotos e dizei convosco mesmas: Um de nós dois é culpado. Fazei por merecer os gozos divinos que Deus associou à materidade, ensinando aos vossos filhos que eles estão na Terra para se aperfeiçoar, amar e bendizer. Mas oh! muitas dentre vós, em vez de eliminar pela educação os maus princípios inatos de existências anteriores, alimentam e desenvolvm esses mesmos´princípios, por uma culposa fraqueza, ou por descuido, e, mais tarde, o vosso coração, ulcerado pela ingratidão dos filhos, será para vós, já nesta vida, um começo de expiação.

A tarefa não é tão difícil quanto poderieis imaginar. Não exige o saber do mundo; tanto o sábio, quanto o ignorante, podem desempenhá-la, e o Espiritismo vem facilitar o seu desempenho, dando a conhecer a cuasa das imperfeições do coração humano.

Desde o berço, a criança manifesta os instintos bons ou maus que traz da sua existência anterior, devendo os pais aplicar-se em estudá-los. Todos os males têm seu princípio no egoísmo e no orgulho. Espreitem, pois, os pais os menores sinais que revelam o gérmen de tais vícios e tratem de combatê-los, sem esperar que lancem raízes profundas. Façam como o bom jardineiro, que arranca os brotos defeituosos à medida que os vê apontar na árvore. Se deixarem que se desenvolvam o egoísmo e o orgulho, não se espantem de serem pagos mais tarde com a ingratidão. Os pais que fizeram tudo pelo adiantamento moral de seus filhos e não lograram o êxito desejado, não têm por que se inculpar a si mesmos e podem conservar tranquila a consciência. em compensação à amargura muito natural que então experimentam pelo insucesso de seus esforços, Deus reserva grande e imensa consolação, na certeza de que se trata apenas de um retardamento, e que lhes será concedido concluir em outra existência a obra agora começada e que um dia o filho ingrato os compensará com seu amor. (Cap. XIII, item 19.)

Deus não dá prova superior às forças daquele que a pde; só permite as que podem ser cumprids. Se alguém não consegue cumpri-las, não é que lhe falte possibilidade: falta a vontade. De fato, quantos há que, em vez de resistirem às más inclinações, se comprazem nelas. É a esses que ficam reservados o pranto e os gemidos em existências posteriores. Admirai, no entanto, a bondade de Deus, que nunca fecha a porta ao arrependimento. Chegará o dia em que o culpado se cansa de sofrer e em que o seu orgulho é finalmente abatido: Deus, então, abre os braços paternais ao filho pródigo que se lança a seuse pés. As provas rudes, ouvi-me bem, são quase sempre indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do Espírito, quando aceitas com o pensamento em Deus. É um momento supremo, no qual sobretudo, o que importa é o Espírito não falir murmurando, se não quiser perder o fruto de tais provas e ter de recomeçar. Em vez de vos queixardes, agradecei a Deus a oportunidade que vos proporciona de vencerdes, a fim de vos outorgar o prêmio da vitória. Então, saireis do turbilhão do mundo terrestre para entrardes no mundo dos Espíritos e aí serdes aclamados como o soldado que sai triunfante da luta.

De todas as provas, as mais penosas são as que afetam o coração. Alguém que suporta com coragem a miséria e as privações materiais, sucumbe ao peso das amarguras domésticas, torturado pela ingratidão dos seus. Oh! que pungente angústia essa! Mas, quem pode, em tais cicunstâncias, restabelecer melhor a coragem moral, se não o conhecimento das causas do mal e a certeza de que não há desesperos eternos, apesar dos dilaceramentos da alma?  Pois não é possível que seja da vontade de Deus que a sua criatura sofra indefinidamente. Que há de mais reconfortante, de mais animador do que a idéia de que depende dos esforços de cada um abreviar o sofrimento, mediante a destruição, em si, das causas do mal? Para isso, porém, é preciso que o homem não detenha o olhar na Terra e só veja uma existência; que se eleve, a pairar no infinito do passado e do futuro. Só então, a justiça infinita de Deus se vos revela, e esperais com paciência, porque encontrais explicação para o que na Terra vos parecia verdadeiras monstruosidades. As feridas que aí recebeis não os parecem mais do que simples arranhaduras. Nesse golpe de vista lançado sobre o conjunto, os laços de família aparecem sob sua verdadeira luz; já não são apenas os laços frágeis da matéria a ligar os seus membros, mas os laços duradouros do Espírito, que se perpetuam e consolidam ao se depurarem, em vez de se desfazerem pela reencarnação.

Os Espíritos que a analogia dos gostos, a identidade do progresso moral e a afeição induzem a reunir-se formam famílias. esses mesmos Espíritos, em suas migrações terrenas, se buscam, para se gruparem, como ofazem no espaço, originando-se daí as famílias unidades e homogêneas. Se, nas suas peregrinações, acontece ficarem temporariamente separados, mais tarde tornam a encontrar-se, felizes pelos novos progressos que realizaram. Mas, como não devem trabalhar apenas para si, Deus permite que Espíiritos menos adiantados encarnem entre eles, a fim de receberem conselhos e bons exemplos, a bem de seu progresso. Por vezes esses Espíritos se tornam causa de perturbalção, mas aí é que está a prova, aí é que está a tarefa. Acolhei-os, portanto, como irmãos, ausiliai-os e, mais tarde, no mundo dos Espíiritos, a família se felicitará de ter salvado náufragos que, por sua vez, poderão salvar outros. - Santo Agostinho, - (Paris, 1862.)

21/08/2012 - A partir das 15:30 h, após oração.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Capítulo XVII, 1 e 2 - Sede Perfeitos

Características da perfeição

1. Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam; - porque, se somente amardes os que vos amam, que recompensa tereis disso? Não fazem assim também os publicanos? - Se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis com isso mais que os outros? Os pagão não fazem a mesma coisa? - Sede, pois, vós outros, érfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial. (S. Mateus. 5:44, 46 a 48.)

2. Visto que Deus possui a perfeição infinita em todas as coisas, esta máxima: "Sede perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial", tomada ao pé da letra, pressuporia a possibilidade de atingir-se a perfeição absoluta Se fosse dado à criatura ser tão perfeita quanto o Criador, ela se tornaria igual a este, o que é inadmissível. Mas os homens a quem Jesus falava não compreenderiam essa nuança. Jesus se limita a lhes apresentar um modelo e a dezer-lhes que se esforme por alcançá-lo.

Aquelas palavra devem, pois, ser entendidas no sentido da perfeição relativa, a de que a Humanidade é suscetível e que mais a aproxima da Divindade. Em que consiste essa perfeição? Jesus o diz: em "amarmos os nossos inimigos, em fazermos o bem aos que nos odeiam, em orarmos pelos que nos perseguem". Mostra, desse modo que a essência da perfeição é a caridade na sua mais ampla acepção, porque implica a prática de todas as outras virtudes.

Com efeito, se observarmos os resultados de todos os vícios e, mesmo, dos simples defeitos, reconheceremos não haver nenhum que não altere mais ou menos o sentimento da caridade, porque todos têm o seu princípio no egoísmo e no orgulho, que lhes são a negação, já que tudo que superexcita o sentimento da personalidade destrói, ou , pelo menos, enfraquece os elementos da verdadeira caridade, que são: a benevolência, a indulgência, a abnegação e o devotamento. Não podendo o amor do próximao, levado até ao amor dos inimigos, aliar-se a nenhum defeito contrário à caridade, aquele amoré, por isso mesmo, sempre indício de maior ou menor superioridade moral, donde resulta que o grau de perfeilção está na razão direta da sua extensão. Foi por isso que Jesus, depois de ter dado a seus discípulos as regras da caridade, no que tem de mais sublime, lhes disse: "Sede perfeitos, como perfeito é vosso Pai celestial".

13/08/2012, às 16:30 h, após oração.