O excesso de luz cega a vista.
O excesso de som ensurdece o ouvido.
Condimentos em excesso prejudicam o paladar.
O ímpeto das paixões perturba o coração.
A cobiça do impossível envenena a ética.
Por isto, o sábio ocupa-se do interior e não da exterioridade dos sentidos.
Ele rejeita o superficial e prefere mergulhar no profundo.
Blogue dedicado ao conhecimento de que todos necessitamos, mas pelo qual poucos, ainda, se interessam verdadeiramente...
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sexta-feira, 12 de setembro de 2014
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Tao Teh Ching - Livro 1 - 11 - A Virtude do Vazio
Trinta raios convergentes compartilham o centro da roda,
Mas é o orifício central que os torna úteis.
Modela-se o barro para fazer um jarro.
É seu espaço interior que o torna útil.
Recortam-se portas e janelas nas paredes de um quarto
São esses espaços que o tornam útil.
Desta forma, a utilidade do ser
assenta-se na utilidade do não ser.
Mas é o orifício central que os torna úteis.
Modela-se o barro para fazer um jarro.
É seu espaço interior que o torna útil.
Recortam-se portas e janelas nas paredes de um quarto
São esses espaços que o tornam útil.
Desta forma, a utilidade do ser
assenta-se na utilidade do não ser.
sábado, 2 de agosto de 2014
Tao Teh Ching - Livro 1 - 09 - O Caminho do Céu
É melhor não encher totalmente um vaso
do que tentar carregá-lo se estiver cheio.
Quando afiamos demasiadamente uma faca, seu gume não se conservará.
Quando o ouro e o jade enchem um salão, seus donos não poderão manter a segurança.
Quando a riqueza e as honrarias conduzem à arrogância, decerto o mal virá logo a seguir.
Quando fizermos o trabalho e o nosso nome começar a celebrizar-se, a sabedoria consistem em recolhermo-nos à obscuridade, assim que a tarefa terminar.
Este é o Caminho do Céu!
do que tentar carregá-lo se estiver cheio.
Quando afiamos demasiadamente uma faca, seu gume não se conservará.
Quando o ouro e o jade enchem um salão, seus donos não poderão manter a segurança.
Quando a riqueza e as honrarias conduzem à arrogância, decerto o mal virá logo a seguir.
Quando fizermos o trabalho e o nosso nome começar a celebrizar-se, a sabedoria consistem em recolhermo-nos à obscuridade, assim que a tarefa terminar.
Este é o Caminho do Céu!
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Tao Teh Ching - Livro 1 - 08 - O Ponto de Equilíbrio
A virtude suprema é como a água.
A água e a virtude são benfazejas a milhares de criaturas.
Ocupam os lugares mais baixos, que os homens detestam.
Acomodam-se onde ninguém quer permanecer.
Por esse motivo são comparáveis ao Caminho.
Numa casa, o que mais importa é a localização;
num aliado, a benevolência;
na palavra, a boa-fé;
no governo, a ordem;
nos negócios, a habilidade;
na ação, o atemporal;
mas o sábio nunca luta;
por essa razão é inatacável.
A água e a virtude são benfazejas a milhares de criaturas.
Ocupam os lugares mais baixos, que os homens detestam.
Acomodam-se onde ninguém quer permanecer.
Por esse motivo são comparáveis ao Caminho.
Numa casa, o que mais importa é a localização;
num aliado, a benevolência;
na palavra, a boa-fé;
no governo, a ordem;
nos negócios, a habilidade;
na ação, o atemporal;
mas o sábio nunca luta;
por essa razão é inatacável.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Tao Teh Ching - Livro 1 - 07 - A Perfeição Suprema
O céu e a terra são imperecíveis.
Se são imperecíveis é porque não dão vida a si mesmos
E assim sendo, têm longa duração.
Por isso o sábio coloca-se em último lugar
e chega na frente de todos.
Quando esquece suas finalidades egoístas
Conquista a perfeição que nunca buscou.
Se são imperecíveis é porque não dão vida a si mesmos
E assim sendo, têm longa duração.
Por isso o sábio coloca-se em último lugar
e chega na frente de todos.
Quando esquece suas finalidades egoístas
Conquista a perfeição que nunca buscou.
domingo, 6 de abril de 2014
Tao Teh Ching - Livro 1 - 06 - A Fêmea Misteriosa
O espírito das profundezas do vale é imperecível.
É chamado o mistério feminino.
A Porta da Fêmea misteriosa é a Raiz, da qual crescem o céu e a terra.
Fracamente visível, seu poder inexaurível permanece.
A Fêmea misteriosa dura perpetuamente.
O seu uso, entretanto, jamais a esgotará.
É chamado o mistério feminino.
A Porta da Fêmea misteriosa é a Raiz, da qual crescem o céu e a terra.
Fracamente visível, seu poder inexaurível permanece.
A Fêmea misteriosa dura perpetuamente.
O seu uso, entretanto, jamais a esgotará.
terça-feira, 11 de março de 2014
Tao Teh Ching - Livro 1 - 05 - O uso do vazio
O céu e a terra não são humanos.
Não têm qualquer piedade.
Para eles milhares de criaturas são como cães de palha
que serão destruídos no sacrifício.
O sábio não tem predileções.
É impiedoso ao tratar as pessoas como cães de palha (a).
Não será o espaço entre o céu e a terra como um
gigantesco fole? Esvazia sem exaurir-se.
Inesgotável.
Quanto mais trabalha, mais alento produz.
Muitas palavras se esgotam sem cessar
e conduzem inevitavelmente ao silêncio.
Aferrando-nos ao vazio protegemos o nosso ser interior
e o mantemos livre.
Não têm qualquer piedade.
Para eles milhares de criaturas são como cães de palha
que serão destruídos no sacrifício.
O sábio não tem predileções.
É impiedoso ao tratar as pessoas como cães de palha (a).
Não será o espaço entre o céu e a terra como um
gigantesco fole? Esvazia sem exaurir-se.
Inesgotável.
Quanto mais trabalha, mais alento produz.
Muitas palavras se esgotam sem cessar
e conduzem inevitavelmente ao silêncio.
Aferrando-nos ao vazio protegemos o nosso ser interior
e o mantemos livre.
===============
Minhas notas:
(a) Muitos ensinamentos esotéricos parecem absurdos se tomados ao pé da letra. A literalidade da interpretação, aliada ao fanatismo religioso, muitas vezes tem produzido resultados desastrosos no caminho da humanidade. A inquisição, as cruzadas, os ataques terroristas às Torres Gêmeas não teriam sido evitados se simplesmente o coração e não a letra tivessem sido escutados?
É evidente que este ensinamento do Tao Teh Ching não é uma apologia à impiedade. Que sentido isso faria? A versículo anterior é a chave para o seu real sentido: "O sábio não tem predileções", ou seja, ele é vazio de julgamento, de desejos e de paixão; por isso é sábio e justo. Mas se fosse impiedoso não seria sábio.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Tao Teh Ching - Livro 1 - 04 - A Fonte de Tudo
O Caminho é vazio e inesgotável,
profundo como um abismo.
E como se fosse o ancestral das dez mil criaturas.
Suavizai o corte.
Desfazei os nós.
Diminuí o brilho.
Deixai que as rodas percorram os velhos sulcos.
Devemos considerar nosso brilho
a fim de que nos harmonizemos com a escuridão dos
outros. Como é puro e tranquilo o Caminho!
Não sei de quem possa ser filho,
pois parece ser anterior ao Soberano do Céu.
profundo como um abismo.
E como se fosse o ancestral das dez mil criaturas.
Suavizai o corte.
Desfazei os nós.
Diminuí o brilho.
Deixai que as rodas percorram os velhos sulcos.
Devemos considerar nosso brilho
a fim de que nos harmonizemos com a escuridão dos
outros. Como é puro e tranquilo o Caminho!
Não sei de quem possa ser filho,
pois parece ser anterior ao Soberano do Céu.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
A Sabedoria Antiga - Introdução - Parte 03 - Taoísmo
<<< VER CAPÍTULO ANTERIOR
No Tao Teh Ching (a), o ensinamento tradicional com relação ao Não-manifestado e ao Manifestado (b) ressalta claramente:
"O Tao (c) que pode ser observado não é o Tao eterno e imutável. Quando ele não tem absolutamente nome, é Aquele que produziu o Céu e a Terra; quando possui nome, é a Mãe de todas as coisas... Sob estes dois aspectos, é o mesmo realmente, mas à medida que se produz o desenvolvimento, recebe diferentes nomes."
Resumindo; isto é para nós o Mistério (i, 1, 2, 4)
Os que estudam a Cabala (d) lembrar-se-ão de um dos Nomes Divinos, "O Mistério Oculto". Mais longe temos:
"Houve alguma coisa de infinito e de perfeito, vindo à existência antes do Céu e da Terra. E como Isto era tranquilo e sem forma, solitário e inalterável, estendendo-se por tudo e sem risco de se extinguir! Isto pode ser considerado como a Mãe de todas as coisas. Disto ignoro o nome e o designo pelo termo Tao. Fazendo um esforço para dar-lhe um nome eu o chamo O Grande. Mas Isto passa como um fluxo contínuo. E ao passar, Isto se afasta. E tendo-se afastado, Isto volta." (XXV, 1-3)
É extremamente interessante achar aqui esta noção de efusão e reabsorção da Vida Una, noção que nos é tão familiar na literatura hindu. O versículo seguinte também nos parece familiar:
"Todas as coisas que estão sob o Céu saíram daquele considerado como existente." (XV, 2)
Para que um Universo possa existir, o Não-Manifestado deve produzir o Único, donde procedem a Dualidade e a Trindade:
"O Tao produziu o UM; UM produziu DOIS; DOIS produziu TRÊS; os TRÊS produziram todas as coisas. Todas as coisas têm atrás de si a obscuridade (donde elas saem) e caminham para alcançar a luz (na qual elas se banham) enquanto são mantidas em harmonia pelo Sopro do Vácuo." (XLII, 1)
"O Sopro do Espaço" seria melhor tradução. Tendo tudo saído do Aquele, Aquele existe em tudo.
"O Grande Tao penetra todas as coisas. Encontramo-lo tanto à esquerda como à direita. Ele envolve todas as coisas como uma roupagem, mas não tem a pretensão de as dominar. Ele pode ser encontrado nas menores coisas. Todas as coisas voltam à sua raiz e desaparecem, sem saber que é Ele que preside a sua volta. Ele pode ser encontrado nas maiores coisas." (XXXIV, 1,2)
Chwang-ze (quarto século antes de Jesus Cristo) (e), em sua exposição de ensinamentos antigos, faz alusão às inteligências espirituais que procedem do Tao;
"Ele tem em si mesmo sua raiz e sua causa de existência. Antes que houvesse céu e terra, em tempos remotos, Ele existia com toda a segurança. Dele provém a misteriosa existência de Deus." (Livro VI, 1a parte, Séc. VI, 7)
Segue-se uma lista de nomes destas Inteligências. Mas o papel preponderante que representam seres na religião chinesa é de tal maneira conhecido, que se torna inútil multiplicar as citações sobre tal assunto.
O homem é considerado como uma trindade, o taoísmo (f), reconhecendo nele o espírito, a inteligência e o corpo. Esta divisão aparece claramente no Clássico da Pureza, quando diz que o homem deve libertar-se do desejo para atingir a união com o Uno:
"Ora, o espírito do homem ama a pureza, mas é perturbado por seu pensamento. O pensamento do homem ama a tranquilidade, mas seus desejos o arrastam. Se ele sempre pudesse evitar seus desejos, seu pensamento tornar-se-ia tranquilo. Que ele purifique seu pensamento, e seu espírito tornar-se-á puro... A razão pela qual os homens são incapazes de atingir este estado é que seu pensamento não está perfeitamente puro e seus desejos não foram afastados. Se o homem consegue despedir seus desejos, ao contemplar interiormente seu pensamento, este não existe mais em si mesmo; ao considerar exteriormente seu corpo, este não existe mais para si mesmo; e quando volta seus olhares para longe, para as coisas de fora, nada há mais de comum entre ele e elas." (i, 3, 4)
Em seguida, após a enumeração das etapas do caminho que conduz interiormente para "o estado da perfeita tranquilidade", ele pergunta:
"... Como poderá nascer algum desejo neste estado de repouso que se possui, alheio ao lugar que se ocupa? E quando nenhum desejo mais se manifesta, então nascem a calma real e o verdadeiro repouso. Esta calma real torna-se uma qualidade constante e contrasta com as coisas exteriores. Na verdade, esta qualidade real e constante mantém em seu poder a natureza. Nesta constante tranquilidade encontram-se a pureza e o repouso verdadeiros. Quem possui esta absoluta pureza entra gradualmente na Inspiração do verdadeiro Tao."
As palavras "inspiração do", acrescentadas pelo tradutor, tendem antes a velar o sentido do que a esclarecê-lo. Porque penetrar no Tao está inteiramente de acordo com a idéia expressa e com as outras escrituras sagradas.
O taoísmo insiste muito no aniquilamento do desejo. Um comentador do Clássico da Pureza observa que a compreensão do Tao depende da pureza absoluta e que:
"... a aquisição desta pureza absoluta depende inteiramente da abdicação do desejo, vibrante lição prática que ressalta deste tratado."
O Tao Teh Ching diz:
"Devemos achar-nos sempre sem desejos, se quisermos sondar o mistério profundo. Mas se o desejo nos domina, não veremos senão a orla exterior." (I, 3)
A reencarnação não parece ter sido ensinada tão claramente como se poderia achar, embora encontremos passagens que exigem tacitamente esta idéia fundamental, tal como o ser considerado como passando através de nascimentos, quer animais (g), quer humanos. Assim, Chwang-ze conta-nos a história original e instrutiva de um moribundo, ao qual seu amigo diz:
"Na verdade, o Criador é grande! Em que te transformará Ele agora? Aonde te levará Ele agora? Fará de ti o fígado de um rato ou a pata de um inseto (h)?
Szelaiz responde:
Seja para onde for que um pai ordene seu filho ir, ao este, ao oeste, ao sul, ao norte, o filho obedece simplesmente... Suponhamos um grande fundidor ocupado em fundir seu metal. Se o metal se levanta subitamente (no cadinho) e diz: 'Quero ser modelado em uma espada semelhante ao Moysh (i)', o grande fundidor certamente acharia a coisa estranha. Assim também quando uma forma estiver em via de ser formada no molde da matriz, se ela exclama: 'Quero ser um homem, quero ser um homem', o Criador acharia certamente a coisa estranha. Desde que se compreenda que o céu e a terra são um vasto cadinho e o Criador, um grande fundidor, qual o lugar a que possamos ser obrigados a ir que não nos convenha? Nascemos como de um sono pacífico e morremos para um calmo despertar. (Livro VI, 1a parte, Séc. VI)
VER PRÓXIMO CAPÍTULO >>>
============
Minhas Notas:
(a) Tao Teh Ching: o "Livro do Caminho Perfeito", de autoria atribuída a Lao Tse. Nesse livro se baseia a doutrina espiritualista do Taoísmo.
(b) Segundo o Taoismo, há o Tao imanifesto, a tudo preexistente, infinito e incognoscível; dele deriva o Tao manifesto, que corresponde a e está presente em todo o universo perceptível.
(c) o vocábulo Tao, aqui, abrange tanto o Tao Manifestado, quanto o Tao não-manifestado.
(d) Cabala é uma escola espiritual ocultista, originária do judaísmo, que entende estarem presentes nos cinco primeiros livros do antigo testamento (Torá), as chaves codificadas enviadas por Deus a Moisés e que encerram os segredos do Universo.
(e) Chwang-ze: filosofo taoista chinês, autor de livros que levam seu próprio nome. Viveu no século IV a.C.. Seu nome também é encontrado com as grafias Chuang Tsu, Chuang Tse, Zhuang Tzu, Zhuang Tze, Zhuang Tse, Zhuang Tsu, Chouang-Dsi, Chuang Chou1 , Tchuang-tsé , Tchuang-Tseu e Chuang-tzu.
(f) taoísmo: doutrina espiritualista que ensina a harmonia com o "Tao", o princípio e a causa de tudo que existe. A base do taoísmo pode ser encontrada no "Tao Teh Ching", livro de autoria atribuída a Lao-Tse e que conteria os ensinamentos desse sábio chinês redigida sob a forma de 81 provérbios.
(g) algumas correntes de pensamento consideram que o lampejo primitivo de vida, o sopro Divino, ou "Mônada" evolui progressivamente por muitos milênios, passando por existências físicas numerosas nos reinos mineral, vegetal e animal, antes de chegar à encarnação humana, forma na qual evolui posteriormente, através de sucessivas reencarnações.
(h) Esse trecho corresponderia a uma parábola, a um diálogo dentro de uma alegoria. Levado ao pé da letra, é uma alusão à metempsicose, processo que implicaria retrocesso na evolução do espírito e que não
é considerado como um fato real pela maioria das religiões atuais, incluindo o Espiritismo, o Cristianismo, o Catolicismo, o Protestantismo, o Judaísmo e o Islamismo. Contudo, o ensinamento essencial dessa parábola, não é qualquer alusão à metempsicose, mas a referência à reencarnação e à submissão natural que deve haver da criatura para com o Criador.
No Tao Teh Ching (a), o ensinamento tradicional com relação ao Não-manifestado e ao Manifestado (b) ressalta claramente:
"O Tao (c) que pode ser observado não é o Tao eterno e imutável. Quando ele não tem absolutamente nome, é Aquele que produziu o Céu e a Terra; quando possui nome, é a Mãe de todas as coisas... Sob estes dois aspectos, é o mesmo realmente, mas à medida que se produz o desenvolvimento, recebe diferentes nomes."
Resumindo; isto é para nós o Mistério (i, 1, 2, 4)
Os que estudam a Cabala (d) lembrar-se-ão de um dos Nomes Divinos, "O Mistério Oculto". Mais longe temos:
"Houve alguma coisa de infinito e de perfeito, vindo à existência antes do Céu e da Terra. E como Isto era tranquilo e sem forma, solitário e inalterável, estendendo-se por tudo e sem risco de se extinguir! Isto pode ser considerado como a Mãe de todas as coisas. Disto ignoro o nome e o designo pelo termo Tao. Fazendo um esforço para dar-lhe um nome eu o chamo O Grande. Mas Isto passa como um fluxo contínuo. E ao passar, Isto se afasta. E tendo-se afastado, Isto volta." (XXV, 1-3)
É extremamente interessante achar aqui esta noção de efusão e reabsorção da Vida Una, noção que nos é tão familiar na literatura hindu. O versículo seguinte também nos parece familiar:
"Todas as coisas que estão sob o Céu saíram daquele considerado como existente." (XV, 2)
Para que um Universo possa existir, o Não-Manifestado deve produzir o Único, donde procedem a Dualidade e a Trindade:
"O Tao produziu o UM; UM produziu DOIS; DOIS produziu TRÊS; os TRÊS produziram todas as coisas. Todas as coisas têm atrás de si a obscuridade (donde elas saem) e caminham para alcançar a luz (na qual elas se banham) enquanto são mantidas em harmonia pelo Sopro do Vácuo." (XLII, 1)
"O Sopro do Espaço" seria melhor tradução. Tendo tudo saído do Aquele, Aquele existe em tudo.
"O Grande Tao penetra todas as coisas. Encontramo-lo tanto à esquerda como à direita. Ele envolve todas as coisas como uma roupagem, mas não tem a pretensão de as dominar. Ele pode ser encontrado nas menores coisas. Todas as coisas voltam à sua raiz e desaparecem, sem saber que é Ele que preside a sua volta. Ele pode ser encontrado nas maiores coisas." (XXXIV, 1,2)
Chwang-ze (quarto século antes de Jesus Cristo) (e), em sua exposição de ensinamentos antigos, faz alusão às inteligências espirituais que procedem do Tao;
"Ele tem em si mesmo sua raiz e sua causa de existência. Antes que houvesse céu e terra, em tempos remotos, Ele existia com toda a segurança. Dele provém a misteriosa existência de Deus." (Livro VI, 1a parte, Séc. VI, 7)
Segue-se uma lista de nomes destas Inteligências. Mas o papel preponderante que representam seres na religião chinesa é de tal maneira conhecido, que se torna inútil multiplicar as citações sobre tal assunto.
O homem é considerado como uma trindade, o taoísmo (f), reconhecendo nele o espírito, a inteligência e o corpo. Esta divisão aparece claramente no Clássico da Pureza, quando diz que o homem deve libertar-se do desejo para atingir a união com o Uno:
"Ora, o espírito do homem ama a pureza, mas é perturbado por seu pensamento. O pensamento do homem ama a tranquilidade, mas seus desejos o arrastam. Se ele sempre pudesse evitar seus desejos, seu pensamento tornar-se-ia tranquilo. Que ele purifique seu pensamento, e seu espírito tornar-se-á puro... A razão pela qual os homens são incapazes de atingir este estado é que seu pensamento não está perfeitamente puro e seus desejos não foram afastados. Se o homem consegue despedir seus desejos, ao contemplar interiormente seu pensamento, este não existe mais em si mesmo; ao considerar exteriormente seu corpo, este não existe mais para si mesmo; e quando volta seus olhares para longe, para as coisas de fora, nada há mais de comum entre ele e elas." (i, 3, 4)
Em seguida, após a enumeração das etapas do caminho que conduz interiormente para "o estado da perfeita tranquilidade", ele pergunta:
"... Como poderá nascer algum desejo neste estado de repouso que se possui, alheio ao lugar que se ocupa? E quando nenhum desejo mais se manifesta, então nascem a calma real e o verdadeiro repouso. Esta calma real torna-se uma qualidade constante e contrasta com as coisas exteriores. Na verdade, esta qualidade real e constante mantém em seu poder a natureza. Nesta constante tranquilidade encontram-se a pureza e o repouso verdadeiros. Quem possui esta absoluta pureza entra gradualmente na Inspiração do verdadeiro Tao."
As palavras "inspiração do", acrescentadas pelo tradutor, tendem antes a velar o sentido do que a esclarecê-lo. Porque penetrar no Tao está inteiramente de acordo com a idéia expressa e com as outras escrituras sagradas.
O taoísmo insiste muito no aniquilamento do desejo. Um comentador do Clássico da Pureza observa que a compreensão do Tao depende da pureza absoluta e que:
"... a aquisição desta pureza absoluta depende inteiramente da abdicação do desejo, vibrante lição prática que ressalta deste tratado."
O Tao Teh Ching diz:
"Devemos achar-nos sempre sem desejos, se quisermos sondar o mistério profundo. Mas se o desejo nos domina, não veremos senão a orla exterior." (I, 3)
A reencarnação não parece ter sido ensinada tão claramente como se poderia achar, embora encontremos passagens que exigem tacitamente esta idéia fundamental, tal como o ser considerado como passando através de nascimentos, quer animais (g), quer humanos. Assim, Chwang-ze conta-nos a história original e instrutiva de um moribundo, ao qual seu amigo diz:
"Na verdade, o Criador é grande! Em que te transformará Ele agora? Aonde te levará Ele agora? Fará de ti o fígado de um rato ou a pata de um inseto (h)?
Szelaiz responde:
Seja para onde for que um pai ordene seu filho ir, ao este, ao oeste, ao sul, ao norte, o filho obedece simplesmente... Suponhamos um grande fundidor ocupado em fundir seu metal. Se o metal se levanta subitamente (no cadinho) e diz: 'Quero ser modelado em uma espada semelhante ao Moysh (i)', o grande fundidor certamente acharia a coisa estranha. Assim também quando uma forma estiver em via de ser formada no molde da matriz, se ela exclama: 'Quero ser um homem, quero ser um homem', o Criador acharia certamente a coisa estranha. Desde que se compreenda que o céu e a terra são um vasto cadinho e o Criador, um grande fundidor, qual o lugar a que possamos ser obrigados a ir que não nos convenha? Nascemos como de um sono pacífico e morremos para um calmo despertar. (Livro VI, 1a parte, Séc. VI)
VER PRÓXIMO CAPÍTULO >>>
============
Minhas Notas:
(a) Tao Teh Ching: o "Livro do Caminho Perfeito", de autoria atribuída a Lao Tse. Nesse livro se baseia a doutrina espiritualista do Taoísmo.
(b) Segundo o Taoismo, há o Tao imanifesto, a tudo preexistente, infinito e incognoscível; dele deriva o Tao manifesto, que corresponde a e está presente em todo o universo perceptível.
(c) o vocábulo Tao, aqui, abrange tanto o Tao Manifestado, quanto o Tao não-manifestado.
(d) Cabala é uma escola espiritual ocultista, originária do judaísmo, que entende estarem presentes nos cinco primeiros livros do antigo testamento (Torá), as chaves codificadas enviadas por Deus a Moisés e que encerram os segredos do Universo.
(e) Chwang-ze: filosofo taoista chinês, autor de livros que levam seu próprio nome. Viveu no século IV a.C.. Seu nome também é encontrado com as grafias Chuang Tsu, Chuang Tse, Zhuang Tzu, Zhuang Tze, Zhuang Tse, Zhuang Tsu, Chouang-Dsi, Chuang Chou1 , Tchuang-tsé , Tchuang-Tseu e Chuang-tzu.
(f) taoísmo: doutrina espiritualista que ensina a harmonia com o "Tao", o princípio e a causa de tudo que existe. A base do taoísmo pode ser encontrada no "Tao Teh Ching", livro de autoria atribuída a Lao-Tse e que conteria os ensinamentos desse sábio chinês redigida sob a forma de 81 provérbios.
(g) algumas correntes de pensamento consideram que o lampejo primitivo de vida, o sopro Divino, ou "Mônada" evolui progressivamente por muitos milênios, passando por existências físicas numerosas nos reinos mineral, vegetal e animal, antes de chegar à encarnação humana, forma na qual evolui posteriormente, através de sucessivas reencarnações.
(h) Esse trecho corresponderia a uma parábola, a um diálogo dentro de uma alegoria. Levado ao pé da letra, é uma alusão à metempsicose, processo que implicaria retrocesso na evolução do espírito e que não
é considerado como um fato real pela maioria das religiões atuais, incluindo o Espiritismo, o Cristianismo, o Catolicismo, o Protestantismo, o Judaísmo e o Islamismo. Contudo, o ensinamento essencial dessa parábola, não é qualquer alusão à metempsicose, mas a referência à reencarnação e à submissão natural que deve haver da criatura para com o Criador.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Tao Teh Ching - Livro I - 01 - O Encontro dos Opostos
Todos no mundo reconhecem o belo como Belo (a)
e, desta forma, sabem o que é o Feio.
Todos no mundo reconhecem o bem como o Bem
e, desta forma, sabem o que é o Mal.
Assim o ser e o não-se geram-se mutuamente.
O longo e o curto se delimitam.
O alto e o baixo se inclinam.
O tom e o som se harmonizam.
O antes e o depois seguem-se um ao outro.
Assim o sábio executa suas tarefas sem agir
e transmite ensinamentos sem usar palavras.
Todas as coisas agem, e ele não lhes nega auxílio.
Produz sem apropriar-se de coisa alguma.
Realiza sua tarefa e não pede gratidão
e é justamente porque não se apega
que o mérito jamais o abandona
e suas obras meritórias subsistem (b).
===============
Minha nota:
(a) o uso de maiúsculas e minúsculas para "belo" e "Belo" assim para como para outros termos neste provérbio, segue a grafia da seguinte edição:
Tao Té Ching. O Livro do Caminho Perfeito. Lao Tsé. Editora Pensamento. Tradução e adaptação, prefácio e comentários de Murillo Nunes de Azevedo. 1a Edição.
(b) notar a semelhança desse provérbio, com este trecho do Bhagavad~Gîtâ: Shankhyia Yoga
e, desta forma, sabem o que é o Feio.
Todos no mundo reconhecem o bem como o Bem
e, desta forma, sabem o que é o Mal.
Assim o ser e o não-se geram-se mutuamente.
O longo e o curto se delimitam.
O alto e o baixo se inclinam.
O tom e o som se harmonizam.
O antes e o depois seguem-se um ao outro.
Assim o sábio executa suas tarefas sem agir
e transmite ensinamentos sem usar palavras.
Todas as coisas agem, e ele não lhes nega auxílio.
Produz sem apropriar-se de coisa alguma.
Realiza sua tarefa e não pede gratidão
e é justamente porque não se apega
que o mérito jamais o abandona
e suas obras meritórias subsistem (b).
===============
Minha nota:
(a) o uso de maiúsculas e minúsculas para "belo" e "Belo" assim para como para outros termos neste provérbio, segue a grafia da seguinte edição:
Tao Té Ching. O Livro do Caminho Perfeito. Lao Tsé. Editora Pensamento. Tradução e adaptação, prefácio e comentários de Murillo Nunes de Azevedo. 1a Edição.
(b) notar a semelhança desse provérbio, com este trecho do Bhagavad~Gîtâ: Shankhyia Yoga
A Sabedoria Antiga - Introdução - Parte 02 - Taoísmo
<<< VER CAPÍTULO ANTERIOR
A China, cuja civilização está atualmente reduzida a um estado fóssil, foi outrora povoada pelos turanianos, quarta sub-divisão da quarta Raça-Mãe (a), desta raça que habitou o continente desaparecido da Atlântida (b) e que cobriu com suas ramificações a superfície do globo. Os mongóis, sétima e última subdivisão da mesma raça, vieram mais tarde reforçar a população desta região de maneira que na China encontramos tradições de uma alta antiguidade, anteriores ao estabelecimento, na Índia, da quinta raça, a raça ariana.
No Ching Chang Ching ou Clássico da Pureza (c), encontramos um fragmento da antiga Escritura, de singular beleza, onde se sente este espírito de calma e de paz, tão característico do "ensinamento original".
No prefácio de sua tradução, M. Legge diz que este tratado "é atribuído a Ko Yuam ou Hsuam, um taoísta da dinastia de Wu (222-227 d.C.). Contam que este sábio atingiu a condição de Imortal, título com que é geralmente designado. Representam-no executando milagres, dado também à intemperança e muito excêntrico em seu modo de viver.
Tendo um dia naufragado, surgiu do fundo das águas sem que suas vestes estivessem molhadas e andou calmamente na superfície do mar. Finalmente subiu ao Céu em pleno dia.
Todas estas narrações podem ser atribuídas às invenções fantásticas de época ulterior".
Tais ações são frequentemente contadas sobre iniciados (d) de diferentes graus, e não são necessariamente invenções fantástica. Mas o que o próprio Ko Yuam diz com relação ao seu livro ainda mais nos interessará:
"Quando alcancei o verdadeiro Tao (e), eu tinha recitado este Ching (livro) dez mil vezes. Assim praticam os espíritos celestes e este livro nunca foi comunicado aos sábios deste mundo inferior. Foi-me dado pelo Chefe Divino do Hiva Oriental (f); este já o tinha recebido do Chefe Divino da Porta de Ouro; este último o recebera da Mãe Real do Ocidente."
Ora, o título de "Chefe Divino da Porta de Ouro" era o do Iniciado que governava o império tolteca (g) na Atlântida, e o emprego desse título parece indicar que o Clássico da Pureza foi levado da Atlântida para a China, quando os turanianos se separaram dos toltecas. Esta idéia é corroborada pelo conteúdo deste curto tratado, que tem como assunto o Tao - Literalmente "o Caminho", nome que designa a Realidade Única na antiga religião turaniana e mongólica. Assim lemos:
"O Grande Tao não tem forma corpórea, mas foi Ele quem produziu, mantém e alimenta o Céu e a Terra.
O Grande Tao não tem paixões, mas é a causa das revoluções do Sol e da Lua. O Grande Tao não tem nome, mas é Ele quem mantém o crescimento e e a conservação de todas as coisas." (i,1)
Tao é Deus manifestado como unidade. Em seguida intervém a dualidade.
"Ora, Tao aparece sob duas formas, o Puro e o Impuro, e possui as duas condições de movimento e repouso. O Céu é puro e a Terra é impura; o Céu move-se, mas a Terra está em repouso; O masculino é puro e o feminino é impuro; o masculino move-se e o feminino está em repouso.
O radical (Pureza) desceu e o produzido (Impureza) se espalhou em todos os sentidos, e assim todas as coisas foram geradas."
Esta passagem é particularmente interessante, porque põe em evidência os dois aspectos ativo e receptivo da natureza, estabelecendo assim a distinção entre o espírito gerador e a matéria nutriente, distinção tão familiar em escritos posteriores.
============
Minhas Notas:
(a, b) A Teosofia aceita como verdadeira a existência do continente da Atlântida, em muitos aspectos descrito de forma similar à apresentada por Platão. A revelação a respeito das características desse continente e de sua civilização teria sido recebida por personagens de destaque no contexto da Teosofia, no final do século XIX e início do século XX. Entre essas pessoas destacam-se Helena P. Blavatsky, W. Scott-Elliot, Annie Besant e C.W. Leadbeater, através de comunicações de espíritos e de visões individuais,
A civilização atlante teria tido seu apogeu entre 1.000.000 e 900.000 anos atrás, porém sobreviveria até o término do paulatino afundamento do continente, devido a uma série de cataclismos, culminando com o seu desaparecimento definitivo em 9564 a.C.. Com o afundamento gradual da Atlântida, habitantes sobreviventes teriam migrado aos poucos para os demais continentes.
A civilização atlante teria sido o que foi chamado pela Teosofia de a segunda Raça-Raiz ou Raça-Mãe da humanidade.
Além da referência ao continente Atlante por Platão, na Antiguidade, e por Helena P. Blavatski nos idos de 1888, quase um século depois, Edgard Armond, celebrizado por seu trabalho na divulgação da doutrina espírita no Brasil, escreveu "Os Exilados da Capela", sob inspiração mediúnica do espírito Razin, obra que apresenta detalhes sobre o continente e a civilização Atlantes e que usa a mesma terminologia "Raça-Mãe", para se referir a essa civilização, embora a classificando-a como a quarta e não como a segunda Raça-Mãe.
(c) Ching Chang Ching ou "Clássico da Pureza e do Repouso": uma das obras mais importantes do Taoismo.
(d) Iniciados. A autora faz referência à iniciação espiritual. Essa circunstância do aprendizado espiritual existe e existiu em diversas culturas e religiões e o estado de "iniciação" significa um certo marco na evolução de um Discípulo, no aprendizado orientado por um Mestre. Mais informações sobre o processo de iniciação podem ser encontradas na obra "O Caminho do Discipulado", da mesma autora.
(e) "Tao" é conceituado neste mesmo texto, nos seguintes termos: "Tao é Deus manifestado como unidade". No entanto, "Tao" também é usado com propriedade para referir-se ao estado não-manifestado de todas as coisas e do qual advém esse segundo estado, manifesto e material. Ou seja, há dois aspectos do Tao: um imanifesto, imaterial e incognoscível e outro, derivado do primeiro, manifesto, material e perceptível.
(f) Hiva Oriental: região que teria pertencido ao continente da Atlântida; Chefe Divino do Hiva Oriental: governador dessa região. Curiosamente, na Ilha de Páscoa, existe a lenda que diz que o seu povo seria originário de uma Ilha Mágica que teria submergido, denominada ilha de Hiva.
(g) Não se trata aqui de referência à civilização tolteca, conhecida por ter habitado o território mexicano entre os séculos X e XII, mas, possivelmente, a ancestrais dessa civilização. Tanto na concepção de Platão quanto na da Teosofia, a civilização Atlante contava com a Cidade das Portas de Ouro, que correspondia à capital do Império da sub-raça denominada Tolteca e é a esta que a autora se refere. O governante dessa cidade era designado como o "Chefe Divino dos Portais de Ouro".
A China, cuja civilização está atualmente reduzida a um estado fóssil, foi outrora povoada pelos turanianos, quarta sub-divisão da quarta Raça-Mãe (a), desta raça que habitou o continente desaparecido da Atlântida (b) e que cobriu com suas ramificações a superfície do globo. Os mongóis, sétima e última subdivisão da mesma raça, vieram mais tarde reforçar a população desta região de maneira que na China encontramos tradições de uma alta antiguidade, anteriores ao estabelecimento, na Índia, da quinta raça, a raça ariana.
No Ching Chang Ching ou Clássico da Pureza (c), encontramos um fragmento da antiga Escritura, de singular beleza, onde se sente este espírito de calma e de paz, tão característico do "ensinamento original".
No prefácio de sua tradução, M. Legge diz que este tratado "é atribuído a Ko Yuam ou Hsuam, um taoísta da dinastia de Wu (222-227 d.C.). Contam que este sábio atingiu a condição de Imortal, título com que é geralmente designado. Representam-no executando milagres, dado também à intemperança e muito excêntrico em seu modo de viver.
Tendo um dia naufragado, surgiu do fundo das águas sem que suas vestes estivessem molhadas e andou calmamente na superfície do mar. Finalmente subiu ao Céu em pleno dia.
Todas estas narrações podem ser atribuídas às invenções fantásticas de época ulterior".
Tais ações são frequentemente contadas sobre iniciados (d) de diferentes graus, e não são necessariamente invenções fantástica. Mas o que o próprio Ko Yuam diz com relação ao seu livro ainda mais nos interessará:
"Quando alcancei o verdadeiro Tao (e), eu tinha recitado este Ching (livro) dez mil vezes. Assim praticam os espíritos celestes e este livro nunca foi comunicado aos sábios deste mundo inferior. Foi-me dado pelo Chefe Divino do Hiva Oriental (f); este já o tinha recebido do Chefe Divino da Porta de Ouro; este último o recebera da Mãe Real do Ocidente."
Ora, o título de "Chefe Divino da Porta de Ouro" era o do Iniciado que governava o império tolteca (g) na Atlântida, e o emprego desse título parece indicar que o Clássico da Pureza foi levado da Atlântida para a China, quando os turanianos se separaram dos toltecas. Esta idéia é corroborada pelo conteúdo deste curto tratado, que tem como assunto o Tao - Literalmente "o Caminho", nome que designa a Realidade Única na antiga religião turaniana e mongólica. Assim lemos:
"O Grande Tao não tem forma corpórea, mas foi Ele quem produziu, mantém e alimenta o Céu e a Terra.
O Grande Tao não tem paixões, mas é a causa das revoluções do Sol e da Lua. O Grande Tao não tem nome, mas é Ele quem mantém o crescimento e e a conservação de todas as coisas." (i,1)
Tao é Deus manifestado como unidade. Em seguida intervém a dualidade.
"Ora, Tao aparece sob duas formas, o Puro e o Impuro, e possui as duas condições de movimento e repouso. O Céu é puro e a Terra é impura; o Céu move-se, mas a Terra está em repouso; O masculino é puro e o feminino é impuro; o masculino move-se e o feminino está em repouso.
O radical (Pureza) desceu e o produzido (Impureza) se espalhou em todos os sentidos, e assim todas as coisas foram geradas."
Esta passagem é particularmente interessante, porque põe em evidência os dois aspectos ativo e receptivo da natureza, estabelecendo assim a distinção entre o espírito gerador e a matéria nutriente, distinção tão familiar em escritos posteriores.
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Minhas Notas:
(a, b) A Teosofia aceita como verdadeira a existência do continente da Atlântida, em muitos aspectos descrito de forma similar à apresentada por Platão. A revelação a respeito das características desse continente e de sua civilização teria sido recebida por personagens de destaque no contexto da Teosofia, no final do século XIX e início do século XX. Entre essas pessoas destacam-se Helena P. Blavatsky, W. Scott-Elliot, Annie Besant e C.W. Leadbeater, através de comunicações de espíritos e de visões individuais,
A civilização atlante teria tido seu apogeu entre 1.000.000 e 900.000 anos atrás, porém sobreviveria até o término do paulatino afundamento do continente, devido a uma série de cataclismos, culminando com o seu desaparecimento definitivo em 9564 a.C.. Com o afundamento gradual da Atlântida, habitantes sobreviventes teriam migrado aos poucos para os demais continentes.
A civilização atlante teria sido o que foi chamado pela Teosofia de a segunda Raça-Raiz ou Raça-Mãe da humanidade.
Além da referência ao continente Atlante por Platão, na Antiguidade, e por Helena P. Blavatski nos idos de 1888, quase um século depois, Edgard Armond, celebrizado por seu trabalho na divulgação da doutrina espírita no Brasil, escreveu "Os Exilados da Capela", sob inspiração mediúnica do espírito Razin, obra que apresenta detalhes sobre o continente e a civilização Atlantes e que usa a mesma terminologia "Raça-Mãe", para se referir a essa civilização, embora a classificando-a como a quarta e não como a segunda Raça-Mãe.
(c) Ching Chang Ching ou "Clássico da Pureza e do Repouso": uma das obras mais importantes do Taoismo.
(d) Iniciados. A autora faz referência à iniciação espiritual. Essa circunstância do aprendizado espiritual existe e existiu em diversas culturas e religiões e o estado de "iniciação" significa um certo marco na evolução de um Discípulo, no aprendizado orientado por um Mestre. Mais informações sobre o processo de iniciação podem ser encontradas na obra "O Caminho do Discipulado", da mesma autora.
(e) "Tao" é conceituado neste mesmo texto, nos seguintes termos: "Tao é Deus manifestado como unidade". No entanto, "Tao" também é usado com propriedade para referir-se ao estado não-manifestado de todas as coisas e do qual advém esse segundo estado, manifesto e material. Ou seja, há dois aspectos do Tao: um imanifesto, imaterial e incognoscível e outro, derivado do primeiro, manifesto, material e perceptível.
(f) Hiva Oriental: região que teria pertencido ao continente da Atlântida; Chefe Divino do Hiva Oriental: governador dessa região. Curiosamente, na Ilha de Páscoa, existe a lenda que diz que o seu povo seria originário de uma Ilha Mágica que teria submergido, denominada ilha de Hiva.
(g) Não se trata aqui de referência à civilização tolteca, conhecida por ter habitado o território mexicano entre os séculos X e XII, mas, possivelmente, a ancestrais dessa civilização. Tanto na concepção de Platão quanto na da Teosofia, a civilização Atlante contava com a Cidade das Portas de Ouro, que correspondia à capital do Império da sub-raça denominada Tolteca e é a esta que a autora se refere. O governante dessa cidade era designado como o "Chefe Divino dos Portais de Ouro".
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Tao Teh Ching - Livro I - 1 - O Tao
O caminho que pode ser seguido
não é o Caminho Perfeito.
O nome que pode ser dito
não é o Nome eterno.
No princípio está o que não tem nome.
O que tem nome é a Mãe de todas as coisas.
Para que possamos observar os seus segredos
devemos permanecer sem desejos.
Mas se em nós mora o desejo
a única coisa que podemos contemplar é a sua forma
externa. A casca que a essência oculta.
Esses dois estados existem para sempre inseparáveis.
Diferentes unicamente em nome.
Conjuntamente idênticos, unidos, integrados.
São os chamados Mistérios!
Mistério além dos mistérios
O Portal que conduz a tudo aquilo que é sutil e maravilhoso
ao recôndito segredo de todas as essências!
---------------------------------------------------------------------------------------------------------
Comentário sobre a origem do Tao Teh Ching:
(Extraído da apresentação do livro "Poemas e Cartas a um Jovem Poeta", de Rainer Maria Rilke, Editora Nova Fronteira Participações S.A., por Geir Campos)
"Consta uma lenda oriental, posta em versos pelo poeta e dramaturgo alemão "Bertolt Brecht", a maneira pela qual teria sido escrito o "Livro da vida e da virtude" (a) do grande pensador chinês Lao-Tsé. Ao que diz a lenda, a bondade via-se no país cada vez mais débil, e a maldade cada vez mais forte, quando o Mestre, carecendo de repouso, por volta dos seus setenta anos, arrumou a trouxa e decidiu ir para outro lugar; mas teve a sua migração barrada na fronteira por um guarda aduaneiro; o guarda, ao ser informado que o passante levara toda a vida ensinando e, reconhecendo-se ignorante de muitas coisas, insistiu com o Sábio para que lhe deixasse, por escrito, alguns bons conselhos; e o Mestre apeou do boi em que ia montado e, com o aluno que o acompanhava, demorou-se uma semana em casa daquele guarda, pensando e ditando seus pensamentos, até ficarem escritos oitenta e um provérbios. Então Lao-Tsé partiu, com seu discípulo, agradecendo um pequeno farnel que o guarda lhes ofereceu. E a lenda tem um remate, que Brecht põe nestes versos:
Mas não louvemos apenas o Sábio,
cujo nome se ostenta sobre o livro;
pois antes foi preciso extrair do sábio a sabedoria.
Vamos portanto agradecer também ao guarda
que a soube colher dele!"
===============
Minha nota:
(a) "Livro da Vida e da Virtude": o mesmo que o "Livro do Caminho Perfeito", ou "Tao Teh Ching".
não é o Caminho Perfeito.
O nome que pode ser dito
não é o Nome eterno.
No princípio está o que não tem nome.
O que tem nome é a Mãe de todas as coisas.
Para que possamos observar os seus segredos
devemos permanecer sem desejos.
Mas se em nós mora o desejo
a única coisa que podemos contemplar é a sua forma
externa. A casca que a essência oculta.
Esses dois estados existem para sempre inseparáveis.
Diferentes unicamente em nome.
Conjuntamente idênticos, unidos, integrados.
São os chamados Mistérios!
Mistério além dos mistérios
O Portal que conduz a tudo aquilo que é sutil e maravilhoso
ao recôndito segredo de todas as essências!
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Comentário sobre a origem do Tao Teh Ching:
(Extraído da apresentação do livro "Poemas e Cartas a um Jovem Poeta", de Rainer Maria Rilke, Editora Nova Fronteira Participações S.A., por Geir Campos)
"Consta uma lenda oriental, posta em versos pelo poeta e dramaturgo alemão "Bertolt Brecht", a maneira pela qual teria sido escrito o "Livro da vida e da virtude" (a) do grande pensador chinês Lao-Tsé. Ao que diz a lenda, a bondade via-se no país cada vez mais débil, e a maldade cada vez mais forte, quando o Mestre, carecendo de repouso, por volta dos seus setenta anos, arrumou a trouxa e decidiu ir para outro lugar; mas teve a sua migração barrada na fronteira por um guarda aduaneiro; o guarda, ao ser informado que o passante levara toda a vida ensinando e, reconhecendo-se ignorante de muitas coisas, insistiu com o Sábio para que lhe deixasse, por escrito, alguns bons conselhos; e o Mestre apeou do boi em que ia montado e, com o aluno que o acompanhava, demorou-se uma semana em casa daquele guarda, pensando e ditando seus pensamentos, até ficarem escritos oitenta e um provérbios. Então Lao-Tsé partiu, com seu discípulo, agradecendo um pequeno farnel que o guarda lhes ofereceu. E a lenda tem um remate, que Brecht põe nestes versos:
Mas não louvemos apenas o Sábio,
cujo nome se ostenta sobre o livro;
pois antes foi preciso extrair do sábio a sabedoria.
Vamos portanto agradecer também ao guarda
que a soube colher dele!"
===============
Minha nota:
(a) "Livro da Vida e da Virtude": o mesmo que o "Livro do Caminho Perfeito", ou "Tao Teh Ching".
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