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segunda-feira, 10 de julho de 2017

A Sabedoria Antiga - Capítulo 4 - O Plano Mental - Parte 04

Capítulo IV - O Plano Mental - Parte 04

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Passemos, agora, ao estudo do Pensador (a) e seu veículo, tal como se encontram no homem vivo sobre a terra. Designemos com o nome de "corpo mental" o corpo cuja consciência está revestida e condicionada às quatro subdivisões inferiores do plano mental. Este corpo é constituído por combinações da matéria das mesmas subdivisões.

Quando uma nova encarnação se prepara, o Pensador, o Indivíduo, que é a alma humana verdadeira (cuja afirmação será explicada no fim deste capítulo), faz irradiar uma porção de sua energia em vibrações que tecem em torno de si um invólucro de matéria retirado das quatro subdivisões inferiores de seu próprio plano. A matéria atraída corresponde à natureza das vibrações mais rápidas, e tomam forma sob sua influência. As combinações mais grosseiras respondem às vibrações mais lentas; como um fio metálico que vibra espontaneamente em resposta a outro fio tendo o mesmo peso e a mesma tensão, mas que permanece mudo no meio de notas de fios diferentes, a matéria das diversas ordens ajusta-se e acomoda-se a diversos gêneros de vibrações. A natureza do corpo mental com que o Pensador se envolve será exatamente determinada pelas vibrações por ele emitidas. E este corpo é chamado "mental inferior", porque é constituído pelo Pensador, revestido da matéria das subdivisões inferiores do plano mental e sujeito às condições desta matéria em suas operações ulteriores.

Todas as energias sutis demais para mover esta matéria, excessivamente rápidas para dela obter uma resposta, não poderão exprimir-se através dela. O Pensador é, pois, forçosamente limitado, condicionado, reduzido às suas próprias expressões. É esta a primeira das prisões em que se encerra durante a sua vida na terra. E enquanto essas energias atuam nele, permanece ele excluído do seu mais elevado mundo, porque suas atenções se dirigem para o exterior, e sua vida é projetada com ele do corpo mental inferior, muitas vezes designado pelos termos de estojo, veículo, roupagem - expressões que têm por fim fazer compreender que o Pensador não é o corpo mental, mas forma este corpo e dele se serve para exprimir tudo que pode executar de si mesmo na região do mental inferior.

É necessário não esquecer que as energias do Pensador, continuando o seu processo de exteriorização, atraem em seguida, em torno de si, a matéria mais grosseira do plano astral para formar o seu corpo astral, e que, durante a sua vida na carne, as energias, manifestadas através das vibrações inferiores da matéria mental, são tão facilmente convertidas por ele em vibrações mais lentas, sincrônicas com as da matéria astral, que os dois corpos vibram continuamente em harmonia, interpenetrando-se um ao outro. Quanto mais grosseiras são as combinações de matérias assimiladas pelo corpo mental, tanto mais esta união se torna íntima, de tal modo que os dois corpos são às vezes classificados conjuntamente ou mesmo considerados como um veículo único (1). Quando abordarmos o estudo da reencarnação veremos que este fato em uma importância capital.

O tipo do corpo mental que a alma engendra em sua descida a uma encarnação nova é determinado pelo grau de evolução alcançado por ela mesma.

Assim como fizemos no estudo do corpo astral, poderemos examinar sob o ponto de vista do corpo mental três tipos de homem diversamente evoluídos: a) um indivíduo não evoluído; b) um indivíduo de desenvolvimento médio; c) um homem espiritualmente desenvolvido.

a) No indivíduo não evoluído, o corpo mental é pouco perceptível, porque é representado, apenas, por uma pequena quantidade de matéria mental sem organização precisa, tirada sobretudo das mais baixas subdivisões do plano. A influência que recebe é quase exclusivamente dos corpos inferiores. As tormentas astrais desencadeadas pelo contato dos objetos sensíveis determinam nele vibrações ainda pouco intensas. Quando não é estimulado por estas vibrações astrais, permanece inerte; e responde com indolência à excitação. Não possui interiormente nenhuma atividade definida: somente os choques do mundo exterior podem despertar uma resposta distinta. E tanto mais concorrem para o seu progresso quanto mais violentos forem, pois cada vibração que emitem apressa o desenvolvimento embrionário do corpo mental. Os prazeres tumultuosos, a cólera, o ódio, o sofrimento, o terror, todas as paixões, que produzem turbilhões intensos no corpo astral, suscitam fracas vibrações na matéria do corpo mental. Estas vibrações provocam um começo de atividade na consciência mental, e a conduzem gradualmente a acrescentar alguma atividade própria às impressões recebidas de for. Já vimos que o corpo mental é tão ligado com o astral como se ambos agissem como um corpo único. Mas as faculdades mentais nascentes dão às paixões astrais uma certa força e uma certa qualidade, que absolutamente não aparecem quando estas paixões agem como forças puramente animais. As impressões sobre o corpo mental são mais permanentes que as produzidas sobre o astral, e o mental as reproduz conscientemente. Assim começam a memória e a faculdade da imaginação. Esta faculdade se organiza gradualmente, à medida que as imagens do mundo exterior atuam sobre a substância do corpo mental e modelam a substância mental à sua própria semelhança. Estas imagens, nascidas dos contatos dos sentidos, atraem em torno delas a matéria mental mais grosseira, e podem ser reproduzidas à vontade pelos poderes nascentes da consciência. Esta reserva de imagens acumuladas tende a estimular a atividade gerada interiormente mediante o desejo de experimentar ainda uma vez mais, por meio do órgãos exteriores, as vibrações que deixaram uma recordação agradável e evitar as que provocaram um sofrimento.

O corpo mental começa desde então a excitar o corpo astral, e a reanimar nele os desejos que no animal dormitam enquanto não são despertados por uma excitação física. Eis  por que encontramos no homem pouco evoluído uma contínua preocupação de gozos não observados nos animais: a cobiça, a crueldade, uma astúcia que o reino inferior absolutamente não conhece. Os poderes nascentes do pensamento, adstritos ao serviço dos sentidos, fazem do homem um bruto infinitamente mais perigoso e mais feroz que qualquer animal, e as mais profundas e sutis forças inerentes ao espírito-matéria mental emprestam à natureza passional uma violência e uma acuidade que não encontramos nas espécies inferiores. Mas estes excessos trazem em si mesmos, graças aos sofrimentos de que são a causa, o germe de sua própria correção.Estas experiências penosas agem sobre a consciência, despertando nela imagens novas, com as quais a imaginação trabalha. A consciência é assim levada a resistir a certas vibrações que lhe chegam do mundo exterior por intermédio do seu corpo astral.

Começa a desenvolver sua vontade reprimindo os transportes e impulsos das paixões, em vez de lhes dar livre curso. Estas vibrações de resistência, uma vez postas em jogo, atraem do corpo mental combinações mais sutis de matéria mental, e levam-no ao mesmo tempo a expulsar as combinações mais grosseiras que vibram em resposta às notas passionais que agitam o corpo astral.

Graças a esta luta entre as vibrações provocadas pelas imagens passionais e as vibrações contrárias devidas à reprodução imaginativa de pesadas experiências dolorosas, o corpo mental se desenvolve. Começa a adquirir uma organização nítida, exercendo uma iniciativa cada vez maior diante das atividades exteriores. Se a vida terrestre é usada para armazenar experiências, a vida intermediária é empregada em assimilá-las, como veremos em detalhe no capítulo seguinte. De sorte que, em cada nova volta à Terra, o Pensador fica de posse dum estoque mais considerável de faculdades para a construção de seus corpo mental. Assim o homem não evoluído, cuja inteligência é escrava de suas paixões, se transforma em um homem medianamente evoluído, cuja inteligência é um campo de batalha - campo de batalha onde as paixões e os poderes mentais lutam com probabilidades diversas, com forças mais ou menos iguais. Durante este tempo, o homem evolui gradualmente para o completo domínio da sua natureza inferior.

b) - No homem medianamente evoluído, o corpo mental tem dimensões maiores. Revela já uma certa organização e encerra proporções suficientes de matéria tirada da segunda, terceira e quarta subdivisões do plano mental. A lei geral que preside toda a construção do corpo mental, assim como sua transformação, poderá ser aqui estudada com proveito, embora ainda se baseie no mesmo princípio que os reinos inferiores nos mostraram em suas operações no mundo físico e astral. O exercício desenvolve, mas a inércia atrofia e acaba por destruir. Cada vibração suscitada no corpo mental determina uma modificação em seus elementos constituintes. Na região afetada, a matéria que não pode mais vibrar em uníssono é rejeitada e substituída por matérias convenientes, tiradas das reservas verdadeiramente inesgotáveis que se encontram ao redor. Quanto mais um conjunto de vibrações se repete, tanto mais se desenvolve a região do corpo mental afetada; daí, seja dito de passagem, o mal em fazer uma especialização exagerada das energias mentais. Este erro de método na utilização das forças determina um desequilíbrio, um desenvolvimento desigual do corpo mental. Há tendência à pletora na região continuamente excitada e tendência à atrofia nas outras regiões talvez tão importantes. O ideal a alcançar é um desenvolvimento geral, harmonioso e proporcional. Para isto, é necessária uma análise calma de si mesmo, assim como uma adaptação precisa dos meios aos fins visados.

O conhecimento desta lei permite explicar certas experiências bem conhecidas e fazer nascer a esperança dum progresso infalível. Quando um estudo novo é empreendido, ou quando uma profunda mudança se opera para mais alta moralidade na existência, as primeiras  etapas são eriçadas de dificuldades e, por vezes, o esforço é abandonado porque os obstáculos parecem insuperáveis. No início de um novo empreendimento mental qualquer, todo o automatismo do corpo mental se mete de permeio. Estes materiais, acostumados a vibrar de certa maneira, não podem adaptar-se a novas impulsões. O primeiro passo da empresa consiste essencialmente em despender esforços que, a princípio, nada conseguem modificar, porque não provocam no corpo mental vibrações concordantes.

Estes esforços são apenas a preliminar indispensável de toda a vibração harmônica, porque tendem a expelir do mental os antigos materiais refratários, para nele incorporar combinações simpáticas. Durante este tempo não se é consciente de nenhum progresso, apenas tem-se consciência de que os esforços são frustrados, pois vêm chocar a resistência inerte que encontram.

Mas no fim de algum tempo, persistindo, os materiais ulteriormente atraídos começam a entrar em ação, e os esforços são um pouco melhor recompensados.

Finalmente, quando todos os materiais antigos são expulsos e os novos já funcionam, o homem sente que seus desígnios estão sendo bem sucedidos. O período verdadeiramente crítico está no começo. Mas se tivermos confiança na lei - tão infalível em suas operações como todas as outras leis da natureza - e se renovarmos com persistência os nossos esforços, devemos ser necessariamente bem sucedidos. O conhecimento deste fato pode servir-nos de estímulo no meio das atribulações que, sem isto, nos deixariam nas garras do desespero.

Eis, pois, como o homem medianamente desenvolvido pode prosseguir os seus esforços, descobrindo com alegria que, à medida que resiste firmemente às solicitações de sua natureza inferior, estas perdem o poder sobre ele, porque expulsa de seu corpo mental todos os materiais capazes de dar lugar a vibrações afins. O corpo mental consegue gradualmente não encerrar senão as combinações mais sutis das quatro subdivisões inferiores do plano mental; torna-se então de forma irradiante e admiravelmente belo.

c) - O homem espiritualmente desenvolvido.

Deste corpo, todas as combinações mais grosseiras já foram eliminadas, de forma que os objetos dos sentidos aí não encontram mais materiais capazes de responder simpaticamente às suas vibrações. (Vimos que o mesmo se passa no corpo astral correspondente.) Este corpo mental não encerra senão as notas mais sutis, combinações pertencentes a cada uma das quatro divisões do mundo mental inferior; demais, as substâncias do terceiro e quarto subplanos preponderam sobre as dos dois primeiros. Esse corpo é, pois, sensível a todas as operações superiores do intelecto, às impressões delicadas das artes elevadas, às puras vibrações das emoções sublimes. Um tal corpo permite ao Pensador que dele se reveste exprimir-se muito mais plenamente na região mental inferior, como também nos mundos astral e físico. Seus materiais são capazes de responder a uma muito mais extensa escala de vibrações e as impulsões vidas do alto modelam-no em um organismo mais nobre e mais sutil. Tal corpo está rapidamente se tornando capaz para reproduzir todas as vibrações emitidas pelo Pensador, vibrações estas suscetíveis de expressão nas subdivisões inferiores do plano. O Ego possuirá então um instrumento perfeito de que tem necessidade para desempenhar cabalmente seu papel na região mental inferior.

Uma compreensão muito nítida da natureza do corpo mental seria o bastante para modificar enormemente a educação moderna, tornando-a muito mais útil ao Pensador do que o é atualmente. As características gerais deste corpo dependem das vidas anteriores do Pensador na Terra, fato de que podemos convencer-nos intimamente quando tivermos estudado a reencarnação e o karma. O corpo é constituído no plano mental, e os seus materiais dependem das qualidades que o Pensador em si mesmo acumulou como resultado de suas experiências passadas, Tudo o que a educação pode fazer é proporcionar estimulantes externos de forma a despertarem as faculdades úteis que o Pensador já possui; ao mesmo tempo, deve procurar atrofiar e extirpar as más tendências. Provocar a manifestação de faculdades intatas e não sobrecarregar a memória com uma massa de fatos, tal é o fim duma educação verdadeira. A memória não tem necessidade de ser cultivada como uma faculdade distinta; porque a memória depende da atenção, isto é, a concentração firme de pensamento sobre um determinado assunto que se estuda, bem como da afinidade natural entre este assunto e a inteligência da criança. Se o assunto agrada, isto é, se a inteligência tem aptidões neste sentido, a memória não faltará desde que a atenção seja mantida firme. Eis por que a educação deveria cultivar o hábito de uma firme concentração, duma atenção inabalável, e ser dirigida de acordo com as faculdades inatas da criança.

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Nota:

(a) Pensador: o homem, designado pelo seu atributo mental, por sua capacidade de pensar.

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Nota da autora:

(1) Assim, o teosofista falará de Kama-Manas, significando a mente atuando dentro da natureza-desejo e cooperando com ela, interagindo com a natureza animal. Os seguidores da filosofia Vedanta classificam os dois juntos e falam do Ser como agindo no manomayakosha (veste formada pela mente inferior, emoções e paixões). Os psicólogos europeus fazem dos "sentimentos" uma secção de sua divisão tripartite da "mente", e incluem tanto as sensações como as emoções nos sentimentos.

sábado, 29 de abril de 2017

A Sabedoria Antiga - Capítulo 4 - O Plano Mental - Parte 03

Capítulo IV - O Plano Mental - Parte 03

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As três subdivisões superiores do plano mental são o habitat do Pensador (a), que reside ou numa ou noutra destas subdivisões, conforme seu grau de evolução. A imensa maioria em diversos graus de evolução vive no mais baixo destes três níveis. Um número de almas, comparativamente restrito e altamente intelectual habita o segundo nível. Empregando uma frase mais aplicável ao plano físico do que ao mental, diremos que o Pensador sobe a este segundo nível quando a matéria mais sutil desta região torna-se nele preponderante, predispondo-o para esta mudança necessária. Não há naturalmente "ascensão" propriamente falando, nem mudança de lugar. Apenas o Pensador começa a perceber as vibrações desta matéria sutil,que despertam em si uma resposta e o obrigam a emitir forças que fazem vibrar as partículas mais tênues.

É indispensável que o estudante se familiarize com o fato de que seu progresso na escada da evolução não implica nenhuma mudança de lugar, mas o torna simplesmente cada vez mais apto para receber impressões. Todas as esferas estão em torno de nós, quer sejam astral, mental, búdica, nirvânica ou mesmo de mundos ainda mais altos, até a vida suprema de Deus. Nenhuma necessidade temos de mover-nos para as encontrar. Estão aqui mesmo. Mas a nossa pesada irreceptividade nos separa delas mais eficazmente do que o fariam milhões de léguas de simples espaço. Não somos conscientes senão do que nos afeta, daquilo que provoca vibrações em nós, como resposta. À medida que nos tornamos mais receptivos, que em nós mesmos organizamos a matéria mais fina, entramos em contato com esferas cada vez mais sutis. Quando, pois, falamos de ascensão dum nível a outro, queremos dizer que tecemos nossas vestimentas com materiais cada vez mais sutis, e que podemos receber através delas emissões dos mundos mais elevados. E interpretando ainda melhor, mais profundamente, diremos que o Ego, no recesso íntimo de todos os invólucros, faz emergir seus poderes divinos, que, estando latentes ao estado ativo, emitem para o exterior sua vibrações mais sutis.

O Pensador que atingiu este segundo nível tem plena consciência de tudo que o rodeia, e possui a memória do seu passado. Conhece os corpos com que se reveste, por meio dos quais está em contato com os planos inferiores; pode agir sobre estes corpos em largo grau e mesmo, dirigi-los. Prevê as dificuldades e os obstáculos que o esperam, resultado duma conduta negligente em vidas passadas, e então se esforça para lhes infundir a necessária energia para a execução de sua tarefa. Sua atividade reitora, como veículos ou instrumentos dóceis da individualidade, é por vezes sentida pela consciência inferior, que rompe todas as resistências e impõe ao ser um linha de conduta cujas razões nem sempre aparecem claramente à visão confusa dos veículos astral e mental. Homens que executaram grandes ações prestam às vezes testemunhos, afirmando terem estado conscientes duma força interior irresistível que os impelia, colocando-os na impossibilidade de agir de modo diferente. É que agiram então como homens reais. O Pensador, o homem interior, agiu conscientemente através de seus corpos, que se comportaram, nesse momento, como veículos ou instrumentos dóceis da individualidade. À medida que a evolução se fizer, todos atingirão tais altos poderes.

No terceiro nível, o mais elevado da região superior do plano mental, residem os "Egos" dos Mestres e dos Iniciados, que são seus chelas. Os Pensadores que aqui habitam têm a matéria desta região preponderando em seus corpos. É do seio desta região, foco das mais sutis energias mentais, que os Mestres fazem sentir à humanidade sua influência benfazeja, derramando, como ondas, nas regiões inferiores, o ideal sublime, o inspirado pensamento, as aspirações para uma fé sincera, bem como todas as forças espirituais e intelectuais de que o homem tem necessidade. Cada força saída desta região luminosa irradia em todas as direções; e as almas mais pobres e mais puras são também as mais prontas a receber tais influências providenciais.

Uma descoberta se apresenta subitamente ao espírito do sábio, investigador paciente dos segredos da natureza; uma melodia nova encanta o ouvido de um grande músico; a solução de um problema longo tempo meditado ilumina o espírito do filósofo sublime; uma energia nova de esperança e amor vem revigorar o coração do filantropo infatigável. Ainda que os homens se julguem abandonados e sem assistência, suas frases, tais como "este pensamento ocorreu-me", "a ideia me veio", "a descoberta espocou", inconscientemente testificam a verdade que o Eu interno conhece, embora escape aos olhos físicos.

VER PRÓXIMO CAPÍTULO >>>

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Nota:

(a) Pensador: o homem, designado pelo seu atributo mental, por sua capacidade de pensar.


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A Sabedoria Antiga - Capítulo 4 - O Plano Mental - Parte 02

Capítulo IV - O Plano Mental - Parte 02

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A essência elemental do plano mental é formada pela Mônada no estágio de sua descida, que precede imediatamente à entrada no mundo astral, e constitui, nas quatro subdivisões inferiores do plano mental, o Segundo Reino Elemental. As três subdivisões superiores, o "sem forma", são ocupadas pelo primeiro reino elemental. O pensamento produz, nesta essência elemental superior, irisações brilhantes, lampejos coloridos, relâmpagos de um fogo vivo, sem se incorporar em formas definidas. A essência elemental toma, por assim dizer, sua primeira lição de atividade orgânica, de ação combinada, mas não assume ainda limitações definidas das formas.

Nas duas grandes divisões do plano mental vivem inumeráveis Inteligências, cujos corpos inferiores são formados por matéria luminosa e da essência elemental do plano - Seres Resplandecentes que dirigem a evolução da ordem natural, guiam legiões de entidades inferiores das quais já falamos, e que estão por sua vez submetidos, em suas múltiplas hierarquias, aos Senhores Soberanos dos sete elementos (1). São seres, como facilmente se percebe, dum vasto conhecimento, de imenso poder, esplêndidos em seu aspecto; criaturas resplandescentes, formadas por mil nuanças de arco-íris, de cores celestes e cambiantes. Possuidores duma majestade real, respiram uma energia calma, expressão de uma força à qual não se pode resistir. Aqui se apresenta ao espírito a descrição do grande vidente cristão, quando fala de um poderoso Arcanjo: "Trazia em sua cabeça um arco-íris; seu rosto assemelhava-se ao Sol, e seus pés a colunas de fogo (2)". Suas vozes são "como som de muitas águas", como um eco da harmonia das esferas. São os guias da ordem natural; dirigem legiões imensas de elementos do mundo astral, de tal sorte que suas coortes, a cada instante, executam sua missão, auxiliando os processos da natureza com uma regularidade e precisão infalíveis.

No plano mental inferior, encontram-se numerosos chelas (a), trabalhando em seu corpo mental (3), libertos por algum tempo de sua vestimenta física.

Quando o corpo está mergulhado em sono profundo, o Pensador, o homem real, pode separar-se dele a fim de trabalhar livre de seus entraves, nessas regiões superiores. De lá, agindo diretamente sobre a esfera mental de seus semelhantes, sugerindo-lhes bons pensamentos, pode ajudá-los mais eficaz e mais rapidamente do que através da prisão do corpo físico. Percebe mais claramente as necessidades deles e pode, por consequência, vir em seu auxílio duma maneira mais perfeita. É este o seu privilégio mais alto e sua maior alegria: vir em auxílio dos seus irmãos que lutam, sem terem este conhecimento do serviço recebido e a menor ideia do braço poderoso que os ajudou a levantar o fardo da voz doce que, silenciosamente, os consola nas suas aflições.

Sem ser visto nem reconhecido, trabalha no entanto ajudando os amigos e os inimigos, com a mesma alegria e liberdade, derramando entre os homens correntes de forças benfazejas, enviadas pelos grandes Assistentes das esferas mais altas.

Encontramos também, às vezes, nesta região, as formas gloriosas dos Mestres, embora residam em geral numa subdivisão mais elevada do mundo "sem forma". Outros Grandes Seres ainda aí descem em certas épocas, quando uma missão de compaixão requer concurso num plano tão inferior.

Entre as mentes que funcionam conscientemente neste plano, humanas ou não (b), quer estejam em um corpo ou não, a comunicação é praticamente instantânea, porque se produz com "a rapidez do pensamento". As barreiras do espaço perderam seu poder de separação, e para entrar em contacto com outra alma, basta dirigir sua atenção sobre ela. Não somente a comunicação é rápida, mas igualmente completa, se as almas estão, mais ou menos, no mesmo grau de evolução. Aqui não há palavras que entravem  ou retardem as comunicações. Todos os pensamentos fluem de um a outro, ou mais exatamente talvez, cada um vê o pensamento tal como é concebido pelo outro. As verdadeiras barreiras entre as almas são as diferenças de evolução existentes entre elas. A alma menos evoluída não compreende nem conhece, na alma mais evoluída, o que aí se poderia perceber; e é evidente que unicamente a mais evoluída tem consciência desta limitação, pois a outra apenas recebe o que pode conter. Quanto mais evoluída for uma alma, mais tem consciência de tudo que a rodeia, e mais se aproxima das realidades. Mas o plano mental tem também seus voos de ilusão, não devemos esquecer nunca, embora muito menos numerosos e mais translúcidos que os do mundo físico. Cada alma está sempre envolta em sua própria atmosfera mental, e como todas as impressões devem atingi-la através desta atmosfera, são todas mais ou menos coloridas. A alma está tanto menos ao sabor das ilusões quanto mais transparente for esta atmosfera, quanto mais pura e menos colorida for pela personalidade.
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Notas da Autora:
(1) Estes seres são os Arupas Devas e os Rupa Devas dos hindus e budistas, os "Senhores dos Céus e da Terra" dos zoroastrianos, os Arcanjos e Anjos dos cristãos e maometanos.

(2) Apocalipse X, 1.

(3) Corpo ordinariamente chamado Mayavi Rupa ou corpo ilusório, quando organizado para agir independentemente no mundo mental.

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Minhas Notas

(a) chela: aprendiz de uma escola espiritual. Discípulo de um Mestre espiritual. Termo utilizado na Índia.

(b) mentes "humanas ou não": evidentemente que a autora considera a possibilidade de existir mentes "não humanas". Essa concepção parece ser quase hegemônica entre as diversas correntes espiritualistas da humanidade, mas, pessoalmente, não a considero racional. Se Deus, sendo perfeito e justo, há de conhecer o melhor caminho evolutivo para a perfeição, porque criaria caminhos alternativos?


domingo, 13 de dezembro de 2015

A Sabedoria Antiga - Capítulo 4 - O Plano Mental - Parte 01

Capítulo IV - O Plano Mental - Parte 01

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Como seu nome indica, o plano mental é o domínio próprio da consciência trabalhando como pensamento. É o plano da mente, não quando funciona por intermédio do cérebro, mas quando atua em seu próprio mundo, liberta dos entraves do espírito-matéria (a) físico.

Esse mundo é o mundo do homem real.

A palavra inglesa man (homem) provém da raiz sânscrita man, raiz do verbo sânscrito que significa "pensar". Assim, man (homem) significa pensador. O homem é designado por seu atributo mais característico: a mente.

Em inglês apenas encontramos uma única palavra mind para designar ou a própria consciência intelectual ou os efeitos produzidos no cérebro físico pelas vibrações desta consciência.

Mas devemos agora considerar a consciência intelectual como entidade distinta, uma individualidade, um ser real. As vibrações de sua vida são pensamentos, e estes pensamentos são imagens e não palavras. Esta individualidade é Manas, o Pensador (1). É o Eu revestido da matéria das subdivisões superiores do plano mental, e trabalhando sob as condições que esta matéria lhe impõe. No plano físico, sua presença revela-se pelas vibrações que transmite ao cérebro e ao sistema nervoso. Estes órgãos respondem às vibrações da sua vida por vibrações simpáticas.

Mas, devido à densidade de seus materiais, tais vibrações não podem reproduzir, senão, uma pequena porção das emitidas e, ainda assim, imperfeitamente. Assim, como a ciência afirma a existência de uma série imensa de vibrações do éter (b), série da qual nossa vista apenas percebe uma franja - o espectro solar luminoso - assim também, para nós, o aparelho físico do pensamento, cérebro e sistema nervoso, não pode pensar senão numa estreita franja da série imensa das vibrações mentais emitidas pelo Pensador em seu próprio mundo. Os cérebros muito receptivos correspondem a um grau que costumamos chamar grande potência intelectual. Os cérebros excepcionalmente receptivos, ao ponto a que chamamos genialidade. Finalmente, os cérebros excepcionalmente inertes correspondem apenas ao grau chamado idiotismo (c). Cada um de nós envia a seu cérebro milhões de ondas mentais (2), às quais este não responde, por causa da densidade de seus materiais; e o que se chama poder mental de um homem está em relação direta com esta sensibilidade. Mas antes de estudar o Pensador, será bom considerar o mundo que ele habita, isto é, o plano mental.

O plano mental é o que se segue imediatamente ao plano astral (d). Está separado deste apenas pela diferença de seus materiais, exatamente como o plano astral está separado do plano físico. De fato, podemos repetir, na comparação do plano mental e do astral, o que já dissemos ao comparar o plano astral e o físico. A vida do plano mental é mais ativa do que a do plano astral, e a forma aí é ainda mais plástica. O espírito-matéria é mais altamente vitalizado e mais sutil do que qualquer estado da matéria astral. O último átomo de matéria astral encerra, em sua esfera-invólucro, inumeráveis agregados da matéria mental de diversas variedades.

Nessas condições, compreende-se que a ação de forças vitais, neste plano, tenha um enorme acréscimo, porque a massa a pôr em movimento é infinitamente menor. A matéria está animada de um movimento contínuo, incessante; assumindo formas ao menor estremecimento de vida e, sem hesitação, se adaptando às menores alterações de movimento. A "substância mental", como já a chamaram, faz parecer grosseiro, pesado e embaciado o espírito-matéria astral, que, entretanto, se tinha apresentado tão luminoso em comparação com a matéria física. Mas a lei da analogia conserva todo o seu valor e será para nós um fio condutor através desta região superastral (região que é o nosso lugar de nascimento, nossa pátria real, embora prisioneiros que somos num país de desterro); não a conhecemos e consideramos as descrições que dela nos fazem com olhos alienados.

Aqui, como nos dois planos inferiores, as subdivisões do espírito-matéria são em número de sete.

Ainda mais, estas variedades formam inúmeras combinações de todos os graus de complexidade, constituindo os sólidos, os líquidos, os gases e os éteres (e) do plano mental. Isto é apenas um modo de falar, pois o termo "sólido" parece absurdo, embora falando das formas mais densas da matéria mental. Mas usamo-lo em falta de melhor, porque esta espécie de matéria é densa em comparação aos outros estados da matéria mental e não possuímos outros adjetivos descritivos senão os que nos fornecem as condições físicas. De resto, basta-nos compreender que este plano obedece à lei e à ordem geral da natureza, e comporta, como no nosso, uma base setenária; e que as sete subdivisões de sua matéria decrescem em densidade, tal como os sólidos, líquidos, os gases e os éteres - sendo a sétima e última subdivisão exclusivamente composta dos últimos átomos mentais.

Estas subdivisões são repartidas em dois grupos aos quais foram dados nomes pouco aplicáveis e, à primeira vista, ininteligíveis: "sem forma" e "com forma".

Em sânscrito Arupa e Rupa. Rupa significa forma, invólucro, corpo.

As quatro subdivisões inferiores constituem o grupo "com forma"; as três superiores, o grupo "sem forma".

Este agrupamento é necessário, porque há uma perfeita distinção aí, embora difícil de distinguir.

Estas regiões correspondem, na consciência humana, às divisões da própria mente, como veremos adiante. Talvez fosse melhor dizer que, nas quatro subdivisões inferiores, as vibrações da consciência dão nascimento a formas, a miragens ou representações, manifestando-se cada pensamento como uma forma viva; ao passo que, nas três subdivisões superiores, a consciência, embora sempre em vibração, parece antes emiti-la como uma poderosa onda de energia vibrante, que não se manifesta em imagens distintas, enquanto permanece nesta região superior, mas gera formas múltiplas, ligadas entre si por uma condição comum ao penetrar nos mundos inferiores. A analogia mais perfeita que posso achar para vos fazer conceber esta distinção reside na consideração dos pensamentos abstrato e concreto. A ideia abstrata de um triângulo não tem forma, mas serva para designar todas as figuras limitadas por três linhas retas, em que a soma dos ângulos internos equivale a dois ângulos retos.

Uma tal ideia condicionada, mas sem forma projetada no mundo inferior, pode dar nascimento a uma variedade infinita de figuras, triângulos retângulos, isósceles, escalenos, coloridos e de quaisquer dimensões, porém todos satisfazendo às condições - triângulos concretos, cada um possuindo forma definida.

A palavra é impotente para mostrar claramente a diferença entre os modos de ação da consciência nas duas regiões. Porque as palavras são símbolos de imagens; pertencem às operações do mental inferior no cérebro, e são exclusivamente baseadas nestas operações. Enquanto que a região "sem forma" pertence à Razão Pura, cuja ação não se exerce nos estreitos limites da linguagem.

O plano mental é o que reflete a Mente Universal na natureza, plano que, em nosso pequeno sistema, corresponde ao da Grande Mente, no cosmo (3).

Em suas regiões superiores existem todas as ideias arquetípicas que estão atualmente em curso de evolução concreta, e nas regiões inferiores estas ideias são elaboradas em formas sucessivas, para serem devidamente reproduzidas em seguida nos mundos astral e físico. A matéria deste plano é susceptível de combinar-se sob o impulso das vibrações mentais, e pode formar todas as combinações que o pensamento é capaz de imaginar. Assim como o ferro pode ser modelado em arado para arar ou em espada para matar, a matéria mental também pode ser modelada em formas que beneficiem ou que prejudiquem. A vida do Pensador, em contínua vibração, modela a matéria que o cerca e assim edifica uma obra conforme sua vontade. Nesta região, o pensamento e a ação, a vontade e o feito são uma única e a mesma coisa; o espírito-matéria torna-se aqui o escravo dócil da vida e espontaneamente adapta-se a cada impulsão criadora.

Pela sua velocidade e sutilidade, estas vibrações que modelam em formas-pensamentos a matéria do plano mental, também dão nascimento às colorações mais delicadas constantemente combinantes; vêem-se ondas de matizes variados como as irisações da madrepérola, porém de um grau incomparável de luminosidade, envolvendo todas as superfícies e penetrando todas as formas, de maneira que cada uma delas apresenta uma harmonia de cores de um vivo chamalote, delicado e puro, absolutamente desconhecidas na Terra. As palavras são impotentes para pintar a beleza e o brilho das combinações desta matéria sutil, fremente de vida e movimento.

Todos os videntes que a contemplaram, hinduístas, budistas, cristãos, falam dela deslumbrados com sua gloriosa beleza, e confessam sentir-se incapazes de descrevê-la. Parece que toda descrição, por mais hábeis que sejam os termos, não serve senão para rebaixá-la e aviltá-la.

As formas-pensamentos representam naturalmente um papel considerável entre as criaturas vivas que funcionam no plano mental. Assemelham-se às que já encontramos no plano astral, embora sejam muito mais luminosas e de colorações mais brilhantes quanto mais fortes, mas persistentes e mais vitalizadas forem.

À medida que as qualidade intelectuais superiores se acentuam, estas formas apresentam um contorno mais firme, e tendem  para uma singular perfeição de forma geométrica com pureza de luz e cores cada vez maior. Devemos dizer que, no estado atual da humanidade, as formas nebulosas e irregulares predominam largamente como um produto habitual das mentes mal organizadas que constituem a maioria.

Entretanto, aí se encontram também pensamentos artísticos de rara beleza, e não é de admirar que pintores, depois de terem, por um instante, surpreendido seu ideal na visão de algum sonho, se impacientem por não poderem exprimir tão deslumbrante beleza com as cores pobres deste mundo inferior.

Estas formas-pensamentos são constituídas pela essência elemental do plano. As vibrações do pensamento modelam a essência elemental em uma forma correspondente, da qual o pensamento constitui a vida animadora. Encontram-se, portanto, aqui, "elementos artificiais" idênticos, no modo de formação, aos do mundo astral. Tudo que já dissemos no Cap. II com relação à geração e importância dos elementais pode ser repetido em relação ao plano mental. Mas devemos levar em conta o acréscimo de responsabilidade de quem os gerou em consequência da permanência maior das características dos elementais deste mudo superior.

VER PRÓXIMO CAPÍTULO >>>

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Notas da Autora:

(1) De Manas deriva o termo técnico "plano manásico", traduzido por plano mental. Podemos chamá-lo plano da mente propriamente dita, para distinguir suas atividades das da mente na carne.

(2) Convém também levar em conta o grau extremamente diferente do desenvolvimento do corpo mental, instrumento do Pensador em seu próprio plano, grau que influi na quantidade e na qualidade estas ondas mentais.

(3) Mahat, o terceiro Logos ou a Inteligência Criadora Divina; Brahma dos hindus, o Madjussi dos budistas setentrionais; o Espírito Santo dos cristãos (f).

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Minhas Notas

(a) Espírito-matéria: designação dada pela autora ao espírito enquanto revestido da matéria de algum dos planos em que habita. Ela utiliza a expressão "espírito-matéria físico" para designar o ser humano encarnado, "espírito-matéria astral" para referir-se ao ser humano desencarnado, mas que ainda está revestido de matéria astral e, portanto, habita essa região vibratória e assim, sucessivamente.

(b) Sobre esta afirmação, devemos considerar que esta obra foi redigida na segunda metade do século XIX. No entanto (embora não seja relevante para a compreensão do presente texto), pode-se constatar que, após a descoberta do chamado "bóson de Higs", a física moderna parece resgatar o conceito de "éter". Em uma entrevista, o físico brasileiro, Marcelo Gleiser, resgata esse conceito. Se desejar assistir a entrevista, CLIQUE AQUI.

(c) Novamente, a situação temporal da obra é necessária. Atualmente, dá-se preferência à expressão "oligofrenia profunda" ao invés de "idiotia" que, com passar dos anos, adquiriu conotação ofensiva.

(d) Para maiores informações, ver capítulos correspondentes ao plano astral, clicando AQUI.

(e) ver nota (b), acima.

(f) é conveniente destacar que aqui, a autora toma por "cristãos" apenas uma parcela deles, os que aceitam parcial ou completamente certos dogmas instituídos pela Igreja Católica e assumidos pelas reformadoras protestantes, especificamente o dogma do "Espírito Santo".

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A Sabedoria Antiga - Capítulo 3 - Kamaloka - Parte 04

Capítulo III - Kamaloka - Parte 04

<<< VER CAPÍTULO ANTERIOR

A quinta subdivisão do kamaloka (a) oferece muitas características novas. Seu aspecto é claramente luminoso e radiante; muito atraente para quem está habituado às cores sombrias da Terra, esta região justifica o epíteto astral de "estrelada", dado o conjunto do plano.

É aqui que se encontram todos os céus materializados que tão importante papel representam nas religiões populares do mundo inteiro. As "caçadas celestes" do índio pele-vermelha, o Walhalla do escandinavo, o paraíso repleto de huris do muçulmano, a Nova Jerusalém de ouro e pedras preciosas do cristão (b); o céu cheio de liceus do reformado materialista. Todos os que se ligam desesperadamente à "letra que mata" encontram aqui a satisfação literal de seus desejos. Por seu poder imaginativo, alimentado pela casca estéril dos livros santos do mundo, constroem inconscientemente em matéria astral os "castelos no ar" com que tanto sonharam.

As crenças religiosas mais bizarras encontram aqui sua realização efêmera e informe, e os sectários da letra de todas as religiões, exclusivamente desejosos da sua própria salvação no céu mais materialista que se pode imaginar, encontram satisfação neste lugar que lhes convém perfeitamente, rodeados como se acham das próprias condições às quais ajustaram sua fé.

Os religiosos e filantropos, que outra preocupação não tiveram senão executar seus próprios caprichos e impor ao próximo a sua maneira de ver, em vez de trabalharem desinteressadamente pelo acréscimo da virtude e da felicidade humanas, estão aqui muito em evidência. Organizam casas de educação, asilos, escolas, com grande satisfação pessoal, rejubilam-se em pôr, de vez em quando, sua mão astral em algum assunto ou questão terrestre por intermédio de um médium dócil, que dirigem com a maior condescendência. Edificam astralmente igrejas, casas, escolas, reproduzindo os céus materiais que ambicionaram; e embora para um olhar mais clarividente estas construções possam parecer imperfeitas, e muitas vezes grotescas, para eles nada deixam a desejar.

Os sectários da mesma religião reúnem-se e cooperam entre si de maneiras diversas, formando comunidades que diferem entre si tanto como as comunidades análogas às daqui embaixo. Quando são atraídos para a Terra, procuram, em geral, os correligionários e compatriotas, e isto não unicamente por afinidade natural, mas porque as barreiras da linguagem subsistem no Kamaloka, como se pode observar nas mensagens espíritas. As almas desta região tomam, às vezes, vivo interesse, nas tentativas feitas para estabelecer comunicações entre nosso mundo e o deles; e é daí e da região imediatamente superior que provêm os "espíritos-guias" do grande número de médiuns. Estas almas sabem que há diante delas uma possibilidade de existência mais elevada e que estão destinadas a passar, cedo ou tarde, a outros mundos onde as comunicações com a Terra não serão mais possíveis.

A sexta região do Kamaloka assemelha-se à quinta, mas é muito mais sutil. É sobretudo povoada de almas evoluídas, que acabam de gastar seu invólucro astral, através do qual suas energias mentais se manifestaram em grande parte, durante sua vida física. Sua detenção aí é devida ao papel preponderante representado pelo egoísmo em sua maneira delicada e fina, à gratificação de sua natureza sensível.

Tudo que as cerca é o que há de mais belo no Kamaloka, porque seu pensamento criador modela a substância luminosa desta região em paisagens admiráveis, em oceanos de lus que se movem, montanhas com picos nevoentos e planícies férteis, cenas de uma beleza deslumbrante, mesmo comparadas a tudo que a Terra possui de mais delicado.

Encontram-se também aqui devotos de religiões, mas de um tipo um pouco mais elevado que os da subdivisão inferior, e tendo um sentimento mais justo  de suas próprias limitações. Todos esperam com segurança deixar seu estado atual para passarem a uma esfera mais elevada.

A sétima subdivisão do Kamaloka, a mais elevada, é ocupada quase exclusivamente pelos intelectuais, homens e mulheres, que foram na Terra de um materialismo pronunciado, ou que de tal forma se adaptaram aos meios pelos quais o mental inferior adquire conhecimentos no corpo físico; estes continuam buscando tais conhecimentos segundo o método antigo, porém com as faculdades mais desenvolvidas. Recordemos como instintivamente Charles Lamb (c) era hostil à ideia de que no céu seria obrigado a trocar seus livros queridos por "não sei que bizarro processo de intuição". Muitos estudantes vivem literalmente por longos anos, às vezes séculos - segundo H. P. Blavatsky - dentro de uma biblioteca astral, consultando avidamente todos os livros sobre seu assunto preferido, e perfeitamente contentes com isto.

Aqueles que concentram toda sua energia sobre qualquer linha de investigação intelectual, e que perderam seu corpo físico sem ter acalmado a sede de conhecimentos, continuam perseguindo seus ideais com uma persistência infatigável, unidos por esse trabalho ao mundo físico. Frequentemente, esses homens ainda se mostram céticos quanto às possibilidades superiores que os esperam, e recuam diante da perspectiva do que lhes parece ser realmente uma segunda morte; a perda do conhecimento que precede ao nascimento da alma para uma vida superior no céu. Políticos, homens de estado, homens de ciência demoram algum tempo nesta região, despojando-se lentamente de seus invólucros astrais, presos ainda à existência terrestre pelo vivo interesse que tomam pelos movimentos nos quais desempenharam papéis importantes, e pelo esforço que fazem para executar, no astral, alguns projetos que a morte os impediu de realizar.

Para todos, salvo para a pequena minoria que não experimentou na Terra um único movimento de amor desinteressado ou de aspiração intelectual, que viveu sem nunca ter reconhecido alguma coisa, cedo ou tarde, virá um tempo em que finalmente se desatam as amarras do corpo astral.

A alma torna-se momentaneamente inconsciente de tudo que a rodeia - inconsciência semelhante à que segue a morte física; em seguida é despertada por um sentimento de intensa felicidade, tão grande que é impossível imaginar, aqui embaixo, a felicidade do mundo celeste, ao qual, por sua própria natureza, a alma pertence. Pode ter alimentado muitas paixões baixas e vis, muitos desejos triviais e sórdidos, mas também ela conheceu os resplendores de uma natureza mais alta, clarões vagos, esparso, vindos de uma região mais pura. Agora chega, para estes esplendores, o tempo da colheita, e por mais pobres e fracos que sejam, é justo que a alma recolha os seus frutos. Eis que o homem vai mais longe a fim de recolher esta messe celeste e assimilar-lhe os frutos (1)

O cadáver astral, como o chamam às vezes, ou a "casca astral" da entidade que partiu, compõe-se de restos das sete camadas concêntricas precedentemente descritas, restos mantidos em conjunto ainda pelo pouco magnetismo anímico que algum tempo perdura. Cada camada, por sua vez, já se desagregou, formando fragmentos esparsos, que ficam ligados por atraçao magnética às outras camadas que ainda subsistem. Quando todas já estão reduzidas a esta condição, incluindo a sétima, que é a mais inferior, o homem escapa, abandonando tais resíduos. A "casca" flutua sem direção, através do mundo astral, repetindo, embora fracamente e de maneira automática, suas costumeiras vibrações. À medida que o magnetismo restante se dispersa, a "casca" dissolve-se cada vez mais, e acaba por decompor-se totalmente, restituindo seus materiais ao depósito comum da matéria astral, como o corpo físico restitui ao mundo físico os elemento com os quais se compõe.

Esta "casca" astral erra aqui e ali, ao sabor das correntes astrais; e se não estiver muito decomposta, pode ser vitalizada pelo magnetismo das almas encarnadas na Terra, tornando-se assim capaz de alguma atividade. Ela absorve água, e reveste-se então de uma aparência ilusória de vida, repetindo com uma intenção acentuada as vibrações às quais, outrora, se acostumou. Estas vibrações são muitas vezes despertadas sob a ação de algum pensamento comum à alma desaparecida e aos amigos terrestres, e a "casca", assim vitalizada, pode representar sofrivelmente o papel de inteligência comunicante. Ela, entretanto, distingue-se - à parte o emprego da visão astral - pela repetição automática dos pensamentos familiares, assim como pela carência completa de originalidade e conhecimentos que não possuísse durante a vida física.

Assim como as almas podem ser entravadas em seu progresso por amigos ignorantes e irrefletidos, assim também é possível ir em seu auxílio com esforços sábios e bem dirigidos. Eis por que todas as religiões conservam alguns traços da sabedoria oculta dos seus fundadores, prescrevendo o emprego das "orações pelos mortos".

Estas preces, assim como as cerimônias que as acompanham, são mais ou menos eficazes conforme o conhecimento, o amor e o poder da vontade que as animam. Têm por base o princípio universal das vibrações, modelando a matéria astral em formas determinadas, animadas pelo pensamento que as palavras expressam.

Estas formas-pensamentos são dirigidas para a entidade purgatorial, e agindo sobre seu corpo astral apressam sua dissolução. Com a decadência do saber oculto, estas cerimônias tornaram-se cada vez menos eficazes, até serem de utilidade quase nula. Entretanto, quando executadas por um homem de conhecimento, exercem a influência desejada. Demais, cada um pode ajudar seus mortos amados enviando-lhes pensamentos de amor e de paz, fazendo votos por seu progresso rápido, atrvés do Kamaloka e de sua libertação dos entraves astrais.

Que nossos mortos nunca sigam solitários seu caminho, sem a assistência da hostes amorosas desses anjos da guarda, que são nossas formas-pensamentos, ajudando-os a avançar para a bem-aventurança.

VER PRÓXIMO CAPÍTULO >>>

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Notas da autora:

(1) Ver Capítulo V: o Devakhan

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Minhas notas:

(a) Kamaloka: região do plano astral onde vivem os desencarnados que ainda não se desembaraçaram de sua natureza animal. Ficam aí retidos até a desagregação de seu corpo astral inferior.

(b) é preciso ressalvar que a "Nova Jerusalém" não é mencionada em nenhum dos ensinamentos do Cristo. Na ocasião em que a obra foi escrita, ainda era comum o uso indistinto entre os vocábulos "cristão" e "católico", embora existam mais de uma religião que envergam, entre os seus preceitos, os ensinamentos do Cristo, como o catolicismo, o protestantismo em suas diversas vertentes, o catarismo (extinto) e, a partir do século XIX, o espiritismo.  Talvez a autora tenha pretendido referir-se, mais propriamente ao religioso que tem como dogma ....

(c) Charles Lamb: escritor e crítico inglês que viveu de 1775 a 1834.

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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A Sabedoria Antiga - Capítulo 3 - Kamaloka - Parte 03

Capítulo III - Kamaloka - Parte 03

<<< VER CAPÍTULO ANTERIOR

Passemos a uma região menos sombria. A segunda subdivisão do mundo astral pode ser considerada como a reprodução astral do mundo físico. Com efeito, a matéria desta região predomina na composição não só do corpo astral dos objetos materiais, como também na maioria dos homens. Nenhuma região do astral está mais estreitamente ligada ao mundo físico. A maior parte dos "mortos" demora aqui durante certo tempo e, em grande número, estão aí conscientemente despertados. Não tiveram outras preocupações senão pelas mesquinharias e trivialidades da existência, somente se interessaram por bagatelas; muitos se deixaram  dominar por sua natureza inferior, e morreram com apetites ainda vivos, desejosos de gozos físicos. Como foi este o emprego essencial que deram às suas energias vitais, construíram seu corpo astral com materiais que facilmente respondem aos contatos físicos. Depois da morte, este corpo astral os mantém na vizinhança dos objetos terrestres. Estes homens são, na maioria, descontentes, ambiciosos, irrequietos, variando o sofrimento conforme a intensidade dos desejos que não podem satisfazer. Alguns sofrem, de fato, uma angústia real, e ficam retidos muito tempo antes de esgotarem sua concupiscência terrestre; inúmeros são os que prolongam inutilmente sua estada, procurando comunicar-se com a Terra, para levarem a ela os seus interesses por intermédio dos médiuns, que lhes emprestam um corpo físico, suprindo assim a perda do deles.

Desta região provém em geral a banal tagarelice, muito conhecida dos que frequentam sessões espíritas públicas - palavreado de porteiro e moralidade pouco exigente - elementos femininos, na maior parte. Estas almas, presas à terra, são geralmente de fraca inteligência, e suas comunicações não têm mais interesse (para quem já está convicto da existência da alma após a morte) do que tinha a sua conversação na Terra.

De resto, como aqui embaixo, estes infelizes são tanto mais afirmativos quanto mais ignorantes, e impõem aos seus fiéis como última concepção do mundo invisível o conhecimento que eles mesmos possuem dele (a). Depois da morte como antes:

"Eles confundem o ruído de sua aldeia com os grandes sons do Universo."

É ainda desta região que as pessoas mortas, com alguma preocupação, procuram muitas vezes, comunicar-se com seus amigos a fim de regularem o negócio terrestre que os preocupa. Se não conseguem ser vistas, ou transmitir seus desejos a algum amigo sob a forma de sonho, poderão ocasionar muitas contrariedades por pancadas ou outros barulhos destinados a atraírem a atenção, ou inconscientemente provocados por seus impacientes esforços (b). Neste caso, uma pessoa competente fará um ato de caridade comunicando-se com a entidade angustiada, para saber o que ela deseja. Esta intervenção bastará, às vezes, para livrá-la da inquietação que a impedia de prosseguir o seu caminho.

Nesta região, a alma está sujeita a ter a sua atenção desviada para a Terra, com grande facilidade, embora ela espontaneamente fosse levada a isso.

Este mau serviço lhe é quase sempre feito pelas lamentações apaixonadas e pelo ardente desejo dos amigos que deixou na Terra. As formas-pensamentos geradas por estes sentimentos se juntam em torno da alma e conseguem, muitas vezes, despertá-la do seu sono pacífico. Outras vezes, quando ela é consciente, a sua atenção é violentamente atraída para a Terra, da qual devia afastar-se. É no primeiro caso, sobretudo, que este egoísmo inconsciente dos amigos que ficam faz aos mortos amados tanto mal, que estes mesmos amigos seriam os primeiros a lamentar, se pudessem ter consciência do fato.

(c)

A terceira e a quarta regiões do Kamaloka (d) diferem pouco da segunda e poderiam considerar-se como suas reproduções elétricas. A quarta é mais sutil que a terceira, mas as características gerais das três regiões permanecem as mesmas. Encontramos aqui almas de um tipo um pouco mais elevado; embora presas pelo invólucro formado pela atividade de seus interesses terrestres, a sua atenção dirige-se geralmente para a frente e não para trás.

Desde que não sejam forçadas da terra, passam a outros planos sem demora. No entanto permanecem ainda acessíveis às impressões terrestres, e o interesse cada vez mais fraco que tomam pelos negócios deste mundo pode ser despertado pelos clamores daqui. Um grande número de pessoas instruídas e refletidas que, não obstante, se deixaram absorver pelos cuidados mundanos ficam perfeitamente conscientes nestes planos. Podem ser levadas a comunicar-se por intermédio de médiuns, mas é raro que procurem por si mesmas tal comunicação. Suas palavras têm valor um pouco mais alto que as provenientes da segunda região. Entretanto, não oferecem mais interesse que a conversação delas mesmas em vida. Não é, pois, do Kamaloka que procede a iluminação espiritual.


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Minhas Notas:

(a) Ver, para maior ilustração, o paralelismo entre a descrição dos espírito que habitam esta região do Astral Inferior, com o que se diz nas questões 104 e 105 do "Livro dos Espíritos", de Allan Kardec.
(b) A esse respeito, ver a questão 106 do "Livro dos Espíritos".
(c) Segue aqui um parágrafo que, por alguma circunstância, foi impresso de maneira ininteligível. Apenas para conhecimento, transcrevo-o abaixo:

"Talvez a compreensão destes sofrimentos produzidos sem segunda e poderiam ser consideradas como suas reproduções etéricas a autoridade dos preceitos religiosos que ordenam a submissão à lei divina, e a reprimir uma dor excessiva e revoltada."
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(d) Kamaloka: região do plano astral onde vivem os desencarnados que ainda não se desembaraçaram de sua natureza animal. Ficam aí retidos até a desagregação de seu corpo astral inferior.


terça-feira, 15 de setembro de 2015

A Sabedoria Antiga - Capítulo 3 - Kamaloka - Parte 02

Capítulo III - Kamaloka - Parte 02

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Podemos agora considerar uma a uma as subdivisões do Kamaloka (a), para formarmos uma ideia das condições que o homem prepara para si, neste estado intermediário, pelos desejos que alimenta durante sua vida física. Porque devemos recordar-nos que a soma da vitalidade em uma qualquer das "camadas", e por conseguinte a sua duração correspondente, depende da soma de energia comunicada durante a vida terrestre ao gênero de matéria astral que forma a natureza desta camada. Se as paixões mais baixas foram as mais ativas, a matéria astral mais grosseira está muito vitalizada, e predomina pela quantidade. Este princípio aplica-se através de todas as regiões do Kamaloka, de forma que o homem, durante sua própria vida, pode facilmente conceber previamente o futuro que o espera no dia seguinte à sua morte.

A primeira divisão, a mais inferior, encerra as condições que respondem aos diferentes gêneros de "infernos" descritos em tantos livros santos, hindus e budistas. É preciso compreender bem que o homem, ao passar de um a outro destes estados purgatórios, não fica realmente desembaraçado das paixões e dos desejos vis que o conduziram lá. Semelhantes elementos persistem, porque são parte integrante de seu caráter, mas ficarão latentes, em estado de germes, no mental, para surgirem e formarem sua natureza passional quando ele novamente estiver prestes a renascer no mundo físico (1).

A sua permanência na mais baixa região do Kamaloka deve-se exclusivamente à presença em seu corpo kâmico (b) de uma grande proporção de matéria pertencente a esta região, e aí fica prisioneiro até que a camada que se compõe dessas matérias esteja suficientemente desagregada para permitir-lhe entrar em contato com a região imediatamente superior.

A atmosfera deste lugar é sombria, pesada, triste, deprimente em grau inconcebível. Parece impregnada de todas as influências mais opostas ao bem. Tal é o seu caráter essencial gerado por males, triste lugar (2) aonde são conduzidos aqueles que se deixaram guiar por suas más paixões. Todos os desejos, todos os sentimentos hórridos encontram ali materiais apropriados à sua expressão. Ali nada falta do que pode existir no lugar mais infecto, onde, entretanto, não se levam em conta todos os horrores que se ocultam à vista física e que ali se mostram em sua hedionda nudez.

O caráter repelente desta região é largamente acrescido pelo fato de a forma, no mundo astral, se adaptar ao caráter. O homem, presa de paixões repugnantes, mostra, portanto o aspecto exato do que é. Os apetites bestiais dão ao corpo astral um aspecto bestial, e as formas hediondas e terríveis, semi-humanas e semi-animais, são a expressão mais própria das almas que se tornam semelhantes aos brutos.

Ninguém, no mundo astral, pode ser hipócrita, nem dissimular seus maus pensamentos sob o véu de aparências virtuosas. Tudo que o homem é, manifesta em sua forma e seu aspecto exterior; irradiando beleza quando seus pensamentos são nobres; asqueroso e repelente, quando sua natureza é vil. Compreender-se-á facilmente por que os Mestres, tais como Buda, de visão infalível, para quem todos os mundos estão abertos, puderam descrever o que viam nestes infernos numa linguagem de um realismo terrível, que, por vezes, parece incrível aos leitores de hoje, porque esquecem que as almas, uma vez libertadas da matéria pesada e pouco plástica do mundo físico, aparecem sob a forma que lhes corresponde, tendo exatamente o aspecto do que na verdade são. Mesmo neste baixo mundo, um facínora vil apresenta um aspecto repugnante. Que devemos, pois, esperar com a matéria astral mais plástica, que se adapta à maior impulsão dos desejos criminosos?

Convém recordar que a população desses abismos do Kamaloka se compõe da escória da humanidade: assassinos, bandidos, criminosos de toda espécie, libertinos; em uma palavra, tudo o que há de mais vil no gênero humano.

Tudo o que aqui se encontra, com a consciência exata do que o rodeia, é culpado de algum crime brutal, de alguma crueldade persistente e deliberada. As únicas pessoas de caráter mais elevado que se encontram ali são os suicidas, homens que, pondo fim aos seus dias, quiseram escapar à punição terrestre dos seus crimes. Assim agindo, não fizeram senão agravar a situação.

Nem todos os suicidas, porém, aí se encontram, porque o suicídio pode ser cometido por motivos bem diversos. Aí não se encontram senão os que covardemente se matam para evitar as consequências de suas próprias ações.

Independentemente do ambiente lúgubre e dos companheiros abjetos que ali existem, o homem é por si mesmo o criador imediato de sua própria miséria. Não tendo sofrido outra mudança senão a perda de seu véu corpóreo, manifesta suas paixões com toda a sua faculdade original e sua brutal nudez. Cheias de apetites ferozes e insaciáveis, inflamadas pela vingança, pelo ódio, pela concupiscência, que não podem satisfazer, por falta dos respectivos órgãos, as almas erram, furiosas e ávidas, através dessa morada sombria. Elas se reúnem em torno dos piores lugares da terra, nas casas de deboche onde campeia o vício, a embriaguez, excitando os concorrentes destes lugares aos atos mais vergonhosos e ações violentas, procurando a ocasião favorável para obsedá-los e conduzi-los aos piores excessos. A atmosfera sufocante que existe em torno destes lugares é em grande parte devida à presença destas entidades ligadas à terra, possuídas de paixões abjetas e desejos infames. Os médiuns, a não ser que eles tenham um caráter puro e nobre, são principalmente objeto de seus ataques. Frequentemente, falhos de vontade, debilitados pelo abandono passivo de seu corpo à ocupação temporária de outras entidades desencarnadas, são facilmente obsedados por estes seres maus e arrastados à intemperança e à loucura. Os assassinos executados, possuídos de terror, de ódio, de vingança insaciável, renovam sem cessar seu crime por impulso maquinal, reproduzindo mentalmente os acontecimentos terríveis que o seguiram, envolvendo-se numa atmosfera de formas-pensamentos do crime. Estas, atraídas para quem alimente tais sentimentos de ódio ou vingança, incitam a cometer o crime em que o morto pensava. Ver-se-á, às vezes, nesta região, um assassino constantemente seguido de sua vítima, a cuja angustiosa presença não pode subtrair-se, forma inerte que persegue seus passos com uma persistência inelutável, apesar dos esforços que faz para desembaraçar-se dela. A vítima, a menos que não seja dum caráter vil, é inconsciente do fato, e esta inconsciência mesmo parece aumentar, para o culpado, o horror desta perseguição infernal.

É aqui que também encontramos o inferno do vivissector, porque a crueldade atrai ao corpo astral os materiais mais grosseiros e as mais repugnantes combinações de matéria astral... E a alma vive cercada pelas formas de suas vítimas mutiladas, gemedoras, trementes, lançando gritos, vivificados não pelas mesmas almas dos animais, mas pela vida elemental fremente de ódio contra os sacrificadores. E ele repete suas pobres experiências com uma regularidade automática, consciente do seu horror, imperiosamente levado a infligir de novo este tormento pelo hábito em sua vida terrestre,

Antes de deixar a região sombria, recordemos mais uma vez que não há aqui punição arbitrariamente infligida pelo exterior, mas unicamente o efeito inevitável de causas postas em ação pela própria ação.

Durante sua vida física, estes homens cederam aos impulsos mais vis; atraíram e assimilaram em seu corpo astral materiais que unicamente podiam vibrar em resposta a estes impulsos. Agora, este corpo que eles mesmos construíram torna-se a prisão de sua alma, e deve cair em ruínas antes que ela possa evadir-se.

O bêbado não é forçado a viver, aqui embaixo, em seu corpo físico repelente, abrasado pelo álcool? A mesma lei o forçará a viver, no Kamaloka, em seu corpo astral não menos repelente. Tudo o que se semeia, se colhe segundo sua espécie - tal é a lei, em todos os mundos, e nada pode a isso escapar. Na verdade, o corpo astral não é nem mais horrível nem mais nauseabundo que no tempo em que o homem vivia ainda na Terra, onde tornava a atmosfera fétida em torno de si, por suas emanações astrais. Mas na Terra as pessoas não percebem esta fealdade porque astralmente são cegas.

E quando consideramos estes infelizes que são nossos irmãos, podemos consolar-nos pensando que seus sofrimentos são apenas temporários e dão à vida da alma uma lição de que ela tem necessidade. Sob a reação terrível das leis da natureza que violou, aprende que estas leis existem e aprende também a conduta do homem. A natureza nada nos poupa, mas, no final de tudo, suas lições são excelentes, porque asseguram nossa evolução e conduzem a alma à conquista de imortalidade.


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Notas da Autora:

(1) Ver capítulo VII: A reencarnação.
(2) A "selva escura", Dante. V. L'inferno, canto primeiro.

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Minhas Notas:

(a) Kamaloka: região do plano astral onde vivem os desencarnados que ainda não se desembaraçaram de sua natureza animal. Ficam aí retidos até a desagregação de seu corpo astral inferior.
(b) corpo kâmico: o mesmo que corpo astral.


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

A Sabedoria Antiga - Capítulo 3 - Kamaloka - Parte 01

Capítulo III - Kamaloka - Parte 01

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Capítulo III - Kamaloka

Este termo, que literalmente significa o lugar ou a morado do desejo, serve, como já tivemos ocasião de ver, para designar uma parte do plano astral, uma região separada do resto deste plano, não tanto como uma localidade distinta, mas antes pelo estado de consciência especial dos seres que aí se encontram (1). Encerra os seres humanos privados de seus corpos físicos pela morte, e destinados a sofrerem certas transformações purificadoras antes de poderem entrar na vida pacífica e feliz que pertence ao homem propriamente dito, isto é, à alma humana (2).

Esta região representa e engloba as condições atribuídas aos diferentes estados intermediários, infernos ou purgatórios que todas as grandes religiões consideram como residência temporária do homem após o abandono de seu corpo físico e antes de atingir o "céu". Não encerra nenhum lugar de tortura eterna, porque o inferno eterno, no qual acreditam alguns sectários de espírito estreito, não é mais que um pesadelo da ignorância, do ódio e do medo.

Mas esta região compreende, na verdade, condições de sofrimento, temporárias e purificadores, efeitos de causas, postas em ação pelo homem durante sua vida física, tão naturais e tão inevitáveis  como as consequências dos nossos delitos e faltas neste mundo; portanto, vivemos em um universo presidido por leis, em que todos os germes devem frutificar, tanto os bons como os maus. A morte me nada altera a natureza mental e moral do homem, e a mudança de estado que se dá na passagem de um mundo ao outro apenas elimina o corpo físico, sem tocar no resto de sua natureza.

A condição de Kamaloka se encontra em cada uma das subdivisões do plano astral, de forma que podemos considerar o Kamaloka como encerrando sete regiões, a que chamaremos primeira, segunda, terceira região e assim sucessivamente até a sétima, contando de baixo para cima (3). Já vimos que entram na composição do corpo astral materiais tirados de todas as subdivisões do plano. Ora, é o arranjo, ou melhor, a disposição especial destes materiais que separa os homens retidos nas diversas regiões, ao passo que os de uma mesma região podem comunicar-se entre si. Esta disposição das camadas astrais será explicada mais tarde. As sete regiões, pertencentes às subdivisões correspondentes do plano astral, diferem em densidade, e a densidade da forma exterior da entidade purgatória determina a região onde ela se encontra encerrada. São estas diferenças no estado da matéria que impedem a passagem duma região ao outra. Os habitantes duma região não podem entrar em contato com os de outra região, assim como o peixe das maiores profundidades do oceano não pode conhecer a águia. O meio necessário à vida de um seria fatal à vida do outro ser.

Quando o corpo físico é abatido pela morte, o duplo etérico, arrastando consigo prana, e acompanhado de todos os outros princípios - "homem completo, com exceção do corpo grosseiro" - retira-se do "tabernáculo da carne", termo que designa admiravelmente o invólucro exterior do ser. Todas as energias vitais que irradiavam para o exterior são reconduzidas para o interior, e "recolhidas por prana"; seu afastamento se manifesta pelo entorpecimento que invade os órgãos físicos dos sentidos. Os órgãos estão lá, como sempre, prestes a entrar em atividade. Mas o "ser interior que governa" desprende-se daquele que por meio deles via, ouvia, tocava, sentia; e entregues a si mesmos,não são mais que simples agregados de matéria, matéria viva, é verdade, mas sem nenhum poder de percepção. Lentamente o senhor do corpo se retira, encerrado no duplo etérico e absorto na contemplação do panorama de sua vida passada, que se desenrola diante dele, na hora da morte, completo até nos menores detalhes.

Neste quadro estão todos os acontecimentos de sua vida, grandes e pequenos. Vê suas ambições realizadas ou falidas, seus esforços, triunfos, derrotas, amores e ódios. A tendência predominante do conjunto surge claramente; o pensamento diretor da vida se afirma e se imprime profundamente na alma, assinalando a região onde passará a maior parte de sua existência póstuma. Solene é o momento em que o homem, frente a frente com sua vida, ouve sair dos lábios do seu passado o vaticínio do provir.

Durante um breve espaço de tempo, ele se vê tal qual é, reconhece o fim de sua vida e adquire convicção de que a Lei é poderosa, justa e boa. Em seguida, o laço magnético entre o corpo grosseiro e o duplo etérico se rompe; e assim se separam os dois associados de uma vida inteira; e salvo casos excepcionais, o homem cai numa plácida inconsciência.

A calma e o respeito devem presidir a conduta de todos os que se aproximam do leito de um moribundo, a fim de que um silêncio solene facilite à alma o exame de seu passado Os gritos, as lamentações ruidosas produzem uma impressão penosa e podem perturbar sua atenção. Não deixa de ser um ato impertinente e egoísta interromper, pelo desgosto de uma perda pessoal, a calma que deve ajudá-lo e apaziguá-lo.

A religião age sabiamente quando prescreve orações para os agonizantes. Estas orações mantêm a calma e provocam aspirações desinteressadas que auxiliam o moribundo. Como todo o pensamento amante, contribuem para protegê-lo e defendê-lo.

Algumas horas após a morte - geralmente não excedem de trinta e seis - o homem se retira do corpo etérico. Este último, por sua vez, abandonado como um cadáver inerte, permanece na vizinhança do cadáver grosseiro e partilha a mesma sorte que ele. Se o corpo grosseiro é enterrado, o duplo etérico flutua acima do túmulo, desagregando-se lentamente; e a penosa impressão que muitas pessoas experimentam ao visitar os cemitérios é, em grande parte, devida à presença desses cadáveres etéricos em decomposição. Quando se queima o corpo, ao contrário, o duplo etérico se dissolve rapidamente, porque perde seu ponto de apoio e seu centro de atração física.

Esta é uma das razões entre muitas outras para preferir-se à inumação a cremação, como meio de eliminar os veículos físicos.

O afastamento do homem de seu duplo etérico é seguido da retirada de prana que então volta ao grande reservatório da vida universal; ao passo que o ser humano prestes a passar ao Kamaloka sofre uma recomposição de seu corpo astral, por meio da qual poderá submeter-se às transformações purificadoras de que o homem tem necessidade (4). Durante a vida terrestre, os diversos estados da matéria astral se misturam formando o corpo astral, como fazem os sólidos, os líquidos e os gases no interior do corpo físico. A recomposição do corpo astral em seguida à morte comporta a separação destes materiais, por ordem de densidade, em uma séride de invólucros ou capas concêntricas, a mais sutil por dentro e a mais grosseira por fora, sendo cada capa formada pela matéria de uma única subdivisão do plano astral. O corpo astral torna-se, portanto, um conjunto de sete camadas superpostas, em sétuplo estojo de substâncias astrais, onde o homem fica prisioneiro, pois que somente a ruptura destas camadas o tornará livre. Pode-se compreender agora a importância capital da purificação do corpo astral durante a vida terrestre. O homem fica retido em cada uma dessas subdivisões do Kamaloka até que o invólucro de matéria dessa subdivisão fique suficientemente desagregado para lhe permitir passar à subdivisão seguinte. Demais, conforme a atividade conscientemente empregada pelo ser, durante sua vida, neste ou naquele estado de matéria astral, ele aí se encontrará desperto e consciente, na região que lhe corresponda depois da morte; ou melhor, ele aí fica inconsciente, "absorto em sonhos agradáveis" e retido durante o tempo necessário à desagregação mecânica do invólucro.

O homem espiritualmente desenvolvido, que purificou seu corpo astral até ficarem os respectivos elementos unicamente formados de matérias pertencentes às subdivisões mais sutis - este homem apenas atravessa o Kamaloka sem aí se deter. Seu corpo astral se desvanece com extrema rapidez, e sem demora alcança o lugar que o destino lhe assinala, de acordo com a sua evolução.

Um homem menos desenvolvido, mas cuja vida foi pura e sóbria, e que não se prendeu às coisas da terra, atravessará o Kamaloka num vôo menos rápido, sonhará pacificamente, inconsciente do que o rodeia, enquanto seu corpo mental vai abandonando sucessivamente as diferentes camadas astrais; e ao atingir as camadas celestes despertará finalmente.

Outros, menos desenvolvidos ainda, despertarão depois de terem atravessado as regiões inferiores do plano astral, readquirindo a consciência na divisão que corresponder a sua atividade consciente durante a vida terrestre, porque o ser desperta ao contato de impressões familiares, embora elas sejam agora recebidas diretamente pelo próprio corpo astral, sem o auxílio do físico. Aqueles que viveram no seio das paixões animais despertam na região correspondente a estas paixões, pois cada homem se coloca exatamente "no lugar que ele mesmo escolheu".

O caso da supressão brusca da vida física por acidente, suicídio, assassinato ou morte súbita, qualquer que seja ela, merece uma menção especial, porque difere da morte normal, conseqüência de esgotamento de energias vitais pela velhice ou pela doença. Se a vítima é pura e de tendências espirituais, será objeto de uma proteção especial e dormirá até o momento em que, em caso normal, deveria terminar sua existência física.

Mas se a vítima não for pura, ficará consciente e incapaz de compreender que perdeu seu corpo físico, e obsedada durante muito tempo pela cena fatal, impotente para se libertar dos seus horrores.

Durante todo este tempo, a vítima permanecerá no plano astral com o qual merece estar em contato, conforme a zona mais exterior de seu corpo astral. Para qualquer dessas almas, a vida regular no Kamaloka só começa depois de esgotado o período que deveria durar sua existência terrestre; e é vivamente consciente dos objetos físicos que a cercam.

Um assassino, executado pelo seu crime continua, segundo o testemunho de um dos Mestres que instruiu Mme. Blavatsky, vivendo e revivendo no Kamaloka a cena do assassinato e os acontecimentos subsequentes, repetindo sem cessar o seu ato diabólico, e novamente experimentando todos os terrores da sua prisão e da sua execução.

Do mesmo modo, um suicida reproduzirá automaticamente os sentimentos de desespero e de temor que precederam o seu crime, e renovará quase indefinidamente com uma persistência lúgubre, o ato fatal e a luta da agonia. Uma mulher morta nas chamas, tomada de um pavor louco, depois de esforços desesperados para escapar, criou um tal turbilhão de emoções tumultuosas que, cinco dias depois, ainda lutava loucamente, vendo-se sempre rodeada de chamas e repelindo violentamente todos os esforços que faziam para acalmá-la. Uma outra mulher, ao contrário, tragada pelas ondas numa tempestade, morreu tranquilamente e cheia de amor, comprimindo seu filhinho contra seu seio. Do outro lado da morte pôde ser observada dormindo um sono pacífico, sonhando com seu marido e seus filhos que lhe apareciam em visões felizes, tão perfeitas como a realidade.

Nos casos mais comuns, a morte por acidente é uma desvantagem real, resultado de alguma falta grave (5); pois que o fato de estar perfeitamente consciente das regiões inferiores do Kamaloka, estreitamente ligadas à Terra, traz consigo muitos inconvenientes.e mesmo perigos. O homem fica absorto em projetos e nos interesses que o preocupavam durante a vida e tem consciência da presença das pessoas e coisas que se prendem a ele.

Sente-se quase irresistivelmente levado a fazer esforços para influir nos negócios e nas questões aos quais suas paixões e seus sentimento ainda se prendem.

Por seus desejos, liga-se ainda ao mundo físico, embora já tenha perdido todos os órgãos habituais de sua atividade. O único meio para alcançar a paz consistira em desviar-se resolutamente da Terra e fixar seu pensamento em coisas mais altas; mas o número dos que têm coragem para fazer este esforço é, comparativamente, diminuto, apesar dos socorros que lhes oferecem sempre os "auxiliares invisíveis" do plano astral, cuja tarefa consiste em ajudar e a guiar os que deixam este mundo (6). Na maioria das vezes estas almas sofredoras, incapazes de suportar sua inação forçada, procuram o auxílio de um sensitivo com o qual se possam comunicar, para ainda mais uma vez se ocuparem das preocupações terrestres.

Às vezes também, obsedando algum médium disponível esforçam-se em utilizar o seu corpo para seus próprios fins. Contraem assim grandes responsabilidades para o futuro.

Não é sem uma razão oculta que a Igreja nos ensina esta oração:

"Da batalha, do assassinato e de uma morte súbita, livrai-nos, Senhor!"




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Notas da Autora:

(1) Os hindus chamam este estado Pretaloka, a morado dos Pretas. Um Preta é o ser humano que perdeu o corpo físico mas ainda não se desembaraçou de sua natureza animal. Não pode ir longe com este veículo, e fica preso nele até sua desagregação.

(2) A alma é a individualidade humana, o laço entre o Espírito Divino, no homem e sua personalidade inferior. é o "Ego", o Indivíduo, o "Ser" que se desenvolve pela evolução. Em linguagem teosófica, é Manas, o "Pensador". A mente como ordinariamente a concebemos é a energia do Manas operando através das limitações do cérebro físico.

(3) Estas regiões são muitas vezes enumeradas de cima para baixo. Isto pouco importa. Conto aqui de baixo para cima a fim de ficar de acordo com o método adaptado nesta obra para os planos e princípios.

(4) Esta recomposição determina o que os hindus chamam Yatana ou corpo de sofrimento; ou, no caso de homens perversos que tenham em seu corpo astral elementos muito densos, toma o nome de Dhurvam ou corpo forte.

(5) Não por uma falta cometida na vida presente. A lei da casualidade estudará o caso no Capítulo IX: O karma.

(6) Estes trabalhadores são discípulos de alguns dos grandes Mestres e guiam a humanidade, e preenchem o dever de socorrer os que têm necessidade de sua assistência.


sábado, 11 de julho de 2015

A Sabedoria Antiga - Capítulo 2 - O Plano Astral - Parte 03

<<< VER CAPÍTULO ANTERIOR

Passemos à consideração do corpo astral humano durante o período da existência física. Estudaremos sua natureza e sua constituição, ao mesmo tempo que suas relações com o mundo astral. Para isto, tomaremos sucessivamente: a) o corpo astral de um homem pouco evoluído; b) o de um homem médio; c) o de um homem espiritualmente evoluído.

a) - O corpo astral de um homem pouco evoluído forma uma massa nebulosa mal organizada, vagamente delimitada. Encerra materiais (matéria astral e essência elemental) tirados de todas as subdivisões do plano astral, mas predominando neles fortemente os elementos do astral inferior. Por isso é de contextura e densidade espessas, apto a responder a todas as excitações que se prendem às paixões e aos apetites. As cores produzidas pelos ritmos vibratórios destes materiais são embaçadas, sombrias e lamacentas.

O pardo-escuro, o vermelho carregado, os verdes sujos são suas cores predominantes. Nenhum jogo de luz, nenhuma cintilação rápida de cores cambiantes em semelhante corpo astral. As diversas paixões aí se mostram sob a forma de ondas pesadas ou, quando são violentas, sob a forma de relâmpagos. Assim, a paixão sexual produzirá uma vaga de carmim-escuro; a cólera, um relâmpago vermelho e sinistro.

O corpo astral é maior que o corpo físico e se estende em torno dele em todos os sentidos, a 25 ou 30 centímetros, no exemplo que ora estudamos. Os centros dos órgãos sensoriais estão nitidamente assinalados e mostram atividades quando afetados pelo exterior; mas no estado de repouso, as correntes vitais são apáticas, e o corpo astral, não recebendo excitação nem do mental, permanece inerte e indiferente (1). uma característica constante do estado primitivo é que a atividade é determinada pela excitação exterior, antes que por iniciativa interior do ser consciente. Para que uma pedra se mova é necessário o impulso; uma planta se move sob a atração da luz e da umidade; um animal torna-se ativo quando a fome o aguilhoa. O homem fracamente desenvolvido tem necessidade de ser excitado de uma maneira análoga. É necessário que a mente esteja parcialmente evoluída para que comece a tomar a iniciativa da ação. Os centros das faculdades superiores (2), que funcionam independentemente dos sentidos astrais, são dificilmente visíveis. Neste estado, o homem tem necessidade, para sua evolução, de todas as espécies de sensações violentas, com o fim de sacudir sua natureza, excitando-o à atividade. Choques violentos, tanto de prazer, como de dor, oriundos do mundo exterior, são necessários para despertá-lo e conduzi-lo à ação.

Quanto mais numerosas e violentas são as sensações, mais seu crescimento é favorecido. Neste estado primitivo, pouco importa a qualidade: a quantidade e o vigor são as condições essenciais.

É no embate das paixões que nasce a moralidade do homem. Um leve movimento de abnegação em suas relações com a mulher, um filho ou um amigo constitui o primeiro passo na via ascendente. Este movimento provocará vibrações na matéria mais sutil do corpo astral, e atrairá uma maior proporção de essência elemental da mesma natureza. O corpo astral renova constantemente seus materiais sob a influência das paixões, dos apetites, dos desejos e das emoções. Todo o movimento bom fortifica as partes mais sutis deste corpo, expulsa alguns elementos grosseiros, fazendo aí entrar materiais mais delicados e atraindo em torno elementais de natureza benéfica, que auxiliam o processo de renovação. Todo ato mau produz efeitos diametralmente opostos. Tende a fortificar os elementos grosseiros, expulsando os elementais sutis; faz entrar no corpo astral materiais impuros e atrai elementais que ajudam o processo de deterioração.

No caso que ora encaramos, os poderes morais e intelectuais do homem são ainda tão embrionários que se pode dizer que a construção ou a modificação de sue corpo astral são antes executadas para ele do que por ele.

Estas operações dependem mais das circunstâncias exteriores que propriamente de sua vontade; porque, como já dissemos, o caráter distintivo dum baixo grau de evolução é que o homem é movido do exterior, é levado à ação por circunstâncias externas, tendo o corpo como intermediário, e não do interior, por sua mente. É indício dum progresso considerável o homem poder ser conduzido por sua vontade, por sua energia própria, por sua iniciativa, em lugar de ser arrastado pelo desejo, isto é, por uma resposta a uma atração ou a uma repulsão exterior.

Durante o sono, o corpo astral, servindo de invólucro ao ser consciente, desliza fora do organismo físico, deixando juntos os corpos grosseiros e etéricos adormecidos. Mas neste nível a consciência do homem não está ainda despertada no corpo astral, porque ela não pode aí encontrar nada semelhante aos contatos violentos que a sacodem quando está em sua forma física. Unicamente os elementais de natureza grosseira podem afetá-la, provocando no invólucro astral vibrações confusas que se refletem no cérebro etérico e grosseiro, onde despertam sonhos e sensualidade bestial. O corpo astral flutua pouco acima do corpo físico, mantido por sua poderosa atração sem se poder afastar dele absolutamente.

b) - No homem medianamente desenvolvido, sob o duplo ponto de vista intelectual e moral, o corpo astral manifesta um progresso imenso em relação ao tipo que acabamos de descrever. Suas dimensões são mais consideráveis, seus materiais de natureza diversa estão melhor distribuídos, e as essências mais sutis dão ao conjunto, devido à sua presença, uma certa qualidade luminosa; enquanto que a expressão das emoções superiores faz correr nele admiráveis emoções coloridas, serpenteando em forma de corrente circulatória. A forma do corpo não é mais tão vaga e indecisa como no caso precedente. É clara e precisa, e reproduz a imagem de seu possuidor.

Este corpo astral está evidentemente em vias de tornar-se um veículo prático para uso do homem interno, veículo perfeitamente organizado e estável, corpo apto a funcionar, prestes a servir, e capaz de se manter independentemente do corpo físico. Sempre conservando uma grande plasticidade, tem, entretanto, uma forma habitual, à qual volta invariavelmente, desde que cesse o esforço modificador do seu aspecto. Sua atividade é constante. Está em perpétua vibração, revestindo-se a todo instante de tons cambiantes que variam ao infinito.

Demais, as "rodas" (chakras) são claramente visíveis embora ainda não funcionem (3). Esta forma astral responde vivamente a todos os contatos que atravessam o corpo físico e é igualmente afetada pelas influências internas que procedem do ser consciente.

A memória e a imaginação estimulam, portanto, o corpo astral, e este, por sua vez, impele o corpo físico à ação, em lutar de ser exclusivamente movido por ele, como no caso precedente.

A purificação segue sempre a mesma marcha; expulsão dos elementos inferiores por meio da produção de vibrações contrárias e assimilação de materiais mais sutis em substituição aos que foram eliminados. Mas, presentemente, o desenvolvimento moral e intelectual do homem coloca esta construção quase inteiramente em suas próprias mãos, porque não é mais levado cegamente pelas excitações da natureza exterior, mas raciocina, julga e resiste ou cede, conforme o caso lhe parecer bom.

Pelo exercício de seu pensamento conscientemente dirigido, pode afetar profundamente seu corpo astral, cujo aperfeiçoamento se exerce daí em diante com uma rapidez crescente.

E para chegar a este resultado, não é necessário que o homem compreenda exatamente o modus operandi, assim como não tem necessidade, para ver, de conhecer as leis da óptica.

Durante o sono, este corpo astral bem desenvolvido se desprende de seu revestimento físico, mas não se mantém mais junto deste, como no caso precedente. Erra longe no mundo astral, levado sem direção pelas correntes astrais, ao passo que o ser consciente no interior do copro, incapaz ainda de dirigir seus movimentos, está, entretanto, despertado, ocupando-se em admirar e gozar suas próprias imagens e atividades mentais. Ele pode igualmente receber, através de seu invólucro astral, impressões que logo transforma em imagens mentais. Desta maneira, o homem adquire conhecimentos fora do corpo físico, e pode transmiti-los ao cérebro, sob a forma de sonhos ou visões. Embora o laço da memória e cerebral falte, os conhecimentos adquiridos poderão infiltrar-se insensivelmente até a consciência de vigília, onde se manifestarão sob a forma de noções intuitivas, de pressentimentos.

c) - O corpo astral de um homem espiritualmente desenvolvido compõe-se das partículas mais sutis de cada subdivisão da matéria astral, preponderando as qualidades mais elevadas. Este corpo forma um admirável conjunto, luminoso e colorido. Tons desconhecidos em nosso planeta surgem, sob os impulsos procedentes da inteligência purificada.

As "rodas de fogo" justificam agora o nome que possuem e seu movimento turbilhonário denota a atividade dos sentidos superiores. Um tal corpo é, na perfeita acepção do termo, um veículo da consciência.

No decurso da evolução, foi vivificado em cada um dos seus órgãos, e pouco a pouco foi sendo levado ao controle absoluto do seu professor. Quando, neste invólucro, o homem deixa seu corpo físico, não experimenta a menor solução de continuidade em seu estado de consciência. Simplesmente rejeita o mais pesado dos seus revestimentos e sente-se desembaraçado dum grande peso. Pode mover-se em todos os sentidos nos limites da esfera astral, com rapidez incrível, e já não é tolhido pelas estreitas condições de vida terrestre. Seu corpo obedece à sua vontade, refletindo o pensamento em todos os seus atos. Seus meios de servir à humanidade são mais poderosos, e seus poderes são guiados por sua virtude. De resto, a ausência de partículas grosseiras em seu corpo astral o torna incapaz de deixar-se seduzir pelos objetos inferiores do desejo.

Estas seduções não o podem atingir, e se desviam dele. Todo seu corpo vibra com as emoções mais elevadas, o amor se manifesta com abnegação e devotamento, a energia é determinada pela paciência.

Meigo, calmo, sereno, cheio de pode, mas sem o menor traço de agitação, tal é o homem "a quem todos os siddhis (4) estão prontos a servir" (5).

O corpo astral é uma ponte lançada sobre o abismo que separa o cérebro físico e a consciência humana. As impressões, recebidas pelos órgãos sensoriais e transmitidas, como já vimos, aos centros grosseiros e etéricos, passam em seguida aos centros astrais correspondentes. Aí são elaboradas pela essência elemental, e transformadas em sensações, para serem, finalmente, apresentadas ao homem interior como objetos de sua consciência; tais sensações despertam vibrações correspondentes no plano mental por intermédio das vibrações astrais (6). Por meio destas gradações sucessivas do espírito-matéria, de sutilidade crescente, os grosseiros contatos dos objetos terrestres podem ser transmitidos ao ser consciente. Depois, ao voltarem as vibrações determinadas pelo pensamento, podem passar na mesma linha até o cérebro físico, para aí despertar vibrações físicas correspondentes às vibrações mentais. Tal é o modo normal e regular segundo o qual a consciência recebe as impressões do exterior e envia em troca impressões para o exterior. É sobretudo por essa passagem contínua de vibrações, tanto em um como em outro sentido, que o corpo astral vai evoluindo. Esta dupla corrente atua sobre ele simultaneamente do interior e do exterior; determina sua organização e auxilia seu crescimento geral.

Á medida que o corpo astral se desenvolve, a sua contextura refina-se, a sua forma exterior ganha em limpidez e sua organização interna acentua-se. Obrigado a vibrar com a consciência de uma perfeição cada vez maior, torna-se gradualmente apto a servir-lhe de veículo separado, e a transmitir-lhe com precisão as vibrações recebidas diretamente do mundo astral. A maior para dos meus leitores terão, sem dúvida, alguma experiência destas impressões que procedem duma fonte exterior sem que se possa atribuí-las a nenhum contato físico, e que não tardam, geralmente, a ser confirmadas por acontecimentos reais. Muitas vezes são estas impressões diretamente recebidas pelo corpo astral e por ele transmitidas à consciência; tais impressões se mostram frequentemente sob a forma de previsões, que em breve se verificam.

Quando o homem é adiantado (o grau varia muito, conforme os indivíduos, por motivos que não podemos aqui penetrar) pode estabelecer comunicações entre o corpo físico e o astral, e entre este e o mental.

Desde então a consciência passa sem interrupção de um estado a outro e a memória não apresenta mais essas lacunas que, no homem ordinário, interpõem uma fase de inconsciência à passagem de um ponto para outro. Ainda mais, o homem pode exercer livremente seus sentidos astrais, enquanto sua consciência funciona no corpo físico. Outras vias de informações mais amplas, abertas pelos sentidos hiperfísicos, tornam-se o apanágio de sua consciência, no estado de vigília.

Os assuntos que eram outrora para ele objeto somente de crença, tornam-se matéria de conhecimento, e pode verificar pessoalmente a exatidão duma grande parte dos ensinamentos teosóficos com relação às regiões inferiores do mundo invisível.

Sendo o homem dividido em "princípios", isto é, em modalidades de manifestações da vida, seus quatro princípios inferiores, designados pelo nome de "Quaternário inferior", são aptos para funcionar no plano astral e no plano físico. O quarto princípio é então Kama, o desejo, isto é, a vida, funcionando no corpo astral e por ele condicionada.

Este princípio é característico pelo atributo da sensibilidade que se manifesta sob a forma rudimentar da sensação ou sob a forma complexa da emoção, ou sob um qualquer desses modos intermediários. Tudo isso resumido pelo termo "desejo", aquilo que é atraído ou repelido pelos objetos conforme dão prazer ou dor ao "eu" pessoal. O terceiro princípio é "Prana", a vida especializada para manutenção do organismo físico. O segundo princípio é o "duplo etérico", e o primeiro, o corpo grosseiro. Esses três últimos princípios funcionam no plano físico.

Em suas classificações ulteriores, H. P. Blavatski eliminou da lista dos princípios "prana" e o corpo físico grosseiro; "prana", como sendo a vida universal, e o corpo físico grosseiro, como sendo apenas uma contraparte do corpo etérico, formado de materiais sempre mutáveis e inconstantes, ligados a uma matriz etérica. Ao adotarmos esta maneira de ver, alcançamos a grandiosa concepção filosófica da Vida Una, do Eu Uno, manifestado como homem e apresentando aspectos diversos e transitórios conforme que lhe impõem as formas verificadas.

A mesma vida permanece idêntica ao centro, embora se manifeste sob aparências diversas, quando a contemplamos de fora, conforme o gênero de matéria que encerra ou um ou outro dos corpos. A vida é no corpo físico prana - que vitaliza, dirige e coordena. No corpo astral é kama - que sente, goza e sofre. Encontramo-la ainda sob outros aspectos nos planos mais elevados, mas a ideia fundamental é a mesma em toda parte e é esta uma das ideias radicais da teosofia, uma destas ideias que, claramente compreendidas, servem de fios condutores através do labirinto complexo do nosso mundo.

VER PRÓXIMO CAPÍTULO >>>

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Notas da Autora:
(1) O estudante reconhecerá predominância da "guna tamásica" (a), a qualidade de obscuridade e de inércia da natureza.

(2) O sete chakras ou rodas. Estes centros são assim chamados pelo aspecto turbilhonante que apresentam, semelhantes a rodas de fogo vivo, quando estão em atividade.

(3) O estudante notará aqui a predominância da "guna rajásica" (b), qualidade "atividade" da Natureza.

(4) Os "siddhis" são os poderes hiperfísicos.

(5) Aqui a "guna satávica", a qualidade harmônico, felicidade (c) e pureza na natureza, é preponderante.

(6) Ver capítulo IV: O plano mental.

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Minha notas

(a), (b) e (c) "tamásica" é uma referência a "tamas", "rajásica", referência a "rajas" e "satávica" é uma referência a "sattwa", as três "gunas" ou "qualidades da matéria", segundo o ensinamento oriental. Para ler mais sobre as gunas, no Bhagavad~Ghîtâ, CLIQUE AQUI.