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quarta-feira, 27 de julho de 2016

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo V - 7 - Bem-aventurados os Aflitos



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Causas anteriores das aflições

7. Os sofrimentos devidos a causas anteriores são sempre, como os decorrentes das falta atuais, a consequência dos erros cometidos, isto é, pela ação de uma rigorosa justiça distributiva, o homem sofre o que fez sofrer aos outros. Se foi duro e desumano, poderá, por sua vez, ser tratado duramente e com desumanidade; se foi orgulhoso, poderá nascer em condição humilhante; se foi avaro, egoísta, ou se empregou mal a sua fortuna, poderá ver-se privado do necessário; se foi mau filho, poderá sofrer pelo procedimento de seus filhos, etc.

Assim se explicam, pela pluralidade das existências e pela destinação da Terra como mundo expiatório, as anomalias que apresenta a distribuição da felicidade e da infelicidade entre os bons e os maus neste mundo. Semelhante anomalia é apenas aparente, porque considerada somente do ponto de vista da vida presente. Aquele que se elevar, pelo pensamento, de modo a abranger toda uma série de existências, verá que cada um recebe a parte que merece, sem prejuízo da que lhe tocará no mundo dos Espíritos, e que a justiça de Deus nunca se interrompe.

O homem jamais deve esquecer que se acha num mundo inferior, ao qual somente é retido pelas suas imperfeições. A cada vicissitude deve lembar-se de que, se pertencesse a um mundo mais adiantado isso não aconteceria e que só depende dele não mais voltar a esse mundo, desde que trabalhe por se melhorar.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Os mensageiros - Responsabilidade pela concórdia

(Aniceto a André Luiz e outros, no plano espiritual)

"É da lei divina que nos entendamos e nos amemos uns aos outros. Todos sofreremos os resultados do esquecimento da lei, mas cada um será responsabilizado, de perto, pela cota de discórdia que haja trazido à família mundial."


quarta-feira, 23 de abril de 2014

A Força da Bondade - Capítulo 39 - A Falta de Deus nos Corações - 01

(Palavras do Espírito Lucius)

A vida é a esteira luminosa que podemos deixar atrás de nós, pelos passos de bondade que efetivemos.

Nenhuma vantagem do mundo nos concederá a alegria da consciência tranquila, se não for obtida pelo bem que se realize.

Seremos atingidos pelos nossos atos, inflexivelmente.

A retidão no Bem pode nos causar algum sofrimento. No entanto, é uma dor com fundamento na bondade, uma dor transitória e nobre.

Buscar a ventura pessoal por nos associarmos com o mal poderá nos dar alguma satisfação. Mas é um bem-estar com fundamento no egoísmo, na maldade, que haverá de se tornar uma dor perene e mesquinha, a persistir até o dia em que tenhamos coragem de devolver o que furtamos, de refazer o que destruímos, de reparar o mal que fizemos com o bem que venhamos a colocar em seu lugar.

Não sorria hoje à custa da lágrima de alguém.

Aprenda a chorar agora, para que alguém possa sorrir.

Isso é mais duradouro em sua existência porque demonstra que você assimilou a bondade que Deus colocou em seu interior, autorizando-o a ganhar asas e elevar-se acima de um simples ser humano, colocando-o a caminho da

Nenhum de nós conseguirá fugir do progresso moral que nos espera.

Pense nisso.

Viva isso.


segunda-feira, 21 de abril de 2014

A Força da Bondade - Capítulo 29 - O encontro e os reencontros - 01

(Palavras do espírito Lucius)

"Assim, leitores queridos, não se enganem invocando a possibilidade de realizar um sonho, se esse sonho ferir alguém. Não se desculpem com a irresponsável alegação interrogativa de que "todo mundo faz isso, por que eu também não posso fazer?" Se a sua conduta molestar ou fizer sofrer, se criar embaraço ou dor, se alguém perder por causa do exercício da sua voluntariedade, estejam certos de que a Justiça os alcançará, mesmo depois de muitos anos de sucesso e de vida faustosa.

Em tudo o que pensarem fazer, considerem, antes, se da sua atitude deliberada, redundará o prejuízo para alguém. A dor que se sabe poder evitar, o prejuízo de outrem que nós produzamos pelo exercício de nossas ambições, de nossos desejos na alucinada "corrida pela sobrevivência" representará tragédia anunciada em nosso próprio horizonte."


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo V - 3 a 5 - Bem Aventurados os Aflitos

JUSTIÇA DAS AFLIÇÕES

3. Somente na vida futura podem efetivar-se as compensações que Jesus promete aos aflitos da Terra. Sem a certeza do futuro, estas máximas seriam um contra-senso; mais ainda: seriam um engodo. Mesmo com essa certeza, dificilmente se compreende a conveniência de sofrer para ser feliz. É, dizem, para se ter maior mérito. Mas, então, pergunta-se: por que sofrem uns mais do que outros? Por que nascem uns na miséria e outros na opulência, sem coisa alguma haverem feito que justifique essas posições? Por que uns nada conseguem, ao passo que a outros tudo parece sorrir? Todavia, o que ainda menos se compreende é que os bens e os males sejam tão desigualmente repartidos entre o vício e a virtude; e que os homens virtuosos sofram,ao lado dos maus que prosperam. A fé no futuro pode consolar e infundir paciência, mas não explica essas anomalias, que parecem desmentir a justiça de Deus. Entretanto, desde que admita a existência de Deus, ninguém o pode conceber sem o infinito das perfeições. Ele necessariamente tem todo o poder, toda a justiça, toda a bondade, sem o que não seria Deus. Se é soberanamente bom e justo, não pode agir caprichosamente, nem com parcialidade. Logo, as vicissitudes da vida derivam de uma causa e, pois que Deus é justo, justa há de ser essa causa. Isso o de que cada um deve bem compenetrar-se. Por meio dos ensinos de Jesus, Deus pôs os homens na direção dessa causa, e hoje, julgando-os suficientemente maduros para compreendê-la, lhes revela completamente a aludida causa, por meio do Espiritismo, isto é, pela palavra dos Espíritos.

CAUSAS ATUAIS DAS AFLIÇÕES

4. De duas espécies são as vicissitudes da vida, ou, se o preferirem, promanam de duas fontes bem diferentes, que importa distinguir. Umas têm sua causa na vida presente; outras, fora desta vida.

Remontando-se à origem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos são conseqüência natural do caráter e do proceder dos que os suportam.

Quantos homens caem por sua própria culpa! Quantos são vítimas de sua imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição!

Quantos se arruínam por falta de ordem, de perseverança, pelo mau proceder, ou por não terem sabido limitar seus desejos!

Quantas uniões desgraçadas, porque resultaram de um cálculo de interesse ou de vaidade e nas quais o coração não tomou parte alguma!

Quantas dissensões e funestas disputas se teriam evitado com um pouco de moderação e menos suscetibilidade!

Quantas doenças e enfermidades decorrem da intemperança e dos excessos de todo gênero!
Quantos pais são infelizes com seus filhos, porque não lhes combateram desde o princípio as más tendências! Por fraqueza, ou indiferença, deixaram que neles se desenvolvessem
os gérmens do orgulho, do egoísmo e da tola vaidade, que produzem a secura do coração; depois, mais
tarde, quando colhem o que semearam, admiram-se e se afligem da falta de deferência com que são tratados e da ingratidão deles.

Interroguem friamente suas consciências todos os que são feridos no coração pelas vicissitudes e decepções da vida; remontem passo a passo à origem dos males que os torturam e verifiquem se, as mais das vezes, não poderão dizer: Se eu houvesse feito, ou deixado de fazer tal coisa, não estaria em semelhante condição.

A quem, então, há de o homem responsabilizar  todas essas aflições, senão a si mesmo? O homem, pois, em grande número de casos, é o causador de seus próprios infortúnios; mas, em vez de reconhecê-lo, acha mais simples,menos humilhante para a sua vaidade acusar a sorte, a Providência, a má fortuna, a má estrela, ao passo que a má estrela é apenas a sua incúria.

Os males dessa natureza fornecem, indubitavelmente, um notável contingente ao cômputo das vicissitudes da vida. O homem as evitará quando trabalhar por se melhorar moralmente,
tanto quanto intelectualmente.

5. A lei humana atinge certas faltas e as pune. Pode, então, o condenado reconhecer que sofre a conseqüência do que fez. Mas a lei não atinge, nem pode atingir todas as faltas; incide especialmente sobre as que trazem prejuízo à sociedade e não sobre as que só prejudicam os que as cometem.
Deus, porém, quer que todas as suas criaturas progridam e, portanto, não deixa impune qualquer desvio do caminho reto. Não há falta alguma, por mais leve que seja, nenhuma infração da sua lei, que não acarrete forçosas e inevitáveis conseqüências, mais ou menos deploráveis. Daí se segue que, nas pequenas coisas, como nas grandes, o homem é sempre punido por aquilo em que pecou. Os sofrimentos que decorrem do pecado são-lhe uma advertência de que procedeu mal. Dão-lhe experiência, fazem-lhe sentir a diferença existente entre o bem e o mal e a necessidade de se melhorar para, de futuro, evitar o que lhe originou uma fonte de amarguras; sem o que, motivo não haveria para
que se emendasse. Confiante na impunidade, retardaria seu avanço e, conseqüentemente, a sua felicidade futura.

Entretanto, a experiência, algumas vezes, chega um pouco tarde: quando a vida já foi desperdiçada e turbada; quando as forças já estão gastas e sem remédio o mal. Põe-se então o homem a dizer: “Se no começo dos meus dias eu soubera o que sei hoje, quantos passos em falso teria evitado! Se houvesse de recomeçar, conduzir-me-ia de outra maneira. No entanto, já não há mais tempo!” Como o obreiro preguiçoso, que diz: “Perdi o meu dia”, também ele diz: “Perdi a minha vida”. Contudo, assim como para o obreiro o Sol se levanta no dia seguinte, permitindo-lhe neste reparar o tempo perdido, também para o homem, após a noite do túmulo, brilhará o Sol de uma nova vida, em que lhe será possível aproveitar a experiência do passado e suas boas resoluções para o futuro.


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O Caminho do Discipulado - Capítulo III - A Vida do Discípulo - Trecho

Annie Besant

(1) (...) Já vos falei das provas que se encontram no caminho e é bom que eu vos faça compreender a necessidade destas dificuldades. O homem que se encaminhou pelo noviciado propõe-se a executar, em número limitado de vidas, o que o homem do mundo gastará centenas de existências a cumprir. Ele faz como o homem que, desejando atingir o cimo da montanha, recusa seguir a estrada que lentamente serpenteia em espirais em torno da montanha e diz: "Eu vou subir diretamente até o cimo. Não quero perder meu tempo no caminho batido e sinuoso que é tão longo, embora suave e cômodo, trilhado por milhões de pés. Subirei pelo atalho e apesar de todas as dificuldades escalarei a montanha. Por maiores que sejam os obstáculos chegarei ao cume. Havendo precipícios, rochedos, hei de vencê-los, pois estou resolvido a escalar o cume".

Que resultará disto? Encontrará milhares de dificuldades no caminho, mas o que ganha em tempo é compensado pelo esforço necessário para vencê-las. Quem entra no caminho de chela (2) faz o mesmo que quem escolhe o atalho para subir a montanha, acumulando sobre si todo o seu carma passado para esgotá-lo antes de vencer a iniciação.

Os Senhores do Carma (3) - os dispensadores da Lei Cármica e a quem muitas vezes chamamos de Arquivistas ou Registradores do Carma, Inteligências poderosas cuja grandeza excede nossa compreensão, entidades que conservam as crônicas akáshicas (4) onde se anotam os pensamentos e ações dos homens - estes Seres divinos abrem para cada vida humana uma conta-corrente que se deve saldar antes de transpor o portal da iniciação. E quando se entra no caminho de noviciado ou de prova e se põem os pés nele voluntariamente, este fato só constitui apelo aos Poderosos Senhores do Carma para que possam extrair a conta que deve ser paga. Nestas condições, é de se admirar que o caminho se encontre cheio de dificuldades? A conta cármica que deveria se estender durante centenas de existências deve ser saldada em poucas, talvez em uma só, resultante disto naturalmente a grande dificuldade no percurso do caminho. O homem se encontra no meio de pesares de família, cumulado de dificuldades nos negócios, presa de perturbações físicas e intelectuais.

Como dissemos, necessita o homem muita firmeza para prosseguir no caminho probatório sem desalento e sem retroceder. É como se tudo se levantasse contra ele, e sente-se como abandonado do seu Mestre (5). Por que, quando se esforça no melhor, há de cair sobre ele o pior? por que, quando sua conduta se excede em bondade, então lhe assaltam tantos sofrimentos e atribulações? Parece injusto, duro e cruel que, quando vivem mais nobremente, veja-se mais duramente tratado pelo destino que quando seguia pior conduta. Mas deve vencer a provação e não consentir que o sentimento de injustiça penetre em sua vida interna. Deve dizer: "Eu assim o quis; desafiei o carma, devo, pois, me admirar que seja convidado a pagar?" Ao menos sente alívio ao recordar-se que, uma vez saldada a conta, eta não voltará a perturbá-lo mais. Cada dívida cármica que se satisfaz é riscada para sempre do grande livro da vida. (...)

Notas:
(1) Estas anotações são um trecho do capítulo III do livro "O Caminho do Discipulado", de Annie Besant. Esse livro é a publicação de uma série de conferências públicas ministradas na Índia pela autora. O livro discorre sobre a preparação e o caminho daquele que se propõe a ser um "Discípulo" de um grande Mestre espiritual.

(2) "chela": o nome que se dá, no hinduísmo, ao Discípulo aceito por um grande Mestre espiritual.

(3) Princípio aceito tanto nas religiões orientais, quanto no espiritismo, segundo o qual toda ação provoca uma reação de modo que o Todo Universal permaneça harmônico. É considerada como Lei Divina Imutável. Segundo essa lei, o mal-proceder gera consequências para aquele que assim agiu. Da mesma forma, o bem-proceder.

(4) "Crônicas akáshicas": ou registros akáshicos ou registros acásicos. No induísmo, tudo que acontece, todos os pensamentos, todas as ações, presentes, passados e até futuros ficam registrados em um arquivo imaterial. As crônicas ou registros akáshicos são esses arquivos. Esses registros podem ser consultados e contêm a verdade sem distorções. O Espírito Ramatís por exemplo, refere, entre outras fontes, a consulta aos registros akáshicos, para a construção da obra "O Sublime Peregrino", ditada ao médium Hercílio Maes, onde esclarece temas sobre a vida de Jesus.

(5) Mestre, nesse caso, é a referência ao "Mestre" espiritual de quem o chela, referido acima, é discípulo.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Um Estudo sobre o Karma - Capítulo 4 - A Lei das Leis

O Karma é a lei natural no sentido lato da expressão. é a Causação Universal, a Lei de Causa e Efeito. Pode-se dizer que ela forma a base de todas as leis especiais, de todas as causas e efeitos. Trata-se da lei natural em todos os seus aspectos e em todas as suas subdivisões. Não é uma lei especial, mas uma condição universal. a lei da qual dependem todas as outras leis, da qual todas as outras leis são expressões parciais. O Bhagavad Gita diz que ninguém dotado de corpo pode escapara a ela: iluminados, seres humanos, animais, vegetais, minerais, todos estão evoluindo dentro dessa lei universal. O próprio Logos, encarnado num universo, vem a entrar no amplo alcance dessa lei comum a toda manifestação. Enquanto cada qual estiver relacionado com a matéria, encarnado em matéria, estará sujeito à lei Kármica. Um ser pode escapar ou transcender a um ou outro de seus aspectos, mas não pode, enquanto permanecer em manifestação, eximir-se dessa lei.


Um Estudo sobre o Karma - Capítulo 3 - Leis: Naturais ou Feitas pelos Homens

Sobre essa matéria tem havido muita confusão no Ocidente, porque as leis naturais têm sido vistas como algo à parte das leis mentais e morais, embora essas leis mentais e morais sejam parte das leis naturais. Em muitas mentes as leis naturais têm sido confundidas com a lei humana, e o julgamento arbitra´rio da legislação humana foi transferido para o âmbito da lei natural. Leis que afetam fenômenos físicos livraram-se dessa arbitrariedade através da ciência, mas tanto o mundo mental como o mundo moral ainda são um caos de ilegitimidade. Não é uma ordem arbitrária de Deus, mas a imanência da natureza divina que condiciona a nossa existência, e onde quer que os profetas tenham decretado leis morais, estas foram manifestações de inevitáveis conseqüências para o mundo moral, conhecido pelos profetas e desconhecido por seus ouvintes ignorantes. Por causa dessa ignorância, os ouvintes transformaram essas manifestações em ordens arbitrárias de um legislador divino, enviadas através dele, em vez de considerá-las simples declarações de fatos concernentes à sucessão de fenômenos morais em um área tão organizada como a física.

A lei, em seu sentido social secundário, é um decreto escrito por alguma autoridade considerada legítima. Pode ser o decreto de um autocrata ou o ato de uma assembléia legislativa. Em ambos os casos, a força da lei depende de se reconhecer a autoridade que a impõe. Entre os hindus, encontramos idéias e leis feitas pelo homem como leis naturais. O rei, na concepção de Manu, é um autocrata, e os vassalos devem obedecer, mas acima do rei existe uma lei que atua automaticamente e faz parte da natureza das coisas. A despeito da sua autocracia, o rei fica tolhido pela lei suprema, que o esmagará, se ele a desconsiderar. A fraqueza oprimida - dizem ´é o inimigo mais fatal dos reis: porque as lágrimas do fraco podem sabotar a base dos tronos, e o sofrimento da nação destrói o governante. Os mundos físico e superfísico se interpenetram, e isso faz com que o que aconteça em um deles venha a ter resultados no outro. O rei e o seu conselho, na antiga Índia, faziam as leis do Estado, mas eram leis artificias, não leis naturais; elas obrigavam os vassalos e eram impostas com penalidade. Eram, porém, leis inteiramente diferentes da lei natural. É uma pena que a mesma palavra deva ser usada para definir duas coisas tão diferentes como leis naturais e artificiais, apesar de elas poderem ser nitidamente reconhecidas por suas características.

As leis artificiais são mutáveis: os que as fazem podem alterá-las ou revogá-las. As leis naturais são imutáveis: não podem ser alteradas nem revogadas, pois fazem parte da natureza das coisas. As leis artificiais são locais, enquanto que as naturais são universais. Em qualquer país, o roubo pode ser castigado com alguma penalidade escolhida pelo legislador. Às vezes, corta-se a mão ao culpado, às vezes mandam-no para as galés, outras vezes enforcam-no. Apesar disso, a aplicação da penalidade depende da descoberta do crime. Como se trata de uma penalidade variável e artificial, da qual é possível escapar, não está, obviamente, relacionada, do ponto de vista de causa, com o crime que pretende punir. A lei natural não tem penalidades, mas uma condição segue-se invariavelmente à outra: se um homem rouba, sua natureza torna-se a de um cleptomaníaco, a tendência à desonestidade aumenta, a dificuldade em se manter honesto torna-se maior. Essa consequência aparece em todos os países, e o fato de os outros conhecerem ou não o ladrão não faz diferença. A penalidade, que é local e da qual é possível escapar, prova que a lei é artificial, e não natural.

A lei natural é uma seqüência de condições: quando determinada condição estiver presente, seguir-se-á invariavelmente uma outra. Se quisermos que apareça a condição n° 2, devemos procurar ou tornar possível a condição n° 1, e então a condição n° 2 se seguirá, como consequência invariável. Essas sequências nunca variam quando deixadas à vontade; contudo, se uma nova condição for introduzida, o resultado será outro. Assim, a água corre por um canal em declive, de acordo com a força da gravidade, e se você despejar água na parte mais alta ela sempre correrá pelo declive. Entretanto, você pode obstruir o fluxo colocando um obstáculo no caminho. Então, a resistência que o obstáculo opõe à força da gravidade a sustenta, mas a força da gravidade permanece ativa, e podemos encontrá-las na pressão que faz contra o obstáculo. A primeira condição é chamada causa; a condição resultante é o efeito. A mesma causa sempre produz o mesmo efeito, contanto que uma outra causa não seja introduzida. Neste último caso, o efeito será o resultado de ambas as causas.


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Um Estudo sobre o Karma - Capítulo 2 - Princípios Fundamentais

Para compreender o karma, o estudante deve começar com uma visão clara de certos princípios fundamentais, porque a ausência de tais princípios provoca em muitos deles constante perplexidade e infinitas perguntas que não podem ter respostas completas sem que suas bases concretas sejam estabelecidas. Portanto, nestas considerações, começo com eles, embora sejam familiares para muitos dos meus leitores, devido às esposições anteriores, feitas por mim mesma ou por outras pessoas.

A concepção fundamental, sobre a qual repousa todo o pensamento posterior correto sobre o karma, é a de que o karma é lei - lei eterna, imutável, invariável, inviolável, lei que jamais pode ser rompida e que faz parte integrante da natureza das coisas. A ignorância dessa concepção é que leva o teosofista mal-informado a dizer: "Você não deve interferir no seu karma."

Entretanto, sempre que uma lei natural se manifestar, você deve interferi nela tanto quanto puder. Jamais ouvirá alguém lhe dizer: "Você não deve interferir na lei da gravidade." Compreende-se que a gravidade é uma das condições que a pessoa precisa saber avaliar, a fim de ter total liberdade para se opor a qualquer inconveniente que ela possa causar, contrapondo-lhe outra força, construindo uma base segura para aquilo que, de outra maneira, viria a cair por terra sob a ação da gravidade, ou por outro motivo qualquer.

Quando uma condição da natureza nos incomoda, usamos nossa inteligência para fugir dela, e ninguém sonharia, sequer, em nos dizer que não devemos "interferir" ou modificar qualquer condição que nos desagrade. Só podemos interferir quando temos conhecimento, pois não há possibilidade de aniquilar qualquer força natural, nem de evitar que ela se manifestte. Podemos, entretanto, neutralizá-la, podemos desviar a sua ação se tivermos força suficiente para tanto. Embora não possamos abater, em nosso benefício, uma só partícula dessa atividade, podemos resistir, nos opor, nos desviar dela, de acordo com o conhecimento que temos da sua natureza e de sua ação, segundo os meios de que dispomos. O karma não é mais "sagrado" do que qualquer outra lei natural: todas as leis da natureza são expressões da natureza divina, e nós vivemos e nos movemos dentro delas. Não são, porém, obrigatórias; são forças que armam as condições entre as quais existimos, e que atuam tanto interior como exteriormente. Quando as compreendemos podemos manipulá-las, e, se nossa inteligência evoluir, nos tornaremos cada vez mais seus senhores, até que o homem venha a se tornar um super-homem, e a natureza material passe a ser sua servidora.


Um Estudo sobr o Karma - Capítulo 1 - Um Estudo sobre o Karma

Entre as muitas dádivas esclarecedoras transmitidas pela Sociedade Teosófica ao mundo ocidental, a que se refere ao conhecimento do karma talvez seja a segunda em importância, depois da reencarnação. O conhecimento do karma afasta o pensamento e o desejo do homem do âmbito dos acontecimentos arbitrários, levando-os para a região da lei, colocando assim o futuro do homem sob o seu próprio controle, a partir da extensão do seu conhecimento.

A principal concepção de karma - "Tal como o homem semeia, assim colherá" - é fácil de apreender. Contudo, a sua aplicação detalhada na vida diária, o método de ação desse princípio e suas conseqüências a longo prazo são dificuldades que se tornam desnorteantes para o estudante, à proporção que amplia o seu conhecimento. Os princípios em que as ciências naturais se fundamentam são, sem sua maioria, facilmente assimiláveis para as pessoas de regular inteligência e instrução comum contudo, quando o estudante passa dos princípios para a prática, do esboço para os detalhes, descobre que a dificuldades pressionam e que, se quiser dominar totalmente o assunto, será obrigado a tornar-se um sepecialista e a devotar longos períodos para desembaraçar os emaranhados com que se defronta. O mesmo acontece com a ciência do karma: o estudante não pode permanecer sempre no período das generalidades. Deve estudar as subdivisões da lei primeira, deve procurar aplicá-la a todas as circunstâncias da vida, deve aprender até onde ela o obriga e de que forma é possível a libertação. Deve aprender a observar o karma como lei universal da natureza, e entender também que, ao considerar a natureza como um todo, só poderá conquistá-la e dominá-la obedecendo às suas leis.