O Caminho é vazio e inesgotável,
profundo como um abismo.
E como se fosse o ancestral das dez mil criaturas.
Suavizai o corte.
Desfazei os nós.
Diminuí o brilho.
Deixai que as rodas percorram os velhos sulcos.
Devemos considerar nosso brilho
a fim de que nos harmonizemos com a escuridão dos
outros. Como é puro e tranquilo o Caminho!
Não sei de quem possa ser filho,
pois parece ser anterior ao Soberano do Céu.
Blogue dedicado ao conhecimento de que todos necessitamos, mas pelo qual poucos, ainda, se interessam verdadeiramente...
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Tao Teh Ching - Livro I - 01 - O Encontro dos Opostos
Todos no mundo reconhecem o belo como Belo (a)
e, desta forma, sabem o que é o Feio.
Todos no mundo reconhecem o bem como o Bem
e, desta forma, sabem o que é o Mal.
Assim o ser e o não-se geram-se mutuamente.
O longo e o curto se delimitam.
O alto e o baixo se inclinam.
O tom e o som se harmonizam.
O antes e o depois seguem-se um ao outro.
Assim o sábio executa suas tarefas sem agir
e transmite ensinamentos sem usar palavras.
Todas as coisas agem, e ele não lhes nega auxílio.
Produz sem apropriar-se de coisa alguma.
Realiza sua tarefa e não pede gratidão
e é justamente porque não se apega
que o mérito jamais o abandona
e suas obras meritórias subsistem (b).
===============
Minha nota:
(a) o uso de maiúsculas e minúsculas para "belo" e "Belo" assim para como para outros termos neste provérbio, segue a grafia da seguinte edição:
Tao Té Ching. O Livro do Caminho Perfeito. Lao Tsé. Editora Pensamento. Tradução e adaptação, prefácio e comentários de Murillo Nunes de Azevedo. 1a Edição.
(b) notar a semelhança desse provérbio, com este trecho do Bhagavad~Gîtâ: Shankhyia Yoga
e, desta forma, sabem o que é o Feio.
Todos no mundo reconhecem o bem como o Bem
e, desta forma, sabem o que é o Mal.
Assim o ser e o não-se geram-se mutuamente.
O longo e o curto se delimitam.
O alto e o baixo se inclinam.
O tom e o som se harmonizam.
O antes e o depois seguem-se um ao outro.
Assim o sábio executa suas tarefas sem agir
e transmite ensinamentos sem usar palavras.
Todas as coisas agem, e ele não lhes nega auxílio.
Produz sem apropriar-se de coisa alguma.
Realiza sua tarefa e não pede gratidão
e é justamente porque não se apega
que o mérito jamais o abandona
e suas obras meritórias subsistem (b).
===============
Minha nota:
(a) o uso de maiúsculas e minúsculas para "belo" e "Belo" assim para como para outros termos neste provérbio, segue a grafia da seguinte edição:
Tao Té Ching. O Livro do Caminho Perfeito. Lao Tsé. Editora Pensamento. Tradução e adaptação, prefácio e comentários de Murillo Nunes de Azevedo. 1a Edição.
(b) notar a semelhança desse provérbio, com este trecho do Bhagavad~Gîtâ: Shankhyia Yoga
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Tao Teh Ching - Livro I - 1 - O Tao
O caminho que pode ser seguido
não é o Caminho Perfeito.
O nome que pode ser dito
não é o Nome eterno.
No princípio está o que não tem nome.
O que tem nome é a Mãe de todas as coisas.
Para que possamos observar os seus segredos
devemos permanecer sem desejos.
Mas se em nós mora o desejo
a única coisa que podemos contemplar é a sua forma
externa. A casca que a essência oculta.
Esses dois estados existem para sempre inseparáveis.
Diferentes unicamente em nome.
Conjuntamente idênticos, unidos, integrados.
São os chamados Mistérios!
Mistério além dos mistérios
O Portal que conduz a tudo aquilo que é sutil e maravilhoso
ao recôndito segredo de todas as essências!
---------------------------------------------------------------------------------------------------------
Comentário sobre a origem do Tao Teh Ching:
(Extraído da apresentação do livro "Poemas e Cartas a um Jovem Poeta", de Rainer Maria Rilke, Editora Nova Fronteira Participações S.A., por Geir Campos)
"Consta uma lenda oriental, posta em versos pelo poeta e dramaturgo alemão "Bertolt Brecht", a maneira pela qual teria sido escrito o "Livro da vida e da virtude" (a) do grande pensador chinês Lao-Tsé. Ao que diz a lenda, a bondade via-se no país cada vez mais débil, e a maldade cada vez mais forte, quando o Mestre, carecendo de repouso, por volta dos seus setenta anos, arrumou a trouxa e decidiu ir para outro lugar; mas teve a sua migração barrada na fronteira por um guarda aduaneiro; o guarda, ao ser informado que o passante levara toda a vida ensinando e, reconhecendo-se ignorante de muitas coisas, insistiu com o Sábio para que lhe deixasse, por escrito, alguns bons conselhos; e o Mestre apeou do boi em que ia montado e, com o aluno que o acompanhava, demorou-se uma semana em casa daquele guarda, pensando e ditando seus pensamentos, até ficarem escritos oitenta e um provérbios. Então Lao-Tsé partiu, com seu discípulo, agradecendo um pequeno farnel que o guarda lhes ofereceu. E a lenda tem um remate, que Brecht põe nestes versos:
Mas não louvemos apenas o Sábio,
cujo nome se ostenta sobre o livro;
pois antes foi preciso extrair do sábio a sabedoria.
Vamos portanto agradecer também ao guarda
que a soube colher dele!"
===============
Minha nota:
(a) "Livro da Vida e da Virtude": o mesmo que o "Livro do Caminho Perfeito", ou "Tao Teh Ching".
não é o Caminho Perfeito.
O nome que pode ser dito
não é o Nome eterno.
No princípio está o que não tem nome.
O que tem nome é a Mãe de todas as coisas.
Para que possamos observar os seus segredos
devemos permanecer sem desejos.
Mas se em nós mora o desejo
a única coisa que podemos contemplar é a sua forma
externa. A casca que a essência oculta.
Esses dois estados existem para sempre inseparáveis.
Diferentes unicamente em nome.
Conjuntamente idênticos, unidos, integrados.
São os chamados Mistérios!
Mistério além dos mistérios
O Portal que conduz a tudo aquilo que é sutil e maravilhoso
ao recôndito segredo de todas as essências!
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Comentário sobre a origem do Tao Teh Ching:
(Extraído da apresentação do livro "Poemas e Cartas a um Jovem Poeta", de Rainer Maria Rilke, Editora Nova Fronteira Participações S.A., por Geir Campos)
"Consta uma lenda oriental, posta em versos pelo poeta e dramaturgo alemão "Bertolt Brecht", a maneira pela qual teria sido escrito o "Livro da vida e da virtude" (a) do grande pensador chinês Lao-Tsé. Ao que diz a lenda, a bondade via-se no país cada vez mais débil, e a maldade cada vez mais forte, quando o Mestre, carecendo de repouso, por volta dos seus setenta anos, arrumou a trouxa e decidiu ir para outro lugar; mas teve a sua migração barrada na fronteira por um guarda aduaneiro; o guarda, ao ser informado que o passante levara toda a vida ensinando e, reconhecendo-se ignorante de muitas coisas, insistiu com o Sábio para que lhe deixasse, por escrito, alguns bons conselhos; e o Mestre apeou do boi em que ia montado e, com o aluno que o acompanhava, demorou-se uma semana em casa daquele guarda, pensando e ditando seus pensamentos, até ficarem escritos oitenta e um provérbios. Então Lao-Tsé partiu, com seu discípulo, agradecendo um pequeno farnel que o guarda lhes ofereceu. E a lenda tem um remate, que Brecht põe nestes versos:
Mas não louvemos apenas o Sábio,
cujo nome se ostenta sobre o livro;
pois antes foi preciso extrair do sábio a sabedoria.
Vamos portanto agradecer também ao guarda
que a soube colher dele!"
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Minha nota:
(a) "Livro da Vida e da Virtude": o mesmo que o "Livro do Caminho Perfeito", ou "Tao Teh Ching".
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