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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Tao Teh Ching - Livro 1 - 04 - A Fonte de Tudo

O Caminho é vazio e inesgotável,
profundo como um abismo.

E como se fosse o ancestral das dez mil criaturas.

Suavizai o corte.

Desfazei os nós.

Diminuí o brilho.

Deixai que as rodas percorram os velhos sulcos.

Devemos considerar nosso brilho
a fim de que nos harmonizemos com a escuridão dos
outros. Como é puro e tranquilo o Caminho!

Não sei de quem possa ser filho,
pois parece ser anterior ao Soberano do Céu.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Tao Teh Ching - Livro I - 01 - O Encontro dos Opostos

Todos no mundo reconhecem o belo como Belo (a)
e, desta forma, sabem o que é o Feio.

Todos no mundo reconhecem o bem como o Bem
e, desta forma, sabem o que é o Mal.

Assim o ser e o não-se geram-se mutuamente.

O longo e o curto se delimitam.

O alto e o baixo se inclinam.

O tom e o som se harmonizam.

O antes e o depois seguem-se um ao outro.

Assim o sábio executa suas tarefas sem agir
e transmite ensinamentos sem usar palavras.

Todas as coisas agem, e ele não lhes nega auxílio.

Produz sem apropriar-se de coisa alguma.

Realiza sua tarefa e não pede gratidão
e é justamente porque não se apega
que o mérito jamais o abandona
e suas obras meritórias subsistem (b).

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Minha nota:

(a) o uso de maiúsculas e minúsculas para "belo" e "Belo" assim para como para outros termos neste provérbio, segue a grafia da seguinte edição:

Tao Té Ching. O Livro do Caminho Perfeito. Lao Tsé. Editora Pensamento. Tradução e adaptação, prefácio e comentários de Murillo Nunes de Azevedo. 1a Edição.

(b) notar a semelhança desse provérbio, com este trecho do Bhagavad~Gîtâ: Shankhyia Yoga


domingo, 2 de fevereiro de 2014

Tao Teh Ching - Livro I - 1 - O Tao

O caminho que pode ser seguido
não é o Caminho Perfeito.

O nome que pode ser dito
não é o Nome eterno.

No princípio está o que não tem nome.

O que tem nome é a Mãe de todas as coisas.

Para que possamos observar os seus segredos
devemos permanecer sem desejos.

Mas se em nós mora o desejo
a única coisa que podemos contemplar é a sua forma
externa. A casca que a essência oculta.

Esses dois estados existem para sempre inseparáveis.

Diferentes unicamente em nome.
Conjuntamente idênticos, unidos, integrados.
São os chamados Mistérios!

Mistério além dos mistérios
O Portal que conduz a tudo aquilo que é sutil e maravilhoso
ao recôndito segredo de todas as essências!

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Comentário sobre a origem do Tao Teh Ching:
(Extraído da apresentação do livro "Poemas e Cartas a um Jovem Poeta", de Rainer Maria Rilke, Editora Nova Fronteira Participações S.A., por Geir Campos)

"Consta uma lenda oriental, posta em versos pelo poeta e dramaturgo alemão "Bertolt Brecht", a maneira pela qual teria sido escrito o "Livro da vida e da virtude" (a) do grande pensador chinês Lao-Tsé. Ao que diz a lenda, a bondade via-se no país cada vez mais débil, e a maldade cada vez mais forte, quando o Mestre, carecendo de repouso, por volta dos seus setenta anos, arrumou a trouxa e decidiu ir para outro lugar; mas teve a sua migração barrada na fronteira por um guarda aduaneiro; o guarda, ao ser informado que o passante levara toda a vida ensinando e, reconhecendo-se ignorante de muitas coisas, insistiu com o Sábio para que lhe deixasse, por escrito, alguns bons conselhos; e o Mestre apeou do boi em que ia montado e, com o aluno que o acompanhava, demorou-se uma semana em casa daquele guarda, pensando e ditando seus pensamentos, até ficarem escritos oitenta e um provérbios. Então Lao-Tsé partiu, com seu discípulo, agradecendo um pequeno farnel que o guarda lhes ofereceu. E a lenda tem um remate, que Brecht põe nestes versos:

Mas não louvemos apenas o Sábio,
cujo nome se ostenta sobre o livro;
pois antes foi preciso extrair do sábio a sabedoria.
Vamos portanto agradecer também ao guarda
que a soube colher dele!"

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Minha nota:
(a) "Livro da Vida e da Virtude": o mesmo que o "Livro do Caminho Perfeito", ou "Tao Teh Ching".