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domingo, 12 de junho de 2016

O lado espiritual de certa missa...

(Descrição de uma missa acompanhada, do plano espiritual por André Luiz)
(Do livro Libertação. André Luiz/Chico Xavier. 11a edição. 1984. Federação Espírita Brasileira)


Descendo à porta de elegante santuário, observei estranho espetáculo. A turba de desencarnados, em posição de desequilíbrio, era talvez cinco vezes maior que a assembleia de crentes em carne e osso. Compreendi, logo, que em maior parte ali se achavam com o propósito deliberado de perturbar e iludir.

(...)

Penetramos o templo onde se comprimiam nada menos de sete a oito centenas de pessoas.

A algazarra dos desencarnados ignorantes e perturbadores era de ensurdecer. A atmosfera pesava. A respiração fizera-se difícil pela condensação dos fluidos semicarnais ali reinantes; todavia, ao fixar os altares, confortante surpresa aliviou-me o coração. Dos adornos e objetos do culto emanava doce luz que se espraiava pelos cimos da nave (1) visitada de sol; fazia-se perceptível a nítida linha divisória entre as energias da parte inferior do recinto e as do plano superior. Dividiam-se os fluidos, à maneira de água cristalina e azeite impuro, num grande recipiente.

(...)

Quase todas as pessoas, ainda aquelas que ostentavam nas mãos delicados objetos de culto, revelavam-se mentalmente muito distantes da verdadeira adoração à Divindade. O halo vital de que se cercavam definia, pelas cores, o baixo padrão vibratório a que se acolhiam. Em grande parte, dominavam o pardo-escuro e o cinzento-carregado. Em algumas, os raios rubro-negros denunciavam cólera vingativa que, a nossos olhos, não conseguiriam disfarçar. Entidades desencarnadas, em deplorável situação, espalhavam-se em todos os recantos, nas mesmas características.

Reconheci que os crentes elegantes, ainda mesmo que desejassem orar com sinceridade, precisariam despender imenso esforço.

A liturgia anunciou o início da cerimônia, mas, com grande assombro para mim, o sacerdote e os acólitos (2), não obstante se dirigirem para o campo de luz do altar-mor, envergando soberba vestimenta, jaziam em sombras, sucedendo o mesmo aos assistentes. Entretanto, procedendo de mais alto, três entidades de sublime posição hierárquica se fizeram visíveis à santa mesa, com evidente propósito de ali semearem os benefícios divinos. Magnetizaram as águas expostas, saturando-as e princípios salutares e vitalizantes, como acontece nas sessões de Espiritismo Cristão, e, em seguida, passaram a fluidificar as hóstias (3), transmitindo-lhes energias sagradas à fina contextura.

Admirado, voltei a observar a plateia religiosa, mas os irmãos ignorantes que operavam no templo, sem corpo físico, tanto quanto ocorria aos encarnados, nem de longe registravam a presença dos nobres emissários espirituais que agiam em nome do Infinito Bem.

Reparei, através do halo de muita gente, que determinado número de frequentadores se esforçava por melhorar a atitude mental na oração. Reflexos  arroxeados, tendendo a vacilante brilho, apareciam aqui e acolá; contudo, os malfeitores desencarnados propositadamente se postavam ao pé dos que se candidatavam à fé renovadora e reverente, buscando conturbá-los. Não longe, fixei a atenção numa senhora que acompanhava o sacerdote com o manifesto desejo de receber a bênção celestial; os olhos úmidos e os tênues raios de luz, que se lhe projetavam da mente, diziam da sincera aspiração à vida superior que, naquele instante, lhe banhava o pensamento devoto; entretanto, dois transviados da esfera inferior, percebendo-lhe a atenção e, segundo o que me foi permitido verificar, lhe sugeriam reminiscências de baixo teor, inutilizando-lhe a tentativa.

(...)

Gúbio (4) espraiou o olhar através da multidão que presenciava a cerimônia, aparentemente contrita, e acentuou:

- Em verdade, a missa é um ato religioso tão venerável quanto qualquer outro em que os corações procuram identificar-se com a Proteção Divina; no entanto, raros são aqueles que trazem até aqui o espírito efetivamente inclinado à assimilação do auxílio celestial. E para a formação de semelhante clima interior, cada crente, além do serviço de purificação dos sentimentos, necessitará também combater a influência dispersiva e perturbadora que procede dos companheiros desencarnados que lhe buscam arrefecer o fervor.

(...)

As vozes do coro como que projetavam vibrações harmoniosas e lúcidas ao longo da nave radiosa, e vi, num deslumbramento, que muitos Espíritos sublimes penetraram o recinto, de semblante glorificado, rumando para o altar, onde o celebrante elevava o cálice, depois de abençoar a sagrada partícula (5).

Intensa luminosidade fluía do sacrário, envolvendo todo o material do culto, mas, surpreendido, reparei que o sacerdote, ao erguer a oferta sublime, apagou a luz que a revestia com os raios cinzento-escuros que ele próprio expedia em todas as direções. Logo após, quando se preparou para distribuir o alimento eucarístico (6) entre os onze comungantes (7) que se prosternavam, humildes, à mesa adornada de alvo linho, notei que as hóstias, no prateado recipiente que as custodiava, eram autênticas flores de farinha, coroadas de doce esplendor. Irradiavam luz com tanta força que o magnetismo obscuro das mãos do ministro não conseguia inutilizá-las. Todavia, à frente da boca que se dispunha a receber o pão simbólico, enegreciam como por encanto. Somente uma senhora, ainda jovem, cuja contrição era irrepreensível, recolheu a flor divina com a pureza desejável. Vi a hóstia, qual foco de fluidos luminescentes, atravessar a faringe, alojando-se-lhe a claridade em pleno coração.

Intrigado, procurei ouvir o Instrutor que, muito ponderado, elucidou sem delonga:

- Apreendeste a lição? O celebrante, apesar de consagrado para o culto, é ateu e gozador dos sentidos, sem esforço interior de sublimação própria. A mente dele paira longe do altar. Acha-se sumamente interessado em terminar a cerimônia com brevidade, de modo a não perder uma alegre excursão em perspectiva. Quanto aos que compareceram à mesa da eucaristia (8), cheios de sentimentos rasteiros e sombrios, eles mesmos se incumbem de anular as dádivas celestes, antes que lhes tragam benefícios imerecidos. Temos aqui grande quantidade de crentes titulares (9), mas muito poucos amigos do Cristo e servidores do bem.

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Notas:

(1) Nave: área central de uma igreja, onde se reúnem os fiéis.
(2) Acólito: auxiliar do ministro que celebra o culto religioso, na Igreja Católica.
(3) Hóstia: elemento da liturgia católica; pão consagrado pelo sacerdote ordenado, bispo ou presbítero e distribuído aos fiéis.
(4) Gúbio: nome do instrutor espiritual de André Luiz, durante esta visita ao templo católico.
(5) Partícula: nome dado à Hóstia, antes de consagrada pelo sacerdote.
(6) Alimento eucarístico: hóstia.
(7) Comungante: aquele que participa da comunhão (rito do catolicismo).
(8) Eucaristia: o mesmo que comunhão, rito católico.
(9) Crente titular: aquele que recebe um título de crente perante a sociedade, por exemplo. "católico", "protestante", "evangélico", "espírita", "budista", etc.





terça-feira, 28 de julho de 2015

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos...

(Primeira epístola de Paulo aos Coríntios: capítulo 13 - Extraído da Bíblia "Almeida Revisada e Corrigida", na página de internet Bíblia Online)


Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor (1), seria como o metal que soa ou como o sino que tine.

E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.

Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;

Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;

Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;

Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;

Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo
que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.

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Minhas notas:

(1) Em outra versão da Bíblia em português, a "Bíblia de Jerusalém", a palavra "amor" é substituída pela palavra "caridade".


quarta-feira, 22 de julho de 2015

Catarismo, Jan Huss e Kardec

(Os Cátaros e a  heresia católica. Hermínio C. Miranda. 3a edição. 2015 Editora Instituto Lachátre)

Jan Huss
"É oportuno assinalar neste ponto que o movimento ideológico suscitado por Jan Huss (a), no século 15, assumiria características semelhantes (b), extrapolando a área puramente religiosa para envolver-se no debate político-social, com vistas a uma reformulação ampla e profunda do modelo administrativo da sociedade, a começar pela educação. Esta, aliás, foi uma das tônicas da Reforma Protestante, no século 16, que assumiu como tarefa prioritária a reestruturação do ensino.

Allan Kardec
Apenas para lembrar: Huss, como os cátaros antes dele, foi também queimado vivo, em 1415. Pelas mesmas razões e da mesma maneira, seu amigo e discípulo Jerônimo de Praga foi executado pelo fogo no ano seguinte.

Outra curiosidade: Huss renasceria no início do século 19, em 1804, como Dénizard Rivail, o futuro Allan Kardec, para dar prosseguimento ao seu projeto renovador. A fogueira consome a matéria que constitui o corpo físico das pessoas, não o ser espiritual e nem as ideias que trazem para implementar no planeta que nos tem servido de morada desde tempos imemoriais."

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Minhas notas:

(a) Jan Huss ou John Huss (1369-1415): natural da Boêmia (atual Tchecoslováquia), mestre em filosofia pela Universidade de Praga. Posteriormente torna-se padre católico e pregador. Quando toma  conhecimento das proposições reformistas de John Wycliffe (d), passa a estudá-las e transforma-se em empenhado reformista em seu país natal. Submetido a interrogatório pela Igreja Católica, entre 1414 e 1415, Jan Huss negou-se a abrir mão de suas convicções. Foi condenado como herege pelo tribunal da Igreja e morreu queimado vivo em 6 de julho de 1415. Segundo a narrativa histórica, morreu cantando um hino religioso, como o faziam adeptos do cristianismo inicial quando condenados à morte nos circos romanos. Suas ideias proliferaram-se e seus seguidores passaram a não aceitar nenhum dogma ou ensinamento que não estivesse na Bíblia. Esse movimento foi um dos pilares da reforma protestante, abraçado por Lutero, cerca de um século depois.

(b) o autor refere-se ao catarismo (c);

(c) catarismo: nome dado ao modo de vida e às crenças de uma comunidade que habitou sobretudo sul da França, numa região denominada Languedoc, do final do século X até o início do século XIII. Essa comunidade procurava resgatar os valores do cristianismo primitivo, como a fraternidade pura e o amor ao próximo. Não dava valor aos dogmas do catolicismo, nem reconhecia autenticidade na autoridade eclesiástica. Por esses motivos acabaram perseguidos e barbaramente trucidados a mando do Papa, na cruzada contra os albigenses (encerrada em 1244, em Montségur, onde foram queimados vivos mais de duzentos cátaros, homens e mulheres, numa só fogueira gigantesca) e, posteriormente, durante a inquisição.

John Wycliffe
(d) John Wycliffe (1328-1384): teólogo inglês de renome, que defendia a reforma da Igreja Católica. Via inúmeras incompatibilidades entre procedimentos da Igreja e do clero e o modo de vida e os ensinamentos de Jesus e seus apóstolos. Notadamente, combatia a opulência, a riqueza e as propriedades da Igreja e do clero, entre diversos dogmas e normas aos quais se opunha.


quarta-feira, 17 de junho de 2015

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Paralelismo...


Busque a paz e siga-a 
(Primeira epístola de Pedro, 3, 11)

É imperioso reconhecer que a paz legítima resultado equilíbrio entre os nossos desejos e os propósitos do Senhor.
(Fonte Viva, Capírutlo 79 de Chico Xavier/Emmanuel. 1a edição. 2013. Federação Espírita Brasileira)

Duas retas paralelas, no infinito se encontram.
(Geometria Projetiva)




quinta-feira, 4 de junho de 2015

Recebeste a luz? - Fonte Viva - Capítulo 87

Recebestes o Espírito Santo quando crestes? 
(Atos dos Apóstolos, 19:2)



O católico recolhe o sacramento do batismo e ganha um selo para identificação pessoal na estatística da Igreja a que pertence.

O reformista das letras evangélicas entra no mesmo cerimonial e conquista um número no cadastro religioso do templo a que se filia.

O espiritista incorpora-se a essa ou àquela entidade consagrada à nossa Doutrina Consoladora e participa verbalmente do trabalho renovador.

Todos esses aprendizes da escola cristã se reconfortam e se rejubilam.

Uns partilham o contentamento da mesa eucarística que lhes aviva a esperança no Céu; outros cantam, em conjunto, exaltando a divina Bondade, aliciando largo material de estímulo na jornada santificante; outros, ainda, ser reúnem, ao redor da prece ardente, e recebem mensagens luminosas e reveladoras de emissários celestiais, que lhes consolida, a convicção na imortalidade, além...

Todas essas posições, contudo, são de proveito, consolação e vantagem.

É imperioso reconhecer, porém, que se a semente é auxiliada pela adubação, pela água e pelo Sol, é obrigada a trabalhar, dentro de si mesma, a fim de produzir.

Meditada, pois, na sublimidade da indagação apostólica: "Recebeste o Espírito Santo quando creste?".

Vale-te da revelação com que a fé te beneficia e santifica o teu caminho, espalhando o bem.

Tua vida pode converter-se num manancial de bênçãos para os outros e para tua alma, se te aplicares, em verdade, ao Mestre do Amor. É a Divina Luz, força do Céu a teu lado, que permanece esperando por ti.

(Fonte Viva, de Chico Xavier/Emmanuel. 1a edição. 2013. Federação Espírita Brasileira)


quinta-feira, 23 de abril de 2015

Examinai tudo...



(1a Epístola de Paulo aos Tessalonissenses. 5: 21. Bíblia de Jerusalém. Editora Paulus. 1a edição. 9a reimpressão. 2002.)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Jesus anuncia a vinda do Espírito da Verdade


(Jesus aos apóstolos. João 16: 12-15. Bíblia de Jerusalém. Editora Paulus. 1a edição. 9a reimpressão. 2002.)

12 Tenho ainda muito que vos dizer, mas não podeis agora suportar.
13 Quando vier o Espírito da verdade, ele vos guiará na verdade plena, pois não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas futuras.
14 Ele me glorificará porque receberá do que é meu e vos anunciará.
15 Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso vos disse: "ele receberá do que é meu e vos anunciará."


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Obreiros da Vida Eterna - Crianças Espirituais

(trecho da história de Caetano, homem profundamente crente nos dogmas do catolicismo, dedicado à religião e ao bem. Na passagem a seguir, o espírito encontra-se recém-desencarnado, sob assistência fraterna, em uma instituição espiritual denominada "Casa Transitória de Fabiano". Em "Obreiros da Vida Eterna", de André Luiz/Chico Xavier)



O desencarnado ia despertando com extremo vagar, demorando-se longo tempo a reaposssar-se de si. Eram, todavia, impressionantes seus colóquios com o irmão Hipólito, nos quais crivava o ex-sacerdote de intempestivas interrogações. À medida que suas condições mentais melhoravam, apertava o cerco. Queria saber onde se localizavam o céu e o inferno; pedia notícias dos santos, pretendendo visitar aqueles a quem consagrava mais entranhada devoção; rogava explicações referentes ao limbo; reclamava o encontro com parentes que o haviam precedido no túmulo; solicitava elucidações sobre o valor dos sacramentos da Igreja Católica; comentava a natureza dos diversos dogmas, até que, certo dia, chegou ao despautério de perguntar se não lhe seria possível obter uma audiência com Deus, na Corte Celeste. Hipólito precisava mobilizar infinita boa-vontade para tratar com respeito e proveito tamanha boa-fé.

A irmã Zenóbia vinha frequentemente assistir ao curso dos surpreendentes diálogos e, de uma feita, quando nos achávamos juntos, a pequena distância do enfermo, comentou, risonha:

- Nossa antiga Igreja Romana, tão venerável pelas tradições de cultura e serviço ao progresso humano, é, de fato, na atualidade, grande especialista em "crianças espirituais"...


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Epístola de Tiago, 1, 27

27 A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A Parábola do Semeador

(Mateus, 13, 1-23)



1 Tendo Jesus saído de casa, naquele dia, estava assentado junto ao mar;

2 E ajuntou-se muita gente ao pé dele, de sorte que, entrando num barco, se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia.


3 E falou-lhe de muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear.

4 E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na;

5 E outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda;

6 Mas, vindo o sol, queimou-se, e secou-se, porque não tinha raiz.

7 E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na.

8 E outra caiu em boa terra, e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta.

9 Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

10 E, acercando-se dele os discípulos, disseram-lhe: Por que lhes falas por parábolas?

11 Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado

12 Porque àquele que tem, se dará, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.

13 Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem.

14 E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz:Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis,e, vendo, vereis, mas não percebereis.

15 Porque o coração deste povo está endurecido,E ouviram de mau grado com seus ouvidos,E fecharam seus olhos;Para que não vejam com os olhos,E ouçam com os ouvidos,e compreendam com o coração,e se convertam,e eu os cure.

16 Mas, bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem.

17 Porque em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram.

18 Escutai vós, pois, a parábola do semeador.
19 Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho.

20 O que foi semeado em pedregais é o que ouve a palavra, e logo a recebe com alegria;

21 Mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração; e, chegada a angústia e a perseguição, por causa da palavra, logo se ofende;

22 E o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera;

23 Mas, o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta.

(Marcos, 4, 1-20)


1 E outra vez começou a ensinar junto do mar, e ajuntou-se a ele grande multidão, de sorte que ele entrou e assentou-se num barco, sobre o mar; e toda a multidão estava em terra junto do mar.
2 E ensinava-lhes muitas coisas por parábolas, e lhes dizia na sua doutrina:
3 Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear.
4 E aconteceu que semeando ele, uma parte da semente caiu junto do caminho, e vieram as aves do céu, e a comeram;
5 E outra caiu sobre pedregais, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque não tinha terra profunda;
6 Mas, saindo o sol, queimou-se; e, porque não tinha raiz, secou-se.
7 E outra caiu entre espinhos e, crescendo os espinhos, a sufocaram e não deu fruto.
8 E outra caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu; e um produziu trinta, outro sessenta, e outro cem.
9 E disse-lhes: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
10 E, quando se achou só, osque estavam junto dele com os doze interrogaram-no acerca da parábola.
11 E ele disse-lhes: A vós vos é dado saber os mistérios do reino de Deus, mas aos que estão de fora todas estas coisas se dizem por parábolas,
12 Para que, vendo, vejam, e não percebam; e, ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam, e lhes sejam perdoados os pecados.
13 E disse-lhes: Não percebeis esta parábola? Como, pois, entendereis todas as parábolas?
14 O que semeia, semeia a palavra;
15 E, os que estão junto do caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; mas, tendo-a eles ouvido, vem logo Satanás e tira a palavra que foi semeada nos seus corações.
16 E da mesma forma os que recebem a semente sobre pedregais; os quais, ouvindo a palavra, logo com prazer a recebem;
17 Mas não têm raiz em si mesmos, antes são temporãos; depois, sobrevindo tribulação ou perseguição, por causa da palavra, logo se escandalizam.
18 E outros são os que recebem a semente entre espinhos, os quais ouvem a palavra;
19 Mas os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera.
20 E estes são os que foram semeados em boa terra, os que ouvem a palavra e a recebem, e dão fruto, um trinta, e outro sessenta, e outro cem.

(Lucas, 8, 4-15)

4 E, ajuntando-se uma grande multidão, e vindo de todas as cidades ter com ele, disse por parábola:
5 Um semeador saiu a semear a sua semente e, quando semeava, caiu alguma junto do caminho, e foi pisada, e as aves do céu a comeram;
6 E outra caiu sobre pedra e, nascida, secou-se, pois que não tinha umidade;
7 E outra caiu entre espinhos e crescendo com ela os espinhos, a sufocaram;
8 E outra caiu em boa terra, e, nascida, produziu fruto, a cento por um. Dizendo ele estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
9 E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Que parábola é esta?
10 E ele disse: A vós vos é dado conhecer os mistérios do reino de Deus, mas aos outros por parábolas, para que vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam.
11 Esta é, pois, a parábola: A semente é a palavra de Deus;
12 E os que estão junto do caminho, estes são os que ouvem; depois vem o diabo, e tira-lhes do coração a palavra, para que não se salvem, crendo;
13 E os que estão sobre pedra, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas, como não têm raiz, apenas crêem por algum tempo, e no tempo da tentação se desviam;
14 E a que caiu entre espinhos, esses são os que ouviram e, indo por diante, são sufocados com os cuidados e riquezas e deleites da vida, e não dão fruto com perfeição;
15 E a que caiu em boa terra, esses são os que, ouvindo a palavra, a conservam num coração honesto e bom, e dão fruto com perseverança.


quarta-feira, 30 de julho de 2014

A Parábola do Festim das Bodas - Mateus: 22: 1-14

1 Então Jesus, tomando a palavra, tornou a falar-lhes em parábolas, dizendo:

2 O reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho;

3 E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, e estes não quiseram vir.

4 Depois, enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevados já mortos, e tudo já pronto; vinde às bodas.

5 Eles, porém, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, outro para o seu negócio;

6 E os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram.

7 E o rei, tendo notícia disto, encolerizou-se e, enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade.

8 Então diz aos servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos.

9 Ide, pois, às saídas dos caminhos, e convidai para as bodas a todos os que encontrardes.

10 E os servos, saindo pelos caminhos, ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e a festa nupcial foi cheia de convidados.

11 E o rei, entrando para ver os convidados, viu ali um homem que não estava trajado com veste de núpcias.

12 E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu.

13 Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.

14 Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.


A Parábola dos Talentos - Mateus: 25: 14-30

14 Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens.
15 E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe.
16 E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles, e granjeou outros cinco talentos.
17 Da mesma sorte, o que recebera dois, granjeou também outros dois.
18 Mas o que recebera um, foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.
19 E muito tempo depois veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles.
20 Então aproximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que granjeei com eles.
21 E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
22 E, chegando também o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com eles granjeei outros dois talentos.
23 Disse-lhe o seu senhor: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
24 Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste;
25 E, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.
26 Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei?
27 Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros.
28 Tirai-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem os dez talentos.
29 Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado.
30 Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.

A Parábola das Virgens Loucas - Mateus: 25:1-13

1 Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo.
2 E cinco delas eram prudentes, e cinco loucas.
3 As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo.
4 Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas.
5 E, tardando o esposo, tosquenejaram (a) todas, e adormeceram.
6 Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro.
7 Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas.
8 E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam.
9 Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós, ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós.
10 E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta.
11 E depois chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos.
12 E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço.
13 Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir.
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Notas:
(a) Tosquenejar: o mesmo que cochilar.