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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo IV - 5 a 9 - Ninguém Poderá ver o Reino de Deus se Não Nascer de Novo

Ninguém Poderá ver o Reino de Deus se Não Nascer de Novo


(Jesus e Nicodemus. Óleo Sobre Tela - John La Forge - Smithsonian American Art Musem)


5. Ora, havia um homem entre os fariseus, chamado Nicodemos, senador dos Judeus - que veio à noite encontrar com Jesus e lhe disse: Mestre, sabemos que vieste da parte de Deus para nos instruir como um doutor, porque ninguém poderia fazer os milagres que fazes, se Deus não estivesse com ele.
Jesus lhe respondeu: Em verdade, em verdade, eu te digo: Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo.

Disse-lhe Nicodemos: Como pode nascer um homem, já sendo velho? Pode tornar a entrar no ventre de sua mãe para nascer uma segunda vez?

Jesus lhe respondeu: Em verdade, em verdade, eu te digo: Se um homem não renasce da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. - O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é Espírito. - Não te admires de que eu te haja dito ser preciso que nasças de novo. O Espírito sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde ele vem, nem para onde vai: o mesmo se dá com todo homem que é nascido do Espírito.

Respondeu-lhe Nicodemos: Como pode isso acontecer? Disse-lhe Jesus: Pois quê! és Mestre em Israel e ignoras estas coisas? Em verdade, em verdade, eu te dito, que não dizemos senão o que sabemos e só damos testemunho do que temos visto. Entretanto, não aceitas o nosso testemunho. - Mas, se não me credes quando vos falo das coisas da Terra, como me crereis, quando vos falar das coisas do céu (S. João, 3:1 a 12.)

6. A ideia de que João Batista era Elias e de que os profetas podiam reviver na Terra se encontra em muitas passagens do Evangelho, notadamente nas acima reproduzidas (itens 1 a 3 -> clique AQUI para reler). Se fosse errônea essa crença, Jesus não teria deixado de combatê-la, como combateu tantas outras. Longe disso, Ele a sanciona com toda a sua autoridade e a põe por princípio e como condição necessária, quando diz: Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo. E insiste, acrescentando: Não te admires de que eu te haja dito ser preciso que nasças de novo.

7. Estas palavras: Se um homem não renasce da água e do Espírito foram interpretadas no sentido da regeneração pela água do batismo. O texto primitivo, porém, dizia simplesmente: não renasce da água e do Espírito, ao passo que em algumas traduções as palavras - do Espírito - foram substituídas pelas seguintes: do Santo Espírito, o que já não corresponde ao mesmo pensamento. Esse ponto capital ressalta dos primeiros comentários feitos sobre o Evangelho, como se comprovará um dia, sem possibilidade de equívoco (5).

8. Para se compreender o sentido verdadeiro dessas palavras, é preciso igualmente se atentar na significação do termo água, que ali não fora empregado na acepção que lhe é própria.

Os conhecimentos dos Antigos sobre as ciências físicas eram muito imperfeitos. Eles acreditavam que a Terra havia saído das águas e, por isso, consideravam a água como o elemento gerador absoluto. Assim é que no Gênesis se lê: "O Espírito de Deus era levado sobre as águas: flutuava sobre as águas; - Que as águas que estão debaixo do céu se reúnam em um só lugar e que apareça o elemento árido; - Que as águas produzam animais vivos que nadem na água e pássaros que voem sobre a terra e sob o firmamento".

Segundo essa crença, a água se tornara o símbolo da natureza material, como o Espírito era o símbolo da natureza inteligente. Estas palavras: "Se o homem não renasce da água e do Espírito, ou em água e em Espírito", significam pois: "Se o homem não renasce com seu corpo e sua alma". É nesse sentido que foram compreendidas inicialmente.

Tal interpretação se justifica, ademais, por estas outras palavras: O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é Espírito. Jesus estabelece aí uma distinção positiva entre o Espírito e o corpo. O que é nascido da carne é carne indica claramente que só o corpo procede do corpo e que o Espírito é independente do corpo.

9. O Espírito sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde ele vem, nem para onde ele vai, pode-se entender que se trata do Espírito de Deus, que dá a vida a quem Ele quer, ou da alma do homem. Nesta última acepção - "não sabes de onde ele vem, nem para onde vai" - significa que ninguém sabe o que foi, nem o que será o Espírito. Se o Espírito, ou alma, fosse criado ao mesmo tempo que o corpo, saber-se-ia de onde ele veio, pois conheceríamos o seu começo. Em todo caso, essa passagem é a consagração do princípio da preexistência da alma e, por conseguinte, o da pluralidade das existências.
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(5) Nota de Allan Kardec: A tradução de Osterwald está conforme o texto primitivo. Diz: Não renasce da água e do Espírito; a de Sacy diz: do Santo Espírito; a de Lamennais: do Espírito Santo.



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo IV - 1 a 4 - Ninguém Poderá ver o Reino de Deus se Não Nascer de Novo

Ninguém Poderá ver o Reino de Deus se Não Nascer de Novo



1. Jesus, tendo vindo às cercanias de Cesaréia de Filipe, interrogou assim seus discípulos: Que dizem os homens, com relação ao Filho do Homem? Quem dizem que eu sou? - Eles lhe responderam: Dizem uns que és João Batista; outros, que Elias; outros, ainda, que Jeremias, ou algum dos profetas. - Perguntou-lhes Jesus: E vós, quem dizeis que eu sou? - Simão Pedro, tomando a palavra, respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo. - Replicou-lhe Jesus: Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne nem o sangue que isso te revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. (S. Mateus, 16:13 a 17; S. Marcos, 8:27 a 30)



2. O tetrarca Herodes, porém, ouvira falar de tudo o que fazia Jesus e seu espírito se achava em suspenso - porque uns diziam que João Batista ressuscitara entre os mortos; outros, que Elias havia aparecido; e outros, ainda, que um dos antigos profetas havia ressuscitado. - Disse então Herodes: Mandei cortar a cabeça de João Batista; quem é então esse de quem ouço dizer tão grandes coisas? E tinha muita vontade de vê-lo; (S. Marcos, 6:14 a 16; S. Lucas, 9: 7 a 9.)


3. (Após a transfiguração.) Seus discípulos então o interrogaram dessa forma: Por que dizem os escribas ser preciso que Elias venha primeiro? - Jesus lhes respondeu: É verdade que Elias há de vir e restabelecer todas as coisas; - mas, eu vos declaro que Elias já veio e eles não o conheceram e o trataram como bem lhes aprouve. É assim que farão sofrer o Filho do Homem. - Então os discípulos compreenderam que fora de João Batista que Ele lhes falara. (S. Mateus, 17:10 a 13; S. Marcos, 9:11 a 13.)

Ressurreição e reencarnação

4. A reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição. Somente os saduceus, que pensavam que tudo acabava com a morte, não acreditavam nisso. As idéias dos judeus sobre esse ponto, como sobre muitos outros, não eram claramente definidas, porque só tinham noções vagas e incompletas acerca da alma e da sua ligação com o corpo. Acreditavam que um homem que vivera podia reviver, sem saberem precisamente de que maneira o fato poderia dar-se. Designavam pelo termo ressurreição o que o Espiritismo, mais judiciosamente, chama reencarnação. Com efeito, a ressurreição pressupõe o retorno à vida do corpo que já está morto, o que a Ciência demonstra ser materialmente impossível, sobretudo quando os elementos desse corpo já se acham desde muito tempo dispersos e absorvidos. A reencarnação é a volta da alma ou Espírito à vida corpórea, mas em outro corpo, novamente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo. A palavra ressurreição podia assim aplicar-se a Lázaro, mas não a Elias, nem a outros profetas. Se, portanto, segundo a crença deles, João Batista era Elias, o corpo de João não podia ser o de Elias, pois que João fora visto criança e seus pais eram conhecidos. João, pois, podia ser Elias reencarnado, mas não ressuscitado.
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sábado, 19 de janeiro de 2013

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo II - 1 a 3 - Meu Reino não é Deste Mundo

1. Tendo Pilatos entrado de novo no palácio e feito vir Jesus à sua presença, perguntou-lhe: És o rei dos judeus? - Respondeu-lhe Jesus: Meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus súditos teriam combatido para impedir que eu caísse nas mãos dos judeus; mas, o meu reino ainda não é aqui.

Disse-lhe então Pilatos: Logo, tu és rei? - Jesus lhe respondeu: Tu o dizes; sou rei; não nasci e não vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade. Aquele que pertence à verdade escuta a minha voz. (S. João. 18:33, 36 e 37.)

A vida futura

2. Por essas palavras, Jesus se refere claramente à vida futura, que Ele apresenta, em todas as circunstâncias, como a meta a que se destina a Humanidade e como devendo constituir objeto das principais preocupações do homem na Terra. Todas as suas máximas se reportam a esse grande princípio. Com efeito, sem a vida futura, a maior parte de seus preceitos de moral não teriam nenhuma razão de ser. Por isso, os que não creem na vida futura, pensando que Ele apenas falava na vida presente, não os compreendem ou os consideram pueris.

Esse dogma pode ser considerado, portando, como o ponto central do ensino do Cristo, razão pela qual está colocado num dos primeiros lugares à frente desta obra, pois deve ser o alvo de todos os homens. Só ele pode justificar as anomalias da vida terrena e harmonizar-se com a justiça de Deus.

3. Os judeus tinham idéias muito imprecisas acerca da vida futura. Acreditavam nos anjos, considerando-os como seres privilegiados da Criação; não sabiam, porém, que os homens podem um dia tornar-se anjos e partilhar da felicidade angélica. Segundo eles, a observância das leis de Deus era recompensada com os bens terrenos, a supremacia de sua nação e com as vitórias sobre os seus inimigos. As calamidades públicas e as derrotas eram o castigo da desobediência àquelas leis. Moisés não pudera dizer mais do que isso a um povo pastor e ignorante, que  precisava ser tocado, antes de tudo, pelas coisas deste mundo. Mais tarde, Jesus viria lhes revelar que existe outro mundo onde a justiça de Deus segue o seu curso. É esse o mundo que Ele promete aos que cumprem os mandamentos de Deus e onde os bons acharão sua recompensa. Esse mundo é o seu reino; lá Ele se encontra em toda a sua glória e para lá voltaria quando deixasse a Terra.

Jesus, porém, conformando seu ensino com o estado dos homens de sua época, não julgou conveniente dar-lhes luz completa, que os deslumbraria sem os esclarecer, pois não a compreenderiam. Limitou-se, de algum modo, a apresentar a vida futura apenas como um princípio, como uma lei da Natureza, da qual ninguém pode escapar. Todo cristão, pois, crê necessariamente na vida futura; mas, a idéia que muitos fazem dela é ainda vaga, incompleta e, por isso mesmo, falsa em diversos pontos. Para grande número de pessoas, é apenas uma crença, sem nenhuma certeza absoluta; daí as dúvidas e mesmo a incredulidade.

O Espiritismo veio completar, nesse ponto, como em vários outros, o ensino do Cristo, quando os homens se mostraram bastante maduros para compreender a verdade. Com o Espiritismo, a vida futura não é mais um simples artigo de fé, uma hipótese; torna-se uma realidade material demonstrada pelos fatos, pois são as testemunhas oculares que a descrevem em todas as suas fases e em todas as suas peripécias, de sorte que não somente a dúvida não é mais possível, como a inteligência mais vulgar é capaz de imaginá-la sob seu verdadeiro aspecto, como imagina um país quando lê a sua descrição detalhada. Ora, a descrição da vida futura é de tal forma circunstanciada, as condições da existência feliz ou infeliz dos que nela se encontram são tão racionais, que cada um aqui é obrigado a reconhecer que não pode ser de outro modo, e que ela representa realmente a justiça de Deus.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo II, 5 a 8 - Meu Reino não é Deste Mundo

O ponto de vista

5. A ideia clara e precisa que se faça da vida futura dá uma fé inabalável no porvir, e essa fé tem consequências enormes sobre a moralização dos homens, porque muda completamente o ponto de vista sob o qual eles encaram a vida terrena. Para quem se coloca, pelo pensamento, na vida espiritual, que é indefinida, a vida corpórea se torna simples passagem, breve estação num país ingrato. As vicissitudes e tribulações dessa vida não passam de incidentes que ele suporta com paciência, pois sabe que são de curta duração e devem ser seguidas por um estado mais feliz. A morte nada mais terá de assustador; deixa de ser a porta que se abre para o nada, para ser a porta da libertação, que faculta ao exilado a entrada numa morada de felicidade e de paz. Sabendo que está num lugar temporário e não definitivo, o homem encara as preocupações da vida com mais indiferença, resultando-lhe daí uma calma de espírito que abranda as suas amarguras.

Pelo simples fato de duvidar da vida futura, o homem dirige todos os seus pensamentos para a vida terrestre. Incerto quanto ao futuro, dá tudo ao presente. Não entrevendo bens mais preciosos que os da Terra, porta-se qual criança que nada mais vê além de seus brinquedos e tudo faz para os obter. A perda do menor deles causa-lhe pungente mágoa: um engano, uma decepção, uma ambição insatisfeita, uma injustiça de que seja vítima, o orgulho ou a vaidade feridos são outros tantos tormentos que transformam sua existência numa angústia perpétua, infligindo-se a si próprio verdadeira tortura de todos os instantes. Sob o ponto de vista da vida terrena, em cujo centro se coloca, tudo assume ao seu redor vastas proporções. O mal que o atinja, como o bem que toque aos outros, adquire aos seus olhos grande importância. Dá-se o mesmo com aquele que se encontra no interior de uma cidade: tudo lhe parece grande, tanto os homens que ocupam altas posições, como os monumentos. Contudo, se ele subir a uma montanha, homens e coisas lhe parecerão bem pequenos.

É o que acontece ao que encara a vida terrestre do ponto de vista da vida futura: a Humanidade, assim como as estrelas do firmamento, perde-se na imensidade. Percebe então que grandes e pequenos estão confundidos, como formigas sobre um montículo de terra; que proletários e criaturas efêmeras que tanto se fatigam para conquistar um lugar que as elevará tão pouco e que por tão pouco tempo conservarão. A importância, pois, dada aos bens terrenos está sempre em razão inversa da fé que se tenha no futuro.

6. Dir-se-ia que se todos pensassem dessa maneira, tudo periclitaria na Terra, pois ninguém mais iria ocupar-se com as coisas terrenas.Não: o homem, instintivamente, procura o seu bem-estar, e mesmo estando certo de que só por pouco tempo permanecerá no lugar em que se encontra, ainda assim cuida de estar aí o melhor ou o menos mal que lhe seja possível. Não exite ninguém que, encontrando um espinho debaixo de sua mão, não o retire, para não se picar. Ora, o desejo do bem-estar força o homem a tudo melhorar, impelido que é pelo instinto do progresso e da conservação, que está nas leis da Natureza. Ele, pois, trabalha por necessidade, por gosto e por dever, obedecendo, desse modo, aos desígnios da Providência, que o pôs na Terra para tal fim. Simplesmente, aquele que considera o futuro não liga ao presente mais do que relativa importância, e facilmente se consola de seus insucessos, pensando no destino que o aguarda.

Deus não condena, portanto, os gozos terrenos, mas o abuso desses gozos em detrimento das coisas da alma. É contra tais abusos que se previnem os que aplicam a si próprios estas palavras de Jesus: Meu reino não é deste mundo.

Aquele que se identifica com a vida futura assemelha-se ao rico que perde sem emoção uma pequena soma; aquele que concentra seus pensamentos na vida terrena assemelha-se ao pobre que perde tudo o que possui e se desespera.

7. O Espiritismo alarga o pensamento e lhe rasga novos horizontes. Em vez dessa visão acanhada e mesquinha, que se concentra na vida atual, que faz do instante que vivemos na Terra o único e frágil eixo do futuro eterno, o Espiritismo mostra que essa vida não passa de um elo no conjunto harmonioso e grandiosos da obra do Criador. Mostra a solidariedade que religa todas as existências do mesmo ser, todos os seres de um mesmo mundo, dando assim uma base e uma razão de ser à fraternidade universal, enquanto a doutrina da criação da alma por ocasião do nascimento de cada corpo torna os seres estranhos uns aos outros. Essa solidariedade entre as partes de um mesmo todo explica o que é inexplicável, desde que se considere apenas um ponto. Esse conjunto, ao tempo do Cristo, os homens não o teriam podido compreender, razão pela qual Ele reservou esse conhecimento para mais tarde.

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

Uma realeza terrestre

8. Quem melhor do que eu pode compreender a verdade dessas palavras de Nosso Senhor: Meu reino não é deste mundo? O orgulho me perdeu na Terra. Quem, pois, compreenderia o vazio dos reinos da Terra, se eu não o compreendia? Que trouxe eu comigo da minha realeza terrena? Nada, absolutamente nada. E, como que para tornar a lição mais amarga, ela nem sequer me acompanhou até o túmulo! Rainha entre os homens, como rainha julguei que penetrasse no reino dos céus! Que desilusão! Que humilhação, quando, em vez de ser recebida aqui qual soberana, vi acima de mim, mas muito acima, homens que eu julgava insignificantes e aos quais desprezava, por não terem sangue nobre! Oh! só então compreendi a esterilidade das honras e grandezas que se buscam com tanta avidez na Terra!

Para conquistar um lugar neste reino, são necessárias a abnegação, a humildade, a caridade em toda a sua celeste prática, a benevolência para com todos. Não se vos pergunta o que fostes, nem que posição ocupastes, mas o bem que fizestes e as lágrimas que enxugastes.

Oh! Jesus, tu o disseste, teu reino não é deste mundo, porque é preciso sofrer para chegar ao céu e os degraus do trono não nos aproximam dele. A ele só conduzem os atalhos mais penosos da vida. Procurai, pois, o caminho do céu, através das sarças e dos espinhos, e não por entre as flores.

Os homens correm atrás dos bens terrenos como se pudessem guardá-los para sempre. Aqui, porém, já não há ilusões. Logo eles percebem que se agarraram a uma sombra e desprezaram os únicos bens reais e duradouros, os únicos que lhes aproveitam na morada celeste, os únicos que lhes podem abrir as portas do céu.

Tende piedade dos que não ganharam o reino dos céus; ajudai-os com as vossas preces, pois a prece aproxima o homem do Altíssimo: é o traço de união entre o céu e a Terra: não o esqueçais. - Uma rainha de França. (Le Havre, 1863.)