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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo III - 19 - Há Muitas Moradas na Casa de meu Pai

Progressão dos mundos





19. O progresso é uma das leis da Natureza. Todos os seres da Criação, animados ou inanimados, estão submetidos a ele pela bondade de Deus, que deseja que tudo se engrandeça e prospere. A própria destruição, que parece aos homens o termo das coisas, é apenas um meio de se chegar, pela transformação, a um estado mais perfeito, visto que tudo morre para renascer e nada sofre o aniquilamento.

Ao mesmo tempo que os seres vivos progridem moralmente, os mundos que eles habitam progridem materialmente. Quem pudesse acompanhar um mundo em suas diversas fases, desde o instante em que se aglomeraram os primeiros átomos destinados a constituí-lo , vê-lo-ia percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas de degraus imperceptíveis para cada geração, e a oferecer aos seus habitantes uma morada cada vez mais agradável, à medida que eles próprios avançam na estrada do progresso. Marcham, assim, paralelamente, o progresso do homem, o dos animais, seus auxiliares, o dos vegetais e o da habitação, porque nada permanece estacionário na Natureza. Quão grandiosa e digna é essa ideia da majestade do Criador! Quanto, ao contrário, é mesquinha e indigna do seu poder a que concentra a sua solicitude e a sua providência no imperceptível grão de areia, que é a Terra, e restringe a Humanidade aos poucos homens que a habitam!

Segundo essa lei, a Terra esteve material e moralmente num estado inferior ao em que hoje se acha, e atingirá, sob esse duplo aspecto, um grau mais elevado. Ela chegou a um dos seus períodos de transformação, em que, de mundo expiatório, tornar-se-á mundo regenerador. Os homens, então, serão felizes na Terra, porque nela reinará a lei de Deus. - Santo Agostinho (Paris, 1862.)


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O Evangelho Segundo o Espíritismo - Capítulo III - 13 a 15 - Há Muitas Moradas na Casa de meu Pai

Mundos de expiações e de provas


13. Que vos direi dos mundos de expiações que já não saibais, pois basta considereis a Terra em que habitais? A superioridade da inteligência, em grande número dos seus habitantes, indica que ela não é um mundo primitivo, destinado à encarnação dos Espíritos que acabaram de sair da mãos do Criador. As qualidades inatas que eles trazem consigo constituem a prova de que já viveram e realizaram certo progresso. Mas, também, os numerosos vícios a que se mostram inclinados representam indício de grande imperfeição moral. Por isso Deus os colocou num mundo ingrato, para expiarem aí suas falhas, através de trabalhos penosos e misérias da vida, até que mereçam passar para um mundo mais feliz.

14. Entretanto, nem todos os Espíritos encarnados na Terra aqui se acham em expiação. As raças a que chamais selvagens são formadas de Espíritos que apenas saíram da infância e que na Terra se encontram, a bem dizer, em curso de educação, para se desenvolverem pelo contato com Espíritos mais adiantados. Vêm depois as raças semicivilizadas, formadas por esses mesmos Espíritos em via de progresso. São elas, de certo modo, raças indígenas da Terra, que aí se desenvolveram pouco a pouco em longos períodos seculares, conseguindo, algumas delas, atingir o aperfeiçoamento intelectual dos povos mais esclarecidos.

Os espíritos em expiação, se nos podemos exprimir desse modos, são exóticos na Terra; já viveram em outros mundos, dos quais foram excluídos em conseqüência da sua obstinação no mal e por se constituírem em causa de perturbação para os bons. Tiveram de ser degredados, por algum tempo, para o meio de Espíritos mais atrasados com a missão de fazer que estes últimos avançassem, pois que levam consigo inteligências desenvolvidas e o gérmen dos conhecimentos que adquiriram. É por isso que os Espíritos em punição se encontram no seio das raças mais inteligentes. São para estas, também, que as misérias da vida se revestem de maior amargura, por haver nelas maior sensibilidade por serem mais provadas pelas contrariedades e desgostos do que as raças primitivas, cujo senso moral se acha mais embotado (ver nota explicativa).

15. A Terra nos oferece, pois, um dos tipos de mundos expiatórios, cuja variedade é infinita, mas que têm, como caráter comum, o fato de servirem de lugar de exílio para Espíritos rebeldes à lei de Deus. Esses Espíritos têm aí de lutar, ao mesmo tempo, com a perversidade dos homens e com a inclemência da Natureza, duplo e árduo trabalho que simultaneamente desenvolve as qualidades do coração e as da inteligência. É assim que Deus, em sua bondade, faz que o próprio castigo reverta em proveito do progresso do Espírito - Santo Agostinho (Paris, 1862.)


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo III, 9 a 12 - Mundos Felizes




9. Nos mundos que chegaram a um grau superior, as condições da vida moral e material são muito diferentes das que encontramos na Terra. A forma do corpo é sempre, como por toda parte, a humana, mas embelezada, aperfeiçoada e, sobretudo, purificada. O corpo nada tem da materialidade terrestre e não está, por conseguinte, sujeito às necessidades, nem às doenças ou deteriorações decorrentes da predominância da matéria. Os sentidos, mais apurados, têm percepções que a natureza dos nossos órgãos sufoca. A leveza específica do corpo permite locomoção mais rápida e fácil: em vez de se arrastar penosamente pelo solo, desliza, a bem dizer, na superfície, ou plana na atmosfera, sem outro esforço que o da vontade, conforme são representados os anjos, ou como os antigos imaginavam os manes nos Campos Elíseos. Os homens conservam, a seu bel-prazer, os traços de suas migrações passadas e se mostram a seus amigos tais quais estes os conheceram, mas iluminados por uma luz divina, transfigurados pelas impressões interiores, então sempre elevadas. Em lugar de semblantes descorados, abatidos pelos sofrimentos e paixões, a inteligência e a vida irradiam esse brilho que os pintores traduziram pelo nimbo ou auréola dos santos.

A pouca resistência que a matéria oferece a Espíritos já muito adiantados torna rápido o desenvolvimento dos corpos e curta ou quase nula a infância. A vida, isenta de cuidados e angústias, é proporcionalmente muito mais longa do que na Terra. Em princípio, a longevidade guarda proporção com o grau de adiantamento dos mundos. A morte nada tem dos horrores da decomposição; longe de causar pavor, é considerada uma transformação feliz, porque em tais mundos não existe a dúvida sobre o futuro. Durante a vida, a alma, já não estando encerrada na matéria compacta, irradia e goza de uma lucidez que a coloca em estado quase permanente de emancipação, permitindo a livre transmissão do pensamento.

Nesses mundos felizes, as relações, sempre amistosas entre os povos, jamais são perturbadas pela ambição de subjugar o vizinho, nem pela guerra, que é a sua consequência. Não há senhores, nem escravos, nem privilegiados pelo nascimento; só a superioridade moral e intelectual estabelece diferença entre as condições e dá a supremacia. A autoridade é sempre respeitada, porque somente é conferida pelo mérito e se exerce sempre com justiça. O homem não procura elevar-se acima do homem, mas acima de si mesmo, aperfeiçoando-se. Seu objetivo é alcançar a classe dos Espíritos puros, não lhe constituindo um tormento esse desejo, mas uma nobre ambição que faz estudar com ardor para os igualar. Todos os sentimentos delicados e elevados da natureza humana lá se encontram engrandecidos e purificados. Os ódios, os ciúmes mesquinhos, as baixas cobiças da inveja são desconhecidos; um laço de amor e fraternidade une todos os homens: os mais fortes ajudam aos mais fracos. Possuem bens, em maior ou menor quantidade, conforme os tenham adquirido, mais ou menos por meio da inteligência, mas ninguém sofre pela falta do necessário, porque ninguém se encontra ali em expiação. Numa palavra, o mal não existe nesses mundos.

11. No vosso mundo, precisais do mal para sentirdes o bem; da noite para admirardes a luz; da doença para apreciardes a saúde. Naqueles outros, não há necessidade desses contrastes. A eterna luz, a eterna beleza, a paz eterna da alma proporcionam eterna alegria, que não é perturbada nem pelas angústias da vida material, nem pelo contato dos maus, que lá não têm acesso. Eis o que o espírito humano tem maior dificuldade em compreender: ele foi engenhoso para pintar os tormentos do inferno, mas nunca foi capaz de imaginar as alegrias do céu. Por quê? Porque, sendo inferior e só tendo experimentado dores e misérias, jamais entreviu as claridades celestes; só pode falar do que conhece. Porém, à medida que se eleva e se depura, o horizonte se lhe dilata e ele compreende o bem que está diante de si, como compreendeu o mal que deixou para trás.

12. Entretanto, esses mundos afortunados não são mundos privilegiados, visto que Deus não é parcial com nenhum de seus filhos; a todos dá os mesmos direitos e as mesmas facilidades para chegarem a tais mundos. Faz que partam todos do mesmo ponto e a nenhum dota melhor do que aos outros; os primeiros postos são acessíveis a todos, cumprindo a eles conquistá-los pelo trabalho, alcançá-los o mais cedo possível, ou permanecer inativos durante séculos e séculos no lodaçal da Humanidade. (Resumo do ensino de todos os Espíritos superiores.)


O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo III - 8 - Há Muitas Moradas na Casa de meu Pai



INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

Mundos inferiores e mundos superiores

8. A qualificação de mundos inferiores e mundos superiores é mais relativa do que absoluta. Tal mundo é inferior ou superior com relação aos que lhe estão acima ou abaixo, na escala progressiva. Tomando a Terra como ponto de comparação, pode-se fazer idéia do estado de um mundo inferior, supondo os seus habitantes na condição das raças selvagens ou das nações bárbaras que ainda se encontram na sua superfície, e que são resquícios do estado primitivo do nosso globo. Nos mais atrasados, os seres que os habitam são de certo modo rudimentares. Têm a forma humana, mas sem nenhuma beleza. Seus instintos não são abrandados por qualquer sentimento de delicadeza ou de benevolência, nem pelas noções do justo e do injusto. A força bruta constitui sua única lei. Sem indústrias e invenções, os habitantes passam a vida na conquista de alimentos. Deus, todavia, não abandona nenhuma de suas criaturas; no fundo das trevas da inteligência jaz, latente e mais ou menos desenvolvida, a vaga intuição de um Ser Supremo. Esse instinto é suficiente para torná-los superiores uns aos outros e para lhes preparar a ascensão a uma vida mais completa, visto que não são seres degredados, mas crianças em crescimento.

Entre os degraus inferiores e os mais elevados, há inúmeros outros, sendo difícil reconhecer, entre os Espíritos puros, desmaterializados e resplandecentes de glória, aqueles que animaram os seres primitivos, do mesmo modo que no homem adulto custamos a reconhecer o embrião.


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Muitas Moradas na Casa de Meu Pai


O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo III - 1 a 5 - Há Muitas Moradas na Casa de meu Pai



1. Não se turbe o vosso coração. - Credes em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai Se assim não fosse, eu já vo-lo teria dito, pois vou para vos preparar o lugar. - Depois que me tenha ido e que vos houver preparado o lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, também aí estejais. (S. João.  14:1 a 3)

Diferentes Estados de Alma na Erraticidade

2. A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito e oferecem, aos Espíritos que neles encarnam, estações apropriadas ao seu adiantamento.

Independente da diversiidade dos mundos, essas palavras também podem ser entendidas como se referindo ao estado feliz ou infeliz do Espírito na erraticidade. Conforme se ache este mais ou menos depurado desprendido dos laços materias, o meio em que ele se encontre, o aspecto das coisas e as sensações que experimente variarão ao infinito. Enquanto uns não podem afastar-se da esfera onde viveram, outros se elevam e percorrem o espaço e os mundos; enquanto alguns Espíritos culpados vagueiam nas trevas, os bem-aventurados gozam de resplendente claridade e do espetáculo sublime do infinito; finalmente, enquanto o mau, atormentado de remorsos e pesares, muitas vezes isolado, sem consolação, separado dos objetos de sua afeição, geme sob a opressão dos sofrimentos morais, o justo, em convívio com aqueles que ama, frui as delícias de uma felicidade indizível. Essas, também, são outras tantas moradas, embora não circunscritas, nem localizadas.

Diferentes categorias de mundos habitados

3. Do ensino dado pelos Espíritos, resulta que as condições dos mundos são muito diferentes, em relação ao grau de adiantamento ou de inferioridade de seus habitantes. Entre elesa há os em que estes últimos são ainda inferiores aos da Terra, física e moralmente; outros, da mesma catetoria que o nosso; e outros que lhe são mais ou menos superiores sob todos os aspectos. Nos mundos inferiores a existência é toda material, as paixões reinam soberanas, a vida moral é quase nula. À mmedida que esta se desenvolve, diminui a influência da matéria, de tal maneira que, nos mundos mais adiantados, a vida é, a bem dizer, toda espiritual.

4. Nos mundos intermédios, misturam-se o bem e o mal, predominando um ou outro, conforme o grau de adiantamento das criaturas que os habitam. Embora não se possa fazer, dos diferentes mundos, uma classificação absoluta, pode-se, todavia, em virtude do estado em que se acham e da destinação que trazem, tomando por base os matizes mais salientes, dividi-los, de modo teral, como se segue: mundos primitivos, destinados às primeiras encarnações da alma humana; mundos de expiação e de provas, onde predomina o mal; mundos de regeneração, nos quais as almas que ainda têm que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da luta; mundos felizes, onde o bem sobrepuja o mal; mundos celestes ou divinos, morada dos Espíritos depurados, onde reina exclusivamente o bem. A Terra pertence à categoria dos mundos de expiação e de provas, razão por que aí o homem está exposto a tantas misérias.

5. Os espíritos que encarnam em um mundo não se acham presos a ele indefinidamente, nem nele realizam todas as fases do progresso que lhes cumpre percorrer, para atingir a perfeição. Quando, em um mundo, eles alcançaram o grau de adiantamento que esse mundo comporta, passam para outro mais adiantado, e assim por diante, até que cheguem ao estado de Espíritos puros. São outras tantas estações, em cada uma das quais eles encontram elementos de progresso proporcionais ao seua adiantamento.Para os Espíritos, é uma recompensa passarem a um mundo de ordem mais elevada, como é um castigo prolongarem sua permanência em um mundo infeliz, ou serem relegados para outro ainda mais desventurado do que aquele que são forçados a deixar, quando obstinaram no mal.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo III - 16 a 18 - Há Muitas Moradas na Casa de meu Pai

Mundos Regeneradores





16. Entre as estrelas que cintilam na abóbada azulada do firmamento, quantos mundos não haverá como o vosso, destinados pelo Senhor à expiação e à provação! Mas, também, há entre eles mundos mais miseráveis e melhores, como há mundos transitórios, que poderíamos chamar de regeneradores. Cada turbilhão planetário, a deslocar-se no espaço em torno de um centro comum, arrasta consigo seus mundos primitivos, de exílio, de provas, de regeneração e de felicidade. Já vos foi falado desses mundos onde a alma recém-nascida é colocada, quando ainda ignorante do bem e do mal, mas com a possibilidade de caminhar para Deus, senhora de si mesma, na posse do livre-arbítrio. Também já vos foi revelado de que amplas faculdades a alma é dotada para praticar o bem. Mas, oh! há as que sucumbem, e Deus, não as querendo aniquilar, lhes permite irem para esses mundos onde, de encarnação em encarnação, elas se depuram, regeneram e voltam dignas da glória que lhes fora destinada.

17. Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes. A alma que se arrepende, neles encontra a calma e o repouso e acaba por depurar-se. Certamente, em tais mundos, o homem ainda se acha sujeito às leis que regem a matéria: a Humanidade experimenta as vossas sensações e desejos, mas liberta das paixões desordenadas de que sois escravos. Neles não há mais o orgulho que emudece o coração, nem a inveja que o tortura, nem o ódio que o sufoca. A palavra amor está escrita em todas as frontes: perfeita equidade preside as relações sociais, todos reconhecem Deus e tentam caminhar para Ele, cumprindo suas leis.

Nesses mundos, todavia, ainda não existe a felicidade perfeita, mas a aurora da felicidade. Aí o homem ainda é de carne e, por isso mesmo, sujeito a vicissitudes das quais só estão isentos os seres completamente desmaterializados. Ainda há provas a sofrer, porém, sem as pungentes angústias da expiação. Comparados à Terra, esses mundos são bastante felizes e muitos dentre vós se alegrariam de habitá-los, pois que eles representam a calma após a tempestade, a convalescença após a moléstia cruel. Neles o homem, menos absorvido pelas coisas materiais, entrevê o futuro melhor do que vós; compreende que há outras alegrias que o Senhor promete aos que dele se mostrem dignos, quando a morte lhes houver novamente ceifado os corpos para lhes dar a verdadeira vida. É então que, liberta, a a alma planará acima de todos os horizontes. Não mais haverá sentidos materiais e grosseiros, somente os sentidos de um perispírito puro e celeste, a aspirar as emanações do próprio Deus nos aromas de amor e de caridade que emanam do seu seio.

18. Mas, ah! nesses mundos o homem ainda é falível e o espírito do mal não perdeu completamente o seu império. Não avançar é recuar, e se o homem não se houver firmado bastante na senda do bem, pode recair nos mundos de expiação, onde o aguardam novas e mais terríveis provas.

Contemplai, pois, à noite, à hora do repouso e da prece, a abóbada azulada e, das inúmeras esferas que brilham sobre vossas cabeças, indagai de vós mesmos quais as que conduzem a Deus e pedi-lhe que um mundo regenerado vos abra o seu seio, após a expiação na Terra. - Santo Agostinho. (Paris, 1862.)