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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo VII - 1 a 3 - Bem-aventurados os Pobres de Espírito

O QUE SE DEVE ENTENDER POR POBRES DE ESPÍRITO

1. Bem-aventurados os pobres de espírito, pois que deles é o reino dos céus. (S. MATEUS, 5:3.)

2. A incredulidade zombou desta máxima: Bem-aventurados os pobres de espírito, como tem zombado de muitas outras coisas que não compreende. Por pobres de espírito Jesus não entende os baldos de inteligência, mas os humildes, tanto que diz ser para estes o reino dos céus e não para os orgulhosos.

Os homens de saber e de espírito, no entender do mundo, formam geralmente tão alto conceito de si próprios e da sua superioridade, que consideram as coisas divinas como indignas de lhes merecer a atenção. Concentrando sobre si mesmos os seus olhares, eles não os podem elevar até Deus. Essa tendência, de se acreditarem superiores a tudo, muito amiúde os leva a negar aquilo que, estando-lhes acima, os depreciaria, a negar até mesmo a Divindade. Ou, se condescendem em admiti-la, contestam-lhe um dos mais belos atributos: a ação providencial sobre as coisas deste mundo, persuadidos de que eles são suficientes para bem governá-lo. Tomando a inteligência que possuem para medida da inteligência universal, e julgando-se aptos a tudo compreender, não podem crer na possibilidade do que não compreendem. Consideram sem apelação as sentenças que proferem.

Se se recusam a admitir o mundo invisível e uma potência extra-humana, não é que isso lhes esteja fora do alcance; é que o orgulho se lhes revolta à idéia de uma coisa acima da qual não possam colocar-se e que os faria descer do pedestal onde se contemplam. Daí o só terem sorrisos de mofa para tudo o que não pertence ao mundo visível e tangível. Eles se atribuem espírito e saber em tão grande cópia, que não podem crer em coisas, segundo pensam, boas apenas para gente simples, tendo por pobres de espírito os que as tomam a sério.

Entretanto, digam o que disserem, forçoso lhes será entrar, como os outros, nesse mundo invisível de que escarnecem. É lá que os olhos se lhes abrirão e eles reconhecerão o erro em que caíram. Deus, porém, que é justo, não pode receber da mesma forma aquele que lhe desconheceu a majestade e outro que humildemente se lhe submeteu às leis, nem os aquinhoar em partes iguais.

Dizendo que o reino dos céus é dos simples, quis Jesus significar que a ninguém é concedida entrada nesse reino, sem a simplicidade de coração e humildade de espírito; que o ignorante possuidor dessas qualidades será preferido ao sábio que mais crê em si do que em Deus. Em todas as circunstâncias, Jesus põe a humildade na categoria das virtudes que aproximam de Deus e o orgulho entre os vícios que dele afastam a criatura, e isso por uma razão muito natural: a de ser a humildade um ato de submissão a Deus, ao passo que o orgulho é a revolta contra ele. Mais vale, pois, que o homem, para felicidade do seu futuro, seja pobre em espírito, conforme o entende o mundo, e rico em qualidades morais.


sexta-feira, 20 de julho de 2012

Capítulo VII - 12 - Bem-aventurados os Pobres de Espírito

Homens, por que vos queixais das calamidades que vós mesmos amontoastes sobre as vossas cabeças? Desprezastes a santa e divina moral do Cristo; não vos espanteis pois, de que a taça da iniquidade haja transbordado de todos os lados.

Generaliza-se o mal-estar. A quem incriminar, se não a vós que incessantemente procurais esmagar-vos uns aos outros? Não podeis ser felizes, sem mútua benevolência; mas, como pode a benevolência coexistir com o orgulho? O orgulho, eis a fonte de todos os males. Aplicai-vos, portanto, em destruí-lo, se não quiserdes perpetuar as suas funestas conseqüências. Tendes um só meio para isso, mas infalível: tomardes para regra invariável do vosso proceder a lei do Cristo, lei que tendes repelido ou falseado em sua interpretação.

Por que tendes em tão grande estima o que brilha e encanta os olhos, em vez daquilo que toca o coração? Por que fazeis do vício na opulência objeto das vossas adulaçõoes, enquanto só tendes um olhar de desdém para o verdadeiro mérito, que se oculta na obscuridade? Apresente-se em qualquer parte um rico debochado, perdido de corpo e alma, e todas as portas lhe serão abertas, todas as considerações voltam-se para ele, ao passo que mal se dignam saudar o homem de bem, que vive do seu trabalho. Quando a consideração dispensada aos outros é medida pelo peso do ouro que possuem ou pelo nome que usam, que interesse eles podem ter em se corrigirem de seus defeitos?

Outra seria a situação, se a opinião geral fustigasse o vício dourado, tanto quanto o vício em andrajos; mas, o orgulho é indulgente para tudo o que o lisonjeia. Século de cupidez e de dinheiro, dizeis. Sem dúvida; mas, por que deixastes que as necessidades materiais sobrepujassem o bom senso e a razão? Por que cada um quer elevar-se acima de seu irmão? Hoje a sociedade sofre as consequências desse fato.

Não esqueçais que tal estado de coisas é sempre um sinal de decadência moral. Quando o orgulho chega ao extremo, tem-se um indício de queda próxima, porque Deus sempre castiga os soberbos. Se por vezes deixa que subam, é para lhes dar tempo à reflexão e a que se emendem, sob os golpes que de vez em quando lhes desfere no orgulho para os advvertir. Mas, em vez de se humilhare, eles se revoltam. Então, quando a medida está cheia, Deus a revira completamente, sendo-lhes a queda tão mais terrível, quanto mais alto hajam subido.

Pobre raça humana, cujo egoísmo corrompeu todos os caminhos, toma novamente coragem, apesar de tudo. Em sua misericórdia infinita, Deus te envia poderoso remédio para os teus males, um inesperado socorro à tua miséria. Abre os olhos à luz: aqui estão as almas dos que já não vivem na Terra e que te vêm chamar ao cumprimento dos teus verdadeiros deveres. Eles te dirão, com a autoridade da experiência, quanto as vaidades e as grandezas da vossa passageira existência são mesquinhas em face da eternidade. Dir-te-ão que, no Além, o maior é aquele que haja sido o mais humilde entre os pequenos deste mundo: que aquele que mais amou seus irmãos será também o mais amado no céu; que os poderosos da Terra, se abusarem da sua autoridade, ver-se-ão obrigados a obedecer aos seus servo; que, finalmente, a caridade e a humildade, irmãs que andam sempre de mãos dadas, são os títulos mais eficazes para se obter graça diante do Eterno - Adolfo, bispo de Argel. (Marmande, 1862).