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domingo, 13 de dezembro de 2015

A Sabedoria Antiga - Capítulo 4 - O Plano Mental - Parte 01

Capítulo IV - O Plano Mental - Parte 01

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Como seu nome indica, o plano mental é o domínio próprio da consciência trabalhando como pensamento. É o plano da mente, não quando funciona por intermédio do cérebro, mas quando atua em seu próprio mundo, liberta dos entraves do espírito-matéria (a) físico.

Esse mundo é o mundo do homem real.

A palavra inglesa man (homem) provém da raiz sânscrita man, raiz do verbo sânscrito que significa "pensar". Assim, man (homem) significa pensador. O homem é designado por seu atributo mais característico: a mente.

Em inglês apenas encontramos uma única palavra mind para designar ou a própria consciência intelectual ou os efeitos produzidos no cérebro físico pelas vibrações desta consciência.

Mas devemos agora considerar a consciência intelectual como entidade distinta, uma individualidade, um ser real. As vibrações de sua vida são pensamentos, e estes pensamentos são imagens e não palavras. Esta individualidade é Manas, o Pensador (1). É o Eu revestido da matéria das subdivisões superiores do plano mental, e trabalhando sob as condições que esta matéria lhe impõe. No plano físico, sua presença revela-se pelas vibrações que transmite ao cérebro e ao sistema nervoso. Estes órgãos respondem às vibrações da sua vida por vibrações simpáticas.

Mas, devido à densidade de seus materiais, tais vibrações não podem reproduzir, senão, uma pequena porção das emitidas e, ainda assim, imperfeitamente. Assim, como a ciência afirma a existência de uma série imensa de vibrações do éter (b), série da qual nossa vista apenas percebe uma franja - o espectro solar luminoso - assim também, para nós, o aparelho físico do pensamento, cérebro e sistema nervoso, não pode pensar senão numa estreita franja da série imensa das vibrações mentais emitidas pelo Pensador em seu próprio mundo. Os cérebros muito receptivos correspondem a um grau que costumamos chamar grande potência intelectual. Os cérebros excepcionalmente receptivos, ao ponto a que chamamos genialidade. Finalmente, os cérebros excepcionalmente inertes correspondem apenas ao grau chamado idiotismo (c). Cada um de nós envia a seu cérebro milhões de ondas mentais (2), às quais este não responde, por causa da densidade de seus materiais; e o que se chama poder mental de um homem está em relação direta com esta sensibilidade. Mas antes de estudar o Pensador, será bom considerar o mundo que ele habita, isto é, o plano mental.

O plano mental é o que se segue imediatamente ao plano astral (d). Está separado deste apenas pela diferença de seus materiais, exatamente como o plano astral está separado do plano físico. De fato, podemos repetir, na comparação do plano mental e do astral, o que já dissemos ao comparar o plano astral e o físico. A vida do plano mental é mais ativa do que a do plano astral, e a forma aí é ainda mais plástica. O espírito-matéria é mais altamente vitalizado e mais sutil do que qualquer estado da matéria astral. O último átomo de matéria astral encerra, em sua esfera-invólucro, inumeráveis agregados da matéria mental de diversas variedades.

Nessas condições, compreende-se que a ação de forças vitais, neste plano, tenha um enorme acréscimo, porque a massa a pôr em movimento é infinitamente menor. A matéria está animada de um movimento contínuo, incessante; assumindo formas ao menor estremecimento de vida e, sem hesitação, se adaptando às menores alterações de movimento. A "substância mental", como já a chamaram, faz parecer grosseiro, pesado e embaciado o espírito-matéria astral, que, entretanto, se tinha apresentado tão luminoso em comparação com a matéria física. Mas a lei da analogia conserva todo o seu valor e será para nós um fio condutor através desta região superastral (região que é o nosso lugar de nascimento, nossa pátria real, embora prisioneiros que somos num país de desterro); não a conhecemos e consideramos as descrições que dela nos fazem com olhos alienados.

Aqui, como nos dois planos inferiores, as subdivisões do espírito-matéria são em número de sete.

Ainda mais, estas variedades formam inúmeras combinações de todos os graus de complexidade, constituindo os sólidos, os líquidos, os gases e os éteres (e) do plano mental. Isto é apenas um modo de falar, pois o termo "sólido" parece absurdo, embora falando das formas mais densas da matéria mental. Mas usamo-lo em falta de melhor, porque esta espécie de matéria é densa em comparação aos outros estados da matéria mental e não possuímos outros adjetivos descritivos senão os que nos fornecem as condições físicas. De resto, basta-nos compreender que este plano obedece à lei e à ordem geral da natureza, e comporta, como no nosso, uma base setenária; e que as sete subdivisões de sua matéria decrescem em densidade, tal como os sólidos, líquidos, os gases e os éteres - sendo a sétima e última subdivisão exclusivamente composta dos últimos átomos mentais.

Estas subdivisões são repartidas em dois grupos aos quais foram dados nomes pouco aplicáveis e, à primeira vista, ininteligíveis: "sem forma" e "com forma".

Em sânscrito Arupa e Rupa. Rupa significa forma, invólucro, corpo.

As quatro subdivisões inferiores constituem o grupo "com forma"; as três superiores, o grupo "sem forma".

Este agrupamento é necessário, porque há uma perfeita distinção aí, embora difícil de distinguir.

Estas regiões correspondem, na consciência humana, às divisões da própria mente, como veremos adiante. Talvez fosse melhor dizer que, nas quatro subdivisões inferiores, as vibrações da consciência dão nascimento a formas, a miragens ou representações, manifestando-se cada pensamento como uma forma viva; ao passo que, nas três subdivisões superiores, a consciência, embora sempre em vibração, parece antes emiti-la como uma poderosa onda de energia vibrante, que não se manifesta em imagens distintas, enquanto permanece nesta região superior, mas gera formas múltiplas, ligadas entre si por uma condição comum ao penetrar nos mundos inferiores. A analogia mais perfeita que posso achar para vos fazer conceber esta distinção reside na consideração dos pensamentos abstrato e concreto. A ideia abstrata de um triângulo não tem forma, mas serva para designar todas as figuras limitadas por três linhas retas, em que a soma dos ângulos internos equivale a dois ângulos retos.

Uma tal ideia condicionada, mas sem forma projetada no mundo inferior, pode dar nascimento a uma variedade infinita de figuras, triângulos retângulos, isósceles, escalenos, coloridos e de quaisquer dimensões, porém todos satisfazendo às condições - triângulos concretos, cada um possuindo forma definida.

A palavra é impotente para mostrar claramente a diferença entre os modos de ação da consciência nas duas regiões. Porque as palavras são símbolos de imagens; pertencem às operações do mental inferior no cérebro, e são exclusivamente baseadas nestas operações. Enquanto que a região "sem forma" pertence à Razão Pura, cuja ação não se exerce nos estreitos limites da linguagem.

O plano mental é o que reflete a Mente Universal na natureza, plano que, em nosso pequeno sistema, corresponde ao da Grande Mente, no cosmo (3).

Em suas regiões superiores existem todas as ideias arquetípicas que estão atualmente em curso de evolução concreta, e nas regiões inferiores estas ideias são elaboradas em formas sucessivas, para serem devidamente reproduzidas em seguida nos mundos astral e físico. A matéria deste plano é susceptível de combinar-se sob o impulso das vibrações mentais, e pode formar todas as combinações que o pensamento é capaz de imaginar. Assim como o ferro pode ser modelado em arado para arar ou em espada para matar, a matéria mental também pode ser modelada em formas que beneficiem ou que prejudiquem. A vida do Pensador, em contínua vibração, modela a matéria que o cerca e assim edifica uma obra conforme sua vontade. Nesta região, o pensamento e a ação, a vontade e o feito são uma única e a mesma coisa; o espírito-matéria torna-se aqui o escravo dócil da vida e espontaneamente adapta-se a cada impulsão criadora.

Pela sua velocidade e sutilidade, estas vibrações que modelam em formas-pensamentos a matéria do plano mental, também dão nascimento às colorações mais delicadas constantemente combinantes; vêem-se ondas de matizes variados como as irisações da madrepérola, porém de um grau incomparável de luminosidade, envolvendo todas as superfícies e penetrando todas as formas, de maneira que cada uma delas apresenta uma harmonia de cores de um vivo chamalote, delicado e puro, absolutamente desconhecidas na Terra. As palavras são impotentes para pintar a beleza e o brilho das combinações desta matéria sutil, fremente de vida e movimento.

Todos os videntes que a contemplaram, hinduístas, budistas, cristãos, falam dela deslumbrados com sua gloriosa beleza, e confessam sentir-se incapazes de descrevê-la. Parece que toda descrição, por mais hábeis que sejam os termos, não serve senão para rebaixá-la e aviltá-la.

As formas-pensamentos representam naturalmente um papel considerável entre as criaturas vivas que funcionam no plano mental. Assemelham-se às que já encontramos no plano astral, embora sejam muito mais luminosas e de colorações mais brilhantes quanto mais fortes, mas persistentes e mais vitalizadas forem.

À medida que as qualidade intelectuais superiores se acentuam, estas formas apresentam um contorno mais firme, e tendem  para uma singular perfeição de forma geométrica com pureza de luz e cores cada vez maior. Devemos dizer que, no estado atual da humanidade, as formas nebulosas e irregulares predominam largamente como um produto habitual das mentes mal organizadas que constituem a maioria.

Entretanto, aí se encontram também pensamentos artísticos de rara beleza, e não é de admirar que pintores, depois de terem, por um instante, surpreendido seu ideal na visão de algum sonho, se impacientem por não poderem exprimir tão deslumbrante beleza com as cores pobres deste mundo inferior.

Estas formas-pensamentos são constituídas pela essência elemental do plano. As vibrações do pensamento modelam a essência elemental em uma forma correspondente, da qual o pensamento constitui a vida animadora. Encontram-se, portanto, aqui, "elementos artificiais" idênticos, no modo de formação, aos do mundo astral. Tudo que já dissemos no Cap. II com relação à geração e importância dos elementais pode ser repetido em relação ao plano mental. Mas devemos levar em conta o acréscimo de responsabilidade de quem os gerou em consequência da permanência maior das características dos elementais deste mudo superior.

VER PRÓXIMO CAPÍTULO >>>

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Notas da Autora:

(1) De Manas deriva o termo técnico "plano manásico", traduzido por plano mental. Podemos chamá-lo plano da mente propriamente dita, para distinguir suas atividades das da mente na carne.

(2) Convém também levar em conta o grau extremamente diferente do desenvolvimento do corpo mental, instrumento do Pensador em seu próprio plano, grau que influi na quantidade e na qualidade estas ondas mentais.

(3) Mahat, o terceiro Logos ou a Inteligência Criadora Divina; Brahma dos hindus, o Madjussi dos budistas setentrionais; o Espírito Santo dos cristãos (f).

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Minhas Notas

(a) Espírito-matéria: designação dada pela autora ao espírito enquanto revestido da matéria de algum dos planos em que habita. Ela utiliza a expressão "espírito-matéria físico" para designar o ser humano encarnado, "espírito-matéria astral" para referir-se ao ser humano desencarnado, mas que ainda está revestido de matéria astral e, portanto, habita essa região vibratória e assim, sucessivamente.

(b) Sobre esta afirmação, devemos considerar que esta obra foi redigida na segunda metade do século XIX. No entanto (embora não seja relevante para a compreensão do presente texto), pode-se constatar que, após a descoberta do chamado "bóson de Higs", a física moderna parece resgatar o conceito de "éter". Em uma entrevista, o físico brasileiro, Marcelo Gleiser, resgata esse conceito. Se desejar assistir a entrevista, CLIQUE AQUI.

(c) Novamente, a situação temporal da obra é necessária. Atualmente, dá-se preferência à expressão "oligofrenia profunda" ao invés de "idiotia" que, com passar dos anos, adquiriu conotação ofensiva.

(d) Para maiores informações, ver capítulos correspondentes ao plano astral, clicando AQUI.

(e) ver nota (b), acima.

(f) é conveniente destacar que aqui, a autora toma por "cristãos" apenas uma parcela deles, os que aceitam parcial ou completamente certos dogmas instituídos pela Igreja Católica e assumidos pelas reformadoras protestantes, especificamente o dogma do "Espírito Santo".

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