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domingo, 27 de julho de 2014

A Sabedoria Antiga - Introdução - Parte 11

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A unidade de ensino moral não é menos notável que a identidade das concepções do Universo e os testemunhos de todos os que, livres das prisões da carne, atingiram a liberdade das esferas superiores. É claro que este corpo de ensino primordial estava confiado às mãos de guardiães competentes, que ensinavam nas escolas, e de suas disciplinas nos aparecem evidências quando estudamos seus ensinamentos morais, as condições impostas a seus discípulos, e os estados mental e moral que eles conseguiam atingir.

No Tao Teh Ching (a) encontramos uma distinção satírica entre as diversas categorias de estudantes:

"Os estudantes da classe mais elevada, quando ouvem falar do Tao, procuram sinceramente pô-lo em prática. Os estudantes da classe média, ao ouvirem falar dele, parecem ora segui-lo, ora abandoná-lo. Os estudantes da classe inferior, quando dele ouvem falar, riem-se muito." (Sacred Books of the East, XXXIX, op. cit. XLI, 1) (b)

No mesmo livro ainda lemos:

"O sábio esquece-se de si mesmo e no entanto o encontramos sempre em primeiro lugar. Trata sua pessoa como se lhe fosse estranha, contudo esta pessoa é preservada. Será porque ele não tem nenhum objetivo pessoal e privado que tais fins acabam realizando-se?" (VII, 2) "Porque não tem vaidade brilha. Por não ter pretensão o distinguem. Nunca se gaba ou vangloria, e é por isso que seu mérito é reconhecido. Sem manifestar arrogância, adquire sempre superioridade. E porque está assim livre de toda a luta, ninguém no mundo poderá lutar com ele." (XXII, 2) "Não há maior crime do que alimentar a ambição. Não há maior calamidade do que estar descontente com sua sorte. Não há maior erro do que o desejo de posse." (XLVI, 2) "Para aqueles que são bons comigo, eu sou bom; para aqueles que não são bons para comigo, eu sou igualmente bom; assim todos acabam por serem bons. Para os que são sinceros para comigo, eu sou sincero, e para os que não são sinceros, eu sou igualmente sincero; assim todos acabam por serem sinceros." (XLIX, 1)

"Aquele que possui em si, em abundância, os atributos de Tao é semelhante a uma criancinha. Os insetos venenosos jamais o mordem, os animais mais ferozes não o agarram, as aves de rapina não o tocam nunca." (LV, 1) "Eu possuo três coisas preciosas que estimo e guardo com ciumento cuidado. A primeira é a doçura; a segunda, a economia; a terceira, não querer nunca adiantar-me aos outros..." "A doçura é certa de vencer, mesmo na batalha, e firmemente mantém seu terreno. O céu salvará aquele que a possui, protegido por esta própria doçura." (LXII, 2, 4)

Entre os hinduístas havia discípulos escolhidos, considerados como merecedores de uma instrução especial, aos quais o "Guru" transmitia o ensinamento secreto, enquanto as regras gerais da vida mortal se encontram nas Ordenanças de Manu (c), nos Upanishads (d), no Mahabharata (e) e em muitos outros tratados: "Que se diga sempre a verdade ou o que é agradável sem proferir nem verdades desagradáveis nem falsidades agradáveis; tal é a lei eterna." (Manu IV, 138) "Não se fazendo o mal a criatura alguma, acumulam-se, pouco a pouco, méritos espirituais." (IV, 238)

"O homem duas vezes nascido, que não exerce o menor contra os seres, não sofrerá o menor perigo na hora em que libertar-se de seu corpo." (VI, 40.) "Suportando pacientemente palavras duras, sem insultar ninguém, que ele, por causa deste corpo perecível, não se torne inimigo de quem quer que seja. Que não responda à cólera, mas que bendiga a quem o maldiz." (VI, 47, 48) "Libertos do temor e da cólera, seus pensamentos fixados em Mim, procurando em Mim seu refúgio, purificado pelo fogo da sabedoria, muitos têm conseguido penetrar em meu Ser." (Bhagavad Gita IV, 10) "A suprema ventura está reservada ao iogue de mente pacífica e natureza passional calma, que limpo de pecado participa da natureza de Brahman." (VI, 27)

"O homem que não tem má vontade para com nenhum ser, o homem afetuoso e compassivo, sem apegos ou egoísmo, equilibrado no prazer e na dor, pronto a perdoar, sempre contente, harmonizador, senhor de si, resoluto, tendo consagrado sua mente (Manas) e seu intelecto (Buddhi), ele, meu devoto, muito caro me é na verdade." (XII, 13, 14)

Passemos a Buda. Encontramo-lo rodeado de seus Arhats (f), aos quais transmite seu ensino secreto. Por outro lado sua doutrina pública nos ensina que:

"O sábio, pela sinceridade, virtude e severidade, transforma-se em uma ilha que nenhum dilúvio pode submergir." (Udanavarga, IV, 5) (g)

"O sábio, neste mundo, conserva cuidadosamente o dom precioso da fé e da sabedoria, e são estes seus maiores tesouros; rejeita qualquer outra riqueza." (X,9) "Todo aquele que manifesta rancor para os que têm má vontade e más intenções não pode nunca tornar-se puro. Mas aquele que não sente rancor pacifica aqueles que odeiam. Sendo o ódio uma fonte de misérias para a humanidade, o sábio não conhece o ódio." (XIII,12) "Triunfai sobre a cólera, não vos irritando nunca; triunfai sobre o mal, praticando o bem; triunfai sobre a avareza, pela liberalidade; triunfai sobre a mentira, com a verdade." (XX, 18)

O zorastriano aprende a louvar Ahura-Mazda (h) porque:

"Que há de mais belo no mundo, de mais puro e imortal, de mais brilhante? Tudo que constitui o bem. Honramos o bom espírito,  honramos o bom reino, a boa lei e a boa sabedoria." (Yasna, XXXVII) (i) "Que o contentamento, a bênção, a inocência e a sabedoria dos puros desçam sobre esta mansão." (Yasna, LIX) "A pureza é o melhor bem. Feliz, feliz é na verdade o mais puro na pureza." (Ashem-vohu) (j) "Todos os bons pensamentos, as boas palavras, as boas ações são executadas graças ao conhecimento. Todos os maus pensamentos, as más palavras, as más ações não são executadas com conhecimento." (Mispa Kumata)  (Extratos do Avesta no Ancient Iranian and Zoroastrian Morals, por Dhunjubhoy Jamsetgi Medhora) (k)

Os hebreus tinham suas "escolas de profetas" e sua Cabala, e nas obras exotéricas encontramos os ensinamentos morais aceitos:

"Quem, pois, subirá a montanha do Senhor e se conservará firma em Seu santo lugar? Aquele que tem as mãos limpas e o coração puro, cuja alma não está contaminada pela vaidade, e que não profere falsos juramentos." (Salmos, XXIV, 3, 4) "Que exige de ti o Senhor senão agir com justiça, amar a misericórdia e andar humildemente com teu Deus?" (Micah, VI, 8) (l) "Os lábios verdadeiros viverão eternamente, mas uma língua mentirosa apenas dura um instante." (Provérbios. XII, 19)

"Porventura não foi este o jejum que escolhi? que solte as ligaduras da impiedade, que desfaça as ataduras do jugo? e que deixe livres os fracos e oprimidos, despedaçando todo o jugo? Porventura não repartes o teu pão com o faminto e não recolhes em casa os aflitos desterrados? E vendo o nu não o cobres e não te escondes da tua própria carne?" (Isaías, LVIII, 6, 7)

O Mestre cristão tinha também Seu ensinamento secreto para Seus discípulos (m), aos quais Ele fazia esta recomendação: "Não dês aos cães o que é sagrado, nem aos porcos vossas pérolas." (Mateus, VII, 6)

Para o ensinamento público, podemos recomendar as "bem-aventuranças" do Sermão da Montanha, como também os seguintes preceitos:

"Mas eu vos digo: Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos maldizem, orai pelos que vos perseguem e vos caluniam... Sede, pois, perfeitos como vosso Pai celestial é perveito." (Mateus, V, 44, 48) "Aquele que salva sua vida a perderá, mas aquele que a perde por Mim a salvará." (X, 9) "Aquele que se fizer como uma criancinha será o maior no reino dos céus." (XVIII, 4)

O fruto do Espírito é o amor, a alegria, a paz, a paciência, a doçura, a bondade, a longanimidade, a mansuetude, a fé, a castidade; para quem possui estas qualidades não há lei. (Gálatas, V, 22, 23) Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama vem de Deus e conhece Deus. (João, IV, 7)

As escolas de Pitágoras e a dos neoplatônicos perpetuaram a tradição da Grécia, e sabemos que Pitágoras adquiriu parte de seu saber na Índia, enquanto Platão estudou e foi iniciado nas escolas do Egito. Sobre as escolas gregas possuímos informações mais precisas do que sobre as outras escolas da antiguidade. A de Pitágoras tinha discípulos juramentados, mas também possuía uma disciplina externa.

O círculo interno passava por três graus em cinco anos de provas (ver Orpheus, para Detalhes, por G. R. S Mead, pág. 263 e seguintes) (n).

A disciplina externa é descrita assim:

"Antes de tudo devemos abandonar-nos inteiramente a Deus. Quando um homem ora, não deve nunca suplicar benefícios pessoais, pois receberá o que for justo e oportuno, de acordo com a sabedoria divina, e não segundo o objeto dos desejos egoístas." (Diod. Sic. IX, 41)

"É unicamente pela virtude que o homem atinge a beatitude, privilégio este exclusivo do ser racional." (Hippodamus, De Felicitate, II, Orelli, Opusc. Graecor. Sent. et Mora, II, 284) "Em si mesmo, por sua própria natureza, o homem não é nem bom, nem feliz, mas a isso pode chegar pelo conhecimento da verdadeira doutrina (Hippodamus. ibid) O mais sagrado dever e a piedade filia. "Deus faz chover bênçãos sobre aquele que honra e venera o autor de seus dias", diz Pampelus. (De Parentibus, Orelli op. cit. II, pág. 345) A ingratidão para com os pais é o mais negro dos crimes, escreveu Perictione (ibid, pág. 350), que se supõe ser a mãe de Platão. A pureza e a delicadeza de todas as obras pitagóricas eram notáveis. (Oelien, Hist. Var. XIV, 19) Em tudo o que se refere à castidade e ao casamento, seus princípios são da mais perfeita pureza. Em toda aparte o grande Mestre recomenda a castidade e a temperança. Mas ao mesmo tempo pede que os casados dêem nascimento a filhos procriados sob condições favoráveis de perpetuar a vida santa e a transmissão da ciência sagrada. (Jâmblico, Vit. Pythag (o) e Hiérocles., ap. Stob., Serm. XLV, 14) Isto é extremamente interessante, pois encontramos a mesma recomendação na Manava Dharma Shastra (leis de Manu) (p), o famoso código indiano.

O adultério era condenado com a maior severidade (Jâmbl. ibid.). No entanto, o marido era obrigado a tratar sua mulher com a maior doçura, porque "não a tinha ele tomado para sua companheira diante dos deuses?" (Ver Lasaulx, Zur Geschichte der Ehe bei den Griechen, Memórias da Academia da Baviera, VII, 107 e seguintes) (q)

O casamento não era uma união animal, mas um laço espiritual. Eis por que, por sua vez, a mulher devia amar seu esposo mais que a si mesma, e ser-lhe devotada e obediente em todas as coisas. Demais, é interessante observar que os mais belos caracteres de mulheres que nos apresenta a Grécia antiga foram formados na escola de Pitágora. Assim também em relação aos homens.

Os autores da antiguidade concordam em dizer que esta disciplina conseguiu produzir não somente os mais belos exemplos de castidade e do mais puro sentimento, mas também uma simplicidade de maneiras, uma perfeita delicadeza, e um gosto sem precedentes para as ocupações sérias. Isto é ainda admitido mesmo pelos autores cristãos. (ver Justino XX, 4) Entre os membros da escola, a idéia da justiça presidia a todas as ações, e eles observavam a mais estreita tolerância e a mais perfeita compaixão em suas relações mútuas. Porque a justiça é o princípio de toda a virtude, como nos ensina Polus (ap. Stob. Serm VIII, ed. Schow, pág. 232) É a justiça que mantém na alma a paz e o equilíbrio. É ela a fonte d ordem harmoniosa em todas as comunidades. É ela que gera a concórdia entre o esposo e a esposa, o amor entre o senhor e o servo.

"Todo pitagórico estava ligado por sua palavra. Enfim, o homem deve viver tanto quanto esteja sempre pronto para morrer." (Hipólito, Filosofia, VI) (Ibid, pág. 263-276)

A maneira pela qual as virtudes são tratadas nas escolas neoplatônicas é interessante. Nelas existia uma distinção muito nítida entre a simples moralidade e desenvolvimento espiritual. Em outros termos, como disse Plotino, "o fim não é ser sem pecado, mas tornar-se um Deus" (1)

O primeiro grau consistia em tornar-se sem pecado, adquirindo as "virtudes políticas", que fazem o homem perfeito em sua conduta, e as virtudes físicas e éticas (estando abaixo delas); somente a razão dirigia e moldurava então a natureza irracional. Acima destas, as "virtudes catárticas", pertencentes à razão, que libertavam a alma dos laços da geração; depois as "virtudes teóricas", elevando a alma ao contato das naturezas superiores à sua; finalmente as "virtudes paradigmáticas", que lhe davam conhecimento do ser real:

"Conclui-se daí que quem age segundo as virtudes práticas é um homem justo; mas o que age segundo as virtudes catárticas é um homem demoníaco, ou melhor, um homem demônio" (2) "Aquele que age segundo as virtudes chamadas teóricas é um Deus. Mas aquele que age segundo as virtudes paradigmáticas, este é um Pai dos Deuses" (Nota sobre a Prudência Intelectual, pág. 325-332)

Graças a práticas diversas, os discípulos aprendiam a abandonar seu corpo para elevarem-se a regiões superiores. Assim como uma folha de capim escapa de sua bainha, o homem interno escapa de seu invólucro carnal. (3)

O "copro de luz" ou "corpo radiante" dos hinduístas é o "corpo luciforme" dos neo platônicos, por meio do qual o homem se eleva até encontrar o Ego, "que não pode ser apercebido nem pela vista, nem por palavras, nem pelos outros sentidos, nem pela penitência, nem pelos ritos religiosos. É pela sabedoria serena, somente pela pura essência, que se pode ver, na meditação, o Uno Indivisível. Este Ego sutil só pode ser conhecido pela mente, na qual a quíntupla vida dos sentidos está adormecida. A mente de toda criatura está dominada por estas vidas; mas quando está purificada, o Ser nela se manifesta." (Mundakopanishad, III, II, 8, 9) (s)

Somente então o homem pode entrar na região onde a separatividade não existe, onde "as esferas cessam".

G. R. S. Mead, em sua introdução ao Plotinus, de Taylor (4), cita uma passagem de Plotino descrevendo uma região que evidentemente não é outra senão a Turiya (t) dos hindus.

"Eles igualmente vêem as coisas, não aquelas com as quais a geração está presente, mas aquelas com as quais está presente a essência. E eles se percebem nos outros. Pois todos os seres lá são diáfanos; e nada é escuro e resistente, mas todas as coisas são aparentes a todos, internamente e através. Porque a luz em toda parte se encontra coma a luz; desde que cada coisa contém todas as coisas em si mesma e novamente vê todas as coisas dentro de uma outra. Assim todas as coisas estão em toda parte e tudo é tudo. Cada coisa igualmente é todas as coisas. E lá o esplendor é infinito. Porque cada coisa lá é grande, desde que mesmo aquilo que é pequeno é grande. O sol também que lá está é todas as estrelas. Em cada, entretanto, uma propriedade diferente predomina, mas ao mesmo tempo todas as coisas são visíveis em cada uma. O movimento igualmente é puro, porque não é confundido por móvel diferente dele" (p. LXXIII)

Descrição totalmente insuficiente, porque esta região não encontra linguagem mortal que a possa descrever.

Todavia, para um dos que possuem olhos já abertos, esta descrição registra o que ele viu.

As concordâncias existentes entre as religiões do mundo encheriam facilmente um volume inteiro. Mas o esboço, embora imperfeito, que precede é suficiente, como prefácio, ao estudo da Teosofia, apresentando esta, nova exposição, mais completa, das antigas verdades com que sempre o mundo foi alimentado. Todas estas semelhanças implicam a existência de uma fonte única e esta é a Fraternidade da Loja Branca, a Hierarquia dos Adeptos que velam sobre a humanidade e guiam a sua evolução. Sempre conservaram estas verdades intactas, e de tempos em tempos, segundo as necessidades da época, eles as proclamam aos ouvidos dos homens. Frutos de outros mundos, de humanidades anteriores produzidas por evolução semelhante à nossa - evolução que nos será mais inteligível quando tivermos completado nosso estudo atual - eles vieram trazer ao nosso globo o socorro de sua sabedoria, e desde os mais remotos tempos até hoje, auxiliados pela flor da nossa própria humanidade, eles nos têm prodigalizado seus cuidados. (u) Ainda atualmente, ensinam ardentes discípulos, cujos passos guiam no caminho estreito. E ainda hoje podem ser encontrados por todo aquele que os procure, levando na mão, como oferenda inicial, a caridade, abnegação e desejo desinteressado de saber a fim de servir.

Ainda prescrevem a antiga disciplina e desvendam os antigos mistérios. As duas colunas de sua Loja são o Amor e a Sabedoria, e somente passam pela porta estreita os que deixaram cair de seus ombros o fardo do desejo e do egoísmo.

Pesada tarefa nos espera. Começando pelo plano físico, subiremos lentamente os degraus do Universo. Mas, antes de entrar neste estudo detalhado, um golpe de vista rápido, lançado sobre a vaga evolução e sobre seus fins, poderá ser-nos útil.

Antes que nosso sistema tivesse começado a existir, um Logos o concebeu inteiramente em Sua mente. Todas as forças, todas as formas, todas as coisas que vão emergindo na região da vida objetiva - tudo isto existiu primeiramente no divino pensamento, soba a forma de idéia.

O Logos circunscreveu então a esfera de manifestação no interior da qual Ele quis desenvolver Sua energia; Ele e Si mesmo se limitou a fim de ser a vida a vida de Seu Universo.

À medida que observamos, vemos desenhar-se gradualmente sete zonas sucessivas de densidades diferentes. São sete vastas regiões distintas, em cada uma das quais nascem centros de energia, turbilhões de substância cósmica que se separam entre si.

Finalmente, terminadas as separação e condensação - pelo menos no que nos concerne atualmente- se os apresenta aos olhos um sol central, símbolo físico do Logos, e sete grandes cadeias planetárias, compostas cada uma de sete globos. Se agora limitarmos nosso campo de observação à cadeia da qual nosso globo faz parte, vemo-la percorrida por vagas de vidas sucessivas, formando os reinos da natureza: primeiramente os três reinos elementares, depois os reinos mineral, vegetal, animal e humanos.

Contemplando em seguida o globo terrestre e as regiões que o envolvem, observamos a evolução humana e vemos o homem desenvolver em si mesmo a consciência própria (consciência individual) por uma longa série de ciclos vitais sucessivos.

Concentrando enfim o nosso olhar sobre um único indivíduo, podemos acompanhar o seu crescimento.

Vemos que cada ciclo de vida comporta uma tríplice divisão, e que está ligado a todos os ciclos passados, dos quais ele colhe os resultados, e também aos ciclos futuros, dos quais é germe, e isto por uma lei inelutável. De maneira que o homem pode subir alto em pureza, em devoção em inteligência, em condições de prestar serviços até que, enfim, atinja o ponto onde se encontram Aqueles que chamamos os Mestres, pronto para pagar aos seus irmãos mais jovens a dívida que contraírem com os irmãos mais velhos, aqueles mesmos Mestres.

VER PRÓXIMO CAPÍTULO >>>

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Notas da Editora
(1) Select, Works of Plotinus, traduzido por Thomas Taylor, ed. 1895, pág. 11
(2) Demônio: uma boa inteligência espiritual, como o "daimon", de Sócrates
(3) Kathopanishad VI, 17 (r)
(4) Obra já citada.

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Minhas notas

(a) Tao Teh Ching: o "Livro do Caminho Perfeito", de autoria atribuída a Lao Tse. Nesse livro se baseia a doutrina espiritualista do Taoísmo.
(b) Sacred Books of the East: coleção de textos religiosos asiáticos traduzidos para o inglês, contendo escrituras hinduístas, budistas, taoistas e mazdeístas, entre outras. São 50 volumes que foram convertidos em e-books disponíveis na internet (Holybooks.com) e no site: http://www.sacred-texts.com/sbe/
(c) Ordenanças de Manu: tradução inglesa de um drama indiano existente no Mahabarata (e), a história de Shakuntala, personagem dessa obra.
(d) Upanishads ou Upanixades: são textos hindus que remontam dos séculos XVI a VII a.C. e que se constituem de ensinamentos de cunho filosófico, baseados nos Vedas, textos sagrados do hinduísmo.
(e) Mahabharata: maior conjunto de textos de hinduísmo, de autoria atribuída a Krishna, que aborda a natureza humana e as condições para que o homem se liberte dos ciclos de renascimentos e mortes.
(f) Arhat: termo sânscrito que designa um ser de elevada estatura espiritual.
(g) Udanavarga (ou Udãnavarga): é a mais antiga coleção de ensinamentos budistas, organizada em tópicos e capítulos e de autoria atribuída a Bhuda e seus discípulos.
(h) Ahura-Mazda: nome da Divindade no Zoroastrismo, o Criador Incriado. Ahura Mazda significa "Deus Sábio".
(i) Yasna: coleção de livros sagrados do Avesta (k), que, por si, constitui escritura sagrada do Zoroastrismo.
(j) Ashem-vohu:  nome dado à prece referida no texto de Annie Besant. é uma das mais importantes preces no zoroastrismo.
(k) Avesta/Ancient Iranian and Zoroastrian Morals: Avesta ou Zen-Avesta: escrituras sagradas nas quais se baseia o mazdeísmo. Grande parte do Avesta original foi destruída por ocasião da invasão de Alexandre Magno, na Pérsia. "Ancient Iranian and Zoroastrian Morals" é uma compilação de ensinamentos publicada pelo teósofo "Dhunjibhoy Jamsetjee Medhora" e que pode ser encontrada na íntegra neste link: Ancient Iranian and Zorastrian Morals.
(l) Micah, VI, 8: citação do antigo testamento. O mesmo que "Miquéias, VI, 8.
(m) Ainda no Evangelho de São Mateus (13:10-15) há esta outra passagem, com o mesmo significado, o de que há conhecimentos apropriados a cada nível de adiantamento espiritual:

"Aproximando-se, disseram-lhe os discípulos: Por que lhes falas por parábolas? – Respondendo-lhes, disse ele: É porque, a vós outros, foi dado conhecer os mistérios do reino dos céus; mas, a eles, isso não lhes foi dado. Porque, àquele que já tem, mais se lhe dará e ele ficará na abundância; àquele, entretanto, que não tem, mesmo o que tem se lhe tirará. – Falo-lhes por parábolas, porque, vendo, não vêem e, ouvindo, não escutam e não compreendem. – E neles se cumprirá a profecia de Isaías, que diz: Ouvireis com os vossos ouvidos e não escutareis; olhareis com os vossos olhos e não vereis. Porque, o coração deste povo se tornou pesado, e seus ouvidos se tornaram surdos e fecharam os olhos para que seus olhos não vejam e seus ouvidos não ouçam, para que seu coração não compreenda e para que, tendo-se convertido, eu não os cure."

(n) Orpheus/G. R. S Mead: "Orpheus" é obra de G. R. S. Mead (George Robert Stowe Mead), escritor, editor e tradutor inglês, membro da Sociedade Teosófica. Foi secretário pessoal de Helena Petrovna Blavatski. Na obra o escritor trata da teologia grega, segundo Orfeu.
(o) referência à obra "Vita Pythagorica", do filósofo assírio "Jâmblico";
(p) Manava Dharma Shastra: textos hindus que constituem um misto de código religioso e legal.
(q) Peter Ernst von Lasaulx foi filósofo, filólogo e político alemão, "Zur Geschichte der Ehe bei den Griechen", obra de sua autoria, é traduzida como "A história do casamento entre os gregos"
(r) Kathopanishad: ou Katho ou Katha Upanixade. Um dos upanixades mais conhecidos. É um dos 10 upanixades primários. Destaca-se por ser o texto em que se introduz o vocábulo Yoga, para a prática espiritual, nos seguintes termos:
(s) Mundakopanishad: ou Mundaka Upanixade. é outro dos Upanixades primários. Destina-se a ensinar a supremo conhecimento sobre o universo, ou o "Braman".
(t) Turiya: segundo o hinduísmo, Truriya é o quarto estado, da consciência, sendo os três primeiros, o estado de consciência desperta, o sono com sonhos e o sono sem sonhos. Turiya seria um estado com percepção consciente muito superior à dos três estados anteriores.
(u) A esse respeito, sugiro a leitura de "Exilados por Amor", psicografia de Sandra Carneiro, pelo Espírito Lucius.


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