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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo I - 9: Não vim Destruir a Lei

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

A Nova Era

9. Deus é único e Moisés é o Espírito que Elle enviou em missão para torná-lo conhecido não só dos hebreus, como também dos povos pagãos. O povo hebreu foi o instrumento de que Deus se serviu para se revelar por Moisés e pelos profetas e as vicissitudes por que passou esse povo destinaram-se a impressionar os olhos dos homens e a fazer cair o véu que lhes ocultava a Divindade.

Os mandamentos de Deus, dados por intermédio de Moisés, contêm o gérmen da mais ampla moral cristã. Os comentários da Bíblia, porém, restringiam-lhe o sentido, porque, praticada em toda a sua pureza, não a teriam então compreendido. Mas, nem por isso, os dez mandamentos de Deus deixavam de ser uma espécie de frontispício brilhante, qual farol destinado a iluminar a estrada que a Humanidade devia percorrer.

A moral ensinada por Moisés era apropriada ao estado de adiantamento em que se encontravam os povos que ela se propunha regenerar, e esses povos, semi-selvagens quanto ao aperfeiçoamento da alma, não teriam compreendido que se pudesse adorar a Deus de ouutro modo que não por meio de holocaustos, nem que se devesse perdoar a um inimigo. A inteligência deles, notável do ponto de vista da matéria e mesmo das artes e das ciências, era muito atrasada em moralidade e não se teria convertido sob o império de uma religião inteiramente espiritual. Era-lhes necessária uma representação semi-material, tal como então oferecia a religião hebraica. Os sacrifícios, pois, lhes falavam aos sentidos, enquanto a idéia de Deus lhes falava ao espíirito.

O Cristo foi o iniciador da moral mais pura, da mais sublime: a moral evangélico-cristã, que há de renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los irmãos; que há de fazer brotar de todos os corações humanos a caridade e o amor do próximo e estabelecer entre os homens uma solidariedade comum; de uma moral, enfim, que há de transformar a Terra, tornando-a morada de Espíritos superiores aos que hoje a habitam. É a lei do progresso, à qual a Naturez está submetida, que se cumpre, e o Espiritismo é a alvanca de que Deus se utiliza para fazer que a Humanidade avance.

São chegados os tempos em que as idéias morais hão de desenvolver-se, para que se realizem os progressos que estão nos desígnios de Deus. Têm elas de seguir a mesma rota que percorreram as idéias de liberdade, suas precursoras. Porém, não se deve acreditar que esse desenvolvimento se faça sem lutas. Não, aquelas idéias precisam, para atingirem a maturidade, de abalos e discussões, a fim de que atraiam a atenção das massas. Uma vez isso conseguido, a beleza e a santidade da moral tocarão os espíritos, e eles se dedicarão a uma ciência que lhes dá a chave da vida futura e lhes abre as portas da felicidade eterna. Moisés abriu o caminho; Jesus continou a obra; o Espiritismo a concluirá. - Um Espírito israelita. (Mulhouse, 1861.)

27/12/2012

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