Pesquisar

Se quiser, digite seu e-mail para receber atualizações deste blogue:

Se quiser, digite seu e-mail para receber atualizações:

domingo, 2 de setembro de 2012

Capítulo XVII, 7 - Sede Perfeitos

O dever

7. O dever é a obrigação moral da criatura para consigo mesma, primeiro, e, em seguida, para com os outros. O dever é a lei da vida. Ele se encontra nas mais íntimas particularidades, como nos atos mais elevados. Quero falar aqui apenas do dever moral, e não do dever que as profissões impõem.

Na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de cumprir-se, por se achar em antagonismo com as seduções do interesse e do coração. Suas vitórias não têm testemunhas e suas derrotas não estão sujeitas a repressão. O dever íntimo do hoomem fica entregue ao seu livre-arbítrio. O aquilhão da consciência, guardião da providadde interior, o adverte e sustenta, mas, muitas vezes, mostra-se impotente diante dos sofismas e da paixão. Fielmente observado, o dever do coração eleva o homem; como determiná-lo, porém, com exatidão? Onde começa ele? onde termina? O dever começa exatamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranquilidade do vossso próximo; acaba no limite que não desejais que ninguém ultrapasse o vosso.

Deus criou todos os homens iguais para a dor. Pequenos ou grandes, ignorantes ou instruídos, todos sofrem pelas mesmas causas, a fim de que cada um julgue em sã consciência o mal que pode fazer. Não existe o mesmo critério para o bem, infinitamente mais variado em suas expressões. A iguraldade diante da dor é uma sublime previd~encia de Deus, que quer que todos os seus filhos, instruídos pela experiência comum, não pratiquem o mal, alegando ignorância de seus efeitos.

O dever é o resumo prático de todas as especulações morais; é uma bravura da alma que enfrenta as angústias da luta; é austero e brando: pronto a dovrar-se às mais diversas complicações, mantém-se inflexível diante das suas tentações. O homem que cumpre o seu dever ama a Deus mais do que às criaturas e ama as criaturas mais do que a si mesmo. É ao mesmo tempo juiz e escravo em causa própria.

O dever é o mais belo galardão da razão; descende desta, como o filho descende de sua mãe. o homem tem de amar o dever, não porque preserve de males a vida, males aos quais a Humanidade não pode subtrair-se, mas porque confere à alma o vigor necessário ao seu desenvolvimento.

O dever cresce e irradia sob uma forma mais elevada, em cada um dos estágios superiores da Humanidade. A obrigação moral da criatura para com Deus jamais cessa; deve refletir as virtudes do Eterno, que não aceita esboços imperfeiros, porque quer que a beleza de sua obra resplandeça a seus próprios olhos. - Lázaro. (Paris, 1863.)

01/09/2012, após noite e dia de angústia, após orar por ajuda quanto a um dilema moral!

Nenhum comentário:

Postar um comentário