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segunda-feira, 4 de junho de 2012

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo XXIII - 4, 5 e 6 - Estranha Moral

Abandonar pai, mãe e filhos

4. Aquele que houver deixado, pelo meu nome, sua casa, os seus irmãos, ou suas irmãs, ou seu pai, ou sua mãe, ou sua mulher, ou seus filhos, ou suas terras, receberá o cêntuplo de tudo isso e terá por herança a vida eterna. (S. Mateus, 19:29.)

5. Então, disse-lhe Pedro: Quanto a nós, vês que tudo deixamos e te seguimos. - Jesus lhe observou: Digo-vos, em verdade, que ninguém deixará, pelo reino de Deus, sua casa, ou seu pai, ou sua mãe, ou seus irmãos, ou sua mulher, ou seus filhos. - que não receba, já neste mundo, muito mais, e no século vindouro, a vida enterna. (S. Lucas, 18:28 a 30.)

6. Disse-lhe outro: Senhor, eu te seguirei: mas permite que, antes, disponha do que tenho em minha casa. - Jesus lhe respondeu: Quem quer que, tendo posto a mão no arado, olhar para trás, não está apto para o reino de Deus (S. Lucas, 9:61 e 62.)

Sem discutir as palavras, deve-se aqui procurar o pensamento, que era, evidentemente, este: "Os interesses da vida futura prevalecem sobre todos os interesses de todas as considerações humanas", porque esse pensamento está de acordo com a essência da doutrina de Jesus, ao passo que a idéia de uma renunciação à família seria a negação dessa doutrina.

Não temos, aliás, sob os olhos, a aplicação dessas máximas no sacrifício dos interesse e das afeições de família pela pátria? Censura-se um filho por deixar o pai, a mãe, os irmãos, a mulher e os filhos para marchar em defesa do seu país? Não se lhe reconhece, ao contrário, grande mérito em arrancar-se às doçuras do lar doméstico, das expansões de amizade, para cumprir um dever? Há, pois, deveres que se sobrepõem a outros deveres. A lei não impõe à filha a obrigação de deixar os pais para acompanhar o esposo? Multiplicam-se no mundo os casos em que são necessárias as mais penosas separações. Entretanto, nem por isso as afeições se rompem. O afastamento não diminui o respeito, nem a solicitude do filho para com os pais, nem a ternura destes em relação aos filhos. Vê-se, portanto, que mesmo tomadas ao pé da letra, excetuando o termo odiar, aquelas palavras não seriam uma negação do mandamento que prescreve ao homem honrar a seu pai e a sua mãe, nem do afeto paternal: com mais forte razão, não o seriam, se tomados segundo o espírito. Elas tinham por objetivo mostrar, através de uma hipérbole, quão imperioso é para a criatura o dever de ocupar-se com a vida futura. Alíás, tais palavras deviam ser pouco chocantes para um povo e numa época em que, como conseqüência dos costumes, os laços de família tinham menos força do que no seio de uma civilização moral mais adiantada. Esses laços, mais fracos nos povos primitivos, fortalecem-se com o desenvolvimento da sensibilidade e do senso moral. A própria separação é necessária ao progresso, tanto entre as famílias como entre as raças, pois elas degeneram se não houver cruzamento, se não se mesclarem umas com as outras. É uma lei da Natureza, tanto no interesse do progresso moral, quanto no do progresso físico.

Aqui, as coisas são consideradas apenas do ponto de vista terreno. O espiritismo faz com que as vejamos de mais alto, ao nos mostrar que os verdadeiros laços de afeição são os do Espírito e não os do corpo: que aqueles laços não se desfazem pela separação, nem mesmo pela morte do corpo: que se robustecem na vida espiritual, pela depuração do Espírito, verdade consoladora que dá à criatura uma grande força para suportar as vicissitudes da vida (Cap. IV, item 18; cap. XIV, item 8.)


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