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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Capítulo XIX - 6 e 7 - A Fé Transporta Montanhas

A fé religiosa. Condição da fé inabalável

6. Do ponto de vista religioso, a fé consiste na crença em dogmas especiais, que constituem as diferentes religiões. Todas elas tê os seus artigos de fé. Sob esse aspecto, a fé pode ser raciocinada ou cega. Nada examinando, a fé cega aceita sem controle tanto o verdadeiro como o falso e a cada passo se choca com a evidência e a razão. Levada ao excesso, produz o fanatismo. Quando a fé se assenta no erro, cedo ou tarde desmorona; somente a fé que se baseia na verdade garante o futuro, porque nada tem a temer do progresso das luzes, considerando-se que o que é verdadeiro na obscuridade, também o é à luz do dia. Cada religião pretende ter a posse exclusiva da verdade; preconizar alguém a fé cega sobre um ponto de crença é confessar-se impotente para demonstrar que está com a razão.

7. Diz-se vulgarmente que a fé não se prescreve, o que tem levado muita gente a alegar que não lhe cabe a culpa de não ter fé. Sem dúvida, a fé não se prescreve, nem, o que ainda é mais certo, a fé não se impõe. Não, ela não se prescreve; ela se adquire e ninguém está impedido de possuí-la, mesmo entre os mais refratários. Falamos das verdades espirituais fundamentais, e não de tal ou qual crença particular. Não compete à fé procurar-los, eles é que devem ir ao seu encontro e, se a buscarem sinceramente, não deixarão de achá-la. Tendo, pois, como certo que os que dizem: "Nada de melhor desejamos do que crer, mas não o podemos", falam com os lábios, e não com o coração, porque, ao dizerem isso, tapam os ouvidos. As provas, no entanto multiplicam-se em volta deles: por que, então, recusam-se a vê-las? Da parte de uns, há descaaso; da parte de outros, há o temor de serem forçados a mudar de hábitos; da parte da maioria. há o orgulho, que se nega a reconhecer a existência de uma força superior, porque teria de curvar-se diante dela.

Em certas pessoas, a fé parece de algum modo inata: basta uma centelha para desenvolvê-la. Essa facilidade de assimilar as verdades espirituais é sinal evidente de progresso anterior. Em outras pessoas, ao contrário, elas dificilmente penetram, sinal não menos evidente de naturezas retardatárias. As primeiras já creram  e compreenderam: trazem, ao renascerem, a intuição do que souberam: estão com a educação feita; as segundas têm que aprender tudo; estão com a educação por fazer. Ela se fará e, se não ficar concluída nesta existência, ficará em outra.

A resitência do incrédulo, devemos confir, muitas vezes provém menos dele do que da maneira pela qual lhe apresentam as coisas. A fé necessita de uma base, e essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer. Para crer, não basta ver: é preciso, sobretudo, compreender. A fé cega que produz hoje o maior número dos incrédulos, porque ela pretende impor-se, exigindo a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: o raciocínio e o livre-arbítrio. É principalmente contra essa fé que se levanta o incrédulo, e dela é que se pode dizer. com verdade, que não se prescreve. Não admitindo provas, ela deixa no espírito alguma coisa de vago, que dá origem à dúvida. A fé reciocinada, a que se apóia nos fatos e na lógica, não deixa nenhuma obscuridade: a criatura acredita porque tem certeza, e tem certeza porque compreendeu. Eis porque não se dobra. Fé inabalável é somente a que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade.

O Espiritismo conduz a esse resultado, razão pela qual triunfa da incredulidade sempre que não encontra oposição sistemática e interessada.

21/06/2012, às 22:00 h, horário da minh oração semanal.

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