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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Capítulo XII - 7 e 8 - Amai os vossos Inimigos

Se alguém vos bater na face direita, apresentai-lhe também a outra

7. Ouvistes o que foi dito: olho por olho e dente por dente. - Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal que vos queiram fazer; que se alguém vos bater na face direita, apresenteis também a outra; - e que se alguém quiser pleitear contra vós, para vos tomar a túnica, também lhe entretueis o manto; - e que se alguém vos obrigar a caminhar mil passos com ele, caminheis mais dois mil. - Dai àquele que vos pedir e não repilais aquele que vos queira tomar emprestado. (S. Mateus, 5: 38 a 42.)

8. Os preconceitos do mundo sobre o que se convencionou chamar: "ponto de honra" produzem essa suscetibilidade sombria, nascida do orgulho e da exaltação da personalidade, que leva o homem a retribuir uma injúria com outra injúria, uma ofensa com outra, o que é tido como justiça por aquele cujo senso moral não se eleva acima das paixões terrenas. É por isso que a lei mosaica prescrevia: olho por olho, dente por dente, lei em harmonia com a época em que Moisés vivia. Veio o Cristo e disse: "Retribui o mal com o bem". E disse ainda: "Não resistais ao mal que vos queiram fazer; se alguém vos bater numa face, apresentai-lhe a outra". Ao orgulhoso, este preceito parecerá uma covardia, pois ele não compreende que haja mais coragem em suportar um insulto do que em se vingar, em virtude de sua visão ser incapaz de ultrapassar o presente. Dever-se-á, entretando, tomar ao pé da letra aquela sentença? Não, como também não se deve tomar ao pé da letra a outra que manda se arranque o olho, quando for causa de escândalo. Levando o ensino às suas últimas conseqüências, equivaleria a condenar toda repressão, mesmo legal e deixar o campo livre aos maus, que assim se veriam isentos de todo motivo de tempor. Se não se pusesse um freio às suas agressões, bem depressa os bons seriam suas vítimas. O próprio instinto de conservação, que é uma lei da Natureza, impede que alguém estenda o pescoço ao assasino.

Por essas palavras Jesus não pretendeu interdizer toda defesa, mas condenar a vingança. Dizendo que apresentemos a outra face àquele que nos haja batindo numa, disse, sob outra forma, que não se deve pagar o mal com o mal; que o homem deve aceitar com humildade tudo quanto possa abater o seu orgulho; que haverá mais glória para ele em ser ofendido do que em ofender, em suportar pacientemente uma injustiça do que em cometer ele mesmo outra injustiça; que mais vale ser enganado que enganar, ser arruinado que arruinar os outros. É, ao mesmo tempo, a condenação do duelo, que não passa de uma manifestação de orgulho. Somente a fé na vida futura e na justiça de Deus, que jamais deixa o mal impune, pode nos dar forças para suportarmos com paciência os golpes desferidos nos nossos interesses e no nosso amor-próprio. É por isso que dizemos incessantemente: Lançai o olhar para diante; quanto mais vos elevardes pelo pensamento, acima da vida material, tanto menos vos magoarão as coisas da Terra.

20/06/2012, às 11:00 h.

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