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segunda-feira, 10 de julho de 2017

A Sabedoria Antiga - Capítulo 4 - O Plano Mental - Parte 04

Capítulo IV - O Plano Mental - Parte 04

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Passemos, agora, ao estudo do Pensador (a) e seu veículo, tal como se encontram no homem vivo sobre a terra. Designemos com o nome de "corpo mental" o corpo cuja consciência está revestida e condicionada às quatro subdivisões inferiores do plano mental. Este corpo é constituído por combinações da matéria das mesmas subdivisões.

Quando uma nova encarnação se prepara, o Pensador, o Indivíduo, que é a alma humana verdadeira (cuja afirmação será explicada no fim deste capítulo), faz irradiar uma porção de sua energia em vibrações que tecem em torno de si um invólucro de matéria retirado das quatro subdivisões inferiores de seu próprio plano. A matéria atraída corresponde à natureza das vibrações mais rápidas, e tomam forma sob sua influência. As combinações mais grosseiras respondem às vibrações mais lentas; como um fio metálico que vibra espontaneamente em resposta a outro fio tendo o mesmo peso e a mesma tensão, mas que permanece mudo no meio de notas de fios diferentes, a matéria das diversas ordens ajusta-se e acomoda-se a diversos gêneros de vibrações. A natureza do corpo mental com que o Pensador se envolve será exatamente determinada pelas vibrações por ele emitidas. E este corpo é chamado "mental inferior", porque é constituído pelo Pensador, revestido da matéria das subdivisões inferiores do plano mental e sujeito às condições desta matéria em suas operações ulteriores.

Todas as energias sutis demais para mover esta matéria, excessivamente rápidas para dela obter uma resposta, não poderão exprimir-se através dela. O Pensador é, pois, forçosamente limitado, condicionado, reduzido às suas próprias expressões. É esta a primeira das prisões em que se encerra durante a sua vida na terra. E enquanto essas energias atuam nele, permanece ele excluído do seu mais elevado mundo, porque suas atenções se dirigem para o exterior, e sua vida é projetada com ele do corpo mental inferior, muitas vezes designado pelos termos de estojo, veículo, roupagem - expressões que têm por fim fazer compreender que o Pensador não é o corpo mental, mas forma este corpo e dele se serve para exprimir tudo que pode executar de si mesmo na região do mental inferior.

É necessário não esquecer que as energias do Pensador, continuando o seu processo de exteriorização, atraem em seguida, em torno de si, a matéria mais grosseira do plano astral para formar o seu corpo astral, e que, durante a sua vida na carne, as energias, manifestadas através das vibrações inferiores da matéria mental, são tão facilmente convertidas por ele em vibrações mais lentas, sincrônicas com as da matéria astral, que os dois corpos vibram continuamente em harmonia, interpenetrando-se um ao outro. Quanto mais grosseiras são as combinações de matérias assimiladas pelo corpo mental, tanto mais esta união se torna íntima, de tal modo que os dois corpos são às vezes classificados conjuntamente ou mesmo considerados como um veículo único (1). Quando abordarmos o estudo da reencarnação veremos que este fato em uma importância capital.

O tipo do corpo mental que a alma engendra em sua descida a uma encarnação nova é determinado pelo grau de evolução alcançado por ela mesma.

Assim como fizemos no estudo do corpo astral, poderemos examinar sob o ponto de vista do corpo mental três tipos de homem diversamente evoluídos: a) um indivíduo não evoluído; b) um indivíduo de desenvolvimento médio; c) um homem espiritualmente desenvolvido.

a) No indivíduo não evoluído, o corpo mental é pouco perceptível, porque é representado, apenas, por uma pequena quantidade de matéria mental sem organização precisa, tirada sobretudo das mais baixas subdivisões do plano. A influência que recebe é quase exclusivamente dos corpos inferiores. As tormentas astrais desencadeadas pelo contato dos objetos sensíveis determinam nele vibrações ainda pouco intensas. Quando não é estimulado por estas vibrações astrais, permanece inerte; e responde com indolência à excitação. Não possui interiormente nenhuma atividade definida: somente os choques do mundo exterior podem despertar uma resposta distinta. E tanto mais concorrem para o seu progresso quanto mais violentos forem, pois cada vibração que emitem apressa o desenvolvimento embrionário do corpo mental. Os prazeres tumultuosos, a cólera, o ódio, o sofrimento, o terror, todas as paixões, que produzem turbilhões intensos no corpo astral, suscitam fracas vibrações na matéria do corpo mental. Estas vibrações provocam um começo de atividade na consciência mental, e a conduzem gradualmente a acrescentar alguma atividade própria às impressões recebidas de for. Já vimos que o corpo mental é tão ligado com o astral como se ambos agissem como um corpo único. Mas as faculdades mentais nascentes dão às paixões astrais uma certa força e uma certa qualidade, que absolutamente não aparecem quando estas paixões agem como forças puramente animais. As impressões sobre o corpo mental são mais permanentes que as produzidas sobre o astral, e o mental as reproduz conscientemente. Assim começam a memória e a faculdade da imaginação. Esta faculdade se organiza gradualmente, à medida que as imagens do mundo exterior atuam sobre a substância do corpo mental e modelam a substância mental à sua própria semelhança. Estas imagens, nascidas dos contatos dos sentidos, atraem em torno delas a matéria mental mais grosseira, e podem ser reproduzidas à vontade pelos poderes nascentes da consciência. Esta reserva de imagens acumuladas tende a estimular a atividade gerada interiormente mediante o desejo de experimentar ainda uma vez mais, por meio do órgãos exteriores, as vibrações que deixaram uma recordação agradável e evitar as que provocaram um sofrimento.

O corpo mental começa desde então a excitar o corpo astral, e a reanimar nele os desejos que no animal dormitam enquanto não são despertados por uma excitação física. Eis  por que encontramos no homem pouco evoluído uma contínua preocupação de gozos não observados nos animais: a cobiça, a crueldade, uma astúcia que o reino inferior absolutamente não conhece. Os poderes nascentes do pensamento, adstritos ao serviço dos sentidos, fazem do homem um bruto infinitamente mais perigoso e mais feroz que qualquer animal, e as mais profundas e sutis forças inerentes ao espírito-matéria mental emprestam à natureza passional uma violência e uma acuidade que não encontramos nas espécies inferiores. Mas estes excessos trazem em si mesmos, graças aos sofrimentos de que são a causa, o germe de sua própria correção.Estas experiências penosas agem sobre a consciência, despertando nela imagens novas, com as quais a imaginação trabalha. A consciência é assim levada a resistir a certas vibrações que lhe chegam do mundo exterior por intermédio do seu corpo astral.

Começa a desenvolver sua vontade reprimindo os transportes e impulsos das paixões, em vez de lhes dar livre curso. Estas vibrações de resistência, uma vez postas em jogo, atraem do corpo mental combinações mais sutis de matéria mental, e levam-no ao mesmo tempo a expulsar as combinações mais grosseiras que vibram em resposta às notas passionais que agitam o corpo astral.

Graças a esta luta entre as vibrações provocadas pelas imagens passionais e as vibrações contrárias devidas à reprodução imaginativa de pesadas experiências dolorosas, o corpo mental se desenvolve. Começa a adquirir uma organização nítida, exercendo uma iniciativa cada vez maior diante das atividades exteriores. Se a vida terrestre é usada para armazenar experiências, a vida intermediária é empregada em assimilá-las, como veremos em detalhe no capítulo seguinte. De sorte que, em cada nova volta à Terra, o Pensador fica de posse dum estoque mais considerável de faculdades para a construção de seus corpo mental. Assim o homem não evoluído, cuja inteligência é escrava de suas paixões, se transforma em um homem medianamente evoluído, cuja inteligência é um campo de batalha - campo de batalha onde as paixões e os poderes mentais lutam com probabilidades diversas, com forças mais ou menos iguais. Durante este tempo, o homem evolui gradualmente para o completo domínio da sua natureza inferior.

b) - No homem medianamente evoluído, o corpo mental tem dimensões maiores. Revela já uma certa organização e encerra proporções suficientes de matéria tirada da segunda, terceira e quarta subdivisões do plano mental. A lei geral que preside toda a construção do corpo mental, assim como sua transformação, poderá ser aqui estudada com proveito, embora ainda se baseie no mesmo princípio que os reinos inferiores nos mostraram em suas operações no mundo físico e astral. O exercício desenvolve, mas a inércia atrofia e acaba por destruir. Cada vibração suscitada no corpo mental determina uma modificação em seus elementos constituintes. Na região afetada, a matéria que não pode mais vibrar em uníssono é rejeitada e substituída por matérias convenientes, tiradas das reservas verdadeiramente inesgotáveis que se encontram ao redor. Quanto mais um conjunto de vibrações se repete, tanto mais se desenvolve a região do corpo mental afetada; daí, seja dito de passagem, o mal em fazer uma especialização exagerada das energias mentais. Este erro de método na utilização das forças determina um desequilíbrio, um desenvolvimento desigual do corpo mental. Há tendência à pletora na região continuamente excitada e tendência à atrofia nas outras regiões talvez tão importantes. O ideal a alcançar é um desenvolvimento geral, harmonioso e proporcional. Para isto, é necessária uma análise calma de si mesmo, assim como uma adaptação precisa dos meios aos fins visados.

O conhecimento desta lei permite explicar certas experiências bem conhecidas e fazer nascer a esperança dum progresso infalível. Quando um estudo novo é empreendido, ou quando uma profunda mudança se opera para mais alta moralidade na existência, as primeiras  etapas são eriçadas de dificuldades e, por vezes, o esforço é abandonado porque os obstáculos parecem insuperáveis. No início de um novo empreendimento mental qualquer, todo o automatismo do corpo mental se mete de permeio. Estes materiais, acostumados a vibrar de certa maneira, não podem adaptar-se a novas impulsões. O primeiro passo da empresa consiste essencialmente em despender esforços que, a princípio, nada conseguem modificar, porque não provocam no corpo mental vibrações concordantes.

Estes esforços são apenas a preliminar indispensável de toda a vibração harmônica, porque tendem a expelir do mental os antigos materiais refratários, para nele incorporar combinações simpáticas. Durante este tempo não se é consciente de nenhum progresso, apenas tem-se consciência de que os esforços são frustrados, pois vêm chocar a resistência inerte que encontram.

Mas no fim de algum tempo, persistindo, os materiais ulteriormente atraídos começam a entrar em ação, e os esforços são um pouco melhor recompensados.

Finalmente, quando todos os materiais antigos são expulsos e os novos já funcionam, o homem sente que seus desígnios estão sendo bem sucedidos. O período verdadeiramente crítico está no começo. Mas se tivermos confiança na lei - tão infalível em suas operações como todas as outras leis da natureza - e se renovarmos com persistência os nossos esforços, devemos ser necessariamente bem sucedidos. O conhecimento deste fato pode servir-nos de estímulo no meio das atribulações que, sem isto, nos deixariam nas garras do desespero.

Eis, pois, como o homem medianamente desenvolvido pode prosseguir os seus esforços, descobrindo com alegria que, à medida que resiste firmemente às solicitações de sua natureza inferior, estas perdem o poder sobre ele, porque expulsa de seu corpo mental todos os materiais capazes de dar lugar a vibrações afins. O corpo mental consegue gradualmente não encerrar senão as combinações mais sutis das quatro subdivisões inferiores do plano mental; torna-se então de forma irradiante e admiravelmente belo.

c) - O homem espiritualmente desenvolvido.

Deste corpo, todas as combinações mais grosseiras já foram eliminadas, de forma que os objetos dos sentidos aí não encontram mais materiais capazes de responder simpaticamente às suas vibrações. (Vimos que o mesmo se passa no corpo astral correspondente.) Este corpo mental não encerra senão as notas mais sutis, combinações pertencentes a cada uma das quatro divisões do mundo mental inferior; demais, as substâncias do terceiro e quarto subplanos preponderam sobre as dos dois primeiros. Esse corpo é, pois, sensível a todas as operações superiores do intelecto, às impressões delicadas das artes elevadas, às puras vibrações das emoções sublimes. Um tal corpo permite ao Pensador que dele se reveste exprimir-se muito mais plenamente na região mental inferior, como também nos mundos astral e físico. Seus materiais são capazes de responder a uma muito mais extensa escala de vibrações e as impulsões vidas do alto modelam-no em um organismo mais nobre e mais sutil. Tal corpo está rapidamente se tornando capaz para reproduzir todas as vibrações emitidas pelo Pensador, vibrações estas suscetíveis de expressão nas subdivisões inferiores do plano. O Ego possuirá então um instrumento perfeito de que tem necessidade para desempenhar cabalmente seu papel na região mental inferior.

Uma compreensão muito nítida da natureza do corpo mental seria o bastante para modificar enormemente a educação moderna, tornando-a muito mais útil ao Pensador do que o é atualmente. As características gerais deste corpo dependem das vidas anteriores do Pensador na Terra, fato de que podemos convencer-nos intimamente quando tivermos estudado a reencarnação e o karma. O corpo é constituído no plano mental, e os seus materiais dependem das qualidades que o Pensador em si mesmo acumulou como resultado de suas experiências passadas, Tudo o que a educação pode fazer é proporcionar estimulantes externos de forma a despertarem as faculdades úteis que o Pensador já possui; ao mesmo tempo, deve procurar atrofiar e extirpar as más tendências. Provocar a manifestação de faculdades intatas e não sobrecarregar a memória com uma massa de fatos, tal é o fim duma educação verdadeira. A memória não tem necessidade de ser cultivada como uma faculdade distinta; porque a memória depende da atenção, isto é, a concentração firme de pensamento sobre um determinado assunto que se estuda, bem como da afinidade natural entre este assunto e a inteligência da criança. Se o assunto agrada, isto é, se a inteligência tem aptidões neste sentido, a memória não faltará desde que a atenção seja mantida firme. Eis por que a educação deveria cultivar o hábito de uma firme concentração, duma atenção inabalável, e ser dirigida de acordo com as faculdades inatas da criança.

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Nota:

(a) Pensador: o homem, designado pelo seu atributo mental, por sua capacidade de pensar.

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Nota da autora:

(1) Assim, o teosofista falará de Kama-Manas, significando a mente atuando dentro da natureza-desejo e cooperando com ela, interagindo com a natureza animal. Os seguidores da filosofia Vedanta classificam os dois juntos e falam do Ser como agindo no manomayakosha (veste formada pela mente inferior, emoções e paixões). Os psicólogos europeus fazem dos "sentimentos" uma secção de sua divisão tripartite da "mente", e incluem tanto as sensações como as emoções nos sentimentos.

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