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terça-feira, 19 de julho de 2016

Encarnações de Chico Xavier

(Matéria publicada na Folha Espírita de setembro de 2003)

A importância da Fé Raciocinada

(Cairbar Rossi Severino)

Nascemos em berço espírita e foi para nós um privilégio ter reencarnado no lar do casal Severino Pedro e Ida.

Desde que nos demos por gente, íamos ao centro espírita das cidades onde morávamos e fazíamos o Evangelho no Lar. Papai lia para nós as obras básicas de Kardec; e nunca me esqueço  da sua principal recomendação - nunca aceitem nada, venha de onde vier, que vocês, passando pelo crivo da razão, não se satisfaçam; ponham a ideia de lado e continuem estudando, para ver se aceitam ou não, no futuro.

Assim passaram-se os anos, começamos a trabalhar, veio o casamento, com ele os filhos, e dó depois de uma certa idade encontrei tempo para voltar a estudar a doutrina espírita.

Transfiguração no Tabor

Como gosto de ler, lia tudo que me caía às mãos, principalmente sobre a doutrina. Li quase todos os romances da literatura espírita, as obras básicas de Allan Kardec, muitos livros vindos através de Chico Xavier, "O Novo Testamento", etc. Nesse último, li algumas vezes o fenômeno da "Transfiguração", e o intitulado "A Vinda de Elias", constantes em S. Mateus cap. XVII e em S. Marcos, cap. IX, com especial interesse para os versículos 3 e 11 do primeiro e, no segundo, para os de número 4 e 12, que dizem praticamente as mesmas coisas: 3 e 4: " eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele"; 11 e 12: "Então Jesus respondeu: 'De fato Elias virá e restaurará todas as coisas'."

João Batista e Jesus

Ora, esta última afirmativa me causou espécie, porque todos sabemos que Elias havia reencarnado como João Batista, e não havia restaurado nada; havia somente sido o "precursor", embora esta palavra tivesse um sentido bem maior àquela época do que atualmente. Desde essa data, não sei se por intuição ou por dedução, passei a acalentar a ideia de que Allan Kardec seria a reencarnação de Elias, e, portanto, teria sido João Batista também.

Allan Kardec

Isso, porque um missão espinhosa, como a do Codificador, que,, em menos de 15 anos, sem o auxílio das m´quinas modernas, deixou a espinha dorsal da doutrina espírita, para isso, trabalhando 20 horas por dia, só poderia ser confiada por Jesus a um espírito de alta hierarquia.

No meu modo de ver, teria de ser um dos dois espíritos que estiveram com ele no Monte Tabor, pela confiança que Jesus neles depositava e, por dedução da promessa do Mestre, cheguei a Elias.

O profeta Elias

Pois não é verdade que com o Paráclito ou Consolador, Kardec restaurou todas as coisas?

Mas, como não encontrava respaldo em nenhuma obra para essa teoria, comuniquei-a somente a pouquíssimas pessoas, no meio espírita, para não passar por ridículo ou fanático.

Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier)

Também foi por dedução que chegamos à conclusão de que Francisco Cândido Xavier era a reencarnação de Allan Kardec, por dois motivos:

1°) Quando perguntado, por Fernando Worm sobre se a promessa de Allan Kardec de voltar ou no fim do século XIX ou no início do XX, não se cumpriu, Chico, meio que desconversa e acrescenta ao final: "... respeito as indagações que fazem nesse sentido, mas de mim mesmo, admito que em se tratando de Allan Kardec reencarnado, a obra que ele esteja efetuando, ou que virá a realizar, falará com eloquência com relação à presença dele, seja como for ou em qualquer lugar!".

Quem, nos últimos 100 anos, representou e ampliou o conhecimento espírito melhor do que Francisco Cândido Xavier?

2°) Quando Marlene Nobre, minha irmã me informou que havia ouvido do Chico, em Uberaba, que, se João Batista houvesse sido menos intransigente com Herodes e sua família, ele não teria sido decapitado, fiquei pasmo. Em tudo o que li de entrevistas, ou ouvi pessoalmente, quando lá estive, Chico sempre teve por todas as figuras do Evangelho um profundo respeito, raiando mesmo à veneração.

Por que, então, a exceção?, pensei com meus botões - "O danado está falando de si mesmo!"

É evidente que Chico, com sua grande humildade, nunca iria declarar isso, assim como Kardec nunca diria ter sido Elias ou João Batista. Só ficamos sabendo que ele havia sido Platão, porque o espírito Zéfiro lhe disse conforme suas próprias anotações (consultar acervo do Dr. Canuto de Abreu).

Platão

Bem, as coisas estavam nesse ponto quando, relendo a Gêneses, de Kardec, encontramos a confirmação, para nós incontestável, dessa teoria.

Ela está no cap. XVII (Predições do Evangelho), item 37 (Anunciação do Consolador), quando quase ao final declara "...  sob o nome de Consolador e de Espírito de Verdade, Jesus anunciou a vida daquele que havia de ensinar todas as coisas e de lembrar o que dissera. Logo, não estava completo o seu ensino. E, ao demais, prevê não só que ficaria esquecido, como também que seria desvirtuado o que por ele fora dito, visto que o Espírito de Verdade viria tudo lembrar e, de combinação com Elias, restabelecer todas as coisas, isto é, pô-las de acordo com o verdadeiro pensamento de seus ensinos."

Portanto, fica claro para nós que Francisco Cândido Xavier foi Allan Kardec, João Batista, Elias e Platão. Certamente terá tido outras encarnações, porque um espírito desta estirpe não fica parado nunca.

Não pretendo, nem este jornal, trazer esse assunto à baila por mero sensacionalismo, inoportuno em todas as épocas, mas, simplesmente, pelo fato de lembrar a todos, e a nós mesmos, o preito de gratidão que devemos ter por esse espírito notável, que trabalha a tantos séculos pelo nosso progresso moral e intelectual.

OBS: àqueles que tiverem dificuldades desse entendimento, recomendamos a leitura do item () do mesmo capítulo XVII da "Gêneses", intitulado "Ninguém é proeta em sua terra".

Portanto, fica claro para nós que Francisco Candido Xavier foi Allan Kardec, João Batista, Elias Platão e Anchieta. Certamente terá tido outras encarnações, porque um espírito desta estirpe não fica parado nunca.

Padre José de Anchieta


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Nota:

Recebi, na data de ontem (19/07/2016), ao visitar o Museu de Chico Xavier em Uberaba, uma cópia da matéria da Folha Espírita que aqui transcrevi, diretamente das mãos de Eurípedes Higino, filho adotivo de Chico Xavier. 

Ao receber a cópia, alegremente surpreso e extasiado, tive a ingenuidade (e a indelicadeza) de deixar escapar uma pergunta imprevidente: - se aquelas informações eram realmente autênticas!

Com a paciência e a bondade de uma grande alma, Eurípedes respondeu, sorrindo: - Como não? Se não fossem, nós não lhe estaríamos entregando uma cópia, nesta instituição.


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