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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A Sabedoria Antiga - Capítulo 3 - Kamaloka - Parte 04

Capítulo III - Kamaloka - Parte 04

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A quinta subdivisão do kamaloka (a) oferece muitas características novas. Seu aspecto é claramente luminoso e radiante; muito atraente para quem está habituado às cores sombrias da Terra, esta região justifica o epíteto astral de "estrelada", dado o conjunto do plano.

É aqui que se encontram todos os céus materializados que tão importante papel representam nas religiões populares do mundo inteiro. As "caçadas celestes" do índio pele-vermelha, o Walhalla do escandinavo, o paraíso repleto de huris do muçulmano, a Nova Jerusalém de ouro e pedras preciosas do cristão (b); o céu cheio de liceus do reformado materialista. Todos os que se ligam desesperadamente à "letra que mata" encontram aqui a satisfação literal de seus desejos. Por seu poder imaginativo, alimentado pela casca estéril dos livros santos do mundo, constroem inconscientemente em matéria astral os "castelos no ar" com que tanto sonharam.

As crenças religiosas mais bizarras encontram aqui sua realização efêmera e informe, e os sectários da letra de todas as religiões, exclusivamente desejosos da sua própria salvação no céu mais materialista que se pode imaginar, encontram satisfação neste lugar que lhes convém perfeitamente, rodeados como se acham das próprias condições às quais ajustaram sua fé.

Os religiosos e filantropos, que outra preocupação não tiveram senão executar seus próprios caprichos e impor ao próximo a sua maneira de ver, em vez de trabalharem desinteressadamente pelo acréscimo da virtude e da felicidade humanas, estão aqui muito em evidência. Organizam casas de educação, asilos, escolas, com grande satisfação pessoal, rejubilam-se em pôr, de vez em quando, sua mão astral em algum assunto ou questão terrestre por intermédio de um médium dócil, que dirigem com a maior condescendência. Edificam astralmente igrejas, casas, escolas, reproduzindo os céus materiais que ambicionaram; e embora para um olhar mais clarividente estas construções possam parecer imperfeitas, e muitas vezes grotescas, para eles nada deixam a desejar.

Os sectários da mesma religião reúnem-se e cooperam entre si de maneiras diversas, formando comunidades que diferem entre si tanto como as comunidades análogas às daqui embaixo. Quando são atraídos para a Terra, procuram, em geral, os correligionários e compatriotas, e isto não unicamente por afinidade natural, mas porque as barreiras da linguagem subsistem no Kamaloka, como se pode observar nas mensagens espíritas. As almas desta região tomam, às vezes, vivo interesse, nas tentativas feitas para estabelecer comunicações entre nosso mundo e o deles; e é daí e da região imediatamente superior que provêm os "espíritos-guias" do grande número de médiuns. Estas almas sabem que há diante delas uma possibilidade de existência mais elevada e que estão destinadas a passar, cedo ou tarde, a outros mundos onde as comunicações com a Terra não serão mais possíveis.

A sexta região do Kamaloka assemelha-se à quinta, mas é muito mais sutil. É sobretudo povoada de almas evoluídas, que acabam de gastar seu invólucro astral, através do qual suas energias mentais se manifestaram em grande parte, durante sua vida física. Sua detenção aí é devida ao papel preponderante representado pelo egoísmo em sua maneira delicada e fina, à gratificação de sua natureza sensível.

Tudo que as cerca é o que há de mais belo no Kamaloka, porque seu pensamento criador modela a substância luminosa desta região em paisagens admiráveis, em oceanos de lus que se movem, montanhas com picos nevoentos e planícies férteis, cenas de uma beleza deslumbrante, mesmo comparadas a tudo que a Terra possui de mais delicado.

Encontram-se também aqui devotos de religiões, mas de um tipo um pouco mais elevado que os da subdivisão inferior, e tendo um sentimento mais justo  de suas próprias limitações. Todos esperam com segurança deixar seu estado atual para passarem a uma esfera mais elevada.

A sétima subdivisão do Kamaloka, a mais elevada, é ocupada quase exclusivamente pelos intelectuais, homens e mulheres, que foram na Terra de um materialismo pronunciado, ou que de tal forma se adaptaram aos meios pelos quais o mental inferior adquire conhecimentos no corpo físico; estes continuam buscando tais conhecimentos segundo o método antigo, porém com as faculdades mais desenvolvidas. Recordemos como instintivamente Charles Lamb (c) era hostil à ideia de que no céu seria obrigado a trocar seus livros queridos por "não sei que bizarro processo de intuição". Muitos estudantes vivem literalmente por longos anos, às vezes séculos - segundo H. P. Blavatsky - dentro de uma biblioteca astral, consultando avidamente todos os livros sobre seu assunto preferido, e perfeitamente contentes com isto.

Aqueles que concentram toda sua energia sobre qualquer linha de investigação intelectual, e que perderam seu corpo físico sem ter acalmado a sede de conhecimentos, continuam perseguindo seus ideais com uma persistência infatigável, unidos por esse trabalho ao mundo físico. Frequentemente, esses homens ainda se mostram céticos quanto às possibilidades superiores que os esperam, e recuam diante da perspectiva do que lhes parece ser realmente uma segunda morte; a perda do conhecimento que precede ao nascimento da alma para uma vida superior no céu. Políticos, homens de estado, homens de ciência demoram algum tempo nesta região, despojando-se lentamente de seus invólucros astrais, presos ainda à existência terrestre pelo vivo interesse que tomam pelos movimentos nos quais desempenharam papéis importantes, e pelo esforço que fazem para executar, no astral, alguns projetos que a morte os impediu de realizar.

Para todos, salvo para a pequena minoria que não experimentou na Terra um único movimento de amor desinteressado ou de aspiração intelectual, que viveu sem nunca ter reconhecido alguma coisa, cedo ou tarde, virá um tempo em que finalmente se desatam as amarras do corpo astral.

A alma torna-se momentaneamente inconsciente de tudo que a rodeia - inconsciência semelhante à que segue a morte física; em seguida é despertada por um sentimento de intensa felicidade, tão grande que é impossível imaginar, aqui embaixo, a felicidade do mundo celeste, ao qual, por sua própria natureza, a alma pertence. Pode ter alimentado muitas paixões baixas e vis, muitos desejos triviais e sórdidos, mas também ela conheceu os resplendores de uma natureza mais alta, clarões vagos, esparso, vindos de uma região mais pura. Agora chega, para estes esplendores, o tempo da colheita, e por mais pobres e fracos que sejam, é justo que a alma recolha os seus frutos. Eis que o homem vai mais longe a fim de recolher esta messe celeste e assimilar-lhe os frutos (1)

O cadáver astral, como o chamam às vezes, ou a "casca astral" da entidade que partiu, compõe-se de restos das sete camadas concêntricas precedentemente descritas, restos mantidos em conjunto ainda pelo pouco magnetismo anímico que algum tempo perdura. Cada camada, por sua vez, já se desagregou, formando fragmentos esparsos, que ficam ligados por atraçao magnética às outras camadas que ainda subsistem. Quando todas já estão reduzidas a esta condição, incluindo a sétima, que é a mais inferior, o homem escapa, abandonando tais resíduos. A "casca" flutua sem direção, através do mundo astral, repetindo, embora fracamente e de maneira automática, suas costumeiras vibrações. À medida que o magnetismo restante se dispersa, a "casca" dissolve-se cada vez mais, e acaba por decompor-se totalmente, restituindo seus materiais ao depósito comum da matéria astral, como o corpo físico restitui ao mundo físico os elemento com os quais se compõe.

Esta "casca" astral erra aqui e ali, ao sabor das correntes astrais; e se não estiver muito decomposta, pode ser vitalizada pelo magnetismo das almas encarnadas na Terra, tornando-se assim capaz de alguma atividade. Ela absorve água, e reveste-se então de uma aparência ilusória de vida, repetindo com uma intenção acentuada as vibrações às quais, outrora, se acostumou. Estas vibrações são muitas vezes despertadas sob a ação de algum pensamento comum à alma desaparecida e aos amigos terrestres, e a "casca", assim vitalizada, pode representar sofrivelmente o papel de inteligência comunicante. Ela, entretanto, distingue-se - à parte o emprego da visão astral - pela repetição automática dos pensamentos familiares, assim como pela carência completa de originalidade e conhecimentos que não possuísse durante a vida física.

Assim como as almas podem ser entravadas em seu progresso por amigos ignorantes e irrefletidos, assim também é possível ir em seu auxílio com esforços sábios e bem dirigidos. Eis por que todas as religiões conservam alguns traços da sabedoria oculta dos seus fundadores, prescrevendo o emprego das "orações pelos mortos".

Estas preces, assim como as cerimônias que as acompanham, são mais ou menos eficazes conforme o conhecimento, o amor e o poder da vontade que as animam. Têm por base o princípio universal das vibrações, modelando a matéria astral em formas determinadas, animadas pelo pensamento que as palavras expressam.

Estas formas-pensamentos são dirigidas para a entidade purgatorial, e agindo sobre seu corpo astral apressam sua dissolução. Com a decadência do saber oculto, estas cerimônias tornaram-se cada vez menos eficazes, até serem de utilidade quase nula. Entretanto, quando executadas por um homem de conhecimento, exercem a influência desejada. Demais, cada um pode ajudar seus mortos amados enviando-lhes pensamentos de amor e de paz, fazendo votos por seu progresso rápido, atrvés do Kamaloka e de sua libertação dos entraves astrais.

Que nossos mortos nunca sigam solitários seu caminho, sem a assistência da hostes amorosas desses anjos da guarda, que são nossas formas-pensamentos, ajudando-os a avançar para a bem-aventurança.

VER PRÓXIMO CAPÍTULO >>>

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Notas da autora:

(1) Ver Capítulo V: o Devakhan

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Minhas notas:

(a) Kamaloka: região do plano astral onde vivem os desencarnados que ainda não se desembaraçaram de sua natureza animal. Ficam aí retidos até a desagregação de seu corpo astral inferior.

(b) é preciso ressalvar que a "Nova Jerusalém" não é mencionada em nenhum dos ensinamentos do Cristo. Na ocasião em que a obra foi escrita, ainda era comum o uso indistinto entre os vocábulos "cristão" e "católico", embora existam mais de uma religião que envergam, entre os seus preceitos, os ensinamentos do Cristo, como o catolicismo, o protestantismo em suas diversas vertentes, o catarismo (extinto) e, a partir do século XIX, o espiritismo.  Talvez a autora tenha pretendido referir-se, mais propriamente ao religioso que tem como dogma ....

(c) Charles Lamb: escritor e crítico inglês que viveu de 1775 a 1834.

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