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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A Sabedoria Antiga - Capítulo 3 - Kamaloka - Parte 03

Capítulo III - Kamaloka - Parte 03

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Passemos a uma região menos sombria. A segunda subdivisão do mundo astral pode ser considerada como a reprodução astral do mundo físico. Com efeito, a matéria desta região predomina na composição não só do corpo astral dos objetos materiais, como também na maioria dos homens. Nenhuma região do astral está mais estreitamente ligada ao mundo físico. A maior parte dos "mortos" demora aqui durante certo tempo e, em grande número, estão aí conscientemente despertados. Não tiveram outras preocupações senão pelas mesquinharias e trivialidades da existência, somente se interessaram por bagatelas; muitos se deixaram  dominar por sua natureza inferior, e morreram com apetites ainda vivos, desejosos de gozos físicos. Como foi este o emprego essencial que deram às suas energias vitais, construíram seu corpo astral com materiais que facilmente respondem aos contatos físicos. Depois da morte, este corpo astral os mantém na vizinhança dos objetos terrestres. Estes homens são, na maioria, descontentes, ambiciosos, irrequietos, variando o sofrimento conforme a intensidade dos desejos que não podem satisfazer. Alguns sofrem, de fato, uma angústia real, e ficam retidos muito tempo antes de esgotarem sua concupiscência terrestre; inúmeros são os que prolongam inutilmente sua estada, procurando comunicar-se com a Terra, para levarem a ela os seus interesses por intermédio dos médiuns, que lhes emprestam um corpo físico, suprindo assim a perda do deles.

Desta região provém em geral a banal tagarelice, muito conhecida dos que frequentam sessões espíritas públicas - palavreado de porteiro e moralidade pouco exigente - elementos femininos, na maior parte. Estas almas, presas à terra, são geralmente de fraca inteligência, e suas comunicações não têm mais interesse (para quem já está convicto da existência da alma após a morte) do que tinha a sua conversação na Terra.

De resto, como aqui embaixo, estes infelizes são tanto mais afirmativos quanto mais ignorantes, e impõem aos seus fiéis como última concepção do mundo invisível o conhecimento que eles mesmos possuem dele (a). Depois da morte como antes:

"Eles confundem o ruído de sua aldeia com os grandes sons do Universo."

É ainda desta região que as pessoas mortas, com alguma preocupação, procuram muitas vezes, comunicar-se com seus amigos a fim de regularem o negócio terrestre que os preocupa. Se não conseguem ser vistas, ou transmitir seus desejos a algum amigo sob a forma de sonho, poderão ocasionar muitas contrariedades por pancadas ou outros barulhos destinados a atraírem a atenção, ou inconscientemente provocados por seus impacientes esforços (b). Neste caso, uma pessoa competente fará um ato de caridade comunicando-se com a entidade angustiada, para saber o que ela deseja. Esta intervenção bastará, às vezes, para livrá-la da inquietação que a impedia de prosseguir o seu caminho.

Nesta região, a alma está sujeita a ter a sua atenção desviada para a Terra, com grande facilidade, embora ela espontaneamente fosse levada a isso.

Este mau serviço lhe é quase sempre feito pelas lamentações apaixonadas e pelo ardente desejo dos amigos que deixou na Terra. As formas-pensamentos geradas por estes sentimentos se juntam em torno da alma e conseguem, muitas vezes, despertá-la do seu sono pacífico. Outras vezes, quando ela é consciente, a sua atenção é violentamente atraída para a Terra, da qual devia afastar-se. É no primeiro caso, sobretudo, que este egoísmo inconsciente dos amigos que ficam faz aos mortos amados tanto mal, que estes mesmos amigos seriam os primeiros a lamentar, se pudessem ter consciência do fato.

(c)

A terceira e a quarta regiões do Kamaloka (d) diferem pouco da segunda e poderiam considerar-se como suas reproduções elétricas. A quarta é mais sutil que a terceira, mas as características gerais das três regiões permanecem as mesmas. Encontramos aqui almas de um tipo um pouco mais elevado; embora presas pelo invólucro formado pela atividade de seus interesses terrestres, a sua atenção dirige-se geralmente para a frente e não para trás.

Desde que não sejam forçadas da terra, passam a outros planos sem demora. No entanto permanecem ainda acessíveis às impressões terrestres, e o interesse cada vez mais fraco que tomam pelos negócios deste mundo pode ser despertado pelos clamores daqui. Um grande número de pessoas instruídas e refletidas que, não obstante, se deixaram absorver pelos cuidados mundanos ficam perfeitamente conscientes nestes planos. Podem ser levadas a comunicar-se por intermédio de médiuns, mas é raro que procurem por si mesmas tal comunicação. Suas palavras têm valor um pouco mais alto que as provenientes da segunda região. Entretanto, não oferecem mais interesse que a conversação delas mesmas em vida. Não é, pois, do Kamaloka que procede a iluminação espiritual.


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Minhas Notas:

(a) Ver, para maior ilustração, o paralelismo entre a descrição dos espírito que habitam esta região do Astral Inferior, com o que se diz nas questões 104 e 105 do "Livro dos Espíritos", de Allan Kardec.
(b) A esse respeito, ver a questão 106 do "Livro dos Espíritos".
(c) Segue aqui um parágrafo que, por alguma circunstância, foi impresso de maneira ininteligível. Apenas para conhecimento, transcrevo-o abaixo:

"Talvez a compreensão destes sofrimentos produzidos sem segunda e poderiam ser consideradas como suas reproduções etéricas a autoridade dos preceitos religiosos que ordenam a submissão à lei divina, e a reprimir uma dor excessiva e revoltada."
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(d) Kamaloka: região do plano astral onde vivem os desencarnados que ainda não se desembaraçaram de sua natureza animal. Ficam aí retidos até a desagregação de seu corpo astral inferior.


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