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sexta-feira, 20 de março de 2015

A Chave de Ouro - "Apocalipse do Profeta Antúlio"

(Do "Apocalipse do Profeta Antúlio de Manha Ethel (1)", em "Moisés, O Vidente do Sinai" - Vol II, por Josefa Rosalía Luque Alvarez/Hilarião de Monte Nebo, 1999, 9a edição. Editora Pensamento. São Paulo)



Chave de Ouro: Denomino assim à vontade do ser inteligente que quer galgar os cumes do desenvolvimento espiritual.

A própria natureza que impulsiona à transformação e ao progresso, leva o ser quase instintivamente e em semi-inconsciência pelas fases dos primeiros graus de seu desenvolvimento intelectual, ou seja, até o ponto de discernir o bom do mau, o melhor do pior, o conveniente para si mesmo e o que lhe é prejudicial. Até aqui é a evolução que chamo "caminho em campo aberto", ou seja, para todo ser que já passou do reino animal ao reino humano. Esses caminhos convergem todos para um mesmo ponto, ao silencioso horto fechado, o "Horto dos Enigmas" como o designa a ciência espiritual conhecida até hoje, em cuja porta costuma permanecer a alma humana anos e séculos se não tem a chave de ouro de uma decidida e valorosa vontade.

Ignora a alma humana o que há por detrás do muro infranqueável que fecha a todos os olhares aquele silencioso "Horto dos Enigmas", e muitas vezes prefere entreter-se nos panoramas externos, pradarias floridas, lagos de cristal nos quais se refletem os céus, pássaros e flores nascendo e morrendo, animais pastando na relva, feras rugindo próximo ou longe, homens disputando entre si o domínio de tudo o que existe, fazendo daquela vida uma busca inquieta de algo que lhes é necessário para sua felicidade e que não encontram em parte alguma. Eles apenas percebem que, de tanto em tanto, as portas de bronze se abrem, e uns poucos e às vezes um só penetra no fechado horto que novamente fecha suas portas atrás dele.

"Por que entram? O que buscam ali? São desequilibrados? São loucos?... São despojos humanos sepultando-se vivos? Nada disso. São inteligências chegadas a esse grau de consciência em que as coisas visíveis deixaram já de interessá-los. Os prazeres dos sentidos e todas as sensações próprias do mundo dos desejos deixaram de ter encantos para eles e, tendo forjado em duro crisol a chave de ouro que é ao mesmo tempo conhecimento e amor, penetram valentemente no horto fechado onde ignoram o que encontram, mas que uma voz íntima, vinda do mais profundo de seu mundo interior, lhes assegura que ali está a felicidade e a paz. Ninguém sai para recebê-lo. Silêncio e mais silêncio.

Uma multidão de pequenos caminhos serpenteiam em todas as direções como faixas que, subindo lentamente, foram bordando hieróglifos nas verdes colinas.

No fundo desse panorama feito todo de silêncio e quietude, a branca e austera silhueta de um santuário que, como um recorte de marfim, se destaca sobre um céu de safira e ametista. Qual desses caminhos o levará mais rapidamente ao templo de marfim?... Porque é fora de dúvida que todos eles devem conduzir para lá, O viajante raciocina, pensa, soluça e geme nessa solidão.

Durante sua travessia pelos caminhos em campo aberto ele sentiu muitas vezes labaredas de amor dos grandes seres que lhe pareceram como gigantes comparados com sua pequenez. Era um filósofo, um orador, um grande músico, um poeta inspirado, um pintor famoso, um filantropo enamorado da humanidade, um apóstolo que empurrava multidões em busca do seu progresso e do seu bem-estar.

Ele pensa com amor em algum deles, naquele que mais profundamente vive no mundo de suas recordações. À medida que intensifica seu pensamento, de seu coração flui, como uma fibra de luz, o anelo, o rogo, o amor daquele que necessita auxílio, proteção e ajuda. Na luminosa distância plena de calma e serenidade, ele vê desenhar-se a silhueta transparente e sutil do grande ser de avançada inteligência no qual pensou tão profunda e sentidamente. Ele vê que se aproxima como um astro que segue uma órbita marcada de antemão. Aproxima-se mais, à medida que intensifica sua clamorosa aspiração. Crê sentir que lhe diz:

"-Sou aquele que amas, e porque me amas venho a ti."

Vai prostrar-se para oferecer-lhe sua adoração. E ouve outra vez a íntima voz sem ruído:

"-Não sou Deus, mas uma emanação de Deus sobre ti. Não sou Eu mesmo em toda a realidade da minha atual existência em planos muito mais acima do éter que te envolve. Sou unicamente uma imagem astral criada pelo teu amor e vivificada pelo meu amor que responde ao teu amor. Sou, pois, uma criação tua e minha que perdurará por tanto tempo em teu mundo mental e emotivo como perdurará o teu amor por mim e teu desejo de engrandecer-te e purificar-te seguindo minhas pegadas. Minha personalidade real verás algum dia, mas isso será quando tiveres corrido tanto para cima que possas ensaiar vôos até a morada que a eterna lei me deu por habitação. Agora, ouve-me e escolhe o teu caminho:

A finalidade suprema de toda criatura é chegar até o Criador.

A ciência é um resplendor de Sua infinita sabedoria e, por meio dela, podes aproximar-te d'Ele, se conseguires encontrar entre as sombras de penosas investigações as pegadas radiantes da divindade.

As artes são reflexos da eterna beleza lançados na imensidão da qual podes chegar seguindo aqueles resplendores.

A filantropia ou amor a teus semelhantes é o caminho mais curto, mas é também o mais doloroso.

Poderás avançar por um durante um tempo. Poderás avançar por outro durante épocas mais ou menos longas. Poderás cair muitas vezes abatido pela fadiga ou acovardado pelas dificuldades. Caído e semi-sepultado no lodo do caminho, podes permanecer durante muito tempo. A única coisa que não podes fazer é voltar atrás. A Chave de Ouro que abriu a porta para dar-te passagem ao horto fechado, não abre mais de dentro para fora. Escolhe, pois."

O viajante, cheio de confiança na imagem viva e radiante que leva em seu mundo interior, diz:

"-Quero fazer como fizestes."

Nesse instante a imagem se desvanece diante dele como uma tênue nuvem de ouro e rubi que o vento dissolve em diminutas partículas. Então, vê desenvolver-se nele um novo mistério: sente que foi convertido em dois homens em vez de um. Um é o que permanece dentro do horto fechado para beber a água clara das fontes divinas; e o outro é o que se debate entre as multidões para ensinar-lhes a forjar também a chave de outro que lhes dê acesso ao horto fechado de suas delícias. Seu Ego, seu Eu Superior, despertou plenamente para a consciência do poder e da grandeza a que está destinado e estendeu para seu filho terrestre, o seu Eu Inferior, não já um fio de luz que apenas mantém a união, mas um poderoso braço de fogo divino que seja capaz de mantê-lo em suspenso, com a mente submersa no éter dourado do horto dos enigmas, e com seus olhos percorrendo os caminhos do campo aberto para sentir as ansiedades, dores, extravios e desvios da inconsciente multidão em benefício de cuja redenção quis consagrar a metade de si mesmo.

O homem começa então sua vida semelhante às estrelas que, encontrando-se em grande altura, seguindo sem desvio suas órbitas marcadas a fogo nos abismos siderais, iluminam, não obstante, a vida dos homens e imprimem suas influências astrais poderosas no desenvolvimento das humanidades em geral e dos indivíduos em particular, e isso sem que a maioria deles suspeite sequer que aqueles distantes pontos de luz são cooperadores da eterna lei na obra estupenda da evolução e da perfeita harmonia universal, tanto nas mais ínfimas como nas mais excelsas criações.

Os astros e as almas assemelham-se, em seus começos, como as centelhas de luz emanadas da Eterna Energia em permanente atividade assemelham-se, em seu crescimento, em sua plenitude, em suas longas vidas de solidariedade aos grandes e pequenos globos de cada sistema. No entanto, assombra pensar que as almas têm uma superioridade muito mais excelsa que os astros mais radiantes. Vidas milenares de imensas épocas vivem as esferas que giram no espaço azul; entretanto, elas chegam um dia à decrepitude; sua luz se apaga como um ser que morre, desintegra-se em moléculas que voam no éter até que as grandes inteligências criadoras as arrastam numa nova voragem de correntes poderosíssimas para somá-las a uma nova nebulosa que acabam de esboçar como um bosquejo gigantesco nos abismos ainda vazios do insondável infinito.

São, pois, as almas chegadas à sua plenitude mais perfeita, que criam as nebulosas, universos e astros. Mas os astros não criam almas, das quais são simples moradas temporárias para seu eterno caminho até se refundirem na divindade.

Os globos são as moradas físicas das almas encarnadas. Quem é mais apreciável e amado ante o supremo Criador: a morada ou seus habitantes?

Abisma dolorosamente pensar no infinito valor da alma do homem, emanação excelsa de Deus, e o descuido, abandono e até desprezo a que a maioria dos humanos tem relegada essa centelha divina, cujo glorioso e eterno destino bem poucos são os que chegaram a compreender.

Chegado o espírito do homem ao horto fechado dos conhecimentos superiores, começa sua vida de estrela a iluminar os caminhantes.

No entanto, o espírito do homem é uma estrela com capacidade de pensar e amar, com capacidade de elevar-se por sua vontade a infinitas alturas, como é o Eterno, o Altíssimo, o Absoluto, seu fim supremo e único.

Pensar e amar.

Eis aí as duas excelsas qualidades que tornam o espírito do homem superior às estrelas. Eis aí as duas asas poderosas que lhe deu o Eterno para elevar-se até Ele.

"-Homem que podes pensar e amar, fração vivente do eterno pensamento e do amor eterno!...

Como é possível, dize-me, que sejas capaz de arrastar entre o lodo do caminho a branca esposa do infinito que o espera desde toda a eternidade no palácio encantado da luz que não se apaga, do amor que jamais morre?..."

Incentivado por essas meditações, o viajante do horto fechado busca novamente, chama, soluça e geme temeroso de cair vencido na escuridão dos caminhos tão longos!... A lei da solidariedade universal recolhe suas ânsias profundas e é então quando se fortificam, se estreitam e se engrandecem as alianças eternas entre almas que se encontram nos mesmos caminhos, unificadas pelas mesmas ansiedades, irmanadas por idênticas dores.

Da mesma forma que as conjunções dos astros nos abismos siderais produzem acontecimentos favoráveis à evolução dos globos sobre os quais exercem influência mais ou menos poderosas, os encontros ou alianças de almas irmãs nos planos físicos ou espirituais repercutem nas almas que lhes são afins e com as quais devem reunir-se um dia para realizar obras favoráveis à redenção de humanidades.

Para onde quer que o pesquisador dirija seus olhares, encontra-se com a eterna e indestrutível lei da solidariedade universal.

Quanto mais subimos pela escala infinta dos seres inteligentes, mais grandiosas em sublimes manifestações encontraremos dessas alianças eternas que enlaçam as almas num consórcio divino, num desposório místico gerador de obras magníficas, que às vezes tomam os contornos do estupendo e do maravilhoso, segundo seja o grau de evolução dos espíritos que assim se tenham encontrado.

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Minhas notas:

(1) Antúlio de Manha Ethel: sacerdote e profeta da desaparecida Atlântida. O texto narrado acima é parte do "Apocalipse do Profeta Antúlio de Manha Ethel", redigido pelo seu discípulo e notário Hilkar de Talpaken, em idioma tolsteka e mantido no templo de On, na Mauritânia, ao tempo de Moisés.

Um comentário:

  1. Gilberto,
    Haveria tanto a compreender... e eu que sou apenas humana para tudo interiorizar....
    O caminho a encontrar, a consciencialização do percurso a percorrer, e as escolhas que nos constroem e o amor, esse sentimento universal e belo, insubstituível e imutável que deve sempre servir-nos de farol ao risco de perder o rumo...
    Obrigada, caro Amigo, por esta viagem que apenas inicia pois sinto que a re-re-re-leitura desta maravilhoso texto é necessária.
    Abraços!

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