Pesquisar

Se quiser, digite seu e-mail para receber atualizações deste blogue:

Se quiser, digite seu e-mail para receber atualizações:

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A Sabedoria Antiga - Capítulo 2 - O Plano Astral - Parte 01

<<< VER CAPÍTULO ANTERIOR

O plano astral é a região do Universo vizinha do plano físico. Se me permitem empregar neste sentido o termo "vizinho". Nesse plano, a vida é mais plástica do que no plano físico. O espírito-matéria encontra-se aí, por consequência, mais altamente vitalizado e mais sutil que em todos os degraus do mundo físico. Com efeito, segundo já vimos, o último átomo físico, constituindo o éter mais sutil, tem como superfície envoltória inumeráveis agregados da matéria astral mais grosseira. Já disse que o termo "vizinho" é bastante impróprio porque sugere a ideia de que são os planos dos postos em zonas concêntricas, como se o limite de uma zona marcasse o início da zona seguinte (1)

Ora, são antes esferas concêntrica interpenetrantes, separadas entre si, não em posição, mas pela diferença de sua constituição. Assim como o ar penetra a água, assim o éter penetra o sólido mais denso, a matéria astral interpenetra todas as substâncias físicas. O mundo astral está acima de nós, por baixo de nós, em redor de nós e através de nós. Vivemos e nos movemos nele, mas ele é intangível, imperceptível, porque estamos dele separados pela prisão do corpo físico, pois as partículas físicas são muito grosseiras para vibrarem sob a ação da matéria astral.

Neste capítulo vamos estudar o aspecto geral do plano astral, deixando de lado, para considerar isoladamente, as condições especiais que apresenta a vida desse plano, relativamente aos seres humanos que o atravessam quando vão da Terra ao Céu. (2)

O espírito-matéria do plano astral comporta sete subdivisões, análogas à do plano físico que acabamos de estudar. Aqui, como no plano físico, encontram-se inumeráveis combinações formando os sólidos, os líquidos, os gases e os éteres astrais. Mas, nesse plano, a maior parte das formas materiais têm, quando as comparamos com as do nosso mundo, um brilho, uma translucidez que lhe valeram o epíteto de astrais ou estreladas, na verdade epíteto impróprio, mas já consagrado pelo uso, e por isso não o alteramos. Como não existem nomes especiais para as subdivisões do espírito-matéria astral, podemos empregar as designações terrestres. A ideia essencial a compreender é que os objetos astrais são combinações da matéria física, e que os elementos constituintes do mundo astral assemelham--se em grande parte aos da Terra, sendo formados em geral pelos duplos astrais dos objetos físicos.

Uma particularidade, entretanto, embaraça e desconcerta o observador pouco exercitado. Devido, em parte, à translucidez dos objetos astrais, em parte à própria natureza da visão astral (a consciência sente-se menos entrevada na matéria astral sutil que na sua prisão terrestre), todas as coisas são transparentes, tudo é percebido por todos os lados ao mesmo tempo; o interior dum sólido é tão visível como o seu exterior, simultaneamente.

É necessário uma certa dose de experiência para ver corretamente os objetos; e quem desenvolveu a visão astral sem estar ainda exercitado no seu emprego verá tudo completamente invertido, cometendo os maiores disparates.

Uma outra característica notável, que muitas vezes desconcerta o principiante, é a rapidez com que as formas astrais mudam seus contornos, sobretudo quando não estão em relação com nenhuma matriz terrestre.

Uma entidade astral pode modificar seu aspecto completamente com a mais espantosa rapidez, porque a matéria astral toma formas diversas a cada emissão do pensamento, e a vida remodela a cada instante estas formas, para lhes dar novas expressões.

Quando a grande vaga de vida da evolução da forma atravessa de cia a baixo (3) o plano astral, constituindo nesse plano o terceiro reino elemental, a Mônada atrai em torno de si combinações de matéria astral, e dá a estas combinações (conhecidas pelo nome de essência elemental) uma vitalidade particular, e a propriedade característica de tomar forma instantaneamente, sob a impulsão das vibrações mentais. Essa essência elemental forma inúmeras variedades em cada subdivisão do plano astral. Pode-se fazer dela uma ideia supondo que o ar se tenha tornado visível (fenômeno que os grandes calores conseguem produzir, tornando a atmosfera perceptível sob a forma de ondas vibrantes) e que nos apareça animado dum movimento ondulatório contínuo, revestido de cores cambiantes como as da madrepérola. Esta vasta atmosfera de essência elemental responde continuamente às vibrações do pensamento, do sentimento e do desejo.

As formas aí surgem sob a impulsão destas forças como as bolhas na água fervente.

A duração da forma assim gerada depende da força de impulsão inicial que lhe deu nascimento; a perfeição dos seus contornos depende da precisão do pensamento; e sua coloração varia segundo a qualidade do pensamento (intelectual, devocional, passional, etc.)

Os pensamentos vagos e sem consciência que as inteligências pouco desenvolvidas geram a cada instante se reúnem em torno delas como nuvens difusas de essência elemental, quando atingem o mundo astral. Aí vagam sem direção, atraídos ora para aqui, ora para lá, por outras nuvens de natureza análoga, aderindo ao corpo astral das pessoas cujo magnetismo, bom ou mau, as atrai; finalmente se dissolvem após certo tempo, para voltar novamente à grande atmosfera de essência elemental. Enquanto conservam sua existência separada, são entidades vivas, tendo como corpo a essência elemental, e como vida animadora, um pensamento. Dá-se-lhe então o nome de "elementais artificiais" ou "formas-pensamento".

Os pensamentos claros e precisos têm formas definidas, de contornos firmes, e seu aspecto pode variar ao infinito.

Estas formas são modeladas pelas vibrações do pensamento duma maneira análoga às figuras que encontramos no plano físico e que são determinadas pelas vibrações do som, As "figuras vocais" oferecem uma grande analogia entre si, porque a natureza, não obstante a sua infinita variedade, é, no tocante a princípios, verdadeiramente econômica; e reproduz os mesmos processos operatórios sobre todos os planos sucessivos do seu império.

Estes elementos artificiais, nitidamente delimitados, têm vida mais longa e mais ativa que seus irmãos nebulosos, e exercem uma ação muito mais poderosa sobre o corpo astral (e, através deste, sobre o mental) daqueles para os quais são atraídos. Pelo seu contato despertam vibrações similares às suas, e os pensamentos se transmitem assim de inteligência a inteligência, sem nenhuma necessidade de expressão física. Ainda mais, podem ser dirigidos pelo pensador para a pessoa a quem ele deseja atingir e a intensidade deles depende da força de vontade e da energia mental do pensador.

Nos homens de médio desenvolvimento, os elementais artificiais criados pelo sentimento ou pelo desejo são mais vigorosos e mais nítidos que os criados pelo pensamento. Assim, uma explosão de cólera dá uma poderosa fulguração vermelha, de perfeita conformação, e uma cólera mantida, alimentada durante muito tempo, cria um perigoso elemental vermelho pontiagudo, pronto a fazer o mal. O amor, conforme sua qualidade, determina formas mais ou menos admiráveis, quanto à coloração e quanto ao desenho, podendo afetar todos os tons desde o carmim até os matizes mais delicados e mais doces do rosa, semelhantes aos pálidos fulgores de um crepúsculo ou da aurora, nuvens confusas de formas protetoras, ternas e fortes. Muitas vezes as preces amorosas de uma mãe vão pairar, como formas angelicais em redor de seu filho, desviando dele as influências perniciosas que os próprios pensamentos possam atrair sobre ele.

Um traço característico destes elementais é que, dirigidos pela vontade para uma certa pessoa, vão animados pelo natural impulso de executar a vontade de seu criador. Um elemental protetor esvoaça em torno de seu objeto, procurando todas as ocasiões de desviar o mal e atrair o bem. Na sua natural inconsciência, segue maquinalmente a impulsão da vontade que o produziu como se aí encontrasse uma linha de menor resistência.

Assim também um elemental animado por um pensamento maligno irá corvejar em torno da vítima, procurando a ocasião favorável para prejudicá-la. Mas nenhum deles produzirá a necessária impressão se, no corpo astral da pessoa para quem se dirigem, não houver elementos suscetíveis de vibrar em ressonância com eles, permitindo assim que se fixem. Se nessa pessoa não encontram matéria análoga à sua, então, por uma lei de sua própria natureza, recuam e voltam ao longo da trajetória já percorrida seguindo o traço magnético que deixaram atrás de si, e lançam-se sobre o seu próprio criador com uma força proporcional à de sua projeção.

Conhecem-se casos em que o pensamento de ódio mortal, não podendo atingir aquele para quem era dirigido, causou a morte do homem que o emitiu. Em compensação, pensamentos de bondade dirigidos a uma pessoa indigna recame como uma bênção sobre o ser que os produziu.

A compreensão, embora rudimentar, do mundo astral agirá como um poderoso estimulante dos bons pensamentos. Desperta em nós o sentimento de pesada responsabilidade com relação aos pensamentos, às emoções e aos desejos que pomos em liberdade nessa região.

Inúmeros são os animais ferozes, as aves de rapina que despedaçam e devoram, encontrados entre os pensamentos com os quais o homem povoa o plano astral. Mas ele peca por ignorância, não sabendo o que faz. Um dos fins a que se propõe o ensinamento teosófico, ao levantar parcialmente o véu dos mundos ignorados, é dar aos homens uma base mais firme à sua conduta, uma apreciação mais racional das causas cujos efeitos somente são visíveis no mundo terrestre. Destas doutrinas poucas são mais importantes, em seu alcance moral, do que a doutrina da criação e direção das formas-pensamentos, ou elementais-artificiais. Por ela o homem fica sabendo que aquilo que ele pensa não lhe pertence exclusivamente, que seus pensamentos não o afetam somente, mas que, a cada instante em sua vida, põe em liberdade, na atmosfera humana, anjos ou demônios por cuja criação é o único responsável, e cuja influência será levada em conta. É útil, pois, que os homens conheçam a lei e procurem dominar seus pensamentos.

Se, em vez de considerar os elementais-artificiais separadamente, os tomarmos em seu conjunto, facilmente compreenderemos a ação colossal que eles exercem na produção dos sentimentos nacionalistas e racistas, por consequência na formação de preconceitos, prevenções e fanatismos. Todos nós vivemos em uma atmosfera em que pululam elementais que vivem e se agitam, animados por certas ideias. Os preconceitos nacionais, a maneira nacional de considerar todas as coisas, os tipos de sentimento ou pensamentos nacionais, tudo isso exerce ações sobre nós, desde o nosso nascimento e mesmo antes.

É através dessa atmosfera que vemos tudo, sendo cada pensamento mais ou menos retratado por ela; e o nosso próprio corpo astral vibra de acordo com tal ambiente. Daí se conclui que a mesma ideia será apreciada de maneiras diferentes por um hindu, um inglês, um espanhol e um russo.

Concepções fáceis para um serão quase inabordáveis para outro. Todos nós somos dominados por essa atmosfera nacional; isto é, por esta porção do mundo astral que nos envolve a todos os momentos. Os pensamentos dos outros fundidos todos no mesmo molde agem sobre nós, despertando em nós vibrações sincrônicas. Reforçam os pontos sobre os quais estamos de acordo com o meio, e aplainam as divergências.

Esta influência contínua, que sofremos por intermédio do nosso corpo astral, imprime em cada um de nós o cunho nacional e canaliza as nossas energias mentais para pontos determinados. Dia e noite estas correntes influem sobre nós, e a própria inconsciência em que nos achamos de sua ação ainda as torna mais enérgicas. Como geralmente a maior parte das pessoas têm naturalmente mais receptividade do que iniciativa, reproduzem quase automaticamente os pensamentos que as atingem. Assim, a atmosfera nacional é incessantemente alimentada e reforçada.

Quando o homem começa a tornar-se sensível às influências astrais, acontece às vezes sentir-se oprimido, dominado por um terror inteiramente inexplicável e aparentemente irracional que vem chocar-se contra ele com uma força capaz de paralisá-lo. Toda a resistência contra isso é vã, embora ele muitas vezes se revolte. Penso que a maioria dos homens deve experimentar este temor indefinível, este mal-estar, à aproximação e um invisível "não sei o que tenho", sentimento duma presença misteriosa.

Este sentimento procede, em parte, duma hostilidade que anima o mundo elemental contra a raça humana, hostilidade devida à reação no astral às forças destrutivas postas em jogo pela humanidade no mundo físico. Mas ainda se pode atribuir isto à presença de multidões de elementais-artificiais de natureza hostil, produzidos pelo pensamento humano. Os pensamentos de ódio, de inveja, de vingança, de pesar, de suspeita são produzidos aos milhões, de modo que no plano astral pululam elementais-artificiais animados por tais sentimentos. Quanta desconfiança vaga, cruéis suspeitas não são aí adquiridas, veneno sutil que o ignorante vomita a cada instante contra todos, cujo aspecto e maneiras têm para ele algo de estranho e pouco familiar. A estúpida desconfiança alimentada para com todos os estrangeiros, o desprezo impertinente que em muitas localidades se dirige contra os habitantes do distrito vizinho, tudo isso contribui ainda mais para as nocivas influências do mundo astral. Produzindo noite e dia tais pensamentos, criamos no mundo astral legiões hostis; e a própria repercussão em nosso corpo astral gera este sentimento de terror vago, resultado das vibrações antagônicas que sentimos sem compreender.

VER PRÓXIMO CAPÍTULO >>>

===========================
Notas da editora:

(1) Para bem compreender esta passagem, o leitor deve pensar nas esferas concêntricas, física, astral e mental, que constituem cada um dos globos do nosso sistema, compreendendo a Terra.

(2) Devakhan, o estado feliz ou radiante é o nome que designa o Céu na linguagem teosófica. Kamaloka, lugar do desejo, serve para designar as condições da vida intermediária no plano astral. (ver capítulo III)

(3) Isto é, não evolui para o plano físico no arco descendente da curva da evolução.




Nenhum comentário:

Postar um comentário