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domingo, 29 de junho de 2014

A Sabedoria Antiga - Introdução - Parte 10 - Cristianismo

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Passando à religião cristã, contemporânea dos sistemas gnóstico e neoplatônico, poderemos sem muita dificuldade encontrar nela a maior parte dos ensinamentos fundamentais, com os quais agora devemos nos familiarizar.

O tríplice Logos aparece como a Trindade. O primeiro Logos, fonte de toda a vida, é o Pai. O segundo Logos, dualístico, é o Filho, o Deus-Homem. O terceiro, a Inteligência criadora, é o Espírito Santo, que ao se mover sobre as águas do caos trouxe os mundos à existência. Depois vêm "os sete Espíritos de Deus" (1) e as cortes dos arcanjos e dos anjo. Pouco se fala da Existência Una, donde tudo procede e para onde tudo volta, cuja Natureza nenhum esforço pode descobrir. Mas os grandes doutores da Igreja Católica falam sempre da insondável Divindade, incompreensível, infinita, e por consequência Una e indivisível. O homem foi feito "à imagem de Deus"(2). Ele é, portanto, de natureza tríplice: espírito, alma e corpo (3). Ele é a morada de Deus (4), o templo de Deus (5) ou do Espírito Santo (6) - frases que são o eco fiel do ensinamento hinduísta. No Novo Testamento a doutrina da reencarnação está antes tacitamente admitida do que claramente ensinada. Assim Jesus, falando de São João Batista, declara que ele é Elias "que devia vir" (7), fazendo alusão às palavras de Malaquias: "Eu vos enviarei Elias, o profeta (8)". E mais longe, a uma pergunta sobre a vida de Elias que devia preceder à do Messias, responde: "Elias já veio e não foi reconhecido. (9)"

Vemos os discípulos admitirem implicitamente ainda uma vez a reencarnação quando perguntaram se é em punição de seus pecados que um homem nasce cego. Jesus, em sua resposta, não rejeita a possibilidade mesmo do pecado pré-natal.

Contenta-se de afastá-la como não sendo a causa da cegueira no caso particular considerado (10). A frase tão notável do apocalipse (II, 12); "Aquele que for vencedor, eu o farei uma coluna do templo de meu Deus, donde não mais sairá", foi considerada como significando a libertação da reencarnação. Os escritos de alguns padres da Igreja testemunham claramente em favor duma crença corrente na reencarnação.

Alguns pretendem que eles ensinam unicamente a preexistência da alma; mas esta opinião não me parece corroborada pelos textos.



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Notas da Editora

(1) Apocalipse IV, 5.
(2) Gênesis I, 26, 27.
(3) I. Tess, V. 23.
(4) Efésios II, 22.
(5) I Cor. III, 16.
(6) I Cor. VI, 19.
(7) Mat. XI, 14.
(8) Mal. IV, 5.
(9) Mat. XVII, 12.
(10) Jó IX, 1-13.

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