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domingo, 2 de fevereiro de 2014

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo IV - 14 a 17 - Ninguém Poderá ver o Reino de Deus se não Nascer de Novo


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14. Mas, quando o homem há morrido uma vez, quando seu corpo, separado do seu espírito, foi consumido, que é feito dele? - Tendo morrido uma vez, poderia o homem reviver de novo? Nesta guerra em que me acho todos os dias da minha vida, espero que chegue a minha mutação. (Jó, 14:10 e 14. Tradução de Lemaistre de Sacy.)

Quando o homem morre, perde toda a sua força, expira. Depois, onde está ele? Se o homem morre, viverá de novo? Esperarei todos os dias do meu combate, até que sobrevenha alguma mutação? (idem, Tradução protestante de Osterwald).

Quando o homem está morto, vive sempre; acabando os dias da minha existência terrestre, esperarei, porque a ela voltarei de novo (Idem, Versão da Igreja Grega).

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15. O princípio da pluralidade das existências se acha claramente expresso nessas três versões. Ninguém poderá supor que Jó haja querido falar da regeneração pela água do batismo, que certamente ele não conhecia. "Tendo o homem morrido uma vez, poderia reviver de novo?" A ideia de morrer uma vez, e de reviver, implica a de morrer e reviver muitas vezes. A versão da Igreja grega é ainda mais explícita, se é que isso é possível: "Acabando os dias da minha existência terrestre, esperarei, porque a ela voltarei de novo", isto é, voltarei à existência terrena. Isso é tão claro, como se alguém dissesse: "Saio da minha casa, mas a ela voltarei".

"Nesta guerra em que me encontro todos os dias da minha vida, espero que chegue a minha mutação" Jó, evidentemente, pretendeu referir-se à luta que sustentava contra as misérias da vida. Espera a sua mutação, isto é, resigna-se. Na versão grega, esperarei parece aplicar-se, de preferência, a uma nova existência. "Quando a minha existência estiver acabada, esperarei, porque a ela voltarei." Jó parece colocar-se, após a morte, no intervalo que separa uma existência de outra e diz que lá aguardará o momento de voltar.

16. Não há, pois, razão para duvidar de que, sob o nome de ressurreição, o princípio da reencarnação era uma das crenças fundamentais dos judeus, e que foi confirmado por Jesus e pelos profetas, de maneira formal: donde se segue que negar a reencarnação é renegar as palavras de Cristo. Um dia suas palavras constituirão autoridade sobre esse ponto, bem como em relação a muitos outros, quando forem meditadas sem ideias preconcebidas.

17. Mas, a essa autoridade religiosa vem juntar-se, do ponto de vista filosófico,  a das provas que resultam da observação dos fatos. Quando se quer remontar dos efeitos às causas, a reencarnação aparece como uma necessidade absoluta, como condição inerente à humanidade; numa palavra, como uma lei da Natureza. Pelos seus resultados, ela se evidencia, de modo a bem dizer material, da mesma forma que o motor oculto se revela pelo movimento. Só ela pode dizer ao homem de onde ele vem, para onde vai, por que está na Terra, e justificar todas as anomalias e todas as aparentes injustiças que a vida apresenta. (1)

Sem o princípio da preexistência da alma e da pluralidade das existências, a maioria das máximas do Evangelho são ininteligíveis, razão pela qual deram origem a tantas interpretações contraditórias. Esse princípio é a chave que lhes restituirá o verdadeiro sentido.

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(1) Nota de Allan Kardec: Veja-se, para os desenvolvimentos do dogma da reencarnação "O Livro dos Espíritos", capítulos IV e V; "O que é o Espiritismo?", capítulo II, por Allan Kardec; e "A Pluraridade das Existências", por Pezzani.

(Nota: a palavra "dogma" figura aqui no sentido racional e não fideísta, como "princípio" e não como dogma de fé. O Espiritismo não é dogmático, no sentido religioso da palavra, mas tem princípios fundamentais, que filosoficamente são chamados de dogmas)


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