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sábado, 19 de janeiro de 2013

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo II - 1 a 3 - Meu Reino não é Deste Mundo

1. Tendo Pilatos entrado de novo no palácio e feito vir Jesus à sua presença, perguntou-lhe: És o rei dos judeus? - Respondeu-lhe Jesus: Meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus súditos teriam combatido para impedir que eu caísse nas mãos dos judeus; mas, o meu reino ainda não é aqui.

Disse-lhe então Pilatos: Logo, tu és rei? - Jesus lhe respondeu: Tu o dizes; sou rei; não nasci e não vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade. Aquele que pertence à verdade escuta a minha voz. (S. João. 18:33, 36 e 37.)

A vida futura

2. Por essas palavras, Jesus se refere claramente à vida futura, que Ele apresenta, em todas as circunstâncias, como a meta a que se destina a Humanidade e como devendo constituir objeto das principais preocupações do homem na Terra. Todas as suas máximas se reportam a esse grande princípio. Com efeito, sem a vida futura, a maior parte de seus preceitos de moral não teriam nenhuma razão de ser. Por isso, os que não creem na vida futura, pensando que Ele apenas falava na vida presente, não os compreendem ou os consideram pueris.

Esse dogma pode ser considerado, portando, como o ponto central do ensino do Cristo, razão pela qual está colocado num dos primeiros lugares à frente desta obra, pois deve ser o alvo de todos os homens. Só ele pode justificar as anomalias da vida terrena e harmonizar-se com a justiça de Deus.

3. Os judeus tinham idéias muito imprecisas acerca da vida futura. Acreditavam nos anjos, considerando-os como seres privilegiados da Criação; não sabiam, porém, que os homens podem um dia tornar-se anjos e partilhar da felicidade angélica. Segundo eles, a observância das leis de Deus era recompensada com os bens terrenos, a supremacia de sua nação e com as vitórias sobre os seus inimigos. As calamidades públicas e as derrotas eram o castigo da desobediência àquelas leis. Moisés não pudera dizer mais do que isso a um povo pastor e ignorante, que  precisava ser tocado, antes de tudo, pelas coisas deste mundo. Mais tarde, Jesus viria lhes revelar que existe outro mundo onde a justiça de Deus segue o seu curso. É esse o mundo que Ele promete aos que cumprem os mandamentos de Deus e onde os bons acharão sua recompensa. Esse mundo é o seu reino; lá Ele se encontra em toda a sua glória e para lá voltaria quando deixasse a Terra.

Jesus, porém, conformando seu ensino com o estado dos homens de sua época, não julgou conveniente dar-lhes luz completa, que os deslumbraria sem os esclarecer, pois não a compreenderiam. Limitou-se, de algum modo, a apresentar a vida futura apenas como um princípio, como uma lei da Natureza, da qual ninguém pode escapar. Todo cristão, pois, crê necessariamente na vida futura; mas, a idéia que muitos fazem dela é ainda vaga, incompleta e, por isso mesmo, falsa em diversos pontos. Para grande número de pessoas, é apenas uma crença, sem nenhuma certeza absoluta; daí as dúvidas e mesmo a incredulidade.

O Espiritismo veio completar, nesse ponto, como em vários outros, o ensino do Cristo, quando os homens se mostraram bastante maduros para compreender a verdade. Com o Espiritismo, a vida futura não é mais um simples artigo de fé, uma hipótese; torna-se uma realidade material demonstrada pelos fatos, pois são as testemunhas oculares que a descrevem em todas as suas fases e em todas as suas peripécias, de sorte que não somente a dúvida não é mais possível, como a inteligência mais vulgar é capaz de imaginá-la sob seu verdadeiro aspecto, como imagina um país quando lê a sua descrição detalhada. Ora, a descrição da vida futura é de tal forma circunstanciada, as condições da existência feliz ou infeliz dos que nela se encontram são tão racionais, que cada um aqui é obrigado a reconhecer que não pode ser de outro modo, e que ela representa realmente a justiça de Deus.

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