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sábado, 19 de janeiro de 2013

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo I - 11 - Não Vim Destruir a Lei


11. Santo Agostinho é um dos maiores vulgarizadores do Espiritismo. Manifesta-se quase por toda parte, e encontramos a razão disso na vida desse grande filósofo cristão. Ele pertence à vigorosa falange dos Pais da Igreja, aos quais a cristandade deve os seus mais sólidos alicerces. Como vários outros, foi arrancado ao paganismo, ou melhor, à impiedade mais profunda, pelo fulgor da verdade. Quando, entregue aos maiores excessos, sentiu na sua alma aquela estranha vibração que o fez voltar a si e compreender que a felicidade não estava alhures, nem nos prazeres enervantes e fugidios; quando, afinal, no seu caminho de Damasco, ele também ouviu a santa voz que lhe clamava: "Saulo, Saulo, por que me persegues?" exclamou: "Meu Deus" meu Deus" perdoai-me, eu creio, sou cristão!" E desde então se tornou um dos mais firmes sustentáculos do Evangelho. Podemos ler, nas notáveis confissões que esse eminente Espírito nos deixou, as palavras ao mesmo tempo características e proféticas que pronunciou após ter perdido Santa Mônica: Estou convencido de que minha mãe virá visitar-me e me dar conselhos, revelando-me o que nos espera na vida futura. Que ensinamento nessas palavras e que brilhante previsão da futura doutrina! É por isso que, hoje, vendo chegada a hora da divulgação da verdade que ele outrora já havia pressentido, se constituiu seu ardoroso propagador e, por assim dizer, se multiplica para responder a todos os que o chamam. - Erasto, discípulo de São Paulo. (Paris, 1863.)

Nota - Será que Santo Agostinho vem demolir o que edificou? Certamente que não; mas, como tantos outros, ele vê com os olhos do espírito o que não via como homem. Sua alma, desprendida, entrevê novas claridades; compreende o que antes não compreendia. Novas idéias lhe revelam o verdadeiro sentido de certas palavras. Na Terra, julgava as coisas de acordo com os conhecimentos que possuía, mas, quando uma nova luz brilhou para ele, pôde apreciá-las mais judiciosamente. Por isso teve de abandonar a crença que alimentara, nos Espíritos íncubos e súcubos, e o anátema que havia lançado contra a teoria dos antípodas. Agora que o Cristianismo lhe aparece em toda a sua pureza, pode ele, sobre alguns pontos, pensar de modo diverso do que pensa quando vivo, sem deixar de ser um apóstolo cristão. Pode, sem renegar sua fé, fazer-se o propagador do Espiritismo, porque nele vê o cumprimento do que fora predito. Proclamando-o hoje, nada mais faz do que conduzir-nos a uma interpretação mais acertada e lógica dos textos. Dá-se o mesmo com outros Espiritos que se encontram em posição semelhante.


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