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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Capítulo XVII, 3 - Sede Perfeitos

O homem de bem

3. O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, perguntará a si mesmo se não violou essa lei, se não prticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo que gostaria que lhe fizessem.

Tem fé em Deus, em sua bondade, na sua justiça e em sua sabedoria. Sabe que nada acontece sem a sua permissão e se submete à sua vontade em todas as coisas.

Tem fé no futuro, razão pela qual coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.

Sabe que todas as vicissitudes da ida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar.

Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte e sacrifica sempre seus interesses pela justiça.

Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, em fazer felizes os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Seu primeiro impulso é para pensar nos outros, antes de pensar em sí, é para cuidar do interesse dos outros antes do seu próprio interesse, contrariament ao egoísta, que calcula os proventos e as perdas de toda ação generosa.

É bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus.

Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que não pensam como ele.

Em todas as circunstâncias a caridade é o seu guia, pois está ciente de que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever de amor ao próximo e não merece a clemência do Senhor.

Não tem ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas, não se lembrando senão dos benefícios, por saber que lhe será perdoado conforme houver perdoado.

É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgência e se recorda destas palavras do Cristo: "Atire-lhe a primeira pedra aquele que estiver sem pecado".

Não se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem em evidenciá-los. Se a necessidade a isso o obriga, procura sempre o bem que possa atenuar o mal.

Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Emprega todos os esforços para poder dizer, no dia seguinte, que traz em si alguma coisa melhor do que na véspera.

Não procura dar valor ao seu espírito, enm aos seus talentos, à custa de outrem: ao contrário, aproveita todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso aos outros.

Nã se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais, por saber que tudo o que lhe foi dado pode ser-lhe tirado.

Usa, mas não abusa, dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o emprego mais prejudicial que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas paixões.

Se a ordem social colocou homens sob a sua dependência, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram.

O subordinado, de sua parte, compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente. (Cap. XVII, item 9.)

Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que as leis da Natureza dão aos seus semelhantes, como gostaria que respeitassem os seus.

Não ficam assim enumeradas todas as qualidades que distinguem o homem de bem; mas, aquele que se esforce por possuir as que acabamos de mencionar, já se acha no caminho que conduz a todas as demais.

14/08/2012, às 15:15 h., horário do café, após breve oração em que pedi capacidade para compreender o que estava lendo.



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