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quarta-feira, 6 de junho de 2012

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo XVII - 4 - Sede Perfeitos

Os bons espíritas

4. Bem compreendido, mas sobretudo, bem sentido, o Espiritismo conduz forçosamente aos resultados acima expostos, que caracterizam o verdadeiro espírita como o verdadeiro cristão, pois que ambos são a mesma coisa. O Espiritismo não cria nenhuma moral nova; apenas facilita aos homens a compreensão e a prática da moral do Cristo, facultando uma fé inabalável e esclarecida aos que duvidam ou vacilam.

Muitos, entretanto, dos que acreditam nos fatos das manifestações, não compreendem as suas conseqüências, nem o seu alcance moral, ou, se os compreendem, não os aplicam a si mesmos. A que se deve isso? A alguma falta de clareza da Doutrina? Não, visto que ela não contém alegorias nem figuras que possam dar lugar a falsas interpretações. A clareza é da sua própria essência e é isso que constitui a sua força, porque vai direto à inteligência. Nada tem de misteriosa e seus iniciados não se acham de posse de nenhum segredo oculto ao vulgo.

Será então preciso, para compreendê-la, uma inteligência fora do comum? Não, porque se vêem homens de notória capacidade que não a compreendem, ao passo que inteligências vulgares, moços mesmo, mal saídos da adolescência, lhes apreendem, com admirável precisão, os mais delicados matizes. Isso resulta de que a parte por assim dizer material da ciência requer somente olhos que observem, enquanto a parte essencial exige um certo grau de sensibilidade, a que se pode chamar de maturidade do senso moral, maturidade que independe da idade e do grau de instrução, porque é inerente ao desenvolvimento, em sentido especial, do Espírito encarnado.

Em algumas pessoas, os laços da matéria são ainda bastante tenazes para permitirem que o Espírito se desprenda das coisas da Terra: o nevoeiro que os envolve tira-lhes toda a visão do infinito, razão pela qual eles não rompem facilmente com os seus gostos, nem com seus hábitos, não compreendendo que haja qualquer coisa melhor do que aquilo de que são dotados. Para eles, a crença nos Espíritos é um simples fato, mas que pouco ou nada lhes modifica as tendências instintivas. Numa palavra, não percebem mais que um raio de luz, insuficiente para guiá-los e lhes facultar uma vigorosa aspiração, capaz de vencer as suas inclinações. Prendem-se mais aos fenômenos do que à moral, que lhes parece banal e monótona. Pedem incessantemente aos Espíritos que os iniciem em novos mistérios, sem procurar saber se já se tornaram dignos de penetrar os segredos do Criador. São os espíritas, imperfeitos, alguns dos quais ficam a meio caminho ou se afastam de seus irmãos em crença, porque recuam diante da obrigação de se reformar, ou então guardam as suas simpatias para os que compartilham de suas fraquezas ou de suas prevenções. Entretanto, a aceitação do princípio da Doutrina é um primeiro passo que lhes tornará mais fácil o segundo, em outra existência.

Aquele que pode ser, com razão, qualificado de espírita verdadeiro e sincero, se acha em grau superior de adiantamento moral. O Espírito, que nele domina a matéria de modo mais completo, dá-lhe uma percepção mais clara do futuro: os princípios da Doutrina lhe fazem vibrar as fibras que nos outros se conservam inertes. Numa palavra: é tocado no coração, daí por que é inabalável a sua fé. Um é como o músico, a quem bastam alguns acordes para comover, ao passo que o outro apenas ouve sons. Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más. Enquanto um se contenta com o seu horizonte limitado, outro, que apreende alguma coisa de melhor, se esforça por desligar-se dele e sempre o consegue, desde que tenha firme vontade.


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