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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo V - 20 - Bem-aventurados os Aflitos


A felicidade não é deste mundo


20. Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim! exclama geralmente o homem em todas as posições sociais. Isso, meus caros filhos, prova, melhor do que todos os raciocínios possíveis, a verdade desta máxima do Eclesiastes: "A felicidade não é deste mundo". Com efeito, nem a riqueza, nem o poder, nem mesmo a juventude em flor são condições essenciais à felicidade. Digo mais: nem mesmo a reunião dessas três condições tão desejadas, porque incessantemente se ouvem, no seio das classes mais privilegiadas, pessoas de todas as idades se queixarem amargamente da situação em que se encontram.

Diante te tal resultado, é inconcebível que as classes laboriosas e militantes invejem com tanta avidez as condições das que parecem favorecidas pela fortuna. Neste mundo, por mais que se faça, cada um tem a sua parte de labor e de miséria, sua cota de sofrimentos e decepções, pelo que é fácil chegar-se à conclusão de que a Terra é um lugar de provas e de expiações.

Assim, pois, os que pregam que a Terra é a única morada do homem e que somente nela e numa só existência lhe é permitido alcançar o mais alto grau das felicidades que a sua natureza comporta, iludem-se e enganam os que os escutam, considerando-se que está demonstrado, por experiência multissecular, que só excepcionalmente este globo apresenta as condições necessárias à completa felicidade do indivíduo.

Em tese geral, pode-se afirmar que a felicidade é uma utopia a cuja conquista as gerações se lançam sucessivamente, sem jamais conseguirem alcançá-la. Se o homem ajuizado é uma raridade neste mundo, o homem absolutamente feliz jamais foi encontrado.

Aquilo em que consiste a felicidade na Terra é coisa tão efêmera para aquele que não se deixa guiar pela ponderação, que, por um ano, um mês, uma semana de satisfação completa, todo o resto da existência é uma série de amarguras e decepções. E notai, meus caros filhos, que falo dos felizes da Terra, dos que são invejados pela multidão.

Conseqüentemente, se a morada terrena se distingue por ser um local de provas e de expiações, há que se admitir a existência, em algum lugar, de moradas mais favorecidas, onde o Espírito do homem, embora ainda aprisionado num corpo de carne, desfruta dos prazeres inerentes à vida humana em toda a sua plenitude. É por isso que Deus semeou, no vosso turbilhão, esses belos planetas superiores, para os quais os vossos esforços e as vossas tendências vos farão gravitar um dia, quando estiverdes suficientemente purificados e aperfeiçoados.

Todavia, não deduzais das minhas palavras que a Terra esteja destinada para sempre a ser uma penitenciária. Não, certamente! Dos progressos realizados podeis facilmente deduzir os progressos futuros e, dos melhoramentos sociais conquistados,novos e mais fecundos melhoramentos. Essa é a tarefa imensa que será realizada pela nova doutrina que os Espíritos vos revelaram.

Assim, pois, meus queridos filhos, que uma santa emulação vos anime e cada um de vós se despoje do homem velho. Consagrai-vos todos à propagação do Espiritismo que já deu início à vossa própria regeneração. É um dever fazer que os vossos irmãos participem dos raios dessa luz sagrada. Mãos, pois, à obra, meus queridos filhos! Que nesta reunião solene todos os vossos corações aspirem a esse grandioso objetivo de preparar para as futuras gerações um mundo em que a felicidade não seja mais palavra vã. - François-Nicola-Madeleine, cardeal Morlot. (Paris, 1863.)


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