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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo V - 11 - Bem-aventurados os Aflitos

Esquecimento do Passado



11. É em vão que se objeta que o esquecimento constitui um obstáculo para que se possa aproveitar da experiência de vidas anteriores. Se Deus julgou conveniente lançar um véu sobre o passado, é que isso devia ser útil. Com efeito, essa lembrança traria gravíssimos inconvenientes. Poderia, em certos casos, humilhar-nos excessivamente, ou então, exaltar o nosso orgulho, entravando assim o nosso livre-arbítrio. Em todo caso, provocaria inevitável perturbação nas relações sociais.

Frequentemente, o Espírito renasce no mesmo meio em que já viveu, estabelecendo de novo relações com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes tenha feito. Se reconhecesse nelas as pessoas a quem havia odiado, talvez o ódio despertaria outra vez no seu íntimo. De qualquer modo, ele se sentiria humilhado em presença daqueles a quem tivesse ofendido.

Deus nos deu, para nos melhorarmos, justamente o que nos é necessário e nos basta: a voz da consciência e as tendências instintivas; mas Ele nos tira o que poderia prejudicar-nos.

O homem traz consigo, ao nascer, aquilo que adquiriu; nasce como se fez. Cada existência é, para ele, um novo ponto de partida. Pouco lhe importa saber o que foi antes: se é punido, é porque fez o mal. Suas atuais tendências más, indicam o que lhe resta corrigir em si próprio e é nisso que deve concentrar-se toda a sua atenção, pois, daquilo de que se corrigiu completamente, não restará mais nenhum sinal. As bos resoluções que tomou são a  voz da consciência, que o adverte do que é bem e do que é mal, dando-lhe forças para resistir às tentações.

Além disso, o esquecimento ocorre apenas durante a vida corpórea. Retornando à vida espiritual, o Espírito recobra a lembrança do passado. Trata-se, portanto, apenas de uma interrupção temporária, semelhante à que se dá na vida terrena durante o sono, e que não nos impede de lembrar, no dia seguinte, o que fizemos na véspera e nos dias precedentes.

Não é somente depois da morte que o Espírito recobra a lembrança do passado. Pode-se dizer que jamais a perde, pois a experiência demonstra que, mesmo encarnado, o Espírito goza de certa liberdade durante o sono e tem consciência de seus atos anteriores: sabe por que sofre e que sofre justamente. A lembrança somente se apaga no curso da vida exterior de relação. Mas, na falta de uma recordação exata, que lhe poderia ser penosa e prejudicar suas relações sociais, ele haure novas forças nesses instantes de emancipação da alma, se souber aproveitá-los.

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