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domingo, 12 de junho de 2016

O lado espiritual de certa missa...

(Descrição de uma missa acompanhada, do plano espiritual por André Luiz)
(Do livro Libertação. André Luiz/Chico Xavier. 11a edição. 1984. Federação Espírita Brasileira)


Descendo à porta de elegante santuário, observei estranho espetáculo. A turba de desencarnados, em posição de desequilíbrio, era talvez cinco vezes maior que a assembleia de crentes em carne e osso. Compreendi, logo, que em maior parte ali se achavam com o propósito deliberado de perturbar e iludir.

(...)

Penetramos o templo onde se comprimiam nada menos de sete a oito centenas de pessoas.

A algazarra dos desencarnados ignorantes e perturbadores era de ensurdecer. A atmosfera pesava. A respiração fizera-se difícil pela condensação dos fluidos semicarnais ali reinantes; todavia, ao fixar os altares, confortante surpresa aliviou-me o coração. Dos adornos e objetos do culto emanava doce luz que se espraiava pelos cimos da nave (1) visitada de sol; fazia-se perceptível a nítida linha divisória entre as energias da parte inferior do recinto e as do plano superior. Dividiam-se os fluidos, à maneira de água cristalina e azeite impuro, num grande recipiente.

(...)

Quase todas as pessoas, ainda aquelas que ostentavam nas mãos delicados objetos de culto, revelavam-se mentalmente muito distantes da verdadeira adoração à Divindade. O halo vital de que se cercavam definia, pelas cores, o baixo padrão vibratório a que se acolhiam. Em grande parte, dominavam o pardo-escuro e o cinzento-carregado. Em algumas, os raios rubro-negros denunciavam cólera vingativa que, a nossos olhos, não conseguiriam disfarçar. Entidades desencarnadas, em deplorável situação, espalhavam-se em todos os recantos, nas mesmas características.

Reconheci que os crentes elegantes, ainda mesmo que desejassem orar com sinceridade, precisariam despender imenso esforço.

A liturgia anunciou o início da cerimônia, mas, com grande assombro para mim, o sacerdote e os acólitos (2), não obstante se dirigirem para o campo de luz do altar-mor, envergando soberba vestimenta, jaziam em sombras, sucedendo o mesmo aos assistentes. Entretanto, procedendo de mais alto, três entidades de sublime posição hierárquica se fizeram visíveis à santa mesa, com evidente propósito de ali semearem os benefícios divinos. Magnetizaram as águas expostas, saturando-as e princípios salutares e vitalizantes, como acontece nas sessões de Espiritismo Cristão, e, em seguida, passaram a fluidificar as hóstias (3), transmitindo-lhes energias sagradas à fina contextura.

Admirado, voltei a observar a plateia religiosa, mas os irmãos ignorantes que operavam no templo, sem corpo físico, tanto quanto ocorria aos encarnados, nem de longe registravam a presença dos nobres emissários espirituais que agiam em nome do Infinito Bem.

Reparei, através do halo de muita gente, que determinado número de frequentadores se esforçava por melhorar a atitude mental na oração. Reflexos  arroxeados, tendendo a vacilante brilho, apareciam aqui e acolá; contudo, os malfeitores desencarnados propositadamente se postavam ao pé dos que se candidatavam à fé renovadora e reverente, buscando conturbá-los. Não longe, fixei a atenção numa senhora que acompanhava o sacerdote com o manifesto desejo de receber a bênção celestial; os olhos úmidos e os tênues raios de luz, que se lhe projetavam da mente, diziam da sincera aspiração à vida superior que, naquele instante, lhe banhava o pensamento devoto; entretanto, dois transviados da esfera inferior, percebendo-lhe a atenção e, segundo o que me foi permitido verificar, lhe sugeriam reminiscências de baixo teor, inutilizando-lhe a tentativa.

(...)

Gúbio (4) espraiou o olhar através da multidão que presenciava a cerimônia, aparentemente contrita, e acentuou:

- Em verdade, a missa é um ato religioso tão venerável quanto qualquer outro em que os corações procuram identificar-se com a Proteção Divina; no entanto, raros são aqueles que trazem até aqui o espírito efetivamente inclinado à assimilação do auxílio celestial. E para a formação de semelhante clima interior, cada crente, além do serviço de purificação dos sentimentos, necessitará também combater a influência dispersiva e perturbadora que procede dos companheiros desencarnados que lhe buscam arrefecer o fervor.

(...)

As vozes do coro como que projetavam vibrações harmoniosas e lúcidas ao longo da nave radiosa, e vi, num deslumbramento, que muitos Espíritos sublimes penetraram o recinto, de semblante glorificado, rumando para o altar, onde o celebrante elevava o cálice, depois de abençoar a sagrada partícula (5).

Intensa luminosidade fluía do sacrário, envolvendo todo o material do culto, mas, surpreendido, reparei que o sacerdote, ao erguer a oferta sublime, apagou a luz que a revestia com os raios cinzento-escuros que ele próprio expedia em todas as direções. Logo após, quando se preparou para distribuir o alimento eucarístico (6) entre os onze comungantes (7) que se prosternavam, humildes, à mesa adornada de alvo linho, notei que as hóstias, no prateado recipiente que as custodiava, eram autênticas flores de farinha, coroadas de doce esplendor. Irradiavam luz com tanta força que o magnetismo obscuro das mãos do ministro não conseguia inutilizá-las. Todavia, à frente da boca que se dispunha a receber o pão simbólico, enegreciam como por encanto. Somente uma senhora, ainda jovem, cuja contrição era irrepreensível, recolheu a flor divina com a pureza desejável. Vi a hóstia, qual foco de fluidos luminescentes, atravessar a faringe, alojando-se-lhe a claridade em pleno coração.

Intrigado, procurei ouvir o Instrutor que, muito ponderado, elucidou sem delonga:

- Apreendeste a lição? O celebrante, apesar de consagrado para o culto, é ateu e gozador dos sentidos, sem esforço interior de sublimação própria. A mente dele paira longe do altar. Acha-se sumamente interessado em terminar a cerimônia com brevidade, de modo a não perder uma alegre excursão em perspectiva. Quanto aos que compareceram à mesa da eucaristia (8), cheios de sentimentos rasteiros e sombrios, eles mesmos se incumbem de anular as dádivas celestes, antes que lhes tragam benefícios imerecidos. Temos aqui grande quantidade de crentes titulares (9), mas muito poucos amigos do Cristo e servidores do bem.

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Notas:

(1) Nave: área central de uma igreja, onde se reúnem os fiéis.
(2) Acólito: auxiliar do ministro que celebra o culto religioso, na Igreja Católica.
(3) Hóstia: elemento da liturgia católica; pão consagrado pelo sacerdote ordenado, bispo ou presbítero e distribuído aos fiéis.
(4) Gúbio: nome do instrutor espiritual de André Luiz, durante esta visita ao templo católico.
(5) Partícula: nome dado à Hóstia, antes de consagrada pelo sacerdote.
(6) Alimento eucarístico: hóstia.
(7) Comungante: aquele que participa da comunhão (rito do catolicismo).
(8) Eucaristia: o mesmo que comunhão, rito católico.
(9) Crente titular: aquele que recebe um título de crente perante a sociedade, por exemplo. "católico", "protestante", "evangélico", "espírita", "budista", etc.





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