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domingo, 22 de junho de 2014

Mensagem de Cairbar Schutel

(palavras do Espírito Cairbar Schutel em reunião mediúnica, no Sanatório Espírita de Uberaba, manifestando-se através da médium Dona Modesta Cravo)

"- Meus irmãos, que a paz do Senhor seja conosco. Nas atividades doutrinárias que, agora, desenvolvemos no Mais Além, não poderíamos deixar de estar com os companheiros de ideal que se vinculam a esta casa. Necessitamos, embora os embaraços do caminho, perseverar no cumprimento do dever que abraçamos no Espiritismo, como sendo, em séculos, a nossa melhor oportunidade de redenção... Sigamos conscientes da responsabilidade e não consintamos que os nossos antigos erros novamente nos comprometam, na empreitada a que nos lançamos sob a égide do Cristo. A aplicação da Doutrina em nossas vidas significa não descurarmos das nossas menores obrigações no cotidiano; a finalidade da semente é produzir - não sejamos apenas promessa, mas, sim, realização. Os Espíritos Superiores, que colaboram com o Senhor na obra de evangelização da Humanidade, contam com o nosso diminuto esforço. Não desfrutemos sem saber retribuir... Saibamos corresponder. Quantos se consagram ao intercâmbio com os desencarnados apenas por mera curiosidade ou por simples deleite, sem atinarem para a seriedade do assunto que transcende os interesses de ordem material e extrapola os propósitos de caráter subalterno do homem que vive esquecido de sua própria essência? Quantos incrementam no Espiritismo, mormente no campo da prática mediúnica, comportamentos estranhos e pessoas, como se a Verdade pudesse se adequar ou se submeter aos seus caprichos mesquinhos? Quantos se dizem espíritas, tudo querendo com o corpo filosófico da Doutrina, mas nada querendo com o espírito do Evangelho, que nos conclama a mais do que simplesmente conhecer? A teoria sem ação que a justifique inexiste! O Espiritismo em nós deve ser o Cristo oficiando no santuário da alma. O conhecimento que não liberta é dogma escravizante. A Terceira Revelação necessita muito mais se difundir pelos nossos exemplos do que pela palavra brilhante na tribuna. A palavra, sem o aval do exemplo, sempre haverá de soar sem eco nos ouvidos de quem no-la ouça, desconfiado. Seriedade no Espiritismo, acima de tudo, é compromisso com a consciência e não com aqueles para cujos olhos atuamos no cotidiano: não devemos nos preocupar em fazer para que sejamos vistos, mas para que, com o sábio concurso do tempo, nos vejamos melhor... Muitos fazem pelo aplauso; raros os que fazem por convicção. Não distorçamos a aplicação da Doutrina, quando ela é transparente em seus fundamentos: a renovação alheia não nos deve dizer respeito mais do que a nossa própria renovação. Não nos transformemos em vigilantes da conduta dos outros, adotando uma postura de extrema invigilância para conosco. A rigor, ninguém personifica em si o Espiritismo e, em hipóteses alguma, deve se considerar parâmetro para os demais confrades. Não nos iludamos a tanto... Listemo-nos entre aqueles cujas imperfeições são evidentes. Quanto mais criticamos os semelhantes, mais as nossas próprias mazelas se revelam em seus nítidos contornos; a intenção de quem critica descaridosamente é a de se esconder por detrás do equívoco que aponta... Os bons jamais recriminam. Infelizmente, muitas casas espíritas estão destituídas do espírito do Evangelho - sólidas construções de alvenaria, mas vazias de espiritualidade! Ou nos irmanamos ou estaremos, o tempo todo, ludibriando a nós mesmos. Fujamos a tudo quanto se oponha à simplicidade... O Cristianismo, em sua revivescência, não carece de se modernizar. Para acompanhar o progresso do conhecimento humano, o espírita não necessita tergiversar com Kardec, clamando pela atualização de seus postulados: objetivando o fortalecimento da arvore e a sua melhor produção, ninguém lhe poda as raízes... As bases doutrinárias são inamovíveis no edifício da Codificação! Sem que os nossos sentimentos sejam puros, não nos relacionaremos sem obscuros interesses com os nossos irmãos de ideal: este conceito também se estende ao nosso relacionamento com o Espiritismo. Sem que estejamos imbuídos de propósitos superiores, não nos afinizaremos espiritualmente com a Causa, que desserviremos. A mediunidade não confere sabedoria ao medianeiro. A luz do discernimento há de se produzir na usina da experiência exaurida no suor do trabalho digno.

Nas regiões do Mais Além, já são inúmeros os espíritos atormentados pelo remorso; excessivamente preocupados com os outros, olvidaram a si mesmos na necessidade de se renovarem - foram médiuns e dirigentes sob austera disciplina na fé, mas que, contraditoriamente, não levaram o Espiritismo a sério; não admitiram se descontrair na rigidez comportamental que preconizavam, mas não souberam sorrir nas boas obras. Repartiram o pão, contudo dele não se alimentaram... Narra-nos o Novo Testamento que, no episódio da multiplicação, doze cestos sobraram cheios de pães - um para cada apóstolo, qual se o Cristo quisesse dizer aos amigos que eles também tinham fome e que, inclusive, a sua era ainda maior que a fome da multidão que se aglomerava... A intolerância em matéria de crença religiosa é violência do espírito, tão perniciosa e comprometedora quanto a excessiva flexibilidade moral da criatura consigo mesma. No Movimento Espírita que se esboça e fortalece, tenhamos cautela para que não nos afastemos de nossas origens e não percamos a espontaneidade. Excesso de diretrizes formaliza e descaracteriza a fé. Eis, sem dúvida, o maior desafio para os que, presentemente, se encontram engajados nas tarefas unificacionistas - promover a união sem pretender uniformizar, porquanto, de certa maneira, a sua diversidade é que mantém o Movimento Espírita livre e possibilita a natural expansão da Doutrina, sem que tenha que prestar obediência a órgãos centralizadores. O centro espírita é a célula mais importante do nosso movimento doutrinário e deve ser o desdobramento do próprio lar dos companheiros de ideal que mourejam no corpo físico. As igrejas nascentes do Cristianismo se alicerçaram na intimidade doméstica dos seus primeiros seguidores; quando o centro espírita perde a sua característica de lar, a instituição, embora nobre, se distancia do espírito cristão - e não devemos ter receio alguma de sustentar a tese de que o espírita de hoje é chamado à responsabilidade de que se encontrava investido o cristão de outrora, porquanto a finalidade precípua do Espiritismo é a de reviver o Cristianismo, retomando-o no exato ponto histórico do qual, infelizmente, após três séculos de luta para se impor ao paganismo, ele se afastou. Não repitamos semelhantes equívocos e não contemporizemos  com a intelectualidade do Movimento, companheiros evidentemente de grande cultura e notável capacidade acadêmica, mas faltos de senso espiritual que os levam, inadvertidamente a propor perigosas inovações doutrinárias.

Meus irmãos, nada pior para impedir o avanço de uma idéia do que submetê-la a conceitos dogmáticos, que a impeçam de ser assimilada com facilidade pelo povo a que pretende alcançar. Mantenhamos a simplicidade da Doutrina e que a fraternidade nos inspire. Numa casa espírita, o que foge à aplicação do Evangelho é prática de deve ser abolida ou, no mínimo, revista. O que tem sustentado a propagação do Espiritismo, afora a excelência de seus postulados, são as atividades aparentemente insignificantes:´o passe, a água magnetizada, a prece, o prato de sopa, a visita ao doente... A própria mediunidade, quando não exercida com discernimento, traz mais prejuízos do que lucros para a nossa Causa; na ânsia de obter comunicados com pretensos Espíritos Benfeitores, os médiuns têm extrapolado e criado inúmeros problemas... Quem não se considere apto para o contato com os desencarnados já detentores de alguma luz, não se acanhe de ser útil àqueles de mediana evolução, servindo-lhes de intérpretes nas ditas reuniões de desobsessão; na maioria das vezes, é através do falso comunicado de um espírito que se imagina protetor do médium ou do grupo que o melindre e a desavença se estabelecem... Os grupos mediúnicos que se especializam na lida com os enfermos do Mundo Espiritual dificilmente se comprometem. Por incrível que pareça, o perigo maior relacionado com a obsessão não está no intercâmbio com os que, reconhecidamente, são espíritos sofredores; o perigo justamente está no contato com aquelas entidades às quais se atribui algum esclarecimento... Deixo-lhes o meu fraternal abraço, rogando ao Senhor que continue a fortalecê-los em seus melhores propósitos em nossa Doutrina de Amor e Luz!


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