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segunda-feira, 7 de abril de 2014

A Sabedoria Antiga - Introdução - Parte 06 - Judaísmo

<<< VER CAPÍTULO ANTERIOR

Nos livros santos hebraicos esotéricos, a idéia da Trindade não aparece tão claramente, embora a Dualidade seja aparente e o Deus a que se referem seja obviamente o Logos e não o Uno Imanifestado.

"Eu sou o Senhor e outro não há absolutamente; Eu crio a Luz e formo a obscuridade; Eu faço a paz e crio o mal; sou Eu o Senhor que executa todas as coisas." (Isaías. XVVII, 7)

Filon (a), entretanto, expõe mais claramente a doutrina de Logos, e encontramo-la também no quarto Evangelho:

"No princípio era o Verbo (Logos), e o Verbo estava em Deus e o Verbo era Deus... Todas as coisas foram feitas por Ele e nada que existe foi feito sem Ele." (S. João, I, 1, 3)

Na Cabala (b), a doutrina do Uno, dos Três, dos Sete e das inumeráveis vidas que daí procedem, se encontra claramente ensinado:

"O mais Antigo dos Antigos, o Desconhecido do Desconhecido, tem forma e ao mesmo tempo não tem forma. Ele tem uma forma pela qual o Universo se mantém. Ao mesmo tempo não tem forma, pois que Ele não pode ser condicionado. E quando no princípio Ele revestiu esta forma (Kether (c), a Coroa, o Primeiro Logos), Ele permitiu saírem de si mesmo nove luzes brilhantes (a Sabedoria e a Voz, formando com Kether a Tríade e depois os Sete Sephiroth (d) inferiores). É o Antigo dos Antigos, o Mistério dos Mistérios, o Desconhecido do Desconhecido. Mas apesar desta forma pela qual Ele se faz conhecer, como o Ancião acima de Tudo, como o Ancião dos Anciões, e como o Mais Desconhecido entre o Desconhecido, permanece desconhecido." (Zohar - The Quabbalah, por Issac Myer, pág, 274-275) (e)

Myer mostra que "forma" não é "o Ancião de todos os Anciões, mas é o Ain Soph". (f)

Mais adiante:

"Há no Altíssimo Três Luzes que se fundem numa única; e elas são a base da Torah, e esta abre a porta a todos..."

"Vinde ver o mistério do Verbo! São estes três degraus e cada um existe por si mesmo e, no entanto, todos são UM; Um existe em Três, sendo Ele a força entre Dois, e Dois nutre o Uno, e o Uno mantém todas as coisas, de todos os lados assim o Todo e Uno." (Ibid, 373, 375, 376)

É inútil dizer que os hebreus ensinavam a doutrina da pluralidade dos Deuses: "Quem é semelhante a Ti, ó, Senhor, entre os Deuses?"

Eles consideravam também uma multidão de seres servidores, subordinados, os "Filhos de Deus", os "Anjos do Senhor", as dez "Coortes Angélicas".

Com relação ao princípio do Universo, o Zohar ensina:

"No começo era a Vontade do Rei, anterior a toda existência manifestada por emanação desta Vontade. Ela desenhou e gravou na Luz suprema e deslumbrante do Quadrante (a Tetractys ou Tétrade Sagrada) (g) as formas de todas as coisas que, de ocultas, deviam tornar-se aparentes e manifestadas." (Myer, The Quabbalah, p. 194, 195)

Nada pode existir que não tenha a imanência da Divindade. No que concerne à Reencarnação, é ensinado que a alma está presente na concepção divina, antes de vir à Terra. Se a alma permanecia completamente pura durante suas experiências e provações, escapava aos renascimentos; mas isto parece ter sido apenas uma possibilidade teórica, porque:

"Todas as almas estão submetidas à revolução (metempsicose, álin b'gil gulah) (h), mas os homens não conhecem absolutamente os caminhos do Ser Santo; que Ele seja abençoado! Eles ignoram a maneira pela qual foram julgados em todos os tempos e antes de terem vindo a este mundo, e após o terem deixado." (Ibid, p. 198)

Traços desta doutrina se encontram nas Escrituras esotéricas, tanto hebraicas como cristãs, como por exemplo na crença de Volta de Elias, etc., mais tarde, em sua reaparição na pessoa de João Batista.

VER PRÓXIMO CAPÍTULO >>>

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Minhas notas:

(a) Filon de Alexandria: filósofo grego judeu, que estabelece um teoria sobre o Logos, que tenta conciliar o sentido do Logos (o Verbo) nas escrituras sagradas judaicas com a filosofia helenística.

(b) Cabala é uma escola espiritual ocultista, originária do judaísmo, que entende estarem presentes nos cinco primeiros livros do antigo testamento (Torá), as chaves codificadas enviadas por Deus a Moisés e que encerram os segredos do Universo.

(c) Segundo a Cabala, Ain Soph, de um princípio divino imanifestado, que foge à compreensão humana, emanam dez manifestações que compõem a árvore da vida. A primeira dessas manifestações é denominada Kether, a manifestação primordial da Árvore da Vida, ou o primeiro Logos, de onde todas as outras manifestações do logos derivam.

(d) Sephiroth (plural de sephirath). Segundo a Cabala, cada sephirath é uma das manifestações sucessivas de Ain Soph. Ao todo, dele emanam 10 manifestações: a primeira, Kether, que dá origem à segunda, Chochmah (sabedoria, força e energia) e Binah (a manifestação capaz de conter a energia de Chochmah num universo manifesto. Essa seria a Trindade. A partir de Binah ainda se produzem mais sete emanações.

(e) Zohar: conjunto de livros que contêm comentários sobre a Torah. Esse conjunto de livros encerra importantes fundamentos da Cabala.

(f) Ain Soph: princípio universal imanifesto de onde tudo deriva.

(g) Tetractys ou Tétrade Sagrada: concepção Pitagórica, geométrica, que simboliza através de um triângulo constituído por 10 pontos, a evolução do Universo do imanifesto para o manifesto. A figura abaixo é uma representação da Tetractys.

A figura geométrica de Pitágoras é formada por 4 linhas constituídas por número crescente de pontos: (1 ponto: a mônada; 2 pontos: a díade; 3 pontos: a tríade e 4 pontos: a tétrade).

A tétrade, também entendida, dependendo da tradução do grego, como o próprio número quatro, significaria a Divindade.


(h) metempsicose é um termo de origem grega que se refere à transmigração da alma entre diversos corpos. Há interpretações diferentes sobre o uso desse termo. Indianos, egípcios e outros povos antigos acreditavam na transmigração da alma inclusive do corpo humano para o animal. Já Platão utilizava o termo como referência ao que posteriormente se chamou de "reencarnação", mas não acreditava na hipótese da encarnação de um ser humano em corpo animal. O Espiritismo, doutrina reencarnacionista, afirma que o espírito não regride, apenas evolui. Em sintonia com esse argumento, não aceita a hipótese da reencarnação do espírito humano em corpos físicos de animais.





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