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terça-feira, 24 de setembro de 2013

O Evangelho de Râmakrishna - Capítulo II - Parábola do discípulo e do elefante enfurecido

Estava o Bhagavân (a) em sua habitação, sentado em Seu lugar de costume, sobre a pequena plataforma que havia ao lado de sua cama. Era um domingo e o quarto estava cheio de grande número de devotos. Entre estes se achava um jovem estudante, que só contava dezenove anos de idade, chamado Narendra, o mesmo que, depois, chegou a ser o afamado e célebre Swami Vivekananda. Todos haviam notado já, naquele tempo, que era um sincero e veemente buscador da Verdade e que seu nome se achava acima de todas as preocupações mundanas. Seus olhos brilhavam com uma luz espiritual e suas palavras estavam cheias de poder espiritual.

O Bhagavân estava discorrendo sobre a gente mundana que ridiculariza os que adoram a Deus.

Dirigindo-se especialmente a Narendra, perguntou-lhe:

- Que dizeis, Narendra? Os homens mundanos dirão toda a classe de coisas contra a gente piedosa, porém esta deve agir como o elefante. Quando um elefante passa por um caminho público, os cães correm atrás dele e ladram-lhe; porém o elefante se faz surdo aos latidos e segue o seu caminho. Suponde, filho meu, que a gente fale mal de vós às vossas costas; que pensareis dela?

Narendra: - Olhá´la-ia como a uma malta de cães ladradores.

O Bhagavân riu-se e disse:

- Não, meu amigo, não deveis chegar a tanto. Deveis amar a todos; nenhum é estranho; Deus reside em todos os seres. Sem Ele nada pode existir. Quando Prahlâda realizou a Deus (b), o Senhor lhe disse que Lhe pedisse uma graça. Prahlâda respondeu: "Depois de Te haver eu visto, que outra graça necessito?". O Senhor insistiu novamente no seu pedido. Ele então rogou: "Se tu desejas conceder-me uma graça, perdoa aos que me hão perseguido".

Prahlâda queria dizer que, ao perseguirem a ele, haviam perseguido ao Senhor que reside nele. Sabei que Deus reside em todas as coisas animadas e inanimadas. Por isso, tudo é objeto de adoração, quer sejam homens, animais ou pássaros. Tudo o que podemos fazer é prestar atenção a nós mesmos para nos misturarmos com os homens bons e evitar as más companhias.

Todavia, é certo que Deus reside na gente má também, sim, até no tigre, porém isto não quer dizer que devamos abraçar o tigre. Poder-se-ia perguntar: "Por que devemos fugir de um tigre, se é que Deus reside nessa forma?" A resposta a isso é que Deus, que habita em nossos corações, nos manda fugir do tigre. Por que não havemos de obedecer à Sua vontade?

Em certo bosque vivia um sábio que tinha vários discípulos. Ele lhes havia ensinado esta verdade: "Deus reside em todas as coisas. Sabendo isto, devereis prostar-vos de joelhos ante todos os objetos".
Um discípulo saiu, certo dia, ao monte, para buscar lenha. Em seu caminho, viu um homem que conduzia um elefante furioso e ouviu que lhe gritava: "Sai do caminho; afastai-vos! Este elefante está enfurecido!" O discípulo, em vez de fugir, recordou a doutrina no mestre e pôs-se a raciocinar: "Deus está no elefante tanto quanto em mim. Deus não pode ser molestado por Deus; então por que devo fugir?" Pensando assim, ficou onde estava e saudou o elefante que vinha sobre ele. O condutor (Máhoot) continuava gritando: "Afastai-vos, afastai-vos!", porém o discípulo não se moveu, até que foi violentamente colhido pelo irritado elefante e arrojado a um lado. O pobre moço, moído e ensanguentado, ficou inconsciente no solo. O sábio, ao saber do acidente, moveu-se com seus discípulos a levá-lo à casa. Quando, depois de algum tempo, o infortunado jovem recobrou a consciência e referiu o que lhe havia acontecido, o sábio replicou: "Filho meu, é verdade que Deus está manifestado em todas as coisas; porém se Ele está no elefante, não está igualmente manifestado no condutor? Dizei-me porque não prestastes atenção à advertência do condutor."

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Minhas notas:

(a) referência ao Râmakrishna, reconhecido na Índia e por muitos orientais e ocidentais como encarnação recente da Divindade, como Jesus e Buda. "Bhagavân" é um termo sânscrito que significa "O Bendito Senhor";

(b) Prahlâda: jovem santo referido nos "Puranas", textos sagrados hindus, importante por sua devoção a Vishnu e que foi capaz de realizar a sua Realização (união com o Divino);


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